sábado, 22 de dezembro de 2007

Um ano

Faz hoje um ano que iniciei a edição deste blogue. Como todos os que o lêem sabem, é um espaço pessoal sem outra ambição que não seja a reflexão sobre temas que me interessam e que julgo ser oportuno partilhar.
Sobretudo sobre temas de educação, às vezes com uma incursão na política, sempre como um contributo de cidadania.
Em consonância com o espírito da quadra, desejo a todos os que aqui se aventurarem um Natal Feliz e um Ano de 2008 pleno de felicidades pessoais e sucessos profissionais.

segunda-feira, 17 de dezembro de 2007

Cursos de Especialização Tecnológica

Na Escola Superior de Tecnologia e Gestão do Instituto Politécnico de Leiria iniciou-se hoje, formalmente, um novo conjunto de CETs., formação pós-secundária não superior, abrangendo áreas diversas do social às tecnologias.
A aposta forte do IPL nesta modalidade de formação transformou-o na instituição de Ensino Superior com maior número de CETs registados e maior número de alunos a frequentar, cerca de 1200.
De notar que os CET funcionam um pouco por todo o distrito e até fora dele e são um tipo de formção que serve interesses específicos de alunos e necessidades do mercado.
Ao contrário de formações tradicionais centralizadas em escolas, os CET vão ao encontro dos formandos nas suas áreas de residência, num exemplo de colaborações múltiplas ao serviço da elevação do nível de formação dos portugueses.

terça-feira, 11 de dezembro de 2007

Gestão escolar profissionalizada

O PM apresentou hoje no Parlamento a versão preliminar da nova arquitectura organizacional das escolas não superiores, com particular relevo para a forma de selecção dos novos responsáveis com perfil claramente profissional, designados directores executivos.
Embora não tendo tido acesso aos documentos preparatórios da legislação a sair e sendo certo que este é um primeiro balão de ensaio para experimentar o "clima", a novidade é requentada. Já em 91, pela mão do PSD, houve experiência semelhante (Decreto-Lei 172/91).
Eu próprio fiz parte do processo como representante de uma autarquia e participei no júri que seleccionou um gestor que ainda hoje se mantém em funções.
O então Secretário de Estado Pedro D'Orey da Cunha, que participou na elaboração técnica e na negociação política da nova legislação apontava três elementos relevantes - a eficiência dos serviços, a prestação de contas e a autonomia local de decisão -, como caracterizadores de um novo paradigma de democraticidade no governo das escolas, que se pretendia implementar com o novo decreto.
Como pontos de ruptura deste modelo com o anterior podem assinalar-se, a tentativa de profissionalização da gestão, através da criação de um órgão de gestão unipessoal, o director executivo, e a tentativa de institucionalizar uma participação dos pais, de representantes da autarquia e dos interesses culturais e económicos locais na tomada de decisão na escola, a separação dos órgãos de direcção e gestão e a aplicação do novo modelo a todos os níveis de ensino não superior, desde a educação pré-escolar ao ensino secundário.
O DL 172/91, que apenas vigorou em regime experimental nalgumas escolas, ficou-se pela declaração de intenções e, mais uma vez, a administração educativa continuou a reger-se por um paradigma centralizado, pontuado aqui a ali por discursos descentralizadores, mas com práticas apenas timidamente desconcentradas.
Veremos se agora vai ser diferente. Voltaremos ao assunto.

terça-feira, 4 de dezembro de 2007

PISA indigesta

Os resultados mais recentes do PISA (Programme for International Student Assessment), que envolveu alunos dos 15 aos 17 anos de 57 países e foi realizado sob os auspícios da OCDE, evidenciam a liderança da Finlândia e da Coreia do Sul que podem ser consideradas como verdadeiras superpotências educativas, tendo esta última vindo a progredir muito rapidamente.
O estudo mostra que ambos os países se situam entre os cinco primeiros em Matemática e Literacia e a Finlândia também alcança brilhantes resultados em Ciências. Portugal está abaixo da média em todos os indicadores.
O estudo apresenta um dado preocupante. Entre 1995 e 2004 embora tenha havido nos países mais industrializados um crescimento médio de gastos com a educação da ordem dos 39% os resultados são relativamente modestos. Aparentemente a melhoria do sucesso educativo não é directamente proporcional ao crescimento do investimento financeiro.
Como diria Jorge Sampaio "há mais educação para além dos rankings", mas convém dar-lhes a atenção que merecem.

segunda-feira, 3 de dezembro de 2007

As escolas marcam a diferença

Há muito que se sabe que as escolas não são iguais e que os resultados dos alunos dependem de múltiplos factores, entre eles das escolas que frequentam. A questão das "escolas eficazes" não está resolvida, mas a investigação tem avançado e vai no sentido de comprovar que a organização, a gestão e a liderança desempenham um papel fulcral nos resultados das aprendizagens.
Num país como Portugal, onde impera a "normalização" escolar e onde ainda existe a ideia generalizada de que o sucesso escolar dos alunos depende da sua origem social e dos professores que lhe cabem em sorte, é urgente alertar as consciências para a necessidade de voltarmos decididamente as atenções para os aspectos organizativos das escolas.
Como Good e Weinstein(*) propõem, é imperativo perguntar "Em que medida os processos escolares podem compensar um ensino deficitário ao nível da sala de aula? E até que ponto um ensino de qualidade na sala de aula depende do apoio da escola? Como é que as actividades a desenvolver na sala de aula e na escola são planificadas, coordenadas e geridas?"

*Good, T. e Weinstein, R: (1992) . As escolas marcam a diferença: Evidências críticas e novas perspectivas. In A. Nóvoa (Coord.) As organizações escolares em análise. Lisboa: D. Quixote/IIE, pp.77-98.

sábado, 1 de dezembro de 2007

As TIC e os excluídos

A utilização massiva da tecnologia educativa não pode fazer esquecer os mais débeis socialmente. Já os movimentos das pedagogias activas, que colocam o aluno no centro do processo de aprendizagem e fazem dos recursos disponibilizados e utilizados massivamente pelos alunos em detrimento do papel tradicional do professor, se confrontam com o mesmo problema.
Quanto mais recursos a aprendizagem exige, maior é o fosso entre os que detêm meios complementares e ambientes familiares estimulantes e os que os não possuem. Imagine-se o que se passa agora com as TIC.
Fica assim reforçada a necessidade de as escolas fazerem o esforço necessário para diminuirem as desigualdades de oportunidades no acesso á educação e à aprendizagem que a situação social dos alunos condiciona de forma evidente.