domingo, 30 de setembro de 2007

Novamente o estádio

O estádio de Leiria é um monumento à insensatez de certas deciões políticas, cujos responsáveis, mesmo depois de inequívocas evidências, continuam a defender acriticamente. Decidir implica riscos e às vezes decide-se mal. Por isso não se fica diminuido quando se constata que se decidiu erradamente e se assume o erro.
A construção do estádio de Leiria, naquele local e com uma engenharia financeira assente exclusivamente nos dinheiros públicos foi um erro crasso que todos pagamos em cada dia que passa. Acresce que o estádio tem capacidade para 30 mil espectadores e que a assistência média aos jogos não chega a um décimo disso. Mas isso são outros contos.
Na última Assembleia Municipal analisou-se a renegociação de dois empréstimos para se pagarem prestações mais baixas, durante mais anos. A Câmara está afogada em dívidas e como uma família em dificuldade atira para o futuro o pagamento de dívida presente. Parece aceitável, mas...há sempre um mas, ninguém assume os custos políticos e cíveis de uma decisão errada que impede que se construam escolas, se reparem estradas, se cuide dos espaços verdes e por aí fora.
Quanto custa por dia o serviço da dívida pelo facto de o Topo Norte continuar um esqueleto sem utilidade? Não ficava bem à Presidente da Câmara ao menos assumir que a decisão foi errada e pedir desculpa por isso?Ao contrário, com toda a arrogância, justifica que depois disso já ganhou eleições. Estamos conversados. Quem ganha eleições fica purificado. O voto é uma espécie de unção que apaga qualquer mancha de pecado.

The best is yet to come

O título deste post é o de um CD de Ella Fitzgerald, que estou a ouvir neste momento, e aplica-se ao que aí vem com a eleição de Luís Filipe Menezes, que num post do dia 16 eu tinha previsto "arriscava-se a ganhar", e ganhou.
Esta eleição interessa-me enquanto cidadão, pois o que estava e está em causa nas eleições partidárias são os interesses do país e das pessoas em geral e não apenas dos seus militantes. Infelizmente a maioria divorcia-se do que se passa dentro dos partidos e depois queixa-se.
Mendes é um político sério mas nunca foi um líder, nem jamais lá chegaria. Não é líder quem quer, mas quem os outos reconhecem como tal.
Como se viu, perdeu na contenda com Menezes que tem mais "pinta" e vai conferir mais animação ao debate político, o que só pode ser positivo.
Quanto ao catastrofismo com que alguns vêem esta eleição é esperar para ver, mas que Menezes devolveu a esperança ao PSD e a todos os que sonham com uma alternativa ao PS, isso parece evidente.

terça-feira, 25 de setembro de 2007

A nossa Chinatown

Maria José Nogueira Pinto agitou os espíritos lisboetas ao propor a criação de uma Chinatown em Lisboa. Nós já cá temos uma, não tem lojas, mas alunos e alunas, chineses e portugueses, bem como professores das duas nacionalidades.
A parceria entre o Instituto Politécnico de Leiria e o Instituto Politécnico de Macau está pujante e cerca de quarenta alunos, chineses e portugueses, formam-se para serem tradutores de Chinês-Português e Português-Chinês.
As diferenças culturais são notórias e se a isso somarmos os alunos do programa Erasmus e os programas internacionais de cooperação temos no IPLeiria um cosmopolitismo absolutamente único na região. São sementes de um futuro feito de cidadãos de um mundo aberto e miscigenado sem Tordesilhas nem Cortinas de Ferro.

Aprender a crescer

Ana Isabel Garrido (texto) e Inês Massano Cardoso (ilustração) editaram o manual de Formação Cívica Aprender a Crescer, que é acompanhado por um jogo didáctico. O Governador Civil de Leiria apadrinhou a publicação e o Ministro da Administração Interna presidiu à apresentação da obra que me coube fazer, com grande prazer, devo confessar.
Trata-se de um valioso instrumento de trabalho para todos os professores que têm de se confrontar com as temáticas da Formação Cívica, com a vantagem de resultar de uma experiência prática de vários anos da autora do texto como coordenadora da disciplina.
Num país onde a formação cívica anda pelas ruas da amargura é um bálsamo para alma o esforço das autoras, a iniciativa do Governador Civil de Leiria e o significado político que teve a vinda a um acto eminentemente pedagógico do Ministro da Administração Interna.

