sábado, 22 de dezembro de 2007

Um ano

Faz hoje um ano que iniciei a edição deste blogue. Como todos os que o lêem sabem, é um espaço pessoal sem outra ambição que não seja a reflexão sobre temas que me interessam e que julgo ser oportuno partilhar.
Sobretudo sobre temas de educação, às vezes com uma incursão na política, sempre como um contributo de cidadania.
Em consonância com o espírito da quadra, desejo a todos os que aqui se aventurarem um Natal Feliz e um Ano de 2008 pleno de felicidades pessoais e sucessos profissionais.

segunda-feira, 17 de dezembro de 2007

Cursos de Especialização Tecnológica

Na Escola Superior de Tecnologia e Gestão do Instituto Politécnico de Leiria iniciou-se hoje, formalmente, um novo conjunto de CETs., formação pós-secundária não superior, abrangendo áreas diversas do social às tecnologias.
A aposta forte do IPL nesta modalidade de formação transformou-o na instituição de Ensino Superior com maior número de CETs registados e maior número de alunos a frequentar, cerca de 1200.
De notar que os CET funcionam um pouco por todo o distrito e até fora dele e são um tipo de formção que serve interesses específicos de alunos e necessidades do mercado.
Ao contrário de formações tradicionais centralizadas em escolas, os CET vão ao encontro dos formandos nas suas áreas de residência, num exemplo de colaborações múltiplas ao serviço da elevação do nível de formação dos portugueses.

terça-feira, 11 de dezembro de 2007

Gestão escolar profissionalizada

O PM apresentou hoje no Parlamento a versão preliminar da nova arquitectura organizacional das escolas não superiores, com particular relevo para a forma de selecção dos novos responsáveis com perfil claramente profissional, designados directores executivos.
Embora não tendo tido acesso aos documentos preparatórios da legislação a sair e sendo certo que este é um primeiro balão de ensaio para experimentar o "clima", a novidade é requentada. Já em 91, pela mão do PSD, houve experiência semelhante (Decreto-Lei 172/91).
Eu próprio fiz parte do processo como representante de uma autarquia e participei no júri que seleccionou um gestor que ainda hoje se mantém em funções.
O então Secretário de Estado Pedro D'Orey da Cunha, que participou na elaboração técnica e na negociação política da nova legislação apontava três elementos relevantes - a eficiência dos serviços, a prestação de contas e a autonomia local de decisão -, como caracterizadores de um novo paradigma de democraticidade no governo das escolas, que se pretendia implementar com o novo decreto.
Como pontos de ruptura deste modelo com o anterior podem assinalar-se, a tentativa de profissionalização da gestão, através da criação de um órgão de gestão unipessoal, o director executivo, e a tentativa de institucionalizar uma participação dos pais, de representantes da autarquia e dos interesses culturais e económicos locais na tomada de decisão na escola, a separação dos órgãos de direcção e gestão e a aplicação do novo modelo a todos os níveis de ensino não superior, desde a educação pré-escolar ao ensino secundário.
O DL 172/91, que apenas vigorou em regime experimental nalgumas escolas, ficou-se pela declaração de intenções e, mais uma vez, a administração educativa continuou a reger-se por um paradigma centralizado, pontuado aqui a ali por discursos descentralizadores, mas com práticas apenas timidamente desconcentradas.
Veremos se agora vai ser diferente. Voltaremos ao assunto.

terça-feira, 4 de dezembro de 2007

PISA indigesta

Os resultados mais recentes do PISA (Programme for International Student Assessment), que envolveu alunos dos 15 aos 17 anos de 57 países e foi realizado sob os auspícios da OCDE, evidenciam a liderança da Finlândia e da Coreia do Sul que podem ser consideradas como verdadeiras superpotências educativas, tendo esta última vindo a progredir muito rapidamente.
O estudo mostra que ambos os países se situam entre os cinco primeiros em Matemática e Literacia e a Finlândia também alcança brilhantes resultados em Ciências. Portugal está abaixo da média em todos os indicadores.
O estudo apresenta um dado preocupante. Entre 1995 e 2004 embora tenha havido nos países mais industrializados um crescimento médio de gastos com a educação da ordem dos 39% os resultados são relativamente modestos. Aparentemente a melhoria do sucesso educativo não é directamente proporcional ao crescimento do investimento financeiro.
Como diria Jorge Sampaio "há mais educação para além dos rankings", mas convém dar-lhes a atenção que merecem.

segunda-feira, 3 de dezembro de 2007

As escolas marcam a diferença

Há muito que se sabe que as escolas não são iguais e que os resultados dos alunos dependem de múltiplos factores, entre eles das escolas que frequentam. A questão das "escolas eficazes" não está resolvida, mas a investigação tem avançado e vai no sentido de comprovar que a organização, a gestão e a liderança desempenham um papel fulcral nos resultados das aprendizagens.
Num país como Portugal, onde impera a "normalização" escolar e onde ainda existe a ideia generalizada de que o sucesso escolar dos alunos depende da sua origem social e dos professores que lhe cabem em sorte, é urgente alertar as consciências para a necessidade de voltarmos decididamente as atenções para os aspectos organizativos das escolas.
Como Good e Weinstein(*) propõem, é imperativo perguntar "Em que medida os processos escolares podem compensar um ensino deficitário ao nível da sala de aula? E até que ponto um ensino de qualidade na sala de aula depende do apoio da escola? Como é que as actividades a desenvolver na sala de aula e na escola são planificadas, coordenadas e geridas?"

*Good, T. e Weinstein, R: (1992) . As escolas marcam a diferença: Evidências críticas e novas perspectivas. In A. Nóvoa (Coord.) As organizações escolares em análise. Lisboa: D. Quixote/IIE, pp.77-98.

sábado, 1 de dezembro de 2007

As TIC e os excluídos

A utilização massiva da tecnologia educativa não pode fazer esquecer os mais débeis socialmente. Já os movimentos das pedagogias activas, que colocam o aluno no centro do processo de aprendizagem e fazem dos recursos disponibilizados e utilizados massivamente pelos alunos em detrimento do papel tradicional do professor, se confrontam com o mesmo problema.
Quanto mais recursos a aprendizagem exige, maior é o fosso entre os que detêm meios complementares e ambientes familiares estimulantes e os que os não possuem. Imagine-se o que se passa agora com as TIC.
Fica assim reforçada a necessidade de as escolas fazerem o esforço necessário para diminuirem as desigualdades de oportunidades no acesso á educação e à aprendizagem que a situação social dos alunos condiciona de forma evidente.

quinta-feira, 29 de novembro de 2007

Você é um líder

Num anúncio a uma empresa que patrocina o Online Educa Berlim aparece a seguinte frase: "Você é um líder . Você é um educador".
Tanto que alguns professores se esquecem disto. Tal como tambem não se vêem como decisores.
Muitos professores esquecem estas duas grandes marcas da profissão, a necessidade de se considerarem decisores e de se assumirem como líderes.

As TIC e o sucesso educativo

Tenho estado na conferência Online Educa Berlin. Deve ser um dos mais importantes acontecimentos mundias nesta área. As virtualidades das TIC ou ICT, como aqui são referidas, são infinitas e o que já se faz por esse mundo fora é imenso.
No entanto, continua por resolver o essencial, como transpor para o sucesso escolar o enorme potencial das tecnologias. Se nas empresas e noutras áreas isso é visível e, aparentemente fácil, na educação está-se a mostrar tremendamente difícil.
Se compararmos, por exemplo, o que ocorreu nas telecomunicações, que revolucionaram as formas de comunicação, perguntar-se-á por que razão coisa semelhante não é possível com o ensino.
Talvez porque temos ainda um modelo de escola fundado no paradigma da primeira revolução industrial e não conseguimos que os sistemas educativos se movam ao ritmo da actual revolução e das novas tecnologias.
Temos a ferramenta, mas não a conseguimos tornar eficaz. Compramos um telemóvel e utilizamo-lo com proveito visível. Instalamos toda a mais moderna tecnologia que há para instalar numa escola, mas isso não assegura automaticamente mais sucesso educativo.

quarta-feira, 21 de novembro de 2007

PME, globalização e liderança

Pediram-me para escrever um artigo sobre o tema para uma revista regional de economia. Deixo aqui apenas um pequeno excerto. O artigo vai sair brevemente.

No quadro da globalização que enfrentam, e partindo de uma posição muito recuada, não resta às PME portuguesas grande espaço de manobra a não ser apostar em lideranças esclarecidas capazes de definirem e realizarem projectos de desenvolvimento estratégico, assentes no espírito de grupo, na internacionalização, no recurso massivo às novas tecnologias da informação e comunicação, utilizando a sua pequena dimensão e uma elevada qualificação dos seus profissionais como elementos estruturantes de respostas adaptadas e em tempo às alterações bruscas nos mercados e às exigências sempre mutantes dos consumidores.

segunda-feira, 19 de novembro de 2007

É a organização estúpido...

Na Gulbenkian discute-ne pela enésima vez o insucesso escolar. A inicativa é meritória, como (quase) tudo o que a Fundação realiza, mas sobre o insucesso estamos conversados, vamos antes passar a discutir o sucesso, porque se há uns que o alcançam é preciso aprender com esses.
No telejornal Manuel Villaverde Cabral diz o que há muito se sabe, o investimento português em educação não é inferior ao dos outros países europeus, os resultados é que são piores.
Como disse Clinton para Bush (pai) "It's the economy, stupid", também aqui apetece dizer uma coisa semelhante, sem querer ofender ninguém.
O problema da falta de sucesso das escolas portuguesas não resulta de situações sociais e económicas mais débeis, de alunos menos dotados, de professores menos qualificados, de edifícios e condições logísticas piores, mas sim da falta de condições organizacionais que se expressam na inexistência de uma estratégia clara e de uma liderança afirmativa, na sua esmagadora maioria.
A diferença, que chega a ser abissal entre escolas, reside no grau da sua eficácia organizacional e o resto é a cortina de fumo que ajuda a mascarar a realidade e a permitir que muitos durmam descansados.

domingo, 18 de novembro de 2007

Partidos e cidadãos

Em democracia os partidos políticos desempenham um papel insubstituível, mas é necessário repensar o seu modelo de funcionamento sob pena de se descredibilizarem completamente. Vem isto a propósito de algumas eleições de órgãos internos locais dos principais partidos do nosso universo político. O número de inscritos, quando comparado com a totalidade da população, é irrisório e o número de votantes que decidem as eleições é baixíssimo.
Isto não só significa que as pessoas, os cidadãos em geral, estão afastados dos partidos, como estes deixam de ter qualquer representatividade social, embora sejam os fornecedores de governantes e dirigentes para os cargos políticos e, em muitos casos, administrativos.
É certo que não são apenas os seus dirigentes que assumem altas funções, mas são seguramente estes que as determinam.
É tempo de refundar partidos que continuam a funcionar numa lógica de passado e nada têm a ver na sua vida interna com as modernas organizações que fazem avançar as sociedades contemporâneas.

sábado, 17 de novembro de 2007

@ professor

A Fujitsu já veio dar a mão à palmatória sobre o desempenho dos computadores. Estão a ser enviadas mensagens para quem os adquiriu para fazerem o upgrade dos mesmos sem custos. Pelos vistos os protestos já foram ouvidos.
Agora só falta a TMN e com a criação da PT Multimédia é mesmo oportuno aumentarem a largura de banda que é demasiado estreita.

Voltar ao princípio

Há momentos em que nos cansamos das coisas e procuramos mudar. Nem sempre acertamos. Procurei encontrar um novo visual para o blogue, mas nem eu me revia nele, nem muitos dos que me têm acompanhado. Voltei ao princípio, com algumas simplificações.

