domingo, 28 de janeiro de 2007

Portugal no seu melhor

Da leitura dos semanários do fim-de-semana retive dois factos que ilustram o estado a que chegámos.
No concurso da RTP sobre o Maior Português, António de Oliveira Salazar leva larga vantagem, logo seguido de Álvaro Cunhal. Que temos a memória curta, já se sabia, o que se presumia é que não fossemos tão ignorantes. Afinal, os indicadores do PISA não são tão maus quanto se julgava, a situação é bem pior.
Quem foi esse Afonso Henriques, que inventou Portugal, ou D. João I, vencedor de Ajubarrota, ou Vasco da Gama, Álvares Cabral e outros que abriram "novos mundos ao mundo", ou o Marquês de Pombal, que reconstruiu Lisboa, ou D. Pedro IV, Imperador do Brasil e rei liberal, e tantos, tantos outros? Sombras da História para os que votam no tal concurso.

Por isso, quem se admira que o livro mais comprado nas últimas semanas seja de Carolina Salgado? Que interessa, por exemplo, a poesia de Fiama Hasse Pais Brandão, recentemente falecida, face às coscuvilhices de alcova de uma senhora que não hesita em expor as intimidades mais pueris de pessoas apaixonadas e as histórias mais sórdidas de amantes desavindos?

Apetece citar Anaïs Nin:
"Não vemos as coisas como elas são, vêmo-las como nós somos."