domingo, 28 de dezembro de 2008

O cerco à escola

O episódio da escola do Cerco é bem ilustrativo da completa inversão de valores a que, em muitos casos, se chegou nos estabelecimentos de ensino.

Um grupo de alunos aponta uma pistola à cabeça da professora, por acaso era de plástico, um camaraman de ocasião filma, ainda bem se não nunca se saberia da ocorrência, e os responsáveis educativos desvalorizam e falam em "brincadeira de mau gosto".

Brincadeira? Insubordinação face aos regulamentos e ofensa à professora é o que é. É por estas e por outras semelhantes que os professores se sentem cercados, para não usar calão, e mal pagos.

Isto faz-me lembrar a história do puto que parte um vidro. Em tempos seria castigado, eventualmente a família obrigada a pagar o vidro. Hoje o mais certo é alguém perguntar "por que razão está o miúdo a chamar a atenção?".

Educar exige firmeza, valores, balizas. Hoje, em muitas escolas, tudo isto desapareceu e a"ideologia" oficial é o laxismo, ainda a melhor forma de evitar males maiores para os professores, esmagados entre a má educação e os comportamentos inadequados de muitos alunos e a olímpica indiferença dos responsáveis a quem competia agir para estancar o mal que ameaça gangrenar todo o sistema.

Nada disto é novo e sabe-se como o fenómeno se combate, nos países, nas cidades e nas escolas. Com tolerância zero para os infractores.

Infelizmente em Portugal, ao mais alto nível, parece que só o Procurador Geral da República percebe o que se passa nas escolas e o atentado a uma cidadania activa e responsável que isso significa.

sexta-feira, 26 de dezembro de 2008

O impasse na educação

As férias do Natal são pouco dadas a grandes reflexões já que anda tudo ocupado na orgia das prendas e no consumo generoso de iguarias e bebidas. Mas a vida não pára e os problemas na educação também não.
A greve anunciada para dia 19 é o sinal de partida para o ano eleitoral. Ninguém está interessado nela (é uma opinião). Os professores começam a estar cansados porque nada de verdadeiramete importante, para além de terem demonstrado a sua força, resultou do braço de ferro dos últimos meses e é sabido que a força ou se usa para produzir efeitos palpáveis ou é como se não existisse.
Pelo lado do Governo já deve haver a consciência de que o arrastar da crise se transformou numa espécie de récita trágico-cómica em que o ME dá todos os dias o dito pelo não dito, aos bocadinhos, mas sem ir ao essencial da questão.
Ambos os contendores têm interesse em desatar alguns nós antes do dia 19, os sindicatos porque nada lhes garante que a elevadíssima taxa de adesão à greve se mantenha nos níveis anteriores, o que a acontecer, será sempre uma derrota; O ME porque corre o risco de se descredibilizar politicamente ainda mais num momento em que qualquer passo em falso pode ter consequências ainda mais dramáticas para a sua credibilidade.
O que resulta de tudo isto é a confirmação de que o impulso reformador dos governos não dispensa a adesão dos profissionais dos sectores em que se querem introduzir reformas. Pode-se não contar com todos, não se pode é ter quase todos contra.
Parece que há uma dúzia de professores que apoiam as políticas do ME. É pouco, tão pouco que se o ME tivesse juízo fingia que não sabia de nada. Há apoios que só incomodam e põem a ridículo os apoiados.
Pode ser que a humildade do Governo floresça neste tempo de Paz e Amor e o Novo Ano comece com um louvor à equipa do ME pelos elevados serviços prestados à Pátria e a sua substituição por uma task force refrescada e capaz de ganhar a confiança dos professores, sem a qual nenhum governo vai longe nas reformas que quiser empreender.

O lado bom da crise

Lembram-se do tempo em que o petróleo subia imparavelmente e se olhava para o facto como uma inevitabilidade. Acabara o tempo do petróleo barato. Viu-se, hoje custa menos cem dólares o barril.
Agora a besta apocalíptica deixou de ser o crude, substituído pelo colapso financeiro e pela infecção que provocou na economia. A crise assola o mundo desenvolvido com todo o cortejo de consequências conhecidas e os analistas prevêem o pior para 2009.
Mas o que valem hoje as previsões? Pouco, como se sabe. Importante é mesmo reagir, olhar em frente e ver o lado positivo da derrocada, afinal vivíamos num mundo com pés de barro. Foi a crise que nos trouxe de volta à realidade.

