domingo, 27 de maio de 2007

Eu, Safiya

Há uns anos enviaram-me um mail com um abaixo assinado reclamando a não condenação à morte por lapidação de uma mulher nigeriana acusada de adultério e que segundo a religião islâmica devia morrer daquela forma bárbara. Assinei e mais tarde tive a satisfação de saber que a enorme mobilização internacional tinha produzido efeito e a mulher não tinha sido sequer condenada.
Agora chegou-me às mãos o livro (Edições ASA) em que a própria, Safiya Hussaini Tungar Tudu, conta na primeira pessoa, com a mediação de um jornalista italiano, Rafaelle Maso, a história da sua vida e a enorme provação por que passou.
Sem querer tirar quaisquer ilações de carácter religioso aconselho vivamente a leitura do livro, um testemunho pungente de uma existência para nós inimaginável num mundo em tudo diferente do nosso e onde a religião é vivida de uma forma completamente diferente.
Apenas duas passagens.
"A nossa fé religiosa é parte integrante das nossas vidas. Os nossos dias começam e terminam em oração e os nossos actos são orientados por Alá."
"Como é que um bébé - a criatura mais pura e inocente à face da terra - pode tranformar-se no símbolo de um crime a ser punido com a pena de morte?"