Afinal ainda há quem queira ser professor

Na Escola Superior de Educação de Leiria abriram-se 70 vagas para a licenciatura em Educação Básica, versão bolonhesa dos três primeiros anos de formação de educadores de infância e de professores do primeiro ciclo.
Temia-se o pior, ainda por cima com a Ministra da Educação a gritar aos sete ventos que os professores deviam procurar outras ocupações.
Pois todas as vagas foram preenchidas na primeira fase de colocações. Nesta matéria o mercado não funciona. O desemprego na classe é conhecido, mas candidatos não faltam, como se comprova. E não acontece o mesmo em quase todas as profissões? E havia de ser a lei da oferta e da procura o único critério a ter em conta na escolha de um curso superior? Moral da história, felizmente ser professor ainda é uma profissão atractiva em Portugal. Assim as políticas de educação valorizem os bons profissionais.

Ainda os serviços de saúde

Mandei um mail ao meu médico de família, por acaso director da Unidade de Saúde Familiar, a dar-lhe conta da ocorrência, mas nem resposta. Os serviços de saúde são quase como os de justiça, não passam cavaco aos cidadãos.
Ainda marquei consulta num médico privado, mas alguém me lembrou, e bem, de um hospital privado que tem várias convenções com a ADSE, de que sou beneficiário.
Para meu espanto, marcaram-me uma consulta de um dia para o outro e cobraram-me apenas 3.49€ (três euros e quarenta e nove cêntimos). Como a hora da consulta se atrasou "deixaram-me" ir à minha vida e telefonaram-me quando a minha vez estava a chegar. O médico atendeu-me de forma cuidada, demoradamente e com uma simpatia inexcedível.
Fiquei atónito, pois estava à espera de um daqueles médicos típicos dos SAP, mal dispostos, mal educados e que quase faziam "os serviços mínimos" por favor.
Afinal há soluções. Se isto funciona nos privados por que raio não funciona no público?

terça-feira, 18 de setembro de 2007

Foi você que pediu uma consulta?

Já ouviu falar das novas Unidades de Saúde Familiares? Finalmente parecia estar encontrado o ovo de Colombo para atrasos e mau atendimento nos Centros de Saúde. Incauto, acreditei, e como há anos não visitava o meu médio de família, cujo vencimento é pago com os meus e os seus impostos, resolvi rentabilizar o meu e o seu investimento no Serviço Nacional de Saúde, e usando a nova modalidade telefónica (viva o progresso) solicitei a marcação de uma consulta ontem, 17 de Setembro. Ficou para 29 de Outubro!!!
Talvez seja normal. Eu é que acreditei na propaganda, neste caso enganosa. Áh, já me esquecia, se for urgente posso ir para lá a partir das 17 horas e sou, de certeza (!), atendido por um médico de turno.
Simples, o médico de família não tem tempo para atender os doentes, mas nas urgências sempre se arranja um espacito. Se for num consultório privado a coisa é garantida. Mas, neste caso, quem é que me devolve o dinheiro que pago para o Serviço Nacional de Saúde?

O novo ano lectivo

O novo ano lectivo arranca com mais alunos e menos polémica e, sobretudo, num ambiente diferente no país. De há dois anos para cá começou a ganhar força a imagem positiva do "voltar á escola", e por todo o lado se fala de formação, seja na procura de reconhecimento e validação de competências, seja em novas formações básicas e secundárias, pós-graduações, mestrados ou doutoramentos.
Portugal tranformou-se num país de estudantes, o que é muito positivo e estimulante. O concurso de acesso ao ensino superior veio confirmar a tendência. A procura de formação está em alta a todos os níveis, o que permite pensar num país mais preparado para competir com os demais no futuro próximo.

domingo, 16 de setembro de 2007

O som dos tambores

No PS/Leiria (concelho) começam a ouvir-se os tambores de guerra. Começa a cheirar a pólvora autárquica e a contagem das espingardas é inevitável. Como num filme em repetição, as cenas são conhecidas, mas a malta não arreda pé. Falta conhecer o par amoroso, mas o enredo é o de sempre.
Como se sabe que "os mesmos métodos conduzem sempre aos mesmos resultados" não é difícil perceber o que vai acontecer, a menos que se escolha, finalmente, um caminho diferente.
Atenção à alteração da legislação autárquica, pode ser uma oportunidade preciosa.

Novos alunos no Superior

O IPleiria foi das instituições que conseguiu captar mais alunos, muito mais que muitas universidades. Apenas um senão, muitos alunos não entram na primeira prioridade. É preciso perceber porquê e gerir as expectativas goradas. De qualquer forma, sucesso absoluto.