Solidariedade com a Carolina

O meu nome é Carolina Brito Lucas, tenho 3 anos e meio e moro em Odivelas.
Nasci prematura, com apenas 29 semanas de gestação. A minha mãe teve uma gravidez normal, nada fazia prever que eu estivesse com tanta pressa para ver o mundo cá fora...e essa pressa saiu-me cara.Nasci com 1.100 kg, era um pacotinho de arroz, como a minha família costuma dizer. Desde essa altura que sou uma lutadora, não fui ventilada, consegui respirar por mim e, ao contrário do que os médicos previam, desenvolvi-me rápido e no espaço de um mês estava em casa. Quando nasci, foi-me detectada, em exames de rotina normais feitos a prematuros uma ‘Leucomalácia Periventricular’. Ninguém da minha família sabia bem o que isso era e na altura não deram muita importancia ao assunto, pois os médicos diziam que era comum nos prematuros e que não havia motivo para alarmes, que o importante era que a eu lutei pela vida e consegui.Nos primeiros meses de vida, tive um desenvolvimento perfeitamente normal, parlava muito e era uma bebé adorável.A minha família só notou que algo não estava bem quando, na altura de começar a sentar-me, não o fiz. Nessa altura os médicos do Hospital de Santa Maria (que nunca deixaram de me seguir) começaram a falar em Paralisia Cerebral. Os danos causados por uma paralisia cerebral são sempre incalculáveis...até serem visíveis.Passei a ser seguida no Centro de Paralisia Cerebral, onde estou integrada num programa que contempla: Fisoterapia, Educadora, Terapia da Fala, etc. Também frequento um Infantário e pratico Hidroterapia. Hoje tenho 41 meses, sou felizmente uma menina muito esperta, com um desenvolvimento cognitivo e intelectual perfeitamente normal para a minha idade, falo muito e bem, sou muito risonha e tranquila, gosto muito de desenhar, e sou fã do Noddy, do Ruca, do Pocoyo ...A nível motor tenho problemas sérios e muito graves. Não me sento sem ajuda, não gatinho, não ando e tenho alguma dificuldade em manejar objectos com as mãos, quando isso envolve perícia de movimentos.Desde os 10 meses de idade que faço tratamentos de fisioterapia, tratamentos esses que não mostram os resultados que esperávamos. Embora os médicos e fisoterapeutas concordem que existem ligeiras melhoras, a minha família não consegue vê-las... e pior que isso, eu apercebo-me que sou diferente dos outros meninos e que não consigo andar. Por várias vezes digo que quero andar mas não consigo. Um dos brinquedos que mais gosto é uma bicicleta que infelizmente não posso usar.Há uns tempos atrás, a conselho de um médico português, a minha família estabeleceu contacto com o CIREN, um centro de Restauração Neurológica em Cuba, totalmente vocacionado para, entre outros, casos como o meu e com excelentes resultados. Os médicos cubanos foram extremamente simpáticos e garantem melhoras visíveis se eu fizer os tratamentos necessários.Mas, como em tudo na vida há um senão...os tratamentos são muito dispendiosos e a minha família precisa de ajuda financeira para os suportar. Pelo primeiro ciclo de tratamentos, com duração de 35 dias, o valor cobrado é de aproximadamente 15.000 Euros. E não se sabe quantos ciclos de tratamento vou necessitar. E por cada um, o valor multiplica.A minha família não vai desistir até me ver andar ... AJUDA-OS a AJUDAREM-ME!!
http://www.carolinalucas.com/

quinta-feira, 15 de novembro de 2007

Computadores @ professor

Pois é, um computador por 150€ e uma placa de rede por 17,50 mês é uma pechincha.
Só que... a coisa não funciona.
A propaganda é enganosa pois a TMN diz que esta banda larga é "estreita" e que as pessoas deviam ter lido bem o contrato que subscreveram. Agora estão vinculadas por 3 anos e andam na internet a passo de caracol.
Por favor protestem, para que o descontentamento se transmorme em clamor que possa ser ouvido e atendido. Caso contrário o melhor é chamar a ASAE pois a PT Multimédia, pelos vistos com o aval do Governo, anda a vender gato por lebre, o que notoriamente contraria uma directiva da União Europeia.

terça-feira, 13 de novembro de 2007

O país dos pigmeus

Hoje foram atribuídos os prémios "professor". "Porreiiiiro pá", terá dito o Primeiro Ministro, "desta vez têm direito à cenoura que o pau é o mais frequente".
"O país dos pigmeus" vai ser um espaço onde "à la minute" farei uns retratos estilo "Portugal no seu melhor" mesmo sem pagar royalties ao Miguel Esteves Cardoso que inventou (?) esta rubrica no Independente.
A comissão que atribui os prémios "Professor" é presidida por Daniel Sampaio, pessoa por quem tenho o maior respeito e consideração, mas que se tem prestado a avalista do Ministério sempre que este pretende dar ar de respeitabilidade a matérias polémicas.
Foi o caso da Comissão para a Educação Sexual, é agora com este mais do que discutível prémio, que sem desprimor para quem o recebe é assim uma espécie de consolação nos jogos florais da paróquia.
Pois o que disse o Prof. Sampaio na entrega dos ditos prémios? O que toda a gente sabe, excepto quem se quer iludir, que nas escolas grassa a desmotivação, a incerteza, a desmoralização, o descontentamento e tudo o mais que é natural num país onde o respectivo ministério vê rosas onde abundam os espinhos.
Disse e ficou-lhe bem. Aposto que as vendas dos seus livros vão subir nos próximos dias. O problema é que quem diz o que disse, não devia fazer fretes ao ME, tanto mais que ninguém, leia-a-se o Primeiro Ministro, a Ministra e a respectiva entourage, lhe ligou nenhuma.
No fundo estes prémios são como as esmolas, apaziguam as consciências mas não acabam com a miséria.

Pôr do Sol


segunda-feira, 12 de novembro de 2007

Aprender ou não-aprender

"O nível de desenvolvimento de uma sociedade é determinado pela capacidade de aprender permitida pelas instituições...Não é o fenómeno de aprender, mas o de não-aprender o que requer explicação..."
Habermas, 1976

sábado, 10 de novembro de 2007

Resolver problemas

Dizer "Dêem-me alunos que queiram aprender, gostem de aprender, dominem a linguagem escolar e todos os códigos, beneficiem de todos os apoios familiares e eu comprometo-me a eliminar o insucesso escolar", é dizer de facto, "Tragam-me um problema resolvido e eu comprometo-me a resolvê-lo num instante."

Provocatório?

A afirmação é de Philippe Perrenoud (2002), que conclui:
"Ninguém poderá acusar um problema por não estar resolvido! É aquele que o enfrenta que faz a diferença, ao encontrar, ou não, uma solução."

Leiam o resto, que vale a pena, em

http://www.unige.ch/fapse/SSE/teachers/perrenoud/php_main/php_2002/2002_14.html

Professores reciclados

Começam a chegar aos vários serviços públicos consultas sobre o interesse em receberem professores considerados incapacitados para o serviço docente e que serão reclassificados para funções técnicas. O ME liberta-se de responsabilidades, argumentando que como nas escolas não há a carreira de técnicos superiores têm de ir para outros serviços.

O problema é que se trata de pessoas que já não são jovens, têm sérios problemas de saúde, estão no topo da carreira, ou próximo, têm pouca apetência para se integrarem em novas carreiras e serão pagas pelos novos serviços onde forem colocadas.

Do ponto de vista estrito de uma gestão racional de recursos não serão muitos os serviços dispostos a reber estes professores em início de nova carreira. Naturalmente que têm uma experiência que nada nem ninguém apaga, mas...

Assim caminha a reestruturação da função pública, esmagando os mais fracos e os mais fragilizados e atirando-os para o quadro de excedentes.

quinta-feira, 8 de novembro de 2007

Escolas e escolas

Em tempo de rankings é preciso ser cauteloso na análise destas questões, mas não resisto a transcrever uma citação de dois autores americanos Thomas Good e Jere Brophy, citados por António Nóvoa (1992), e que já em 1986 escreveram:

"Em primeiro lugar, constata-se que os processos internos às escolas estão relacionados com o sucesso dos alunos, o que sugere a existência de mecanismos que permitem a certas escolas obter melhores resultados do que outras com idênticos inputs (sublinhado meu). Uma segunda descoberta importante refere-se à identificação de processos que caracterizam de modo consistente escolas que têm mais e menos sucesso. A investigação e os dados demonstram que a variância entre as escolas representa uma dimensão importante que pode ser influenciadad pela escolha das acções e dos recursos mais adequados." (p.21)

Também num importante relatório, mas muito mais recentemente, em que se faz a revisão da literatura sobre “Como a liderança influencia a aprendizagem dos alunos” (Leithood, Louis, Anderson e Wahlstrom, 2004), e em que passam em revista todos os aspectos que influenciam o desempenho das escolas, os autores concluem pela existência de uma relação evidente entre liderança, iniciativas reformistas e o seu contributo positivo para a melhoria da qualidade em geral, acrescentando valor às aprendizagens dos alunos.

Em síntese, os resultados escolares são fortemente influenciados pelo que se passa dentro de cada escola e com rankings ou sem eles esta é uma verdade que a investigação confirma.


Bibliografia:
Nóvoa, A. (1992). Para uma análise das instituições escolares. In António Nóvoa (Org.) As organizações escolares em debate. Lisboa: Edições D. Quixote, pp. 13-43

Leithwood, K., Louis, K., Anderson, S. e Wahlstrom, K. (2004). Review of research. How leadership influences student learning. http://www.wallacefoundation.org/KnowledgeCenter/KnowledgeTopics/EducationLeadership/HowLeadershipInfluencesStudentLearning.htm?byrb=1

quarta-feira, 7 de novembro de 2007

Novo design

Como fica patente o visual do blogue foi profundamente modificado. Minimalista e clean. É o espírito do tempo...

quinta-feira, 1 de novembro de 2007

Ota ou Alcochete?

Quando tudo parecia decidido eis que a Confederação da Indústria Portuguesa (CIP) resolveu encomendar um estudo a reputados académicos e ex-governantes sobre a hipótese de uma nova localização do aeroporto internacional de Lisboa em Alcochete.
O estudo tem feito as manchetes dos últimos dias e, aparentemente, é melhor opção do que a Ota. Não sei se é, nem isso me interessa agora. Apenas quero chamar a atenção para o que significa, em Portugal, uma associação empresarial abalançar-se a pagar um estudo alternativo ao do Governo e discutir taco-a-taco com este a opção para um novo aeroporto.
Noutros tempos isto seria impensável, agora parece quase banal. Não sei se Alcochete ganha à Ota, mas a CIP já ganhou e, atrevo-me a dizer, todos nós já ganhámos, com esta afirmação de vitalidade da chamada Sociedade Civil.
Independentemente de quem seja o Governo, existem portugueses que pensam pela sua cabeça e se arrogam o direito de dar opiniões e de se baterem por elas. Passou definitivamente o tempo de o "governo" do país se esgotar nos deputados e nos governantes que elegemos e de estes se consideraraem como detentores de toda a verdade.

As faltas dos alunos

Mais uma vez o ME deixou no ar a ideia de que estas matérias são mal pensadas e pior articuladas. Medidas desta natureza deviam primeiro ser objecto do parecer de especialistas, audição de associações interessadas e articulação com os representantes parlamentares. Quando a medida fosse adoptada haveria o máximo consenso possível e evitar-se-ia o espectáculo triste, a que ainda recentemente se assistiu, de se negar num dia o que se afirmara como verdade insofismável no anterior.
Mas a questão das faltas dos alunos, ou do excesso de faltas, não pode ser vista apenas como um problema escolar, até porque os alunos que ultrapassam os limites de faltas e se desinteressam das escolas são potenciais trabalhadores desqualificados e candidatos a marginais. Trata-se, pois, de um problema social e como tal deve ser tratado.
Em Portugal ainda estamos na fase em que as escolas são generalistas no sentido em que devem lidar com todo o tipo de alunos. Não é necessário que assim seja e há países onde, há muito, ensaiaram outras soluções, procurando respostas especializadas para problemas particulares.
Visitei, há três anos, em Roterdão uma instituição escolar especializada na recuperação de alunos problemáticos, que após sinalização pelas suas escolas, são para ali encaminhados e onde seguem programas adaptados às suas situações.
Não se trata de uma casa de correcção, mas de uma escola onde desde os funcionários aos professores todos estão qualificados e preparados para lidarem com alunos difíceis, muitos deles pequenos delinquentes.
Os alunos seguem programas muito específicos e temporalmente limitados, findos os quais voltam a ser reinseridos na escola de origem ou noutra conforme os casos. É uma alternativa e deixo-a aqui apenas como testemunho e reflexão.
Uma coisa é certa, expulsar da escola um aluno porque falta mais do que o convencionado, é resolver um problema à Escola, mas é condenar o aluno à exclusão e criar mais problemas à Polícia e à Segurança Social, digamos, à Sociedade.

