sábado, 16 de junho de 2007

O caso Charrua e os bufos à solta

Fizeram-me chegar o texto do "Despacho de Acusação" ao professor Charrua, elaborado por um jurista de serviço e, confesso que embora preparado para o pior, jamais imaginei que a mediocridade e o melhor estilo "legionário" (inspirado na antiga Legião Portuguesa) regressassem pela mão de quem tinha obrigação de perceber que se lhe pedia uma análise fria e distanciada de um acontecimento sórdido, sem paralelo nos tempos mais recentes da Administração Pública.
O jurista dá como provado que o acusado chamou "filho da puta" ao Primeiro Ministro, pelo que a moldura penal aplicável é a pena de suspensão, não referindo por quanto tempo, mistério que nos deixa a dúvida se por esquecimento ou por incompetência, pois o deveria ter feito sob a forma de proposta, já que compete à Srª. DREN decidir.
É evidente que a urbanidade e a moderação de linguagem devem ser atributos de quem trabalha em sítios públicos e exerce cargos de responsabilidade na administração, mas tanto quanto se percebe do famigerado "Despacho", e dando de barato que o descrito se confirma, está-se perante um "desabafo" em vernáculo, bem "à moda do Porto", feito entre quatro colegas e que só o ressurgimento do espírito "bufo" e zelo interesseiro de um qualquer reles denunciante acolhido pela chefia, típico dos tempos do Estado Novo, justifica.
Naturalmente que quem vai sair mal disto (já está) é a DREN, a Ministra e o PM, este se não emendar rapidamente a mão dos seus subordinados, que já lhe causaram a ele, à imagem do Governo e à do PS, malefícios bem maiores que a frase desbocada do professsor Charrua.