Mendes versus Menezes

Menezes arrisca-se a ganhar as eleições. Goste-se ou não, fala e as pessoas ouvem. Se calhar é demagógico, mas a demagogia vende. Mendes tem ar de perdedor, não articula uma ideia que desperte atenção. Exemplo de hoje nos telejornais. Menezes ao ataque sobre a prisão preventiva "As alterações põem os criminosos na rua". A maioria das pessoa ouve e, tenho a certeza, concorda. Mendes, queixa-se que a RTP faz censura ao que diz. Quem se importa, se ele diz coisas que não despertam interesse? Não digo que não tenham, apenas que o registo usado não passa e o que não capta a atenção é como se não existisse.
A questão da liderança do PSD não é um mero assunto interno. Quem pensaria, quando Sócrates se apresentou como candidato a líder, que um dia andaria a fazer jogging na Praça Vermelha ou em Washinton e a falar tu cá, tu lá, com Putin e Bush, como "Presidente" Europeu? Pois é, não é só isto que está em causa entre Mendes e Menezes, mas também é. Daí a relevância nacional do assunto.

segunda-feira, 10 de setembro de 2007

Chico Lobo

Nunca Francisco Rodrigues Lobo poderia imaginar que um dia passaria a ser o Chico Lobo. De bardo a bar falta apenas um do, e este faz toda a diferença. Se há espaço onde a tradição e a modernidade andam de mãos dadas é ali na Praça Rodrigues Lobo, ex-libris de leiria, como se diria na linguagem gongórica do estado Novo.
Mas a verdade é que o nosso grande poeta, patriarca da praça, que observa da sua estátua, agora quase à dimensão dos passantes, o movimento cosmopolita da noite, deve regozijar-se, mesmo que as pessoas não conheçam a sua obra, nem saibam quem é aquele senhor do pedestal.
Finalmente tem companhia, para além dos pombos, e é um gozo ver pais e filhos, velhos e novos, distribuindo-se pelas várias esplanadas, cafés e bares, cada um como um pequeno microcosmos da cidade, com os seus habituès, sim porque também ali há uma hierarquia social, uma cultura específica, um tempo de lazer muito próprio, deixando às crianças o prazer de andarem de bicicleta, patins ou, simplesmente, jogarem á bola. Trata-se de uma verdadeira reapropriação do espaço público.
Afinal parece fácil travar e inverter a degradação do centro histórico. A receita do Chico Lobo, o bar que iniciou o movimento de regeneração, funciona. Investimento sólido, serviço com qualidade para diferentes públicos, porta aberta o dia todo mais uma boa parte da noite, sem arruaças nem gangsterismo e até ajuda a pagar o estacionamento. E o exemplo está a frutificar e os leirienses a aderir. É uma romaria. Viva Leiria.
Por uma questão de ética importa ressalvar que não sou cliente apenas do Chico Lobo, mas da praça. Quando lá vou sento-me onde há lugar, coisa que em dias de movimento já não é nada fácil.

Autonomia e mais alunos

Finalmente vão avançar os contratos de autonomia. Qual autonomia? Enquanto o ME decidir tudo e mais alguma coisa, a autonomia vai ser uma flor na botoeira do Governo. Será pior do que agora? Não sejamos pessimistas, mas não é por aqui que o sistema vai mudar. Mas vai ser interessante de seguir o processo. Pela minha parte já estou instalado numa boa janela para ver a banda passar e ouvir as trompas e as fífias.

Sócrates tem um bom indicador para mostrar, aumentou o número de alunos nas escolas. É, sem dúvida, motivo de orgulho para todos e uma vitória política para o ME e para o Governo. É pena ser tão pouco, mas as Novas Oportunidades foram o coelho tirado da cartola. Infelizmente a inabilidade da Ministra tem estragado tudo o resto. E o que é espantoso é que há uns fundamentalistas que estão convencidos de que o PS está a fazer um grande trabalho no ME. Pois é necessário afirmar cada vez mais alto que a "Ministra vai nua", por mais que os aparelhistas do costume bradem o contrário para salvar as sinecuras que lhes couberam em sorte.

domingo, 9 de setembro de 2007

Leiria e o Pólis

Embora com atraso, um comentário sobre o assunto. Como se esperava, a inauguração do Pólis, que por acaso ainda não está concluído, foi de consagração para a Presidente da Câmara. Como ela uma vez disse "tudo lhe cai do Céu", cito de memória. Imaginem que Sócrates não tinha lançado o Pólis. Qual seria o legado de Isabel para a cidade e o concelho? Assim já ganhou um lugar de relevo na história do concelho, em especial da cidade, que está diferente e onde cada vez dá mais gosto viver.
Por qualquer fenómeno que releva do mais puro esoterismo, ninguém associa os méritos do Pólis à governação do PS, mas aos dotes políticos de Isabel. Quem sempre capitalizou esta intervenção foi o PSD, embora tenha sido o PS o partido que mais apoiou o desenvolvimento da cidade e do concelho.
Sócrates e Isabel trocaram elogios, segundo a comunicação social, e fizeram bem, sempre gostaram um do outro e sempre sentiram que juntos podiam fazer muito.
Foi talvez por isso que os quatro veradores do PS faltaram todos a uma reunião da Câmara. Estavam de férias e preferiram gozá-las a virem passar umas horas a decidir minudências. Assim, como assim, se ninguém se lembrou deles no momento da festa, quem se importa se faltam às reuniões?