domingo, 28 de outubro de 2007

O Ministério Público e os alunos

O Procurador Geral da República está preocupado com atitudes de mau comportamento de alunos nas escolas. Bem vindo ao clube. Esta questão é demasiado importante para continuar a ser tratada como até aqui.
No entanto, deve ter-se em conta que não estamos perante um caso de polícia, o problema é essencialmente educativo e pedagógico e apenas uma pequena percentagem de casos podem vir a ser considerados sob a alçada da justiça civil e criminal.
O problema é de fundo e tem a ver com a forma como os alunos se comportam quotidianamente nas aulas, onde cada vez é mais difícil aos professores criarem e manterem as condições indispensáveis à aprendizagem. É aí que tudo começa, e na maior parte dos casos nem há matéria para participações nem punições, apenas um mal estar que se vai agravando e tornando cada vez mais penoso ser-se professor.
É aqui, na raiz que o problema tem de ser atacado, na forma como os alunos se comportam nas aulas, na relação de trabalho professor-alunos. E esta não é uma questão que diga respeito a cada um dos professores individualmente considerados, o problema é do colectivo da escola, com os órgãos de direcção na primeira linha.
A percentagem de casos de comportamentos a justificarem a intervenção da justiça, para além deste deixa-andar instalado, são relativamente pequenos. Agressões e insultos, são excepções. A preocupação do Procurador é de saudar, mas se não forem as escolas a mudar radicalmente a forma como socializam os alunos e a definir o que é aceitável e inaceitável na relação professor-alunos e a abandonarem um certo laxismo que, nalguns casos, começa a não ter fronteiras, não há Ministério Público que nos valha.
Certamente a família também tem aqui uma importante responsabilidade e muito do que se passa hoje nas escolas tem a ver com as mudanças no tecido familiar e social, mas o papel das escolas é específico e de nada serve tentar culpabilizar terceiros. Cada escola tem de fazer o seu trabalho.
A solução passa pelo estabelecimento de redes de cooperação escolas, famílias, Segurança Social, Instituto de Emprego e Formação Profissional, polícias, tribunais, autarquias locais. Mas a Escola tem de adoptar uma atitude pró-activa e menos defensiva do que a que se tem generalizado na aceitação de comportamentos verdadeiramente intoleráveis por parte dos alunos, ainda que não mereçam sanção judicial.

sábado, 27 de outubro de 2007

Estranha forma de representação

Na sequência da publicação do Novo Regime Jurídico das Instituições do Ensino Superior vão ser eleitas as assembleias estatutárias, cuja finalidade exclusiva é a elaboração de novos estatutos. Como se compreenderá a importância destas assemblais é enorme, tanto mais que são elas que vão determinar, no que não está consagrado na Lei, a arquitectura organizacional e funcional das instituições.
Quando se esperaria que a sua representatividade fosse o mais alargada possível, a lei exclui liminarmente os funcionários não docentes e a esmagadora maioria dos docentes. De facto não haverá representantes dos funcionários na Assembleia Estatutária e os docentes estarão apenas representados pelos doutorados e docentes dos quadros, que são uma pequena minoria.
Os estudantes, esses sim, serão todos eleitores activos e passivos, embora contem apenas com um pequeno número de representantes na Assembleia, cuja composição inclui doze docentes, três alunos e cinco personalidades exteriores à instituição.
Certamente inspirado na teoria do Pecado Original, o legislador não quis fugir à regra e decidiu que também aqui o novo quadro institucional devia ter o seu, ou seja, excluindo todos os funcionários não docentes, e os professores que não reunam aquelas condições, como se uns e outros não contem para o bom ou mau funcionamento das instituições.
Assim ficamos todos a saber que para este efeito, e para lá dos graus académicos, nas instituições de ensino superior existem portugueses de primeira para efeitos de elaboração de estatutos, que podem ser eleitores activos e passivos e outros, de segunda, que são só para assegurar trabalho administrativo ou dar aulas ou mesmo investigar, mas não são vistos nem achados em matéria de definir o futuro das instituições.
Em tempos Mário Soares foi acusado de "meter o socialismo na gaveta". O novo RJIES, que tem a vantagem de ser filho de pai incógnito, o chamado legislador, nega o direito à existência, em matéria fundamental, à maioria dos que são responsáveis pelo funcionamento de algumas das instituições de ensino superior.
Guterres usava um slogan muito apelativo "As pessoas primeiro". Os discípulos renegaram a herança.
Por mais argumentos que se invoquem, nada justifica que num acto refundacional das instituições fiquem de fora alguns dos que são indispensáveis para o seu funcionamento.

sábado, 20 de outubro de 2007

Tratado de Lisboa

Para a autoestima dos portugueses é uma boa notícia, para a Europa é um novo fôlego. Apesar do sucesso da presidência portuguesa, aliás compartilhado com o Presidente da Comissão Europeia, também português, alguns afadigam-se mais a defender o referendo do que a comemorar o facto de se ter conseguido um acordo.
A questão do referendo é uma falsa questão. Os tratados internacionais podem ser referendados pela Assembleia da República, que tem legitimidade democrática para o fazer. Dizem alguns que o referendo é uma forma de fazer participar os cidadãos na vida da Europa, será, mas há muitas outras e é mesmo possível e desejável explicar a todos os aspectos essenciais do tratado, sem necessidade de referendo popular. O basismo em matéria de relações internacionais nem sempre é bom conselheiro.

Scope on the Globe

"Scope on the Globe" é uma feira de educação que se realiza anualmente em Utrecht, Holanda. Tal como há feiras de de equipamentos, alimentação ou livros, esta é dedicada à oferta formativa e onde estão presentes algumas das mais reputadas escolas do mundo inteiro.
Portugal, como em muitos outros domínios, passa um pouco ao lado. Apenas o Instituto Politécnico de Leiria lá tinha um stand, o que sendo uma oportunidade para o IPL, traduz bem a forma um pouco outsider em relação à Europa, para já não falar do mundo, em que se colocam as instituições nacionais, designadamente as do Ensino Superior.
A feira permite o contacto com instituições de diversos níveis, sobretudo ligadas ao ensino profissional e superior, estabelecer parcerias e laços de cooperação que podem ser potenciados nos programas de mobilidade de estudantes e professores, aferir a evolução da oferta e é uma excelente oportunidade para o benchmarking educacional.
Portugal em termos de captação de estudantes do Ensino Superior do centro e norte da Europa tem um handicap, a língua e o facto de ainda ser muito escassa a oferta de cursos em língua inglesa, já generalizados noutros países, mas tem muitas outras vantagens em termos culturais, turísticos e de custo de vida.
A realidade conhecida da existência de centenas ou já milhares de alunos portugueses irem estudar para outros países pode ser invertida e Portugal deixar de exportar estudantes para passar a receber. Num mundo global e competitivo, a educação não foge à regra e é uma área de negócio como qualquer outra. Para além do mercado potencial do Brasil e dos PALOPs, a Europa está aqui mesmo á mão. É apenas uma questão de perceber que também neste domínio o mercado português é curto e os desafios são globais.

terça-feira, 9 de outubro de 2007

Área de projecto

Nos últimos tempos têm-se multiplicado as críticas à Área de Projecto. Há mesmo muitos que são contra as áreas disciplinares não curriculares. Ora aqui está um bom tema para discussão. Como sempre acreditei que as escolas e os professores, sobretudo através dos conselhos pedagógicos, podiam ter um importante papel a desempenhar na reformulação dos currículos, que de facto não têm tido, fica aqui o repto. Quem quer participar na discussão? Currículo versus áreas não curriculares. Afinal, numa escola, o que está dentro e fora do currículo? E se à escola juntarmos a família e a ligação ao mercado de emprego muda a visão do currículo?
Como me disse uma vez um formando "Há três realidades, dentro da escola, fora da escola e ao lado da escola". O rapaz não sabia nada da matéria (Desenvolvimento Curricular) e a coisa passou como piada. Mas lá que há coisas "ao lado da escola", isso é verdade.

domingo, 7 de outubro de 2007

O Presidente e os professores

O Presidente da República, cuja sensibilidade política e sentido de oportunidade, são conhecidos, veio dar um sinal, no seu discurso das comemorações do 5 de Outubro, de que é necessário dar mais atenção aos professores.
Elementar, dirão alguns. Justo e oportuno, digo eu. Há muito que se tornava necessário que alguém, com sentido de estado, colocasse o dedo na ferida aberta pelos enxovalhos à classe docente.
A esmagadora maioria dos professores sentem-se desmotivados , ofendidos e agredidos. Talvez alguns exagerem na vitimização, mas têm razão no essencial.
É urgente redignificar a classe docente até porque os insucessos do sistema resultam mais das políticas do que de quem as põe em prática.
Convém, no entanto, não esquecer que a dignidade não é uma benesse, mas uma conquista do próprio.

domingo, 30 de setembro de 2007

Novamente o estádio

O estádio de Leiria é um monumento à insensatez de certas deciões políticas, cujos responsáveis, mesmo depois de inequívocas evidências, continuam a defender acriticamente. Decidir implica riscos e às vezes decide-se mal. Por isso não se fica diminuido quando se constata que se decidiu erradamente e se assume o erro.
A construção do estádio de Leiria, naquele local e com uma engenharia financeira assente exclusivamente nos dinheiros públicos foi um erro crasso que todos pagamos em cada dia que passa. Acresce que o estádio tem capacidade para 30 mil espectadores e que a assistência média aos jogos não chega a um décimo disso. Mas isso são outros contos.
Na última Assembleia Municipal analisou-se a renegociação de dois empréstimos para se pagarem prestações mais baixas, durante mais anos. A Câmara está afogada em dívidas e como uma família em dificuldade atira para o futuro o pagamento de dívida presente. Parece aceitável, mas...há sempre um mas, ninguém assume os custos políticos e cíveis de uma decisão errada que impede que se construam escolas, se reparem estradas, se cuide dos espaços verdes e por aí fora.
Quanto custa por dia o serviço da dívida pelo facto de o Topo Norte continuar um esqueleto sem utilidade? Não ficava bem à Presidente da Câmara ao menos assumir que a decisão foi errada e pedir desculpa por isso?Ao contrário, com toda a arrogância, justifica que depois disso já ganhou eleições. Estamos conversados. Quem ganha eleições fica purificado. O voto é uma espécie de unção que apaga qualquer mancha de pecado.

The best is yet to come

O título deste post é o de um CD de Ella Fitzgerald, que estou a ouvir neste momento, e aplica-se ao que aí vem com a eleição de Luís Filipe Menezes, que num post do dia 16 eu tinha previsto "arriscava-se a ganhar", e ganhou.
Esta eleição interessa-me enquanto cidadão, pois o que estava e está em causa nas eleições partidárias são os interesses do país e das pessoas em geral e não apenas dos seus militantes. Infelizmente a maioria divorcia-se do que se passa dentro dos partidos e depois queixa-se.
Mendes é um político sério mas nunca foi um líder, nem jamais lá chegaria. Não é líder quem quer, mas quem os outos reconhecem como tal.
Como se viu, perdeu na contenda com Menezes que tem mais "pinta" e vai conferir mais animação ao debate político, o que só pode ser positivo.
Quanto ao catastrofismo com que alguns vêem esta eleição é esperar para ver, mas que Menezes devolveu a esperança ao PSD e a todos os que sonham com uma alternativa ao PS, isso parece evidente.

terça-feira, 25 de setembro de 2007

A nossa Chinatown

Maria José Nogueira Pinto agitou os espíritos lisboetas ao propor a criação de uma Chinatown em Lisboa. Nós já cá temos uma, não tem lojas, mas alunos e alunas, chineses e portugueses, bem como professores das duas nacionalidades.
A parceria entre o Instituto Politécnico de Leiria e o Instituto Politécnico de Macau está pujante e cerca de quarenta alunos, chineses e portugueses, formam-se para serem tradutores de Chinês-Português e Português-Chinês.
As diferenças culturais são notórias e se a isso somarmos os alunos do programa Erasmus e os programas internacionais de cooperação temos no IPLeiria um cosmopolitismo absolutamente único na região. São sementes de um futuro feito de cidadãos de um mundo aberto e miscigenado sem Tordesilhas nem Cortinas de Ferro.