O exemplo da Grécia

A Grécia tem estado a ferro e fogo e os jovens estão na primeira linha de ataque. Não é o primeiro país europeu a sofrer distúrbios violentos deste tipo, nem será o último e, se o rastilho difere, as causas são mais ou menos comuns.
De repente, a morte de um jovem despoletou uma quase insurreição, que o governo se mostrou incapaz de estancar, não tendo conseguido impedir actos de destruição de uma dimensão incomum e prejuízos incalculáveis.
Há nisto tudo implicações políticas, mas há, sobretudo, um mal do tempo, uma juventude que se sente num beco, uma sociedade aparentemente bloqueada, um mundo que não oferece perspectivas. Foi na Grécia, mas pode vir a acontecer cá.

domingo, 14 de dezembro de 2008

Óbidos “Vila criatividade”

O título é uma réplica do nome do “produto” actualmente à venda em Óbidos, “Vila Natal”, e que atrai todos os dias milhares de visitantes com proveitos evidentes para o comércio e para a consolidação da imagem do concelho.
O que tem Óbidos a ver com o Natal que não tenha qualquer outra vila do país? O mesmo se poderá dizer do chocolate, outro produto que hoje lhe está emblematicamente associado.
O que Óbidos prova é que criatividade, inovação, risco são ingredientes de uma receita de sucesso, seja para vender chocolate, o Natal ou qualquer outro produto ou serviço. E o que é válido para as empresas é válido para as autarquias.

sexta-feira, 5 de dezembro de 2008

A política do sabonete

Há tempos, um célebre publicitário disse que “vender” um político é o mesmo que “vender sabonetes”. Sócrates aprendeu a lição e ganhou a primeira maioria absoluta para o PS.
De então para cá o “show” nunca mais parou e a política espectáculo instalou-se para gáudio de apoiantes e de opositores. Os primeiros porque vibram e se orgulham das qualidades e da obra do líder; os segundos porque encontram nesse estilo matéria para crítica e contra-propaganda.
Manuela Ferreira Leite não quer ser um “sabonete” e recusa-se a alinhar na mediatização da política. Está no seu direito. Mas fica no ar uma pergunta óbvia, como quer a Sr.ª ganhar eleições?

Negociações envenenadas

Era inevitável. O ME e os sindicatos vão voltar à mesa das negociações. Aos sindicatos não interessava a mudança da equipa do ME, nunca forçaram essa nota. O perigo para estes advinha de uma nova equipa que falasse directamente para os professores, que fosse capaz de criar empatia com a classe menorizando os sindicatos.
Ora, como é sabido, o líder da plataforma sindical tem a sua própria agenda política e a FENPROF é apenas um dos instrumentos que usa para se promover na hierarquia do PCP e da CGTP.
Para Mário Nogueira é preferível a actual equipa do que uma rejuvenescida e que fosse capaz de restabelecer os vínculos afectivos com a classe docente. Como o desnorte impera na ME e já nem os presidentes dos conselhos executivos são interlocutores, restam os sindicatos para prosseguir a farsa negocial.
Neste momento A Ministra é a melhor aliada de Nogueira e vice-versa e os outros líderes sindicais vão atrás segurando o andor.
Como diria o Eça "isto é uma choldra" e até os deputados do PSD se marimbaram para a votação da proposta do CDS/PP que poderia ter parado o processo da avaliação e introduzido um dado novo na questão.
Para já foram decretadas tréguas de Natal e não se antevê nada de positivo no "sapatinho" dos professores. Quando era necessário manter a pressão, eis que os sindicatos abrem as válvulas e deixam esturricar o capital tão duramente conquistado.
Como já se percebeu os sindicatos cavalgam a onda quando há perigo de tsunami, mas desmontam logo que percebem que controlam a situação.
É por isso que esta luta não prescinde de ir muito além dos sindicatos, de se ancorar em cada escola, em cada professor, de merecer o apoio de cada pai, de cada autarca, de cada português que preserva a herança de uma escola que valoriza os professores, a sua experiência, os seus saberes e o seu empenhamento.
Os malefícios da escola portuguesa não são culpa dos professores.
Negociações? Certamente, mas com outra equipa e com outra política.

quinta-feira, 4 de dezembro de 2008

Não brinquem (mais) com os professores

Depois da greve história de ontem, a Ministra foi ao Parlamento dizer que está disponível para mudar o sistema de avaliação para o ano.
- Desculpe! V.ª Ex.ª disse "para o ano"?
Talvez valha a pena recordar que para o ano vai haver eleições e certamente mudanças nos ministérios.
A isto chama-se gozar com o parceiro, neste caso com todos os professores. Devia ser a isto que o "professor do ano 2007", galardoado com pompa e circunstância pela Ministra, ontem se referia na TSF como "coisas que lhe davam repugnância".
Haja decoro e sentido de Estado, que é coisa que a equipa do ME há muito perdeu. A revisão do estatuto e da famigerada avaliação eram para ontem, nunca "para o ano".
Como já se viu, a coisa vai mesmo ter de se extremar ainda mais e como na evolução das espécies resistem as que se adaptam, as outras extinguem-se, esta equipa do ME só pode mesmo ser uma espécie em vias de extinção, porque não é crível que sejam os professores a desaparecer.