Os bébés do PS

A Distrital do PS/Leiria lançou uma campanha de alerta e apoio à natalidade. Foi uma boa ideia a avaliar pela cobertura mediática que conseguiu e "roubou" à direita um dos seus temas preferidos. Até se fizeram contas ao número de nascimentos diários necessários para assegurar a reposição das gerações e só faltou cá a saudosa Natália Correia para nos acenar com um cenário rosa de "truca-truca" por tudo quanto é canto, num afã militante de aumentar a população.
De concreto o que é que o Governo faz? Aumenta uns trocos nos benefícios para quem se empenha em aumentar a prole. Tá bem a gente sabe que é o possível. O país é pobre e a manta curta. Mas assim não vamos lá. O aumento nem dá para os preservativos quanto mais para os tirar com a carestia que para aí vai.
Estou a ser injusto, o Ministério da Educação está a contribuir fortemente para estimular as famílias a ter mais crianças. Enquanto as mais novas estão na "escola a tempo inteiro", os pais podem ocupar esse tempo de ócio a fazer mais. Já agora convinha começar pela Ministra, que só tem uma filha, e o exemplo deve vir de cima.

Abandono escolar

A boa notícia é que o abandono escolar desceu no ano lectivo passado. A má notícia é que muitas escolas não se empenham como deviam em o fazer baixar. Há escolas onde o abandono tem taxa zero ou próxima disso. Outras onde a matéria é desvalorizada. Claro que não basta a iniciativa das escolas, há factores sociais e outros que podem agir positiva ou negativamente na sua diminuição ou no seu aumento. Mas se a escola não considerar que é sua missão definir como meta "abandonos zero" e não puser em prática mecanismos de apoio a esta política, não vamos lá.

A ideia é não permitir que os alunos deixem a escola e ir buscá-los onde estiverem, trazendo-os de volta para a escola. O objectivo é, primeiro e essencialmente pedagógico e de cidadania, mas também de defesa dos postos de trabalho dos professores.

O impacto que resultaria de se conseguirem manter no sistema todos os que não chegam a entrar, ou abandonam o secundário, no aumento da necessidade de docentes seria enorme e parece que poucos se preocupam com isso, sindicatos incluídos.

Reduzir a taxa de anabdono é um imperativo nacional que deve mobilizar toda a comunidade. A mortalidade escolar é mais grave para o futuro do país do que a que ocorre nas estradas, mas como não se vêem os mortos nem os feridos, impressiona muito menos.

segunda-feira, 3 de setembro de 2007

Novo ao lectivo

Estou de volta. O blogue terminou as férias, permitiu-se mais de um mês, teve mais sorte do que eu que não fui além dos quinze dias, e trouxe-me com ele.
Este é o ano de todos os desafios. No não superior a "revolução dos titulares", com todas as polémicas e expetactivas desencontradas. Uns que sim, vai ser uma grande mudança, outros que não, vai ficar tudo na mesma. Na mesma não vai ficar, isso é certo, agora até onde vai a mudança só os astros ou o futuro. Cada um que escolha a alternativa mais ajustada ao seu quadro de valores.
No superior o novo regime jurídico vai originar profundas mudanças; aqui é certo que muito vai ser mudado. É uma época que termina e um novo ciclo que se abre. As expectativas são altas. Da composição do corpo docente, à organização das instituições, da gestão dos orçamentos à internacionalização, muito vai ser diferente.
Para o IPleiria os desafios tornam-se ainda maiores. Na sequência da excelente avaliação da EUA, a fasquia já alta tem de ser ainda mais elevada. Novos estatutos, novas equipas directivas, reforço da coesão e organização internas, docentes ainda mais qualificados, formações mais diversificadas, captação de novos públicos, relações internacionais mais amplas e sólidas. O IPleiria vai-se afirmando como um dos mais importantes players regionais. É o futuro de uma instituição e o seu impacto regional que estamos a ajudar a construir.