quinta-feira, 29 de novembro de 2007

Você é um líder

Num anúncio a uma empresa que patrocina o Online Educa Berlim aparece a seguinte frase: "Você é um líder . Você é um educador".
Tanto que alguns professores se esquecem disto. Tal como tambem não se vêem como decisores.
Muitos professores esquecem estas duas grandes marcas da profissão, a necessidade de se considerarem decisores e de se assumirem como líderes.

As TIC e o sucesso educativo

Tenho estado na conferência Online Educa Berlin. Deve ser um dos mais importantes acontecimentos mundias nesta área. As virtualidades das TIC ou ICT, como aqui são referidas, são infinitas e o que já se faz por esse mundo fora é imenso.
No entanto, continua por resolver o essencial, como transpor para o sucesso escolar o enorme potencial das tecnologias. Se nas empresas e noutras áreas isso é visível e, aparentemente fácil, na educação está-se a mostrar tremendamente difícil.
Se compararmos, por exemplo, o que ocorreu nas telecomunicações, que revolucionaram as formas de comunicação, perguntar-se-á por que razão coisa semelhante não é possível com o ensino.
Talvez porque temos ainda um modelo de escola fundado no paradigma da primeira revolução industrial e não conseguimos que os sistemas educativos se movam ao ritmo da actual revolução e das novas tecnologias.
Temos a ferramenta, mas não a conseguimos tornar eficaz. Compramos um telemóvel e utilizamo-lo com proveito visível. Instalamos toda a mais moderna tecnologia que há para instalar numa escola, mas isso não assegura automaticamente mais sucesso educativo.

quarta-feira, 21 de novembro de 2007

PME, globalização e liderança

Pediram-me para escrever um artigo sobre o tema para uma revista regional de economia. Deixo aqui apenas um pequeno excerto. O artigo vai sair brevemente.

No quadro da globalização que enfrentam, e partindo de uma posição muito recuada, não resta às PME portuguesas grande espaço de manobra a não ser apostar em lideranças esclarecidas capazes de definirem e realizarem projectos de desenvolvimento estratégico, assentes no espírito de grupo, na internacionalização, no recurso massivo às novas tecnologias da informação e comunicação, utilizando a sua pequena dimensão e uma elevada qualificação dos seus profissionais como elementos estruturantes de respostas adaptadas e em tempo às alterações bruscas nos mercados e às exigências sempre mutantes dos consumidores.

segunda-feira, 19 de novembro de 2007

É a organização estúpido...

Na Gulbenkian discute-ne pela enésima vez o insucesso escolar. A inicativa é meritória, como (quase) tudo o que a Fundação realiza, mas sobre o insucesso estamos conversados, vamos antes passar a discutir o sucesso, porque se há uns que o alcançam é preciso aprender com esses.
No telejornal Manuel Villaverde Cabral diz o que há muito se sabe, o investimento português em educação não é inferior ao dos outros países europeus, os resultados é que são piores.
Como disse Clinton para Bush (pai) "It's the economy, stupid", também aqui apetece dizer uma coisa semelhante, sem querer ofender ninguém.
O problema da falta de sucesso das escolas portuguesas não resulta de situações sociais e económicas mais débeis, de alunos menos dotados, de professores menos qualificados, de edifícios e condições logísticas piores, mas sim da falta de condições organizacionais que se expressam na inexistência de uma estratégia clara e de uma liderança afirmativa, na sua esmagadora maioria.
A diferença, que chega a ser abissal entre escolas, reside no grau da sua eficácia organizacional e o resto é a cortina de fumo que ajuda a mascarar a realidade e a permitir que muitos durmam descansados.

domingo, 18 de novembro de 2007

Partidos e cidadãos

Em democracia os partidos políticos desempenham um papel insubstituível, mas é necessário repensar o seu modelo de funcionamento sob pena de se descredibilizarem completamente. Vem isto a propósito de algumas eleições de órgãos internos locais dos principais partidos do nosso universo político. O número de inscritos, quando comparado com a totalidade da população, é irrisório e o número de votantes que decidem as eleições é baixíssimo.
Isto não só significa que as pessoas, os cidadãos em geral, estão afastados dos partidos, como estes deixam de ter qualquer representatividade social, embora sejam os fornecedores de governantes e dirigentes para os cargos políticos e, em muitos casos, administrativos.
É certo que não são apenas os seus dirigentes que assumem altas funções, mas são seguramente estes que as determinam.
É tempo de refundar partidos que continuam a funcionar numa lógica de passado e nada têm a ver na sua vida interna com as modernas organizações que fazem avançar as sociedades contemporâneas.

sábado, 17 de novembro de 2007

@ professor

A Fujitsu já veio dar a mão à palmatória sobre o desempenho dos computadores. Estão a ser enviadas mensagens para quem os adquiriu para fazerem o upgrade dos mesmos sem custos. Pelos vistos os protestos já foram ouvidos.
Agora só falta a TMN e com a criação da PT Multimédia é mesmo oportuno aumentarem a largura de banda que é demasiado estreita.

