segunda-feira, 14 de maio de 2007

Escolas-palhota

A colonização portuguesa teve aspectos positivos mas foi incapaz de lançar as bases do desenvolvimento dos países onde dominámos durante"séculos", se tomarmos como base a propaganda do Estado Novo, durante cerca de um século, se atendermos à realidade e, mesmo assim, pouco para além dos perímetros urbanos. Para os que duvidam façam as contas e vejam quantas cidades das nossas ex-colónias têm um século ou mais.
Em Moçambique há milhões de pessoas que não falam Português, apesar de ser a língua oficial, e a avaliar pelo estado em que está a maioria das escolas fora dos centros urbanos principais só mesmo ali era possível encontrar escolas semelhantes às nossas.
Visitei várias "escolas" que não são mais do que uma palhota sem portas nem janelas, chão térreo, sem qualquer equipamento nem sequer um quadro negro. Os alunos não têm material, não têm onde escrever, sentam-se numas pedras, e o professor pouco mais dispõe do que de umas fotocópias. As turmas têm cerca de oitenta alunos em média. Mesmo assim, numa que visitei estavam a preparar as comemorações do Dia Mundial da Criança; comovente.
Apesar de tudo isto é tocante o empenho dos professores e o seu interesse em se aperfeiçoarem profissionalmente e é um enorme desafio cooperar com a Universidade Pedagógica, delegação de Nampula, num processo de formação semi-presencial de três centenas de docentes que exercem a sua actividade nestas escolas-palhota.
Portugal podia, e devia, fazer muito mais pelos países que ajudou a fundar.