quarta-feira, 30 de maio de 2007

O caso Charrua e o grupo parlamentar do PS

Há momentos em que a decência e o decoro deviam impedir certos deputados de fazerem figuras tristes e prejudiciais para a sua própria credibilidade e do partido que representam.
A forma como alguns deputados de PS têm defendido na Assembleia da República a medida tomada pela DREN relativamente a um professor requisitado que ali exercia funções, a quem foi levantado um processo disciplinar e, de imediato, interrompida a requisição de serviço, faz lembrar outros tempos em que a "voz do dono" era a única linguagem que alguns serviçais conheciam.
Venha ou não a apurar-se comportamento culposo, a requisição do professor foi interrompida como medida punitiva. A não ser assim e não se encontraria qualquer justificação para este acto, pois o processo disciplinar poderia prosseguir sem alarme e não se teria criado esta situação a todos os títulos lamentável.
Infelizmente há deputados que fingem não perceber isto e em vez de se colocarem do lado da justiça preferem a barricada da chicana partidária, mesmo estando um causa um ex-parlamentar que deveria merecer, também por isso, um pouco mais de respeito.

segunda-feira, 28 de maio de 2007

O grau zero do acto pedagógico


Preparando o Dia Mundial da Criança numa escola primária de Monapo, província de Nampula, Moçambique, Maio de 2007

domingo, 27 de maio de 2007

Eu, Safiya

Há uns anos enviaram-me um mail com um abaixo assinado reclamando a não condenação à morte por lapidação de uma mulher nigeriana acusada de adultério e que segundo a religião islâmica devia morrer daquela forma bárbara. Assinei e mais tarde tive a satisfação de saber que a enorme mobilização internacional tinha produzido efeito e a mulher não tinha sido sequer condenada.
Agora chegou-me às mãos o livro (Edições ASA) em que a própria, Safiya Hussaini Tungar Tudu, conta na primeira pessoa, com a mediação de um jornalista italiano, Rafaelle Maso, a história da sua vida e a enorme provação por que passou.
Sem querer tirar quaisquer ilações de carácter religioso aconselho vivamente a leitura do livro, um testemunho pungente de uma existência para nós inimaginável num mundo em tudo diferente do nosso e onde a religião é vivida de uma forma completamente diferente.
Apenas duas passagens.
"A nossa fé religiosa é parte integrante das nossas vidas. Os nossos dias começam e terminam em oração e os nossos actos são orientados por Alá."
"Como é que um bébé - a criatura mais pura e inocente à face da terra - pode tranformar-se no símbolo de um crime a ser punido com a pena de morte?"

quinta-feira, 17 de maio de 2007

Avaliação do desempenho docente

Realizou-se ontem a 1.ª sessão do seminário sobre este tema com inscrições esgotadas. Vieram pessoas de Vila do Conde, da Figueira da Foz, de Abrantes e de muitos outros sítios fora de Leiria.
O mérito é do tema que, muito legitimamente, preocupa muitos professores. A ansiedade é visível e as interrogações muitas. O processo não é novo por esse mundo fora, mas por cá é uma novidade encarada com preocupação. É necessário clarificar, desdramatizar e preparar o sucesso da avaliação.
Haverá nova sessão dia 30 de Maio, às 16,30 na ESE de Leiria e vamos tentar integrar todos os que estiverem interessados. Basta que enviem um mail para licinia@esel.ipleiria.pt e deixem o vosso contacto.

Projecto Qualis

Desde 2006, com a implementação do projecto Qualis, está a decorrer, na Região Autónoma dos Açores, a avaliação das escolas.O projecto Qualis tem como objectivo melhorar a qualidade das escolas, através de uma atitude de auto-avaliação. A escola deve conhecer-se para melhorar! Nesta avaliação participará toda a comunidade educativa.
Dê uma espreitadela no endereço seguinte, vai ver que é interessante.
http://srec.azores.gov.pt/dre/sd/115161010600/0607/espacodaescola/oprojectoqualis2.htm

segunda-feira, 14 de maio de 2007

Escolas-palhota

A colonização portuguesa teve aspectos positivos mas foi incapaz de lançar as bases do desenvolvimento dos países onde dominámos durante"séculos", se tomarmos como base a propaganda do Estado Novo, durante cerca de um século, se atendermos à realidade e, mesmo assim, pouco para além dos perímetros urbanos. Para os que duvidam façam as contas e vejam quantas cidades das nossas ex-colónias têm um século ou mais.
Em Moçambique há milhões de pessoas que não falam Português, apesar de ser a língua oficial, e a avaliar pelo estado em que está a maioria das escolas fora dos centros urbanos principais só mesmo ali era possível encontrar escolas semelhantes às nossas.
Visitei várias "escolas" que não são mais do que uma palhota sem portas nem janelas, chão térreo, sem qualquer equipamento nem sequer um quadro negro. Os alunos não têm material, não têm onde escrever, sentam-se numas pedras, e o professor pouco mais dispõe do que de umas fotocópias. As turmas têm cerca de oitenta alunos em média. Mesmo assim, numa que visitei estavam a preparar as comemorações do Dia Mundial da Criança; comovente.
Apesar de tudo isto é tocante o empenho dos professores e o seu interesse em se aperfeiçoarem profissionalmente e é um enorme desafio cooperar com a Universidade Pedagógica, delegação de Nampula, num processo de formação semi-presencial de três centenas de docentes que exercem a sua actividade nestas escolas-palhota.
Portugal podia, e devia, fazer muito mais pelos países que ajudou a fundar.

quinta-feira, 10 de maio de 2007

Da árvore à universidade

A expressão foi utilizada pelo administrador do distrito de Ribaué, província de Nampula, Moçambique, para caracterizar o percurso que algumas crianças aqui terão que fazer devido à escassez de salas de aula.
Tal como em muitos outros países africanos, ainda é muito comum por aqui que a primeira sala de aula de muitas crianças seja a sombra de uma árvore frondosa. É notável o esforço destes professores, aqui a profissão é essencialmente exercida por homens, para darem um mínimo de educação aos milhares de crianças que frequentam o ensino sem quaisquer condições sociais, nem escolares.
Os professores constituem, para estas crianças, o único passaporte para um futuro melhor, em regiões onde ainda não chegaram nem a televisão nem a internet e o conhecimento académico é exclusivamente veiculado pelo "mestre", mesmo que pouco habilitado para o efeito.

domingo, 6 de maio de 2007

Moçambique

Estou em Moçambique com um grupo de colegas e voluntários de uma ONG portuguesa para estudarmos um programa de apoio à formação de professores na província de Nampula. É um salto para um mundo muito diferente, embora a portugalidade por aqui continue viva, na língua, na arquitectura, até no futebol - os três grandes portugueses são da família.
Maputo respira desenvolvimento, mas as assimetrias sociais continuam chocantes e a tarefa de conduzir este país para níveis considerados aceitáveis para os nossos padrões vai demorar gerações.
A educação é aqui um desafio tão estratégico quanto em Portugal, apesar das diferenças abissais entre os dois paises e respectivos sistemas de ensino. O analfabetismo é um problema grave e conseguir níveis de escolarização satisfatórios o desafio de todos os dias. Para que seja possível avançar são precisos professores com formação básica e formadores com qualificações adequadas. É isso que justifica a nossa presença. O empenho é enorme e estamos a trabalhar para dar o nosso melhor contributo.