quarta-feira, 28 de fevereiro de 2007

Professora agredida

Mais uma professora agredida, agora na escola do Cerco, no Porto. Foi fora da escola, mas isso não diminui a gravidade da questão. As agressões a professores vêm a aumentar exponencialmente e não tem havido uma estratégia clara para combater o fenómeno, que veio para ficar, se nada for feito em contrário.
Para além das responsabilidades óbvias do Ministério da Educação, cada escola/agrupamento tem de assumir as suas, sobretudo através de medidas preventivas que não constituam meros paliativos para ir varrendo o lixo para debaixo do tapete.

terça-feira, 27 de fevereiro de 2007

Encarar a mudança

Vale mais tomar a mudança pela mão do que esperar que ela nos prenda pelo pescoço.
Winston Churchill

sábado, 24 de fevereiro de 2007

Da república dos professores à escola da comunidade

Está-se hoje já longe do tempo em que às famílias não era reconhecido qualquer direito formal de intervenção organizadas nas escolas, mas está-se ainda longe do reconhecimento do direito ao exercício pleno de competências que não sejam meramente consultivas ou simbólicas por parte dos pais e encarregados de educação.
A tradição portuguesa do hipercentralismo da gestão do sistema educativo e do domínio quase absoluto dos professores na gestão das escolas, heranças, respectivamente do Estado Novo (e anterior) e do 25 de Abril têm dificultado uma maior abertura à intervenção dos pais e das autarquias, embora estas não sejam aqui consideradas.
O que se defende, exige a mudança de paradigma na gestão escolar. Trata-se de uma verdadeira revolução no governo das escolas, um corte com o passado, uma escola verdadeiramente da comunidade em cuja gestão sejam determinantes não apenas os professores, mas outros actores, designadamente os pais e encarregados de educação.
(Três parágrafos de uma comunicação que apresentei hoje ao XXXII Encontro Nacional das Associações de Pais, 24 e 25 de Fevereiro, Cine-Teatro Caracas, Oliveira de Azeméis.)

terça-feira, 20 de fevereiro de 2007

Agressões a professores devem ser crime público

João Dias da Silva, secretário-geral da Federação Nacional dos Sindicatos da Educação (FNE), defende que as agressões aos professores passem a ser consideradas crime público, pelo que entende dever ser o Ministério Público a assumir a apresentação da queixa e a defesa do professor.
Muitas vezes, por receio de represálias, os professores sentem-se coibidos de fazer queixa. É necessário que o professor sinta confiança e segurança quando entra na escola e que sinta que está protegido por legislação que lhe permite exercer a sua autoridade, realçou ainda João Dias da Silva. Na perspectiva do secretário-geral da FNE, esta alteração legislativa é necessária para que se verifique um reforço da autoridade dos professores.
No ano lectivo de 2004-05, foram agredidos 79 professores nas escolas, 11 dos quais tiveram de receber assistência hospitalar. Outros 139 funcionários e 1014 alunos também foram agredidos.

domingo, 18 de fevereiro de 2007

Opções políticas para o ensino superior

De acordo com o Ministro Mariano Gago, em intervenção no CNE, dia 13 de Fev:

- Alargar a base de recrutamento e o número de estudantes no Ensino Superior, a sua mobilidade e a qualidade e relevância das suas formações. O número anual de diplomados deverá crescer 50 % nos próximos 10 anos. A maioria desse crescimento deve verificar-se no Ensino Politécnico.

- Reforçar o topo, a capacidade científica e técnica das instituições, assim como a sua capacidade de gestão, o seu envolvimento com a sociedade e a economia e a participação em redes internacionais. O número de doutorados pelas Universidades deverá duplicar nos próximos 10 anos.

- Reforçar o sistema binário de forma inequívoca.
- Devendo o ensino politécnico concentrar-se especialmente em formações vocacionais e formações técnicas avançadas de 1º ciclo orientadas profissionalmente.
- Pelo contrário, o ensino universitário deverá reforçar a oferta de formações científicas sólidas e especialmente de pós-graduações, juntando esforços e competências de unidades de ensino e investigação.

quarta-feira, 14 de fevereiro de 2007

Autonomia curricular

O ex-ministro David Justino advogou, em conferência recente, uma maior autonomia curricular para as escolas. A ideia é interessante e este deve ser o caminho, mas na situação presente impossível de concretizar.
O problema não é a autonomia curricular, é a autonomia tout court.
Como é que se poder querer autonomia curricular enquanto o Ministério da Educação continuar a gerir com mão de ferro todas as escolas? Primeiro há que libertar as escolas da tutela do ME e para isso há que criar um diferente ordenamento para a administração e gestão do sistema de ensino, nomeadamente através da criação de unidades de gestão de âmbito municipal.
Depois poderá vir a autonomia curricular definindo-se com grande rigor o core curriculum e as componentes de gestão autónoma local. Não se pode começar a construir a casa pelo telhado.