Aprender a crescer

Ana Isabel Garrido (texto) e Inês Massano Cardoso (ilustração) editaram o manual de Formação Cívica Aprender a Crescer, que é acompanhado por um jogo didáctico. O Governador Civil de Leiria apadrinhou a publicação e o Ministro da Administração Interna presidiu à apresentação da obra que me coube fazer, com grande prazer, devo confessar.
Trata-se de um valioso instrumento de trabalho para todos os professores que têm de se confrontar com as temáticas da Formação Cívica, com a vantagem de resultar de uma experiência prática de vários anos da autora do texto como coordenadora da disciplina.
Num país onde a formação cívica anda pelas ruas da amargura é um bálsamo para alma o esforço das autoras, a iniciativa do Governador Civil de Leiria e o significado político que teve a vinda a um acto eminentemente pedagógico do Ministro da Administração Interna.

Afinal ainda há quem queira ser professor

Na Escola Superior de Educação de Leiria abriram-se 70 vagas para a licenciatura em Educação Básica, versão bolonhesa dos três primeiros anos de formação de educadores de infância e de professores do primeiro ciclo.
Temia-se o pior, ainda por cima com a Ministra da Educação a gritar aos sete ventos que os professores deviam procurar outras ocupações.
Pois todas as vagas foram preenchidas na primeira fase de colocações. Nesta matéria o mercado não funciona. O desemprego na classe é conhecido, mas candidatos não faltam, como se comprova. E não acontece o mesmo em quase todas as profissões? E havia de ser a lei da oferta e da procura o único critério a ter em conta na escolha de um curso superior? Moral da história, felizmente ser professor ainda é uma profissão atractiva em Portugal. Assim as políticas de educação valorizem os bons profissionais.

Ainda os serviços de saúde

Mandei um mail ao meu médico de família, por acaso director da Unidade de Saúde Familiar, a dar-lhe conta da ocorrência, mas nem resposta. Os serviços de saúde são quase como os de justiça, não passam cavaco aos cidadãos.
Ainda marquei consulta num médico privado, mas alguém me lembrou, e bem, de um hospital privado que tem várias convenções com a ADSE, de que sou beneficiário.
Para meu espanto, marcaram-me uma consulta de um dia para o outro e cobraram-me apenas 3.49€ (três euros e quarenta e nove cêntimos). Como a hora da consulta se atrasou "deixaram-me" ir à minha vida e telefonaram-me quando a minha vez estava a chegar. O médico atendeu-me de forma cuidada, demoradamente e com uma simpatia inexcedível.
Fiquei atónito, pois estava à espera de um daqueles médicos típicos dos SAP, mal dispostos, mal educados e que quase faziam "os serviços mínimos" por favor.
Afinal há soluções. Se isto funciona nos privados por que raio não funciona no público?

terça-feira, 18 de setembro de 2007

Foi você que pediu uma consulta?

Já ouviu falar das novas Unidades de Saúde Familiares? Finalmente parecia estar encontrado o ovo de Colombo para atrasos e mau atendimento nos Centros de Saúde. Incauto, acreditei, e como há anos não visitava o meu médio de família, cujo vencimento é pago com os meus e os seus impostos, resolvi rentabilizar o meu e o seu investimento no Serviço Nacional de Saúde, e usando a nova modalidade telefónica (viva o progresso) solicitei a marcação de uma consulta ontem, 17 de Setembro. Ficou para 29 de Outubro!!!
Talvez seja normal. Eu é que acreditei na propaganda, neste caso enganosa. Áh, já me esquecia, se for urgente posso ir para lá a partir das 17 horas e sou, de certeza (!), atendido por um médico de turno.
Simples, o médico de família não tem tempo para atender os doentes, mas nas urgências sempre se arranja um espacito. Se for num consultório privado a coisa é garantida. Mas, neste caso, quem é que me devolve o dinheiro que pago para o Serviço Nacional de Saúde?

O novo ano lectivo

O novo ano lectivo arranca com mais alunos e menos polémica e, sobretudo, num ambiente diferente no país. De há dois anos para cá começou a ganhar força a imagem positiva do "voltar á escola", e por todo o lado se fala de formação, seja na procura de reconhecimento e validação de competências, seja em novas formações básicas e secundárias, pós-graduações, mestrados ou doutoramentos.
Portugal tranformou-se num país de estudantes, o que é muito positivo e estimulante. O concurso de acesso ao ensino superior veio confirmar a tendência. A procura de formação está em alta a todos os níveis, o que permite pensar num país mais preparado para competir com os demais no futuro próximo.

domingo, 16 de setembro de 2007

O som dos tambores

No PS/Leiria (concelho) começam a ouvir-se os tambores de guerra. Começa a cheirar a pólvora autárquica e a contagem das espingardas é inevitável. Como num filme em repetição, as cenas são conhecidas, mas a malta não arreda pé. Falta conhecer o par amoroso, mas o enredo é o de sempre.
Como se sabe que "os mesmos métodos conduzem sempre aos mesmos resultados" não é difícil perceber o que vai acontecer, a menos que se escolha, finalmente, um caminho diferente.
Atenção à alteração da legislação autárquica, pode ser uma oportunidade preciosa.

Novos alunos no Superior

O IPleiria foi das instituições que conseguiu captar mais alunos, muito mais que muitas universidades. Apenas um senão, muitos alunos não entram na primeira prioridade. É preciso perceber porquê e gerir as expectativas goradas. De qualquer forma, sucesso absoluto.

Mendes versus Menezes

Menezes arrisca-se a ganhar as eleições. Goste-se ou não, fala e as pessoas ouvem. Se calhar é demagógico, mas a demagogia vende. Mendes tem ar de perdedor, não articula uma ideia que desperte atenção. Exemplo de hoje nos telejornais. Menezes ao ataque sobre a prisão preventiva "As alterações põem os criminosos na rua". A maioria das pessoa ouve e, tenho a certeza, concorda. Mendes, queixa-se que a RTP faz censura ao que diz. Quem se importa, se ele diz coisas que não despertam interesse? Não digo que não tenham, apenas que o registo usado não passa e o que não capta a atenção é como se não existisse.
A questão da liderança do PSD não é um mero assunto interno. Quem pensaria, quando Sócrates se apresentou como candidato a líder, que um dia andaria a fazer jogging na Praça Vermelha ou em Washinton e a falar tu cá, tu lá, com Putin e Bush, como "Presidente" Europeu? Pois é, não é só isto que está em causa entre Mendes e Menezes, mas também é. Daí a relevância nacional do assunto.

segunda-feira, 10 de setembro de 2007

Chico Lobo

Nunca Francisco Rodrigues Lobo poderia imaginar que um dia passaria a ser o Chico Lobo. De bardo a bar falta apenas um do, e este faz toda a diferença. Se há espaço onde a tradição e a modernidade andam de mãos dadas é ali na Praça Rodrigues Lobo, ex-libris de leiria, como se diria na linguagem gongórica do estado Novo.
Mas a verdade é que o nosso grande poeta, patriarca da praça, que observa da sua estátua, agora quase à dimensão dos passantes, o movimento cosmopolita da noite, deve regozijar-se, mesmo que as pessoas não conheçam a sua obra, nem saibam quem é aquele senhor do pedestal.
Finalmente tem companhia, para além dos pombos, e é um gozo ver pais e filhos, velhos e novos, distribuindo-se pelas várias esplanadas, cafés e bares, cada um como um pequeno microcosmos da cidade, com os seus habituès, sim porque também ali há uma hierarquia social, uma cultura específica, um tempo de lazer muito próprio, deixando às crianças o prazer de andarem de bicicleta, patins ou, simplesmente, jogarem á bola. Trata-se de uma verdadeira reapropriação do espaço público.
Afinal parece fácil travar e inverter a degradação do centro histórico. A receita do Chico Lobo, o bar que iniciou o movimento de regeneração, funciona. Investimento sólido, serviço com qualidade para diferentes públicos, porta aberta o dia todo mais uma boa parte da noite, sem arruaças nem gangsterismo e até ajuda a pagar o estacionamento. E o exemplo está a frutificar e os leirienses a aderir. É uma romaria. Viva Leiria.
Por uma questão de ética importa ressalvar que não sou cliente apenas do Chico Lobo, mas da praça. Quando lá vou sento-me onde há lugar, coisa que em dias de movimento já não é nada fácil.

Autonomia e mais alunos

Finalmente vão avançar os contratos de autonomia. Qual autonomia? Enquanto o ME decidir tudo e mais alguma coisa, a autonomia vai ser uma flor na botoeira do Governo. Será pior do que agora? Não sejamos pessimistas, mas não é por aqui que o sistema vai mudar. Mas vai ser interessante de seguir o processo. Pela minha parte já estou instalado numa boa janela para ver a banda passar e ouvir as trompas e as fífias.

Sócrates tem um bom indicador para mostrar, aumentou o número de alunos nas escolas. É, sem dúvida, motivo de orgulho para todos e uma vitória política para o ME e para o Governo. É pena ser tão pouco, mas as Novas Oportunidades foram o coelho tirado da cartola. Infelizmente a inabilidade da Ministra tem estragado tudo o resto. E o que é espantoso é que há uns fundamentalistas que estão convencidos de que o PS está a fazer um grande trabalho no ME. Pois é necessário afirmar cada vez mais alto que a "Ministra vai nua", por mais que os aparelhistas do costume bradem o contrário para salvar as sinecuras que lhes couberam em sorte.

domingo, 9 de setembro de 2007

Leiria e o Pólis

Embora com atraso, um comentário sobre o assunto. Como se esperava, a inauguração do Pólis, que por acaso ainda não está concluído, foi de consagração para a Presidente da Câmara. Como ela uma vez disse "tudo lhe cai do Céu", cito de memória. Imaginem que Sócrates não tinha lançado o Pólis. Qual seria o legado de Isabel para a cidade e o concelho? Assim já ganhou um lugar de relevo na história do concelho, em especial da cidade, que está diferente e onde cada vez dá mais gosto viver.
Por qualquer fenómeno que releva do mais puro esoterismo, ninguém associa os méritos do Pólis à governação do PS, mas aos dotes políticos de Isabel. Quem sempre capitalizou esta intervenção foi o PSD, embora tenha sido o PS o partido que mais apoiou o desenvolvimento da cidade e do concelho.
Sócrates e Isabel trocaram elogios, segundo a comunicação social, e fizeram bem, sempre gostaram um do outro e sempre sentiram que juntos podiam fazer muito.
Foi talvez por isso que os quatro veradores do PS faltaram todos a uma reunião da Câmara. Estavam de férias e preferiram gozá-las a virem passar umas horas a decidir minudências. Assim, como assim, se ninguém se lembrou deles no momento da festa, quem se importa se faltam às reuniões?

Os bébés do PS

A Distrital do PS/Leiria lançou uma campanha de alerta e apoio à natalidade. Foi uma boa ideia a avaliar pela cobertura mediática que conseguiu e "roubou" à direita um dos seus temas preferidos. Até se fizeram contas ao número de nascimentos diários necessários para assegurar a reposição das gerações e só faltou cá a saudosa Natália Correia para nos acenar com um cenário rosa de "truca-truca" por tudo quanto é canto, num afã militante de aumentar a população.
De concreto o que é que o Governo faz? Aumenta uns trocos nos benefícios para quem se empenha em aumentar a prole. Tá bem a gente sabe que é o possível. O país é pobre e a manta curta. Mas assim não vamos lá. O aumento nem dá para os preservativos quanto mais para os tirar com a carestia que para aí vai.
Estou a ser injusto, o Ministério da Educação está a contribuir fortemente para estimular as famílias a ter mais crianças. Enquanto as mais novas estão na "escola a tempo inteiro", os pais podem ocupar esse tempo de ócio a fazer mais. Já agora convinha começar pela Ministra, que só tem uma filha, e o exemplo deve vir de cima.

Abandono escolar

A boa notícia é que o abandono escolar desceu no ano lectivo passado. A má notícia é que muitas escolas não se empenham como deviam em o fazer baixar. Há escolas onde o abandono tem taxa zero ou próxima disso. Outras onde a matéria é desvalorizada. Claro que não basta a iniciativa das escolas, há factores sociais e outros que podem agir positiva ou negativamente na sua diminuição ou no seu aumento. Mas se a escola não considerar que é sua missão definir como meta "abandonos zero" e não puser em prática mecanismos de apoio a esta política, não vamos lá.

A ideia é não permitir que os alunos deixem a escola e ir buscá-los onde estiverem, trazendo-os de volta para a escola. O objectivo é, primeiro e essencialmente pedagógico e de cidadania, mas também de defesa dos postos de trabalho dos professores.