segunda-feira, 1 de dezembro de 2008

Barack Obama - Cortesia, boas maneiras e investimento na educação

Estou a ler um livro de Barack Obama - A Audácia da Esperança. Vale a pena conhecer melhor o homem, para além do político. Ficam aqui dois pequenos excertos pela actualidade e relação com a escola.
«..dou valor às boas maneiras. Sempre que conheço um miúdo que fala com clareza e me olha olhos nos olhos, que me diz "sim, senhor" e "obrigado", "por favor" e "desculpe" sinto-me mais esperançoso em relação ao nosso país. Penso que não sou só eu que sente isto. Não posso legislar sobre boas maneiras, mas posso encorajá-las sempre que me dirijo a um grupo de jovens.» (pp. 72-73)
" Não há dinheiro no mundo que chegue para fazer disparar o sucesso dos estudantes, se os pais não se esforçarem para lhes inculcar os valores do trabalho e do adiamento da gratificação". (p. 74)
A questão do "adiamento da gratificação" é central na motivação dos estudantes, representa a consciência de que a educação é um investimento a prazo e aquilo que pode parecer uma "seca" é o passaporte para um futuro melhor.
O facto de muitas crianças das clases socialmente mais desfavorecidas apresentarem elevados níveis de desmotivação e falta de empenho escolar tem a ver com a incapacidade familiar para pensar a educação em termos de investimento, dadas as dificuldades de subsistência quotidianas, que os levam a focar-se no imediato e a serem incapazes de perspectivar o futuro.

domingo, 30 de novembro de 2008

O conflito na educação visto pelo prisma da liderança e da inteligência emocional

O Governo está completamente equivocado na forma como está a gerir o conflito com os docentes. Na verdade, o entendimento necessário não é com os sindicatos, mas com os professores. Bem pode o presidente da FENPROF acentuar que são os sindicatos que representam os professores, é verdade, mas só representam alguns e já há muito tempo que a dinâmica de rejeição das políticas e da atitude do ME para com toda a classe ultrapassa largamente a acção dos sindicatos.
Se o Governo quer pacificar o campo educativo, e só admito que o faça pelo diálogo, tem de perceber que o obstáculo não são os sindicatos nem os professores, mas a própria equipa do ME. Se o Primeiro Ministro quiser ser parte da solução e não do problema tem de demitir rapidamente a equipa que dirige o ME, por uma razão simples e que é do domínio das teorias da liderança e se fundamenta nos princípios da inteligência emocional.
Quebrou-se totalmente o vínculo emocional que liga os professores ao Ministério e o que devia ser ressonância (Goleman et al, 2003) tornou-se dissonância, o que impede qualquer entendimento ou colaboração. As emoções tóxicas tornaram-se dominantes e inviabilizam o restabelecimento da confiança e do diálogo.
Tal como na Saúde Correia de Campos percebeu isso e o Primeiro Ministro também, é forçoso que no conflito da Educação se entenda que não há saída para o problema sem mudança de caras e de procedimentos. Os professores perderam, há muito, a confiança em quem supostamente os devia liderar, e quando os líderes perdem a confiança dos liderados, deixam de o ser.
Espero, sinceramente, que não se caia na tentação de fazer da anunciada greve do dia 3 uma forma de tentar partir a espinha ao movimento de contestação docente, e que haja a iniciativa política suficiente para encontrar uma solução que resolva o problema de fundo e não qualquer cosmética de ocasião.

sexta-feira, 28 de novembro de 2008

A conflitualidade escolar


As escolas são hoje locais de elevada conflitualidade entre professores, alunos e pais. O fenómeno é geral. O mau comportamento, o desrespeito pelos professores e as agressões tornaram-se comuns.
Em Inglaterra tentam travar o fenómeno com multas pesadas a alunos e pais. Fernando Savater assinala como causa maior a erosão da autoridade familiar e a desresponsabilização desta pelos comportamentos das suas crianças e jovens.
Por cá os professores desesperam e sentem-se abandonados à sua sorte. Mas não tem de ser assim. As escolas são organizações e como tal devem funcionar, não numa base individual, mas colectiva.