domingo, 11 de fevereiro de 2007

O SIM de Portugal

Com a vitória do Sim no referendo de hoje, deu-se mais um passo na construção de um país mais moderno, tolerante e respeitador dos cidadãos.
Quaisquer que sejam as convicções de cada um e o seu sentido de voto, é indiscutível que a vitória do SIM é, sobretudo, a derrota do aborto clandestino, essa chaga social que nos envergonhava como cidadãos e dava de Portugal a ideia de um país obscurantista e inquisitorial.
Agora que a interrupção voluntária da gravidez a pedido da mulher, até às dez semanas e praticada em estabelecimento de saúde legalmente autorizado, deixa de ser crime, é tempo também de regulamentar com realismo e com rigor as condições em que tal prática será realizada e aprofundar a educação sexual e a contracepção.
Portugal hoje deu um passo significativo no sentido da modernidade.

terça-feira, 6 de fevereiro de 2007

A hecatombe do secundário

Os números são mais ou menos conhecidos, mas vale a pena insistir em falar deles e talvez se justificasse afixá-los à porta de todas as escolas secundárias para que ninguém os esquecesse e tentasse superá-los, dia a dia.
Só 60% dos alunos em idade de frequentar o ensino secundário estavam integrados neste nível de ensino em 2004/2005, último ano com estatísticas disponíveis. Os restantes 40%, ou ainda não tinham acabado o básico ou saíram do sistema sem mais qualificações.
Dos que frequentavam o ensino secundário no mesmo ano, 50.8% ou chumbaram ou desistiram.
Estes números envergonham-nos como cidadãos e agridem-nos enquanto professores. Que andamos a fazer dos nossos jovens, se não conseguimos dar-lhes uma educação/escolarização adequadas? E ano após ano as coisas vão piorando e muitos encolhem os ombros como se de uma maldição se tratasse. Até quando vamos permitir isto?

domingo, 4 de fevereiro de 2007

A municipalização da educação não superior

Sou adepto da municipalização da educação não superior. Defendo que o Ministério da Educação devia deixar de ser responsável pela gestão das escolas e passar essas competências para os municípios. Sei que a medida não é fácil, que existem dificuldades e até perigos. Mas acho que esta transformação é inevitável.
Mas, atenção, não se trata de mudar de agulha e colocar os municípios no lugar até agora ocupado pelo ME. O que defendo é uma mudança profunda de todo o modelo actual de gestão do sistema de ensino, incluindo a gestão das escolas.
De forma muito sumária (voltarei ao tema mais tarde) a unidade de gestão devia deixar de ser a escola para passar a ser o agrupamento de escolas municipais (o nome é irrelevante), isto é, em cada concelho passaria a existir uma entidade responsável pela gestão conjunta de todas as escolas e equipamentos educativos, entidade constituída por representantes da comunidade e técnicos com currículo reconhecido, por forma a assegurar duas coisas essenciais - legitimidade democrática e profissionalismo. Em cada escola passaria a existir uma direcção, com funções esencialmente técnicas, subordinada à entidade gestora do conjunto.
Em Portugal isto é uma revolução; nalguns países é rotina com décadas, para não dizer séculos, de experimentação.

De pequenino se torce o destino

Em conversa com uma professora do 1º. ciclo retive a ideia de que a maior dificuldade que sente é controlar os alunos para que se possa trabalhar na aula. Chegam sem regras, sem respeito por ninguém, não obedecem, falam alto, gritam.
Dir-se-á que os professores são profissionais, que são pagos para lidar com todo o tipo de alunos e que lhes compete tornear as dificuldades e fazer com que os alunos aprendam e progridam.
É verdade, mas é apenas meia verdade.
Os professores não se podem substituir à família e a educação das crianças é, antes de mais, da responsabilidade daquela. Se as famílias não compreenderem isto vamos continuar a assistir à degradação do ambiente nas escolas e ao agravamento do insucesso escolar.

quinta-feira, 1 de fevereiro de 2007

As dificuldades da Segurança Social

Em conversa com colegas de um centro Universitário Brasileiro do Rio Grande do Sul, com quem o IPLeiria tem uma relação de cooperação privilegiada, denominado UNIVATES http://www.univates.br/ um deles, o professor de economia Oto Moerschbaecher, falando das dificuldades de sustentabilidade da segurança social brasileira explicou o assunto com esta simplicidade: "É impossível com trinta anos a descontar 8%, assegurar outros 30 a receber 100%." Clareza meridiana.
Talvez se o assunto fosse explicado aos portugueses com esta transparência as pessoas aceitassem melhor o apertar de cinto a que estamos obrigados.