Voltar ao princípio

Há momentos em que nos cansamos das coisas e procuramos mudar. Nem sempre acertamos. Procurei encontrar um novo visual para o blogue, mas nem eu me revia nele, nem muitos dos que me têm acompanhado. Voltei ao princípio, com algumas simplificações.

Solidariedade com a Carolina

O meu nome é Carolina Brito Lucas, tenho 3 anos e meio e moro em Odivelas.
Nasci prematura, com apenas 29 semanas de gestação. A minha mãe teve uma gravidez normal, nada fazia prever que eu estivesse com tanta pressa para ver o mundo cá fora...e essa pressa saiu-me cara.Nasci com 1.100 kg, era um pacotinho de arroz, como a minha família costuma dizer. Desde essa altura que sou uma lutadora, não fui ventilada, consegui respirar por mim e, ao contrário do que os médicos previam, desenvolvi-me rápido e no espaço de um mês estava em casa. Quando nasci, foi-me detectada, em exames de rotina normais feitos a prematuros uma ‘Leucomalácia Periventricular’. Ninguém da minha família sabia bem o que isso era e na altura não deram muita importancia ao assunto, pois os médicos diziam que era comum nos prematuros e que não havia motivo para alarmes, que o importante era que a eu lutei pela vida e consegui.Nos primeiros meses de vida, tive um desenvolvimento perfeitamente normal, parlava muito e era uma bebé adorável.A minha família só notou que algo não estava bem quando, na altura de começar a sentar-me, não o fiz. Nessa altura os médicos do Hospital de Santa Maria (que nunca deixaram de me seguir) começaram a falar em Paralisia Cerebral. Os danos causados por uma paralisia cerebral são sempre incalculáveis...até serem visíveis.Passei a ser seguida no Centro de Paralisia Cerebral, onde estou integrada num programa que contempla: Fisoterapia, Educadora, Terapia da Fala, etc. Também frequento um Infantário e pratico Hidroterapia. Hoje tenho 41 meses, sou felizmente uma menina muito esperta, com um desenvolvimento cognitivo e intelectual perfeitamente normal para a minha idade, falo muito e bem, sou muito risonha e tranquila, gosto muito de desenhar, e sou fã do Noddy, do Ruca, do Pocoyo ...A nível motor tenho problemas sérios e muito graves. Não me sento sem ajuda, não gatinho, não ando e tenho alguma dificuldade em manejar objectos com as mãos, quando isso envolve perícia de movimentos.Desde os 10 meses de idade que faço tratamentos de fisioterapia, tratamentos esses que não mostram os resultados que esperávamos. Embora os médicos e fisoterapeutas concordem que existem ligeiras melhoras, a minha família não consegue vê-las... e pior que isso, eu apercebo-me que sou diferente dos outros meninos e que não consigo andar. Por várias vezes digo que quero andar mas não consigo. Um dos brinquedos que mais gosto é uma bicicleta que infelizmente não posso usar.Há uns tempos atrás, a conselho de um médico português, a minha família estabeleceu contacto com o CIREN, um centro de Restauração Neurológica em Cuba, totalmente vocacionado para, entre outros, casos como o meu e com excelentes resultados. Os médicos cubanos foram extremamente simpáticos e garantem melhoras visíveis se eu fizer os tratamentos necessários.Mas, como em tudo na vida há um senão...os tratamentos são muito dispendiosos e a minha família precisa de ajuda financeira para os suportar. Pelo primeiro ciclo de tratamentos, com duração de 35 dias, o valor cobrado é de aproximadamente 15.000 Euros. E não se sabe quantos ciclos de tratamento vou necessitar. E por cada um, o valor multiplica.A minha família não vai desistir até me ver andar ... AJUDA-OS a AJUDAREM-ME!!
http://www.carolinalucas.com/

quinta-feira, 15 de novembro de 2007

Computadores @ professor

Pois é, um computador por 150€ e uma placa de rede por 17,50 mês é uma pechincha.
Só que... a coisa não funciona.
A propaganda é enganosa pois a TMN diz que esta banda larga é "estreita" e que as pessoas deviam ter lido bem o contrato que subscreveram. Agora estão vinculadas por 3 anos e andam na internet a passo de caracol.
Por favor protestem, para que o descontentamento se transmorme em clamor que possa ser ouvido e atendido. Caso contrário o melhor é chamar a ASAE pois a PT Multimédia, pelos vistos com o aval do Governo, anda a vender gato por lebre, o que notoriamente contraria uma directiva da União Europeia.

