domingo, 15 de abril de 2007

Gestão e liderança nas escolas públicas portuguesas. Da revolução à globalização

Comunicação apresentada ao IV Congresso Luso-Brasileiro de Política e Administração da Educação, III Congresso Nacional do Fórum Português de Administração Educacional

RESUMO

O conceito de liderança é relativamente recente em Portugal no âmbito educacional; inicialmente utilizado nos contextos político, empresarial e desportivo, só timidamente vai entrando no léxico pedagógico.
A cultura escolar portuguesa, ao nível da administração escolar, é sobretudo marcada por conceitos mais formais e hierárquicos, como reitor ou director, órgãos unipessoais normalmente resultantes de nomeação estatal e, no pós Revolução dos Cravos (1974), por conselhos directivos/executivos, órgãos colegiais, emergentes de escolhas entre pares.
Qualquer que seja o caso, público ou privado, o exercício da administração e gestão das escolas associa-se predominantemente ao conceito clássico de chefia, fundamento da hierarquia directiva ainda hoje mais corrente nas organizações públicas portuguesas e em boa parte das privadas, embora sejam já claros os sinais da inevitabilidade de uma reformulação conceptual e da adopção de novas práticas, inspiradas no conceito de liderança.
É inquestionável que o tema é hoje um tópico importante de reflexão e discussão no âmbito da administração e da gestão escolar, de tal forma que alguns assinalam mesmo ter-se tornado um tema de moda.
Infelizmente em Portugal o debate é ainda muito restrito, a investigação é escassa, e a afirmação de lideranças é frequentemente encarada como um processo de poder pessoal e não como uma dimensão colectiva ancorada num projecto de inovação e mudança e de afirmação da qualidade da oferta escolar.
As escolas são organizações, têm vida própria, vão-se construindo de acordo com um tempo e um contexto, um e outro mutantes, têm os seus diversos actores, têm a sua própria história; a liderança é o cimento que aglutina e faz avançar.
Muitas das definições de liderança reflectem o entendimento de que envolve um processo de influência social por intermédio do qual uma pessoa, ou grupo, influencia intencionalmente outras pessoas, ou grupos, para estruturar as actividades e relações num grupo ou organização.
A história da administração educativa em Portugal, nas últimas três décadas, está indelevelmente marcada pelo modelo da chamada “gestão democrática” que, em termos muito sumários, confiou a gestão das escolas aos professores e manteve a direcção ferreamente centralizada nos serviços centrais do Ministério da Educação.
Como se compatibiliza a electividade com a liderança e como ambas se relacionam com a hipotética profissionalização dos gestores é uma questão em aberto e certamente decisiva no debate a travar quando se efectivar a discussão do actual modelo de gestão em que vai estar em causa, sobretudo, saber se o ME abdica dos seus poderes imperiais e, em caso afirmativo, a favor de quem.
O objectivo desta comunicação é fazer uma breve revisão do conceito de liderança escolar e perspectivar o desenvolvimento da sua afirmação no quadro do modelo de gestão em vigor nas escolas públicas, nomeadamente considerando a possibilidade da sua reformulação.

Se estiver interessado no texto integral basta solicitá-lo através de e-mail para jmsilva@esel.ipleiria.pt