O impacto que resultaria de se conseguirem manter no sistema todos os que não chegam a entrar, ou abandonam o secundário, no aumento da necessidade de docentes seria enorme e parece que poucos se preocupam com isso, sindicatos incluídos.

Reduzir a taxa de anabdono é um imperativo nacional que deve mobilizar toda a comunidade. A mortalidade escolar é mais grave para o futuro do país do que a que ocorre nas estradas, mas como não se vêem os mortos nem os feridos, impressiona muito menos.

segunda-feira, 3 de setembro de 2007

Novo ao lectivo

Estou de volta. O blogue terminou as férias, permitiu-se mais de um mês, teve mais sorte do que eu que não fui além dos quinze dias, e trouxe-me com ele.
Este é o ano de todos os desafios. No não superior a "revolução dos titulares", com todas as polémicas e expetactivas desencontradas. Uns que sim, vai ser uma grande mudança, outros que não, vai ficar tudo na mesma. Na mesma não vai ficar, isso é certo, agora até onde vai a mudança só os astros ou o futuro. Cada um que escolha a alternativa mais ajustada ao seu quadro de valores.
No superior o novo regime jurídico vai originar profundas mudanças; aqui é certo que muito vai ser mudado. É uma época que termina e um novo ciclo que se abre. As expectativas são altas. Da composição do corpo docente, à organização das instituições, da gestão dos orçamentos à internacionalização, muito vai ser diferente.
Para o IPleiria os desafios tornam-se ainda maiores. Na sequência da excelente avaliação da EUA, a fasquia já alta tem de ser ainda mais elevada. Novos estatutos, novas equipas directivas, reforço da coesão e organização internas, docentes ainda mais qualificados, formações mais diversificadas, captação de novos públicos, relações internacionais mais amplas e sólidas. O IPleiria vai-se afirmando como um dos mais importantes players regionais. É o futuro de uma instituição e o seu impacto regional que estamos a ajudar a construir.

sexta-feira, 27 de julho de 2007

Férias

Durante algum tempo o blogue entra de férias e eu vou com ele. Obrigado aos que comigo têm acompanhado este percurso. Boas férias para todos.

terça-feira, 17 de julho de 2007

A falácia dos exames

Tal como estão, os exames são uma falácia, tanto mais enganadora e perigosa quanto o futuro dos alunos e, muito provavelmente dos professores, depende deles.
Os benefícios e malefícios dos exames estão mais do que estudados e os seus efeitos perversos, quando incorrectamente organizados e aplicados, também.
O que acontece anualmente com os exames atinge as raias do escândalo tal a falta de constância das provas e a sua desadequação da realidade das escolas. Isto só pode surpreender a quem não conheça o processo de organização dos exames. Tal como as coisas estão, os exames jamais poderão ser credíveis e ter a fiabilidade exigível .
Também nesta matéria, e à semelhança do que acontece noutros países, a feitura dos exames devia estar a cargo de uma Agência independente que conseguisse que os mesmos servissem com objectividade e rigor os fins para que foram criados e não continuassem a ser a lotaria em que estão transformados.

domingo, 15 de julho de 2007

Um novo paradigma escolar

Toda a discussão acerca da ineficácia do nosso sistema de ensino gira em torno de soluções internas ao sistema educativo.
A realidade é que a sociedade mudou, a forma como as crianças são educadas pelas famílias modificou-se radicalmente, mas a Escola não consegue acompanhar o passo das restantes tranformações.
O drama pedagógico que atormenta os professores é a ausência de soluções para os novos problemas que todos os dias os alunos lhes colocam, sejam de natureza metodológica, sejam de comportamento. E é aqui que reside o essencial da questão.
A propósito disto lembrei-me desta citação de um dos gurús da liderança.

"O modo de pensar que conduziu ao êxito no passado não nos levará ao êxito no futuro."
Ken Blanchard


Agora quer-se endossar a responsabilidade do falhanço do sistema aos professores, que também terão a sua culpa, mas que não são, muito longe disso, os principais responsáveis.
A resposta está num novo paradigma escolar, não nas soluções pedagógicas e organizativas do passado. E isto compete aos responsáveis políticos definir, pelo que devem ser os primeiros a assumir os maus resultados escolares e deixarem de querer, cinicamente, assacar responsabilidades apenas aos professores.

sexta-feira, 13 de julho de 2007

As contas erradas da Matemática

Um quarto dos alunos do 9.º ano tiveram 1 a Matemática e 75% tiveram negativa. Estes são os números que geram títulos de primeira pégina e oferecem a oportunidade para se esgrimirem argumentos políticos e técnicos sobre o "escândalo" que estes resultados constituem.
Por detrás deles está uma realidade complexa que não é redutível a chicanas políticas nem a ideias fundamentalistas pró ou contra o "eduquês", esse chavão que entrou no nosso vacabulário pedagógico pela mão de Marçal Grilo e que é o bombo da festa quando se pretende, de uma forma simplista, encontrar um bode expiatório para a ineficácia do sistema educativo.
A questão da Matemática é apenas a ponta de um enorme iceberg.
Para resolver o problema é necessário considerar múltiplos factores, uns técnicos, outros culturais e sociais. Mais do que atirar responsabilidades uns contra os outros, é necessário ter presente que este assunto não diz respeito apenas à Escola, nem se resolverá unicamente dentro das suas limitadas paredes.

segunda-feira, 9 de julho de 2007

sexta-feira, 6 de julho de 2007

Cidadão livre

Não costumo responder a posts críticos sobre mim ou sobre os meus actos, nem o farei, excepto se circunstâncias muito graves a isso me obrigarem.
Ao expor-me num forum deste tipo aceito como natural as opiniões divergentes da minha, mas jamais aceitarei que alguns me pretendam fazer refém da minha condição profissional, presente ou passada, ou da minha militância de qualquer tipo.
Sempre pensei pela minha cabeça e nunca aceitei, independentemente dos cargos ou situações, dogmas ou ideias e práticas com as quais não me identifico.
Em décadas que já levo de cargos públicos sempre pus acima dos meus interesses pessoais o interesse geral e honro-me de ter saído sempre pelo meu pé quando os mandatos terminaram ou quando decidi sair e de ter realizado avaliações sobre o meu trabalho.
Para aqueles que agora se esforçam em tentar encontrar contradições entre o meu desempenho enquanto DREC e as opiniões críticas que aqui tenho expendido, aconselho que leiam com atenção o que então fui escrevendo em artigos e textos de orientação enviados para as escolas e que consultem o Relatório de Avaliação realizado junto de todos os cerca de 250 Conselhos Executivos da Região Centro onde 0,96% consideraram o meu trabalho insatisfatório, 12,92% satisfatório, 60,29% bom e 25,84% muito bom.
Por outro lado, o facto de ser militante do PS não me inibe de criticar o Governo nem o que acho que deve ser criticado ou não merece a minha aprovação.
Continuarei, pois, como até aqui, fazendo o meu caminho, e com as pedras que for encontrando farei um "castelo".

sexta-feira, 29 de junho de 2007

Opinião e liberdade

A directora de um centro de saúde foi demitida por não ter mandado retirar um cartaz que continha umas observações jocosas sobre o Ministro da Saúde. Pelo que li e ouvi, nem sequer se tratava de nada ofensivo.
De objectivo sabe-se que o autor do cartaz é médico e simpatizante ou militante do Partido Comunista e a directora casada com um vereador eleito em listas do PSD.
Não cabe aqui entrar em análises muito aprofundadas sobre a matéria, apenas registar que se a moda pega, muito trabalho adicional terão os conselhos executivos das escolas que afanosamente terão de passar os dias a retirar dos placards escolares matéria humorística sobre a Ministra, o Governo e o Primeiro Ministro e, eventualmente, a denunciar às DRE ou a levantar processos disciplinares a quem ousar beliscar a "magestade" dos governantes.
Os sinais começam a ser inquietantes sobre o clima de liberdade possível nos serviços públicos, pelo que convém afirmar três coisas:
a) Os funcionários públicos não são empregados do Governo, estão ao serviço do Estado, o que é substancialmente diferente.
b) A liberdade de expressão é um direito constitucional e o seu exercício está regulado por lei.
c) O direito à indignação, evocado por Mário Soares, ainda não foi revogado.

quinta-feira, 28 de junho de 2007

Conselho de Escolas eleito

Já aqui escrevi sobre este assunto. Este conselho é uma excrescência no ordenamento actual do Sistema de Ensino e mais uma peça contraditória numa política que por um lado sustenta a descentralização, a autonomia das escolas e a passagem de competências para as autarquias e por outro lado cria estruturas completamente corporativas, como esta.


Os 60 presidentes de conselhos executivos que vão compor o Conselho das Escolas, o novo órgão consultivo do Ministério da Educação (ME), são eleitos hoje para assegurar a representação dos estabelecimentos de ensino na definição da política educativa.
Criado no âmbito da nova lei orgânica do ME, o conselho deverá elaborar propostas legislativas e emitir pareceres sobre diplomas relativos à educação pré-escolar e aos ensinos básico e secundário, como a reestruturação da rede pública de escolas.
O presidente do Conselho das Escolas irá integrar o Conselho Nacional de Educação, um órgão consultivo composto por elementos de vários sectores da comunidade educativa que, até agora, não incluía qualquer representante dos estabelecimentos de ensino públicos.
Para as eleições de hoje apresentaram-se 44 listas nos 18 círculos eleitorais.

Transcrição da Lusa, com a devida vénia.

segunda-feira, 25 de junho de 2007

Burocracia inveterada

A burocracia é indispensável ao funcionamento de qualquer sociedade, embora também se saiba que é, ou pode ser, uma forma de contrôlo e de poder.
Nas sociedades actuais mais desenvolvidas há uma tendência generalizada para a simplificação dos actos administrativos por razões de eficiência e de racionalização de custos - a burocracia é muito cara.
Em Portugal, o Simplex tem vindo a conseguir melhorias assinaláveis nalguns campos, mas a verdadeira batalha antiburocrática não depende só do Estado Central, depende de todos.
Uns, porque por exercerem algum poder, têm possibilidades de simplificar actos que dependem de si próprios ou dos órgãos que dirigem, todos os outros porque podem sempre fazer propostas para simplificar e melhorar os serviços em que trabalham ou com os quais contactam.
Como perceber então que, por exemplo, num qualquer serviço se continuem a fazer actas à mão, quando a informática está já tão generalizada e a legislação o prevê? Querem uma resposta anedótica? Enquanto o livro de actas não tiver chegado ao fim é preciso continuar a utilizá-lo. Ficamos sem perceber se a questão é de poupança ou se não passa daquilo que é evidente, uma prática sem qualquer sentido.

domingo, 24 de junho de 2007

O erro como acto de coragem

Numa das "Entrevistas Imprevistas" publicada no semanário "Sol", ontem, sábado, José Eduardo Agualusa, referindo-se a Mário Soares escreve:
"Soares é um dos últimos portugueses com coragem. Comete erros, mas tem a coragem de errar. E isso, no Portugal de hoje, é muito raro".
Não foi tanto o que diz de Mário Soares que me interessou, mas a ideia do erro como acto de coragem. De facto, só não erra quem não arrisca tomar decisões, quem apenas circula pelos caminhos de todos conhecidos, quem não inova, quem não se atreve a explorar o desconhecido, quem se limita a ler pela cartilha do conformismo.

terça-feira, 19 de junho de 2007

Novas Oportunidades

Se há sector na educação onde o Governo marca pontos é no programa Novas Oportunidades e na multiplicação dos cursos profissionais nas escolas secundárias públicas.
Quanto ao primeiro, estamos a assistir a uma autêntica revolução e a uma inversão do que se vinha passando, a não valorização da formação e de uma segunda oportunidade para a adquirir. Hoje sente-se por todo o lado que as pessoas despertaram para esta possibilidade e acorrem aos centros Novas Oportunidades para se valorizarem como cidadãos e como profissionais.
Relativamente às segundas, é o retomar de uma velha tradição quase abandonada com a licealização de todo o ensino na sequência da vertigem igualitária do pós 25 de Abril.
Portugal era o único país da Europa que tinha menos alunos nas vias profissionalizantes do que nas de via de ensino e o sub-sistema das escolas profissionais, apesar dos relevantíssimos serviços prestados ao país, não podia expandir-se muito mais por razões de financiamento.
O "ovo de Colombo" foi explorar as potencialidades de todas as escolas secundárias. Se juntarmos ainda os cursos EFA e os PIEFs temos o quadro completo de um esforço nacional para oferecer alternativas de escolarização e formação profissional de primeira e segunda oportunidade para todos.
Nem tudo estará a correr bem, e era impossúivel que estivesse, mas o balanço é francamente positivo.

domingo, 17 de junho de 2007

Proposta de Lei do novo regime jurídico do superior

A proposta foi aprovada em Conselho de Ministros e vai estar em discussão pública. Vale a pena estudar o texto e discuti-lo. O Ensino Superior português vai sofrer mudanças significativas e isto diz respeito a todos os cidadãos.
Amanhã a Associação Académica de Coimbra inicia uma jornada de protesto contra a proposta fazendo uma caminhada a pé até à Assembleia da República. Certamente nos próximos tempos vão-se ouvir muitos protestos de diversos quadrantes, mas importa discutir sem tabus os caminhos que se apontam.