segunda-feira, 24 de novembro de 2008

O exemplo Britânico

Os pais dos alunos com comportamentos violentos nas escolas britânicas vão passar a ser multados num valor que pode ir até aos 1450 euros. 'As intimidações verbais e físicas não podem continuar a ser toleradas nas nossas escolas, seja quais forem as motivações' sublinhou a Secretária de Estado para as Escolas.
Disse também que ' as crianças têm de distinguir o bem e o mal e saber que haverá consequências se ultrapassarem a fronteira'. Acrescentou ainda que 'vão reforçar a autoridade dos professores, dando-lhes confiança e apoio para que tomem atitudes firmes face a todas formas de má conduta por parte dos alunos'.
A governante garantiu que 'as novas regras transmitem aos pais uma mensagem bem clara para que percebam que a escola não vai tolerar que eles não assumam as suas responsabilidades em caso de comportamento violento dos seus filhos. Estas medidas serão sustentadas em ordens judiciais para que assumam os seus deveres de pais e em cursos de educação para os pais, com multas que podem chegar às mil libras se não cumprirem as decisões dos tribunais'.
O Livro Branco dá ainda aos professores um direito 'claro' de submeter os alunos à disciplina> e de usar a força de modo razoável para a obter, se> necessário.
Em Portugal, como todos sabemos, o panorama é radicalmente diferente. Por cá, continua a vingar a teoria do coitadinho: há que desculpabilizar as crianças até ao limite do possível, pois considera-se que o aluno é intrinsecamente bem formado, o que o leva a assumir comportamentos desviantes são factores externos (contexto> social e familiar) que ele coitado não consegue superar.
Temos assim que o aluno raramente é penalizado e quando o é, os castigos ficam-se na sua maioria por penas ligeiras, não vá correr-se o risco de o menino/a sofrer traumas que o podem marcar para o resto da vida. As notícias sobre actos de vandalismo, de agressão, de indisciplina e de violência praticados em contexto escolar que, com progressiva frequência vamos conhecendo, deviam merecer da parte de quem tutela a educação, medidas mais enérgicas que infelizmente tardam em chegar. (Anónimo, em circulação na net)

Aumento da violência nas escolas reflecte cise de autoridade familiar

Embora o texto que se segue diga respeito à indisciplina nas escolas espanholas, realidade que desconheço, estou em crer que a generalidade dos professores do ensino básico e secundário português o subscreveria, considerando-o uma análise muito lúcida do actual estado do nosso ensino.
Especialistas reunidos em Espanha consideram que o aumento da violência nas escolas reflecte a crise de autoridade familiar. Especialistas em educação reunidos na cidade espanhola de Valência defenderam hoje que o aumento da violência escolar deve-se, em parte, a uma crise de autoridade familiar, pelo facto de os pais renunciarem a impor disciplina aos filhos, remetendo essa responsabilidade para os professores.
Os participantes no encontro 'Família e Escola: um espaço de convivência', dedicado a analisar a importância da família como agente educativo, consideram que é necessário evitar que todo o peso da autoridade sobre os menores recaia nas escolas.'
As crianças não encontram em casa a figura de autoridade', que é um elemento fundamental para o seu crescimento, disse o filósofo FernandoSavater.' As famílias não são o que eram antes e hoje o único meio com que muitas crianças contactam é a televisão, que está sempre em casa', sublinhou.
Para Savater, os pais continuam 'a não querer assumir qualquer autoridade',preferindo que o pouco tempo que passam com os filhos 'seja alegre' e semconflitos e empurrando o papel de disciplinador quase exclusivamente para osprofessores. No entanto, e quando os professores tentam exercer esse papel disciplinador,'são os próprios pais e mães que não exerceram essa autoridade sobre osfilhos que tentam exercê-la sobre os professores, confrontando-os', acusa..'O abandono da sua responsabilidade retira aos pais a possibilidade de protestar e exigir depois. Quem não começa por tentar defender a harmonia no seu ambiente, não tem razão para depois se ir queixar', sublinha.
Há professores que são 'vítimas nas mãos dos alunos'. Savater acusa igualmente as famílias de pensarem que 'ao pagar uma escola'deixa de ser necessário impor responsabilidade, alertando para a situação demuitos professores que estão 'psicologicamente esgotados' e que se transformam 'em autênticas vítimas nas mãos dos alunos'.
A liberdade, afirma, 'exige uma componente de disciplina' que obriga a que os docentes não estejam desamparados e sem apoio, nomeadamente das famílias e da sociedade.' A boa educação é cara, mas a má educação é muito mais cara', afirma, recomendando aos pais que transmitam aos seus filhos a importância da escola e a importância que é receber uma educação, 'uma oportunidade e umprivilégio'.
'Em algum momento das suas vidas, as crianças vão confrontar-se com a disciplina', frisa .Em conversa com jornalistas, o filósofo explicou que é essencial perceber que as crianças não são hoje mais violentas ou mais indisciplinadas do que antes; o problema é que 'têm menos respeito pela autoridade dos mais velhos'.' Deixaram de ver os adultos como fontes de experiência e de ensinamento para os passarem a ver como uma fonte de incómodo. Isso leva-os à rebeldia', afirmou. Daí que, mais do que reformas dos códigos legislativos ou das normas em vigor, é essencial envolver toda a sociedade, admitindo Savater que 'mais vale dar uma palmada, no momento certo' do que permitir as situações que depois se criam. Como alternativa à palmada, o filósofo recomenda a supressão de privilégios e o alargamento dos deveres. (Anónimo em circulação na net)

