domingo, 30 de setembro de 2007

Novamente o estádio

O estádio de Leiria é um monumento à insensatez de certas deciões políticas, cujos responsáveis, mesmo depois de inequívocas evidências, continuam a defender acriticamente. Decidir implica riscos e às vezes decide-se mal. Por isso não se fica diminuido quando se constata que se decidiu erradamente e se assume o erro.
A construção do estádio de Leiria, naquele local e com uma engenharia financeira assente exclusivamente nos dinheiros públicos foi um erro crasso que todos pagamos em cada dia que passa. Acresce que o estádio tem capacidade para 30 mil espectadores e que a assistência média aos jogos não chega a um décimo disso. Mas isso são outros contos.
Na última Assembleia Municipal analisou-se a renegociação de dois empréstimos para se pagarem prestações mais baixas, durante mais anos. A Câmara está afogada em dívidas e como uma família em dificuldade atira para o futuro o pagamento de dívida presente. Parece aceitável, mas...há sempre um mas, ninguém assume os custos políticos e cíveis de uma decisão errada que impede que se construam escolas, se reparem estradas, se cuide dos espaços verdes e por aí fora.
Quanto custa por dia o serviço da dívida pelo facto de o Topo Norte continuar um esqueleto sem utilidade? Não ficava bem à Presidente da Câmara ao menos assumir que a decisão foi errada e pedir desculpa por isso?Ao contrário, com toda a arrogância, justifica que depois disso já ganhou eleições. Estamos conversados. Quem ganha eleições fica purificado. O voto é uma espécie de unção que apaga qualquer mancha de pecado.