APM excluída

A ocorrência já não é novidade, a Associação de Professores de Matemática divulgou um comunicado em que acusa o Ministério da Educação de a ter excluído de uma comissão de acompanhamento do Plano de Matemática devido às críticas que dirigiu a Maria de Lurdes Rodrigues, mas fica como mais um elemento de prova da forma como no ME se lida com a diferença e a crítica.

sábado, 16 de junho de 2007

O caso Charrua e os bufos à solta

Fizeram-me chegar o texto do "Despacho de Acusação" ao professor Charrua, elaborado por um jurista de serviço e, confesso que embora preparado para o pior, jamais imaginei que a mediocridade e o melhor estilo "legionário" (inspirado na antiga Legião Portuguesa) regressassem pela mão de quem tinha obrigação de perceber que se lhe pedia uma análise fria e distanciada de um acontecimento sórdido, sem paralelo nos tempos mais recentes da Administração Pública.
O jurista dá como provado que o acusado chamou "filho da puta" ao Primeiro Ministro, pelo que a moldura penal aplicável é a pena de suspensão, não referindo por quanto tempo, mistério que nos deixa a dúvida se por esquecimento ou por incompetência, pois o deveria ter feito sob a forma de proposta, já que compete à Srª. DREN decidir.
É evidente que a urbanidade e a moderação de linguagem devem ser atributos de quem trabalha em sítios públicos e exerce cargos de responsabilidade na administração, mas tanto quanto se percebe do famigerado "Despacho", e dando de barato que o descrito se confirma, está-se perante um "desabafo" em vernáculo, bem "à moda do Porto", feito entre quatro colegas e que só o ressurgimento do espírito "bufo" e zelo interesseiro de um qualquer reles denunciante acolhido pela chefia, típico dos tempos do Estado Novo, justifica.
Naturalmente que quem vai sair mal disto (já está) é a DREN, a Ministra e o PM, este se não emendar rapidamente a mão dos seus subordinados, que já lhe causaram a ele, à imagem do Governo e à do PS, malefícios bem maiores que a frase desbocada do professsor Charrua.

Inconstitucionalidades

O Tribunal Constitucional declarou inconstitucional o despacho que permitiu a repetição dos exames de Química e que tanta polémica gerou no ano passado. E agora? Alguém assume responsabilidades?
Interrogada sobre o assunto, a Ministra desculpou-se por ter regressado ontem de Moçambique, onde foi visitar a Escola Portuguesa, e não estar, portanto, a par dos últimos desenvolvimentos. Compreende-se, onze horas de vôo sem acesso ao telemóvel. Mas...ninguém terá antecipado a necessidade de responder politicamente, de imediato, caso o desfecho fosse este? Ou, como no anúncio, primeiro estranha-se e depois entranha-se?

quinta-feira, 14 de junho de 2007

Universidade em rede

A Associação das Universidades de Língua Portuguesa (AULP), que engloba estabelecimentos de ensino superior de todos os países lusófonos, realizou o seu XVII Encontro em Cabo Verde, entre os passados dias 11 a 13, tendo como ideia de fundo "a universidade em rede".
O tema não podia vir mais a propósito, uma vez que acaba de ser criada a Universidade Pública de Cabo Verde, que foi a anfitriã e cujo futuro só pode ser encarado na perspectiva de um funcionamento em rede.
Para além dos debates sobre a constituição das redes e de um interessante programa cultural associado ao evento, a língua portuguesa mereceu lugar de destaque tendo sido objecto de uma sessão específica onde foram debatidos os mais candentes problemas relacionados com os aspectos técnicos da língua e suas relações com crioulos e outras variantes, bem como a sua aprendizagem, muito deficiente nos países com maiores carências.
O Português é hoje falado por mais de duzentos milhões de pessoas, uma parte substancial das quais o não tem como língua mãe, o que constitui um desafio adicional no seu processo de desenvolvimento.
Em comunicação apresentada em conjunto com Maria Antónia Barreto defendemos a urgência de ser lançado um amplo programa de formação de professores nos países africanos e reforçadas todas as estruturas ligadas à aprendizagem e difusão do Português.

sábado, 9 de junho de 2007

Transferência de funcionários escolares

Já se sabia que a negociação estava em curso, o ME quer transferir para as autarquias os funcionários não docentes afectos às escolas do ensino básico. Serão mais de 3o mil, mas o número pouco importa, o que verdadeiramente conta é o absurdo desta medida.
Primeiro, o ME negoceia com a Associação Nacional dos Municípios Portugueses (ANMP) e não dá cavaco às escolas. Os órgãos de gestão são o quê? "Verbos de encher"?
Segundo, ninguém no ME se terá lembrado que consultar as escolas para as auscultar sobre a bondade ou absurdo da medida era um acto de elementar respeito, para além de ser uma medida de gestão adequada?
Pois é, o Conselho das Escolas, aquele exótico órgão criado para aconselhar o ME ainda não está instalado.
Temos então os funcionários com guia de marcha para os municípios e, espante-se, estes admitem recebê-los se o seu estatuto for equiparado ao dos outros funcionários municipais, caso contrário diz o presidente da ANMP ficam com dois "patrões".
Mas alguém de bom senso ou que saiba alguma coisa de gestão escolar compreende como pode uma escola funcionar com eficiência se o órgão de gestão dirigir os professores e a câmara municipal lá do sítio "mandar" nos funcionários não docentes?
Que o ME procure alternativas descentralizadas para a gestão das escolas, percebe-se e até se aplaude. É bom recordar que a autonomia continua por cumprir.
Que o ME se queira "desfazer" de milhares de funcionários desta forma canhestra só pode merecer o repúdio firme de todos quantos não pactuam com formas autocráticas e, neste caso, incompetentes, de gestão pública.
A propósito, não seria altura de os órgãos de gestão fazerem ouvir a sua voz crítica? Ou já estão atacados pelo "sindroma Charrua"?.

quinta-feira, 7 de junho de 2007

Comparações internacionais

Há dias almocei com um grupo de professores envolvidos num projecto Comenius. Falei muito com o director, nomeado, de uma escola básica belga, com cerca de 350 alunos. Homem experiente, com muitos anos de tarimba e já na fase final da carreira, dirige a escola sem secretariado, sem pessoal administrativo, sem pessoal auxiliar. É ele, os alunos e os professores. Imaginam em Portugal?

Claro que a burocracia há-de ser mais simples do que por cá. Uma empresa limpa a escola. Um segurança assegura a tranquilidade na hora de abertura e fecho da escola, já que a jornada é contínua e os professores tomam conta dos alunos nas aulas e fora delas.

As escolas competem umas com as outras para terem mais alunos e melhores orçamentos. Por exemplo esta tornou-se muito pretendida por ter a particularidade de assegurar a leccionação em duas línguas francês e neerlandês.

O sistema não é muito diferente do que se vê por esse mundo fora em países mais desenvolvidos do que o nosso, nomeadamente no norte da Europa, mas está a anos luz do que se faz por aqui em matéria de organização, administração e gestão das escolas.

Moral da história? Somos paises diferentes.

sábado, 2 de junho de 2007

Contra os professores, marchar...marchar...

O Governo pode estar convencido de que a política educativa que está a seguir está correcta. A Ministra pode estar convencida de que fica na história como a grande reformadora da educação nacional. Alguns socialistas podem estar convencidos de que o partido está a meter a educação na "ordem". Mas haverá por aí alguém que me explique como será possível tanto convencimento quando não se encontra um professor satisfeito, motivado, convicto?

Mesmo que a política esteja correcta (coisa que agora aqui não discuto) como se justifica que os que a têm de executar a não compreendam, primeira contradição, só se sintam prejudicados com as medidas que vão sendo adoptadas, segunda contradição, não aparentem ponta de motivação nem entusiasmo na execução do que lhes é determinado, terceira contradição, e só não abandonem a profissão porque não podem, contradição máxima?

Será possível reformar verdadeiramente o sistema contra os professores? Ou sem os professores? Ou ignorando-os como profissionais? Ou estar-se-á perante a ressurgência das antigas teorias de gestão dos recursos humanos que assentavam na despersonalização e na destruição da autoestima dos profissionais como forma de os transformar em meros executantes acéfalos?

Será que ninguém no Governo, no ME, na direcção do PS vê os gravíssimos prejuízos que isto está a causar ao sistema educativo e ao País?

quarta-feira, 30 de maio de 2007

O caso Charrua e o grupo parlamentar do PS

Há momentos em que a decência e o decoro deviam impedir certos deputados de fazerem figuras tristes e prejudiciais para a sua própria credibilidade e do partido que representam.
A forma como alguns deputados de PS têm defendido na Assembleia da República a medida tomada pela DREN relativamente a um professor requisitado que ali exercia funções, a quem foi levantado um processo disciplinar e, de imediato, interrompida a requisição de serviço, faz lembrar outros tempos em que a "voz do dono" era a única linguagem que alguns serviçais conheciam.
Venha ou não a apurar-se comportamento culposo, a requisição do professor foi interrompida como medida punitiva. A não ser assim e não se encontraria qualquer justificação para este acto, pois o processo disciplinar poderia prosseguir sem alarme e não se teria criado esta situação a todos os títulos lamentável.
Infelizmente há deputados que fingem não perceber isto e em vez de se colocarem do lado da justiça preferem a barricada da chicana partidária, mesmo estando um causa um ex-parlamentar que deveria merecer, também por isso, um pouco mais de respeito.

segunda-feira, 28 de maio de 2007

O grau zero do acto pedagógico


Preparando o Dia Mundial da Criança numa escola primária de Monapo, província de Nampula, Moçambique, Maio de 2007

domingo, 27 de maio de 2007

Eu, Safiya

Há uns anos enviaram-me um mail com um abaixo assinado reclamando a não condenação à morte por lapidação de uma mulher nigeriana acusada de adultério e que segundo a religião islâmica devia morrer daquela forma bárbara. Assinei e mais tarde tive a satisfação de saber que a enorme mobilização internacional tinha produzido efeito e a mulher não tinha sido sequer condenada.
Agora chegou-me às mãos o livro (Edições ASA) em que a própria, Safiya Hussaini Tungar Tudu, conta na primeira pessoa, com a mediação de um jornalista italiano, Rafaelle Maso, a história da sua vida e a enorme provação por que passou.
Sem querer tirar quaisquer ilações de carácter religioso aconselho vivamente a leitura do livro, um testemunho pungente de uma existência para nós inimaginável num mundo em tudo diferente do nosso e onde a religião é vivida de uma forma completamente diferente.
Apenas duas passagens.
"A nossa fé religiosa é parte integrante das nossas vidas. Os nossos dias começam e terminam em oração e os nossos actos são orientados por Alá."
"Como é que um bébé - a criatura mais pura e inocente à face da terra - pode tranformar-se no símbolo de um crime a ser punido com a pena de morte?"

quinta-feira, 17 de maio de 2007

Avaliação do desempenho docente

Realizou-se ontem a 1.ª sessão do seminário sobre este tema com inscrições esgotadas. Vieram pessoas de Vila do Conde, da Figueira da Foz, de Abrantes e de muitos outros sítios fora de Leiria.
O mérito é do tema que, muito legitimamente, preocupa muitos professores. A ansiedade é visível e as interrogações muitas. O processo não é novo por esse mundo fora, mas por cá é uma novidade encarada com preocupação. É necessário clarificar, desdramatizar e preparar o sucesso da avaliação.
Haverá nova sessão dia 30 de Maio, às 16,30 na ESE de Leiria e vamos tentar integrar todos os que estiverem interessados. Basta que enviem um mail para licinia@esel.ipleiria.pt e deixem o vosso contacto.