sexta-feira, 21 de novembro de 2008

O drama do desemprego


Nesta sociedade de contrastes há os que passam incólumes pela crise e os que perdem tudo, alguns até a dignidade. A grande maioria tenta resistir como pode, mas cada vez com mais dificuldade.
O desemprego é um espectro em crescimento e a erosão social e familiar que origina, num país em que a Segurança Social está longe de assegurar padrões satisfatórios de subsistência, assume a dimensão de drama humano.Quem não consegue encontrar emprego ou perde o que tem vê o mundo desmoronar-se à sua volta, mas só há um caminho, ir à luta, ter ideias positivas, acreditar numa oportunidade e não se deixar abater.

Os gigolôs da banca


O caso BCP e agora o do BPN, levantam problemas sérios de confiança sobre muitos dos administradores dos bancos, alguns dos quais foram membros de governos e referências na sociedade.
Politicamente o debate tem-se centrado nas responsabilidades do Governo e do Regulador, mas os verdadeiros culpados são os banqueiros corruptos que agem como qualquer gigolô que se preze e, como estes, ficam na sombra.
O fenómeno não é só português, mas importa credibilizar o exercício da gestão ao mais alto nível. A operação furacão não passou de uma simples brisa e mãos limpas, nem vê-las. É pouco e, sobretudo, é imoral.
(Nota, este texto foi publicado no Região de Leiria do passado dia 14)

sábado, 15 de novembro de 2008

Para que serve um Conselho Executivo?

O título pode parecer provocatório, mas não é. A pergunta ganha ainda mais actualidade no actual contexto.
Um Conselho Executivo, executa. O quê, perguntar-se-á. Certamente o que decorre da lei e dos normativos, mas um CE não se pode preocupar apenas com o respeito pelas conformidades e pelos calendários.
Um Conselho Executivo deve ter como preocupação primeira liderar a organização e, sobretudo, dar atenção às questões pedagógicas.
O que se passa, e não é novo, é que muitos conselhos executivos, são uma espécie de piloto automático, que por qualquer acaso do destino, estão mal direccionados e conduzem as escolas para o abismo.
Incapazes de darem solidez à organização, de mobilizarem os professores, de meterem os alunos na ordem, de enquadrarem a acção das associações de pais, limitam-se "ao expediente".
Nunca gostei de separar a escola pública, a que prefiro chamar estatal, da privada, uma vez que esta também presta um serviço público, e até é paga para tal através dos contratos de associação, mas pelo andar da carruagem a escola pública-estatal passará mesmo a ser de segunda, guettizada e transformada num território de confrontos de todos contra todos, ao passo que as privadas serão cada vez mais óasis de paz, sossego e aprendizagem.
É por isso que a pergunta título faz sentido, um dos desafios é que os directores se assumam como verdadeiros líderes escolares, para dentro e para fora das escolas e, para que isso aconteça, não basta serem eleitos, é preciso que sejam reconhecidos como tal.
A liderança faz a diferença e, se duvidam, procurem bons exemplos e comparem.

quarta-feira, 12 de novembro de 2008

o vórtice da avaliação

A avaliação ameaça engolir os professores. A ministra canta de galo e Sócrates aplaude. Os verdadeiros problemas das escolas são esquecidos, os professores são atirados literalmente "aos bichos", as direcções das escolas não permitem reuniões cívicas de professores e estes, em vez de protestarem e fazerem as reuniões dentro das escolas, vão pedir asilo para outro lado.
Mas que país é este? Como se explica que cento e muitos mil professores protestem em Lisboa e não protestem dentro das suas escolas? Que dirigentes escolares são estes que fecham a porta aos colegas? São ordens do Ministério? E se as não cumprirem?
Uma escola é uma instalação pública, aberta á comunidade e, por maioria de razão a quem lá trabalha. Se o deputado da Madeira não pode ser impedido de entrar no Parlamento Regional, quem pode impedir os professores de se reunirem nas suas escolas para discutirem assuntos do seu interesse? As escolas são do Estado, não são do Governo.
Se os professores de uma dada escola não conseguem sequer protestar contra a infâmia que é um Conselho Executivo proibir-lhes que se reúnam no seu local de trabalho, como querem ser levados a sério nos seus protestos contra a avaliação ou contra o que quer que seja.
A avaliação está a tranformar-se num vórtice que vai engolir a maioria dos docentes, capazes de gritarem a plenos pulmões em Lisboa contra o Governo, mas que se aquietam e se deixam insultar sem um pio nos seus locais de trabalho. Assim, não vão lá.