terça-feira, 13 de novembro de 2007

O país dos pigmeus

Hoje foram atribuídos os prémios "professor". "Porreiiiiro pá", terá dito o Primeiro Ministro, "desta vez têm direito à cenoura que o pau é o mais frequente".
"O país dos pigmeus" vai ser um espaço onde "à la minute" farei uns retratos estilo "Portugal no seu melhor" mesmo sem pagar royalties ao Miguel Esteves Cardoso que inventou (?) esta rubrica no Independente.
A comissão que atribui os prémios "Professor" é presidida por Daniel Sampaio, pessoa por quem tenho o maior respeito e consideração, mas que se tem prestado a avalista do Ministério sempre que este pretende dar ar de respeitabilidade a matérias polémicas.
Foi o caso da Comissão para a Educação Sexual, é agora com este mais do que discutível prémio, que sem desprimor para quem o recebe é assim uma espécie de consolação nos jogos florais da paróquia.
Pois o que disse o Prof. Sampaio na entrega dos ditos prémios? O que toda a gente sabe, excepto quem se quer iludir, que nas escolas grassa a desmotivação, a incerteza, a desmoralização, o descontentamento e tudo o mais que é natural num país onde o respectivo ministério vê rosas onde abundam os espinhos.
Disse e ficou-lhe bem. Aposto que as vendas dos seus livros vão subir nos próximos dias. O problema é que quem diz o que disse, não devia fazer fretes ao ME, tanto mais que ninguém, leia-a-se o Primeiro Ministro, a Ministra e a respectiva entourage, lhe ligou nenhuma.
No fundo estes prémios são como as esmolas, apaziguam as consciências mas não acabam com a miséria.

Pôr do Sol


segunda-feira, 12 de novembro de 2007

Aprender ou não-aprender

"O nível de desenvolvimento de uma sociedade é determinado pela capacidade de aprender permitida pelas instituições...Não é o fenómeno de aprender, mas o de não-aprender o que requer explicação..."
Habermas, 1976

sábado, 10 de novembro de 2007

Resolver problemas

Dizer "Dêem-me alunos que queiram aprender, gostem de aprender, dominem a linguagem escolar e todos os códigos, beneficiem de todos os apoios familiares e eu comprometo-me a eliminar o insucesso escolar", é dizer de facto, "Tragam-me um problema resolvido e eu comprometo-me a resolvê-lo num instante."

Provocatório?

A afirmação é de Philippe Perrenoud (2002), que conclui:
"Ninguém poderá acusar um problema por não estar resolvido! É aquele que o enfrenta que faz a diferença, ao encontrar, ou não, uma solução."

Leiam o resto, que vale a pena, em

http://www.unige.ch/fapse/SSE/teachers/perrenoud/php_main/php_2002/2002_14.html

Professores reciclados

Começam a chegar aos vários serviços públicos consultas sobre o interesse em receberem professores considerados incapacitados para o serviço docente e que serão reclassificados para funções técnicas. O ME liberta-se de responsabilidades, argumentando que como nas escolas não há a carreira de técnicos superiores têm de ir para outros serviços.

O problema é que se trata de pessoas que já não são jovens, têm sérios problemas de saúde, estão no topo da carreira, ou próximo, têm pouca apetência para se integrarem em novas carreiras e serão pagas pelos novos serviços onde forem colocadas.

Do ponto de vista estrito de uma gestão racional de recursos não serão muitos os serviços dispostos a reber estes professores em início de nova carreira. Naturalmente que têm uma experiência que nada nem ninguém apaga, mas...

Assim caminha a reestruturação da função pública, esmagando os mais fracos e os mais fragilizados e atirando-os para o quadro de excedentes.

quinta-feira, 8 de novembro de 2007

Escolas e escolas

Em tempo de rankings é preciso ser cauteloso na análise destas questões, mas não resisto a transcrever uma citação de dois autores americanos Thomas Good e Jere Brophy, citados por António Nóvoa (1992), e que já em 1986 escreveram:

"Em primeiro lugar, constata-se que os processos internos às escolas estão relacionados com o sucesso dos alunos, o que sugere a existência de mecanismos que permitem a certas escolas obter melhores resultados do que outras com idênticos inputs (sublinhado meu). Uma segunda descoberta importante refere-se à identificação de processos que caracterizam de modo consistente escolas que têm mais e menos sucesso. A investigação e os dados demonstram que a variância entre as escolas representa uma dimensão importante que pode ser influenciadad pela escolha das acções e dos recursos mais adequados." (p.21)

Também num importante relatório, mas muito mais recentemente, em que se faz a revisão da literatura sobre “Como a liderança influencia a aprendizagem dos alunos” (Leithood, Louis, Anderson e Wahlstrom, 2004), e em que passam em revista todos os aspectos que influenciam o desempenho das escolas, os autores concluem pela existência de uma relação evidente entre liderança, iniciativas reformistas e o seu contributo positivo para a melhoria da qualidade em geral, acrescentando valor às aprendizagens dos alunos.