Projecto Qualis

Desde 2006, com a implementação do projecto Qualis, está a decorrer, na Região Autónoma dos Açores, a avaliação das escolas.O projecto Qualis tem como objectivo melhorar a qualidade das escolas, através de uma atitude de auto-avaliação. A escola deve conhecer-se para melhorar! Nesta avaliação participará toda a comunidade educativa.
Dê uma espreitadela no endereço seguinte, vai ver que é interessante.
http://srec.azores.gov.pt/dre/sd/115161010600/0607/espacodaescola/oprojectoqualis2.htm

segunda-feira, 14 de maio de 2007

Escolas-palhota

A colonização portuguesa teve aspectos positivos mas foi incapaz de lançar as bases do desenvolvimento dos países onde dominámos durante"séculos", se tomarmos como base a propaganda do Estado Novo, durante cerca de um século, se atendermos à realidade e, mesmo assim, pouco para além dos perímetros urbanos. Para os que duvidam façam as contas e vejam quantas cidades das nossas ex-colónias têm um século ou mais.
Em Moçambique há milhões de pessoas que não falam Português, apesar de ser a língua oficial, e a avaliar pelo estado em que está a maioria das escolas fora dos centros urbanos principais só mesmo ali era possível encontrar escolas semelhantes às nossas.
Visitei várias "escolas" que não são mais do que uma palhota sem portas nem janelas, chão térreo, sem qualquer equipamento nem sequer um quadro negro. Os alunos não têm material, não têm onde escrever, sentam-se numas pedras, e o professor pouco mais dispõe do que de umas fotocópias. As turmas têm cerca de oitenta alunos em média. Mesmo assim, numa que visitei estavam a preparar as comemorações do Dia Mundial da Criança; comovente.
Apesar de tudo isto é tocante o empenho dos professores e o seu interesse em se aperfeiçoarem profissionalmente e é um enorme desafio cooperar com a Universidade Pedagógica, delegação de Nampula, num processo de formação semi-presencial de três centenas de docentes que exercem a sua actividade nestas escolas-palhota.
Portugal podia, e devia, fazer muito mais pelos países que ajudou a fundar.

quinta-feira, 10 de maio de 2007

Da árvore à universidade

A expressão foi utilizada pelo administrador do distrito de Ribaué, província de Nampula, Moçambique, para caracterizar o percurso que algumas crianças aqui terão que fazer devido à escassez de salas de aula.
Tal como em muitos outros países africanos, ainda é muito comum por aqui que a primeira sala de aula de muitas crianças seja a sombra de uma árvore frondosa. É notável o esforço destes professores, aqui a profissão é essencialmente exercida por homens, para darem um mínimo de educação aos milhares de crianças que frequentam o ensino sem quaisquer condições sociais, nem escolares.
Os professores constituem, para estas crianças, o único passaporte para um futuro melhor, em regiões onde ainda não chegaram nem a televisão nem a internet e o conhecimento académico é exclusivamente veiculado pelo "mestre", mesmo que pouco habilitado para o efeito.

domingo, 6 de maio de 2007

Moçambique

Estou em Moçambique com um grupo de colegas e voluntários de uma ONG portuguesa para estudarmos um programa de apoio à formação de professores na província de Nampula. É um salto para um mundo muito diferente, embora a portugalidade por aqui continue viva, na língua, na arquitectura, até no futebol - os três grandes portugueses são da família.
Maputo respira desenvolvimento, mas as assimetrias sociais continuam chocantes e a tarefa de conduzir este país para níveis considerados aceitáveis para os nossos padrões vai demorar gerações.
A educação é aqui um desafio tão estratégico quanto em Portugal, apesar das diferenças abissais entre os dois paises e respectivos sistemas de ensino. O analfabetismo é um problema grave e conseguir níveis de escolarização satisfatórios o desafio de todos os dias. Para que seja possível avançar são precisos professores com formação básica e formadores com qualificações adequadas. É isso que justifica a nossa presença. O empenho é enorme e estamos a trabalhar para dar o nosso melhor contributo.

sábado, 28 de abril de 2007

Da centralização à municipalização. Novos desafios para a gestão do sistema educativo

Resumo da comunicação apresentada no IX Congresso da Sociedade Portuguesa de Ciências da Educação, Universidade da Madeira, 26,27,28 de Abril

A partir da realidade histórica consolidada ao longo das últimas três décadas e do modelo de gestão escolar actual, ensaia-se uma reflexão sobre a possibilidade de se caminhar para uma progressiva municipalização da gestão do sistema escolar, designadamente através do reforço das competências das câmaras municipais em matéria de educação e ensino e de novas formas de administração dos estabelecimentos de ensino, com a generalização de unidades de gestão de base municipal.
Questionando o centralismo e a hipertrofia do Ministério da Educação, propõe-se a redefinição das suas competências e o fim das suas responsabilidades na gestão das escolas públicas estatais, que deverá passar para entidades locais.
Trata-se de dar expressão à autonomia das escolas, tantas vezes invocada e ainda não concretizada, transformando-as de uma espécie de sucursais do ME em verdadeiras organizações das comunidades locais.
As novas unidades de gestão deverão ser administradas por conselhos de base municipal e cada escola deverá ter uma liderança forte e uma gestão profissional.
Finalmente, far-se-á a análise do movimento de municipalização dos agrupamentos e uma breve apresentação de um estudo de caso.

Aos interessado enviarei o texto completo. Basta solicitarem-no através de: jmsilva@esel.ipleiria.pt

segunda-feira, 23 de abril de 2007

Uma escola bué da fixe

Relendo um livro que publiquei em 2001, Uma Janela na Cidade, dei com este texto saído no Região de Leiria em 2000; podia ter sido escrito hoje.

Quem ouve ou lê as declarações dos mais altos responsáveis pela gestão do sistema educativo fica com a ideia de que a escola portuguesa é um oásis. Quem fala com os professores, quem anda pelas escolas, quem tem lá filhos, fica com a ideia contrária.
Este fenómeno não é novo e resulta de uns e outros observarem a realidade escolar de ângulos diferentes. Do alto do edifício sede do Ministério da Educação, as escolas são pontinhos no horizonte e é impossível perceber o que se passa verdadeiramente em cada uma.
Quando entramos nas escolas, mergulhamos no país real. O pontinho ameaça transformar-se num buraco negro e a frustração é o sentimento dominante entre os docentes. Apesar de alguns observatórios sociais indicarem que os professores são dos profissionais mais respeitados e em quem mais confiança se deposita, a verdade é que a maioria sofre de um mal que, não sendo fatal, afecta muito a sua qualidade de vida e o seu desempenho profissional.
À falta de um nome científico, podemos dizer que se trata de uma espécie de angústia, uma sensação de vazio, uma amargura ténue, uma frustração que se vai dilatando, uma insegurança crescente, uma raiva domesticada. Alguns conseguem não perder a esperança, não voltam a cara aos problemas, acreditam sempre que é possível dar a volta por cima. São os militantes do optimismo pedagógico. Infelizmente, muitos deixam-se arrastar pelo pessimismo e são engolidos pelo sistema.
A política educativa tem vivido de um equívoco. Os sucessivos governos têm agido como vanguardas voluntariosas tão convencidas da justeza da sua missão que se esquecem das rectaguardas. É por isso que quando olham para trás ninguém os segue e é necessário lançar uma nova reforma para reformar a anterior.
A inovação é fundamental, a actualização permanente é condição indispensável de sobrevivência profissional, mas sem professores motivados não há sistema educativo que resista. E só se motiva quem acredita no que faz.
Por vezes, é verdade que são pouco abertos a mudanças, mais por falta de confiança do que de formação ou capacidade, mas o seu empenhamento é indispensável.
Para isso, é preciso dar-lhes a importância que merecem, tomar em conta as suas opiniões, a sua experiência, discutir as suas dúvidas e assegurar-lhes condições de formação e trabalho adequadas.
A Escola está a passar por um processo de mudança profundo. Os professores são um dos elos mais importantes dessa transformação. Não se pode pensar apenas nas novas tecnologias. Para além de um computador em cada sala de aula, é preciso continuar a ter lá um professor competente e que acredita naquilo que faz.

domingo, 22 de abril de 2007

Conhecer melhor o século XX

O Ministério da Educação, a Associação de Professores de História e a Associação 25 de Abril celebraram um acordo para dinamizar actividades tendentes à divulgação junto do público mais jovem de acontecimentos relevantes da História de Portugal, nomeadamente sobre o 25 de Abril, suas causas e consequências.
É um acontecimento a saudar, pois a memória histórica é um dos mais fortes elementos de identidade dos povos e, sobretudo os nossos jovens, bem precisam de conhecer melhor o nosso passado para estarem mais aptos a viver o presente e a construirem um futuro desejavelmente diferente.

sexta-feira, 20 de abril de 2007

Seminário sobre avaliação do desempenho

Público alvo - Educadores(as) de infânciaProfessores(as) dos ensinos básico e secundário
Orientador: José Manuel Silva

A avaliação do desempenho vai ser determinante para o desenvolvimento profissional, a progressão na carreira e a afirmação social dos docentes.
A avaliação prepara-se, não se improvisa.
Este seminário, de nível introdutório, oferece uma oportunidade para debater os aspectos mais relevantes do processo de avaliação do desempenho e da sua preparação individual.

Ver mais em: http://www.esel.ipleiria.pt/?id=2733

Um conselho absurdo

O Conselho das Escolas arranca até Junho para aconselhar a tutela. O Conselho das Escolas, o novo órgão consultivo do Ministério da Educação (ME) constituído por representantes de conselhos executivos de todo o país, deverá começar a funcionar até Junho, anunciou hoje a ministra Maria de Lurdes Rodrigues.
Este conselho é o órgão mais extraordinário jamais criado em Portugal no domínio da administração educativa e prova à saciedade que o interesse do ME não é largar mão da administração das escolas, mas precisamente o contrário.
As escolas não podem continuar a ser Repúblicas de Professores, nem a serem responsabilizadas exclusivamente perante os poderes centrais. As escolas têm de responder perante as populações que servem.
Este conselho, na sua composição, metodologia eleitoral e funções é um absurdo e distrai a questão da administração das escolas do essencial, a territorialização de base municipal e a autonomia.

domingo, 15 de abril de 2007

Gestão e liderança nas escolas públicas portuguesas. Da revolução à globalização

Comunicação apresentada ao IV Congresso Luso-Brasileiro de Política e Administração da Educação, III Congresso Nacional do Fórum Português de Administração Educacional

RESUMO

O conceito de liderança é relativamente recente em Portugal no âmbito educacional; inicialmente utilizado nos contextos político, empresarial e desportivo, só timidamente vai entrando no léxico pedagógico.
A cultura escolar portuguesa, ao nível da administração escolar, é sobretudo marcada por conceitos mais formais e hierárquicos, como reitor ou director, órgãos unipessoais normalmente resultantes de nomeação estatal e, no pós Revolução dos Cravos (1974), por conselhos directivos/executivos, órgãos colegiais, emergentes de escolhas entre pares.
Qualquer que seja o caso, público ou privado, o exercício da administração e gestão das escolas associa-se predominantemente ao conceito clássico de chefia, fundamento da hierarquia directiva ainda hoje mais corrente nas organizações públicas portuguesas e em boa parte das privadas, embora sejam já claros os sinais da inevitabilidade de uma reformulação conceptual e da adopção de novas práticas, inspiradas no conceito de liderança.
É inquestionável que o tema é hoje um tópico importante de reflexão e discussão no âmbito da administração e da gestão escolar, de tal forma que alguns assinalam mesmo ter-se tornado um tema de moda.
Infelizmente em Portugal o debate é ainda muito restrito, a investigação é escassa, e a afirmação de lideranças é frequentemente encarada como um processo de poder pessoal e não como uma dimensão colectiva ancorada num projecto de inovação e mudança e de afirmação da qualidade da oferta escolar.
As escolas são organizações, têm vida própria, vão-se construindo de acordo com um tempo e um contexto, um e outro mutantes, têm os seus diversos actores, têm a sua própria história; a liderança é o cimento que aglutina e faz avançar.
Muitas das definições de liderança reflectem o entendimento de que envolve um processo de influência social por intermédio do qual uma pessoa, ou grupo, influencia intencionalmente outras pessoas, ou grupos, para estruturar as actividades e relações num grupo ou organização.
A história da administração educativa em Portugal, nas últimas três décadas, está indelevelmente marcada pelo modelo da chamada “gestão democrática” que, em termos muito sumários, confiou a gestão das escolas aos professores e manteve a direcção ferreamente centralizada nos serviços centrais do Ministério da Educação.
Como se compatibiliza a electividade com a liderança e como ambas se relacionam com a hipotética profissionalização dos gestores é uma questão em aberto e certamente decisiva no debate a travar quando se efectivar a discussão do actual modelo de gestão em que vai estar em causa, sobretudo, saber se o ME abdica dos seus poderes imperiais e, em caso afirmativo, a favor de quem.
O objectivo desta comunicação é fazer uma breve revisão do conceito de liderança escolar e perspectivar o desenvolvimento da sua afirmação no quadro do modelo de gestão em vigor nas escolas públicas, nomeadamente considerando a possibilidade da sua reformulação.