domingo, 9 de novembro de 2008

Tomar a nuvem por Juno

O comentário do Pedro B. é muito estimulante, mas já podia ter sido escrito para aí há vinte ou trinta anos. Ora se os professores como ele diz andam agora a esbracejar, são piores que os meus patrícios alentejanos e reagem muito ao ralenti.
O problema é a política educativa deste governo, não é a massificação, nem a proletarização, nem essas coisas interessantes que ele diz, mas que pouco têm a ver com o que se passa.
Corram lá com a Ministra, ponham gente no Ministério que saiba o que é uma escola e tenha espírito de professor, anulem o concurso para titulares, alterem a metodologia da avaliação e vamos ver que se acaba com as manifestações e com professores a reformarem-se ou a recorrerem ao psiquiatra para não irem às fuças dos alunos mal comportados e dos pais que lhes dão cobertura.
O problema de muitos professores socialistas é que tomam a nuvem por Juno, que é como quem diz, confundem manifestações genuínas de descontentamento com a política educativa como se de guerra política ao Governo se tratasse.
A política educativa deste Governo, na área objecto destes post é um desastre e isto tem de ser afirmado doa a quem doer, custe o que custar. Quem pôs a escolas a ferro e fogo foi a Ministra e os ajudantes, não foram os professores. E como diz um colega num comentário ao post inicial, a Sócrates só restam duas alternativas, ou faz cair a Ministra ou cai com ela. Por mim, há mais uma, é cair com a maioria relativa, porque acredito que as eleições ganha.

sábado, 8 de novembro de 2008

E se a Ministra da Educação custar a maioria absoluta ao PS?

Retenho duas imagens de hoje. A impressionante manifestação dos professores e a imagem patética da Ministra na TV a tentar demonstrar o indemonstrável, que as escolas estão a trabalhar no melhor dos mundos e que o processo é para continuar.

A realidade é que as escolas estão diminuidas na sua capacidade operativa e que os professores estão à beira de um ataque de nervos, com gravíssimos prejuízos para a serenidade que uma relação pedagógica construtiva exige e para a qualidade da mesma.

Independentemente do juízo que se faça sobre a política educativa deste Governo, é inquestionável que o mesmo deixou apoderecer o ambiente nas escolas, como jamais acontecera desde os tempos de brasa do PREC, nos idos de setenta, e os pais começam a sentir os efeitos nefastos deste desassossego que a Ministra atiça a cada intervenção.

Não se trata, como muitos dizem, de "teimosia" da Ministra, o que ocorre é que os objectivos políticos estão desenquadrados da realidade. Até podiam estar correctos, mas não existirem condições para os aplicar. Na realidade é impossível e prejudicial manter este braço de ferro com os professores.

Só um ignorante em matéria de gestão de organizações, e é suposto que um ministro o não seja, não percebe isto, ainda mais quando estamos perante uma "burocracia profissional", expressão técnica grafada por Mintzberg, que se aplica a professores, médicos, contabilista e outras classes profissionais, impossíveis de controlar segundo mecanismos hierárquicos que funcionam bem noutros contextos.

No limite, quem controla o que um professor faz dentro da sala de aula ou um médico na sua consulta? É isto e muito mais que escapa à Ministra e aos que a rodeiam, convencidos que gerir a Ministério da Educação requer a mesma atitude que comandar a GNR.

Politicamente falando, Sócrates arrisca-se a perder a maioria absoluta por causa da política educativa e da Ministra que escolheu. Valerá a pena? Se isto vier a acontecer, tudo o que esta equipa tentou fazer voltará à estaca zero.

Ora, Sócrates, que não é parvo e que quer ser reeleito com a dita maioria absoluta, devia fazer já três coisas:

1. Demitir a equipa do Ministério da Educação e substituí-la por gente fresca a capaz de conquistar a classe docente.
2. Anular o concurso para titulares e reverter, no possível, a situação das carreiras ao momento em que o concurso ocorreu.
3. Suspender o processo de avaliação e aproveitar a experiência para desenhar uma nova metodologia, entregando o processo às instituições de ensino superior com experiência na formação de professores, que negociariam, mais tarde, uma proposta final com as associações representativas dos docentes.
A ministra ia à vida dela, Sócrates saía por cima, a calma voltava às escolas e as reformas seguiriam com mais lentidão, mas com muito mais segurança.
A educação só tinha a ganhar e, politicamente, o PS reconciliava-se com muita gente que lhe faz falta para segurar os resultados eleitorais.

