quinta-feira, 1 de novembro de 2007

As faltas dos alunos

Mais uma vez o ME deixou no ar a ideia de que estas matérias são mal pensadas e pior articuladas. Medidas desta natureza deviam primeiro ser objecto do parecer de especialistas, audição de associações interessadas e articulação com os representantes parlamentares. Quando a medida fosse adoptada haveria o máximo consenso possível e evitar-se-ia o espectáculo triste, a que ainda recentemente se assistiu, de se negar num dia o que se afirmara como verdade insofismável no anterior.
Mas a questão das faltas dos alunos, ou do excesso de faltas, não pode ser vista apenas como um problema escolar, até porque os alunos que ultrapassam os limites de faltas e se desinteressam das escolas são potenciais trabalhadores desqualificados e candidatos a marginais. Trata-se, pois, de um problema social e como tal deve ser tratado.
Em Portugal ainda estamos na fase em que as escolas são generalistas no sentido em que devem lidar com todo o tipo de alunos. Não é necessário que assim seja e há países onde, há muito, ensaiaram outras soluções, procurando respostas especializadas para problemas particulares.
Visitei, há três anos, em Roterdão uma instituição escolar especializada na recuperação de alunos problemáticos, que após sinalização pelas suas escolas, são para ali encaminhados e onde seguem programas adaptados às suas situações.
Não se trata de uma casa de correcção, mas de uma escola onde desde os funcionários aos professores todos estão qualificados e preparados para lidarem com alunos difíceis, muitos deles pequenos delinquentes.
Os alunos seguem programas muito específicos e temporalmente limitados, findos os quais voltam a ser reinseridos na escola de origem ou noutra conforme os casos. É uma alternativa e deixo-a aqui apenas como testemunho e reflexão.
Uma coisa é certa, expulsar da escola um aluno porque falta mais do que o convencionado, é resolver um problema à Escola, mas é condenar o aluno à exclusão e criar mais problemas à Polícia e à Segurança Social, digamos, à Sociedade.