Se estiver interessado no texto integral basta solicitá-lo através de e-mail para jmsilva@esel.ipleiria.pt

Já era tempo. Novo Estatuto do Aluno

A proposta de Lei que procede à primeira alteração à Lei n.º 30/2002, de 20 de Dezembro, aprovando o Estatuto do Aluno do Ensino Básico e Secundário e que foi aprovada na generalidade dia 12 de Abril, visa reforçar a autoridade dos professores e das escolas, transferindo maior poder de decisão para os professores e os órgãos de gestão dos estabelecimentos de ensino.
Ver mais em http://www.portugal.gov.pt/Portal/PT

Espera-se que este seja um bom contributo para diminuir a ocorrência de situações problemáticas nas escolas, sendo certo que muitos dos problemas decorrem de factores externos que os estabelecimentos de ensino só por si não conseguem controlar. Mesmo assim é uma medida positiva para a acção dos professores, que vêem assim reforçada a sua autoridade.

quinta-feira, 12 de abril de 2007

Congresso

Começou hoje o III Congresso do Fórum Português de Administração Educacional, IV Congresso Luso-Brasileiro de Política e Administração da Educação.
Um acontecimento do maior interesse para esta área do saber, num momento em que se avizinham grandes mudanças na gestão escolar em Portugal. Saiba mais em http://www.fpce.ul.pt/org/fpae/III_congresso_luso_brasileiro.htm

Sócrates falou e o problema continua

Como tínhamos antecipado Sócrates atacou o incêndio, tarde embora com determinação, mas as suspeitas continuam. Claro que há aqui uma campanha política, mas nada que seja novo, infelizmente em política todas as armas são úteis quando fazem mossa nos adversários.
Mas o problema de fundo persiste, se há suspeitas de irregularidades, deve ser uma entidade independente a aclará-las. Se assim não for isto vai arder em lume brando enquanto houver combustível, mesmo que alguns "fiéis" queiram tapar o Sol com a peneira.
Sinceramente acho lamentável que um Primeiro Ministro de um qualquer país se preste a ser interrogado na televisão, como suspeito de qualquer coisa ilegítima, como se estivesse num tribunal popular.
Sócrates pode ser suspeito para alguns, mas é Primeiro Ministro de Portugal, e o País tem direito a que a dignidade institucional dos seus dirigentes seja salvaguardada, independentemente do apuramento das suas responsabilidades pessoais em sede própria.

domingo, 8 de abril de 2007

Foi você que pediu um diploma da UNI?

Quem diria que o PM seria apanhado numa curva tão apertada por causa de um diploma de licenciatura?
Parece que está tudo suspenso das declarações que Sócrates vai fazer. Mas admitir que Sócrates tem alguma coisa de relevante para dizer é já suspeitar que houve manipulação com a sua conivência.
A quem compete falar é à Independente (se ainda existir), ao Ministério da Ciência, Tecnologia e do Ensino Superior, que tem a tutela da matéria, ou à Procuradoria Geral da República.
Quando numa escola se suspeita de trafulhice com uma nota ou um diploma, não se pede ao interessado para explicar, deve ser a direcção, e caso a resposta não seja suficiente, a Inspecção ou o Ministério Público, consoante os casos, têm de investigar e esclarecer cabalmente a situação. Porque é que agora há-de ser diferente?
Fale Sócrates o que falar ficará sempre a suspeita, e a melhor forma de se livrar dela é que alguém com autoridade e independência dê ao País as explicações que se exigem.

segunda-feira, 2 de abril de 2007

A família continua a ser determinante

De acordo com um estudo do Centro de Investigação de Políticas do Ensino Superior (CIPES) fica, mais uma vez, comprovado que os antecedentes familiares são decisivos no acesso ao ensino superior.
Um estudante cujos pais têm elevado nível cultural e económico tem dez vezes mais oportunidades de entrar no ensino superior. Em medicina, 73% dos estudantes têm pais com formação superior. Na área da formação de professores é o inverso.
Veja mais em
http://www.pt.cision.com/online/resultado_mail.asp?ver=tif&codf=7831&idnoticia=5672012&tipo=&fm=1

quinta-feira, 29 de março de 2007

Conselho das Escolas


A concepção corporativa da administração e gestão escolar ganha novo fôlego com a criação do Conselho das Escolas.
"Concebido como órgão consultivo do Ministério da Educação no que respeita à definição das políticas pertinentes para a educação pré-escolar e os ensinos básico e secundário, o Conselho das Escolas, assegura, também, a adequada representação dos estabelecimentos de educação da rede pública, dando-se, assim, vida a uma instância representativa capaz de contribuir para uma participação mais efectiva das escolas na definição da política educativa para este segmento específico do nosso sistema educativo."
Podem consultar em:

terça-feira, 27 de março de 2007

Uma bofetada na democracia

A vitória de Oliveira Salazar no concurso "Os grandes portugueses" é uma bofetada na democracia. É apenas um concurso, dir-se-á, mas não deixa de ter significado. Três décadas depois da instauração da democracia, os portugueses não esqueceram Salazar e, sobretudo, não encontraram em nenhuma das grandes figuras que conduziram o país à modernidade alguém capaz de o ofuscar.
Não é Salazar que me preocupa, nem sequer a sua herança ou a sua memória, o que me perturba são os referenciais de um país perdido entre o mar e a Europa, entre as cinzas da ditadura e as dúvidas da democracia, entra a ruralidade perdida e a globalização forçada.

sábado, 17 de março de 2007

Agressões nas escolas passam a crime público

Todas as agressões nas escolas vão passar ser crime público de investigação prioritária. O preceito já foi aprovado no Parlamento e alarga o âmbito do Código Penal, até aqui aplicado apenas em relação aos professores.A partir de agora, as ofensas à integridade de qualquer elemento da comunidade escolar passam a ser consideradas crime público agravado, não dependente de queixa e punível até quatro anos de prisão.
As autoridades policiais e judiciais terão de passar a tratar estes casos como prioritários.
De acordo com o Observatório de Segurança Escolar do Ministério da Educação, no ano lectivo 2005/2006 foram contabilizadas 360 agressões físicas ou verbais, apenas em relação a professores, mas poucos casos chegaram aos tribunais.
A medida só peca por tardia e é preciso ter muita confiança na Justiça para se acreditar que o problema vai ser encarado com a celeridade e os resultados desejáveis.
A ver vamos, mas como a esperança é a última coisa a morrer...

terça-feira, 13 de março de 2007

Debate Nacional sobre Educação

Aí está o Relatório Final. Obrigatório ler. Vai estar disponível em http://www.cnedu.pt/
Da perspectiva histórica aos diagnósticos, das linhas de força do debate às questões críticas, passando por muita informação útil, está lá tudo mais as propostas para melhorar a Educação nos próximos anos.
O Debate foi realizado por iniciativa da Assembleia da República e do Governo e o Conselho Nacional de Educação foi mandatado para proceder à sua realização.
As questões críticas identificadas foram:
1. O baixo nível de escolarização da população portuguesa e o seu impacto negativo no desenvolvimento da educação escolar;
2. A persistência de elevadas taxas de abandono precoce, o que impede a elevação do nível de escolarização dos mais jovens;
3. Persistência de débeis níveis de aprendizagem;
4. A manifestação de elevadas desigualdades sociais não apenas no acesso à educação, mas sobretudo nos percursos efectivamente realizados;
5. A falência do modelo de acção do Estado e de actuação da Administração Educacional;
6. Os enormes equívocos sobre o que pode e deve ser a missão das escolas, no dealbar do novo século;
7. A persistência de uma separação entre escolas e famílias;
8. O elevado desperdício de recursos, reflectido sobretudo em altos índices de insucesso escolar e de abandono precoce;
9. A prioridade à educação está longe de ser um adquirido sócio-político.

O Debate terminou, mas os debates podem e devem continuar. Cada um que dê o seu contributo.

quinta-feira, 8 de março de 2007

Amêndoas amargas da Páscoa

Segundo dados do ME, cerca de 45 mil alunos abandonam as escolas após as férias da Páscoa. É uma espécie de degola dos inocentes. O fenómeno não é fácil de debelar, mas há medidas simples que todas as escolas podem pôr em prática e que ajudarão a reduzir drasticamente estes números.
Basta que após o retorno às aulas se identifiquem os alunos que não regressam e se faça um contacto directo, por telefone ou presencial, com os próprios e/ou com os seus encarregados de educação, manifestando-lhe o apoio da escola para os ajudar a superar as dificuldades.
Se houver alunos ainda dentro da escolaridade obrigatória e os pais os não mandarem de volta para a escola devem ser contactadas as forças de segurança.
Para os que regressarem devem ser adoptadas medidas pedagógicas adequadas e dentro das possibilidades de cada escola.
Experimentem e vão ver quanto o abandono diminui.

quinta-feira, 1 de março de 2007

Mais um

Professor agredido em Ramalde. Desta vez foi o avô da criança. O Conselho Executivo não prestou declarações pois, de acordo com a Comunicação Social, não estava autorizado pela DREN.
Que país é este? Os alunos agridem os professores e os directores das escolas têm uma mordaça? Ou isto é mentira ou é uma vergonha. E depois fala-se de autonomia das escolas.

quarta-feira, 28 de fevereiro de 2007

Professora agredida

Mais uma professora agredida, agora na escola do Cerco, no Porto. Foi fora da escola, mas isso não diminui a gravidade da questão. As agressões a professores vêm a aumentar exponencialmente e não tem havido uma estratégia clara para combater o fenómeno, que veio para ficar, se nada for feito em contrário.
Para além das responsabilidades óbvias do Ministério da Educação, cada escola/agrupamento tem de assumir as suas, sobretudo através de medidas preventivas que não constituam meros paliativos para ir varrendo o lixo para debaixo do tapete.

terça-feira, 27 de fevereiro de 2007

Encarar a mudança

Vale mais tomar a mudança pela mão do que esperar que ela nos prenda pelo pescoço.
Winston Churchill

sábado, 24 de fevereiro de 2007

Da república dos professores à escola da comunidade

Está-se hoje já longe do tempo em que às famílias não era reconhecido qualquer direito formal de intervenção organizadas nas escolas, mas está-se ainda longe do reconhecimento do direito ao exercício pleno de competências que não sejam meramente consultivas ou simbólicas por parte dos pais e encarregados de educação.
A tradição portuguesa do hipercentralismo da gestão do sistema educativo e do domínio quase absoluto dos professores na gestão das escolas, heranças, respectivamente do Estado Novo (e anterior) e do 25 de Abril têm dificultado uma maior abertura à intervenção dos pais e das autarquias, embora estas não sejam aqui consideradas.
O que se defende, exige a mudança de paradigma na gestão escolar. Trata-se de uma verdadeira revolução no governo das escolas, um corte com o passado, uma escola verdadeiramente da comunidade em cuja gestão sejam determinantes não apenas os professores, mas outros actores, designadamente os pais e encarregados de educação.
(Três parágrafos de uma comunicação que apresentei hoje ao XXXII Encontro Nacional das Associações de Pais, 24 e 25 de Fevereiro, Cine-Teatro Caracas, Oliveira de Azeméis.)