Em síntese, os resultados escolares são fortemente influenciados pelo que se passa dentro de cada escola e com rankings ou sem eles esta é uma verdade que a investigação confirma.


Bibliografia:
Nóvoa, A. (1992). Para uma análise das instituições escolares. In António Nóvoa (Org.) As organizações escolares em debate. Lisboa: Edições D. Quixote, pp. 13-43

Leithwood, K., Louis, K., Anderson, S. e Wahlstrom, K. (2004). Review of research. How leadership influences student learning. http://www.wallacefoundation.org/KnowledgeCenter/KnowledgeTopics/EducationLeadership/HowLeadershipInfluencesStudentLearning.htm?byrb=1

quarta-feira, 7 de novembro de 2007

Novo design

Como fica patente o visual do blogue foi profundamente modificado. Minimalista e clean. É o espírito do tempo...

quinta-feira, 1 de novembro de 2007

Ota ou Alcochete?

Quando tudo parecia decidido eis que a Confederação da Indústria Portuguesa (CIP) resolveu encomendar um estudo a reputados académicos e ex-governantes sobre a hipótese de uma nova localização do aeroporto internacional de Lisboa em Alcochete.
O estudo tem feito as manchetes dos últimos dias e, aparentemente, é melhor opção do que a Ota. Não sei se é, nem isso me interessa agora. Apenas quero chamar a atenção para o que significa, em Portugal, uma associação empresarial abalançar-se a pagar um estudo alternativo ao do Governo e discutir taco-a-taco com este a opção para um novo aeroporto.
Noutros tempos isto seria impensável, agora parece quase banal. Não sei se Alcochete ganha à Ota, mas a CIP já ganhou e, atrevo-me a dizer, todos nós já ganhámos, com esta afirmação de vitalidade da chamada Sociedade Civil.
Independentemente de quem seja o Governo, existem portugueses que pensam pela sua cabeça e se arrogam o direito de dar opiniões e de se baterem por elas. Passou definitivamente o tempo de o "governo" do país se esgotar nos deputados e nos governantes que elegemos e de estes se consideraraem como detentores de toda a verdade.

As faltas dos alunos

Mais uma vez o ME deixou no ar a ideia de que estas matérias são mal pensadas e pior articuladas. Medidas desta natureza deviam primeiro ser objecto do parecer de especialistas, audição de associações interessadas e articulação com os representantes parlamentares. Quando a medida fosse adoptada haveria o máximo consenso possível e evitar-se-ia o espectáculo triste, a que ainda recentemente se assistiu, de se negar num dia o que se afirmara como verdade insofismável no anterior.
Mas a questão das faltas dos alunos, ou do excesso de faltas, não pode ser vista apenas como um problema escolar, até porque os alunos que ultrapassam os limites de faltas e se desinteressam das escolas são potenciais trabalhadores desqualificados e candidatos a marginais. Trata-se, pois, de um problema social e como tal deve ser tratado.
Em Portugal ainda estamos na fase em que as escolas são generalistas no sentido em que devem lidar com todo o tipo de alunos. Não é necessário que assim seja e há países onde, há muito, ensaiaram outras soluções, procurando respostas especializadas para problemas particulares.
Visitei, há três anos, em Roterdão uma instituição escolar especializada na recuperação de alunos problemáticos, que após sinalização pelas suas escolas, são para ali encaminhados e onde seguem programas adaptados às suas situações.
Não se trata de uma casa de correcção, mas de uma escola onde desde os funcionários aos professores todos estão qualificados e preparados para lidarem com alunos difíceis, muitos deles pequenos delinquentes.
Os alunos seguem programas muito específicos e temporalmente limitados, findos os quais voltam a ser reinseridos na escola de origem ou noutra conforme os casos. É uma alternativa e deixo-a aqui apenas como testemunho e reflexão.
Uma coisa é certa, expulsar da escola um aluno porque falta mais do que o convencionado, é resolver um problema à Escola, mas é condenar o aluno à exclusão e criar mais problemas à Polícia e à Segurança Social, digamos, à Sociedade.