sexta-feira, 7 de novembro de 2008

O mundo mudou



Há acontecimentos que pela sua importância e dimensão fazem mudar o mundo. É o caso da eleição do Presidente Obama. De um dia para o outro o mundo tornou-se diferente, o pessimismo deu lugar à esperança, os pobres e desfavorecidos sabem que contam com mais um apoio de peso, a geopolítica internacional passa da crispação à distensão.
“Quando um homem sonha, o mundo pula e avança”, diz Gedeão. Foi o que aconteceu, Obama sonhou, e com ele milhões de americanos e biliões de cidadãos do mundo inteiro, que o tomam também como o “seu” presidente de um mundo melhor.
Quanto a McCain, é um herói de guerra e, para estes, não há derrotas.

domingo, 2 de novembro de 2008

A Língua Portuguesa


Em mais uma cimeira Luso-Brasileira, ocorrida esta semana no Brasil, foi referenciada como questão fundamental o reforço das acções conducentes à divulgação da Língua Portuguesa no mundo, o que inclui a facilitação do acesso à sua aprendizagem.
Exceptuando o Brasil, em todos os outros países de língua oficial portuguesa o número de falantes de Português é reduzido e os apoios à sua divulgação, aprendizagem e aperfeiçoamento, muito aquém do necessário.
É caso para dizer em bom Português que “sobram palavras e faltam resultados”. Resta a esperança de mais uma mão cheia de promessas.

segunda-feira, 27 de outubro de 2008

Uma pila de fora

Contou-me um colega, com muitos anos de serviço e basta experiência, que o ano passado um aluno de um curso dos chamados difíceis, obviamente dos profissionais, tirou a pila para fora durante uma aula numa demonstração de virilidade e de desafio à ordem e boas maneiras que devem ser regra nas aulas.
"E a coisa acabou por não dar em nada", confessou, quase conformado o colega.
É certo que os costumes mudaram, e hoje quase tudo anda à mostra, agora a pila, por favor, guardem-na para quem devem.
Passando a ironia, não sei o que mais me espanta, se a imbecilidade do aluno se a falta de resposta da escola.
Mais, até quando vão as escolas, que por acaso são organizações e não ajuntamentos de professores individualmente considerados, tolerar coisas deste calibre e deixarem que aulas e espaços de recreio se transformem em territórios onde meia dúzia de marginais impôem a lei da insubordinação e o desprestígio permanente de quem é pago para ensinar e não para se substituir à polícia ou ao Instituto de Reinserção Social?
Já é tempo de terminar com a demagogia da integração a qualquer preço. Quem frequenta as escolas tem de se subordinar a regras; quem não as cumpre tem de ser tratado em conformidade, se necessário, como delinquente e estes são um caso para a polícia e para os tribunais, não para os professores e para as escolas.

Centro de Línguas e Cultura Chinesas

Prafrente pergunta se o Centro está aberto ao público? Está.
Nesta fase preliminar basta contactar a ESE. Futuramente terá mesmo um horário de funcionamento autónomo.

Um Presidente para Leiria II

A proposta que fiz no meu "Telegrama", título da nota semanal que publico no Região de Leiria, sobre a candidatura do actual presidente do Instituto Politécnico de Leiria à presidência da Câmara Municipal de Leiria deu origem, como esperava, aos mais diversos comentários.
A escolha de um candidato a uma câmara não é, ou não deve ser, considerada como um assunto interno de um partido político.
A importância do que está em jogo não se compadece com uma escolha entre meia dúzia de pessoas, muitas vezes funcionando em circuito fechado. Aliás, a possibilidade de ser realizado um processo aberto de escolha interna, com amplos reflexos no exterior, tipo"eleições primárias", já tem sido discutido e, em minha opinião, devia ser experimentado.
O único argumento que ouvi contra a proposta fundamenta-se no alegado desconhecimento, por parte da população, sobre quem é Luciano de Almeida. Ora, salvo o devido respeito, e dando de barato que Luciano de Almeida não é tão conhecido como outros hipotéticos candidatos, esta é a mais frágil razão contra a sua eventual candidatura.
Assumisse-a o PS e num mês Luciano de Almeida seria mais conhecido no concelho do que qualquer dos outros candidatos.
Uma personalidade que preside há dez anos à mais importante instituição de Ensino Superior do Distrito, sob cuja liderança se tornou uma das principais do país, cuja qualidade é reconhecida por todas as instâncias nacionais e internacionais de avaliação, que tem sido pioneira em áreas de captação de novos públicos, com licenciaturas únicas a nível nacional, com uma acção investigativa que começa a ser relevante, com relações e mobilidade internacionais que envolvem anualmente muitas centenas de jovens, docentes e dirigentes, que tem cerca de onze mil alunos e mais de um milhar de colaboradores docentes e não docentes, é obra.
Também tem sido Presidente do Conselho Coordenador dos Institutos Superiores Politécnicos, estrutura de coordenação nacional de todos os institutos.
A sua acção foi reconhecida como altamente meritória, muito recente e publicamente, pelo Ministro Mariano Gago.
Por via das funções que desempenha e das posições que tem assumido em nome do CCISP, tem tido acesso regular à comunicação nacional.
Uma personalidade destas facilmente se torna familiar ao universo de eleitores do concelho com uma estratégia de comunicação adequada.
Acresce que Luciano de Almeida poderia protagonizar uma candidatura transversal aos vários partidos, introduzindo factores de inovação e credibilização na proposta política autárquica do PS.
Mas esta é apenas a minha proposta e o meu contributo para a discussão, sem que nada me mova contra outros candidatos. Apenas gostaria que Leiria e os leirienses viessem a ter um presidente competente, capaz de pensar estrategicamente o concelho e trabalhar com todos para alcançar os objectivos de desenvolvimento que se impõem.

