segunda-feira, 10 de setembro de 2007

Chico Lobo

Nunca Francisco Rodrigues Lobo poderia imaginar que um dia passaria a ser o Chico Lobo. De bardo a bar falta apenas um do, e este faz toda a diferença. Se há espaço onde a tradição e a modernidade andam de mãos dadas é ali na Praça Rodrigues Lobo, ex-libris de leiria, como se diria na linguagem gongórica do estado Novo.
Mas a verdade é que o nosso grande poeta, patriarca da praça, que observa da sua estátua, agora quase à dimensão dos passantes, o movimento cosmopolita da noite, deve regozijar-se, mesmo que as pessoas não conheçam a sua obra, nem saibam quem é aquele senhor do pedestal.
Finalmente tem companhia, para além dos pombos, e é um gozo ver pais e filhos, velhos e novos, distribuindo-se pelas várias esplanadas, cafés e bares, cada um como um pequeno microcosmos da cidade, com os seus habituès, sim porque também ali há uma hierarquia social, uma cultura específica, um tempo de lazer muito próprio, deixando às crianças o prazer de andarem de bicicleta, patins ou, simplesmente, jogarem á bola. Trata-se de uma verdadeira reapropriação do espaço público.
Afinal parece fácil travar e inverter a degradação do centro histórico. A receita do Chico Lobo, o bar que iniciou o movimento de regeneração, funciona. Investimento sólido, serviço com qualidade para diferentes públicos, porta aberta o dia todo mais uma boa parte da noite, sem arruaças nem gangsterismo e até ajuda a pagar o estacionamento. E o exemplo está a frutificar e os leirienses a aderir. É uma romaria. Viva Leiria.
Por uma questão de ética importa ressalvar que não sou cliente apenas do Chico Lobo, mas da praça. Quando lá vou sento-me onde há lugar, coisa que em dias de movimento já não é nada fácil.