sexta-feira, 24 de outubro de 2008

Um presidente para Leiria


O PSD já tem candidato, é José António Silva, e pense-se sobre ele o que se pensar é bom não o menosprezar. Por mim, desejo-lhe felicidades.
Quanto ao PS, proponho Luciano de Almeida. Deixa uma obra notável no IPL, conhece bem o concelho, é um gestor experimentado, um negociador exímio e uma personalidade de dimensão nacional.
Sem transigir com politiquices bacocas, com liberdade para constituir uma equipa e apoio empenhado dos órgãos locais e da direcção nacional, pode ser o melhor candidato e, seguramente, um excelente presidente.

segunda-feira, 20 de outubro de 2008

Centro de Línguas e Cultura Chinesas

Leiria dispõe, desde o dia 15, de um Centro de Línguas e Cultura Chinesas, instalado num edifício de traça oriental, mandado construir pelo Instituto Politécnico de Leiria no espaço adjacente à Escola Superior de Educação.
É a concretização de uma vontade comum, partilhada com o Instituto Politécnico de Macau, que vem reforçar os laços académicos e culturais entre as duas instituições e, sobretudo, um melhor conhecimento dos dois países.
Leiria passa a constar do roteiro mundial de cidades onde a cultura milenar chinesa é objecto de estudo e o Centro abre-se como mais uma janela com vista para o Oriente.

domingo, 12 de outubro de 2008

O crash americano e o dinheiro dos contribuintes


Duas coisas ficaram muito claras nesta crise que está a assolar os Estados Unidos da América e a contagiar o resto do mundo.
Primeiro, o despudor e a completa ausência de respeito pelos direitos de terceiros de muitos gestores de topo que não só agiram em proveito próprio como desbarataram os fundos que era suposto rentabilizarem.
Segundo, a consciência muito aguda dos americanos de que o dinheiro gerido pelo Governo é dos contribuintes e não pode ser mal gasto. Por cá, é o contrário, tem-se a sensação de que o dinheiro é do Governo e que este faz com ele o que lhe apetece. O mesmo se passa com as autarquias, infelizmente.

sexta-feira, 3 de outubro de 2008

Noite tranquila


Ao vinho tinto são atribuídos benefícios para a saúde desde tempos imemoriais e, mais recentemente, há quem o recomende na prevenção dos acidentes cardiovasculares.
Como quase tudo o que se come ou bebe, o vinho tinto deve ter uma mão cheia de efeitos positivos e outra de negativos, competindo a cada apreciador fazer as suas escolhas.
Num jantar recente, uma jovem adolescente chinesa confessou, para surpresa geral, que na China todas as noites bebia um pouco antes de ir para a cama “para dormir melhor”. A sabedoria chinesa não se discute.

sexta-feira, 26 de setembro de 2008

O Magalhães é bué fixe e os stôres sofrem


O novo computador dos pequeninos já começou a ser distribuído gratuitamente nas escolas do 1.º ciclo. Tudo quanto se faça pela literacia informática vale a pena, mas cuidado, os computadores são um recurso, um auxiliar mais do trabalho pedagógico coordenado pelos professores e talvez menos importantes do que se está a fazer crer.
Pena é que a principal preocupação nas escolas portuguesas não seja o Magalhães, nem sequer os alunos ou a qualidade do ensino, mas sim o frenesim com que os professores se avaliam uns aos outros e que ameaça transformar as escolas no contrário do que deviam ser.
Já agora, vejam http://www.youtube.com/watch?v=glmSEAgSsok.

sexta-feira, 19 de setembro de 2008

O PISA e o mito finlandês


No Programa de Avaliação Internacional de Alunos (PISA), a Finlândia ocupa consistentemente o 1.º lugar e Portugal é um dos últimos.
Numa conferência internacional, no passado sábado, Jouni Välïjärvi, director do departamento de investigação educativa de uma das mais prestigiadas universidades finlandesas atribuiu à consideração social de que gozam os professores na Finlândia e à sua competência a razão do sucesso.
Afinal, o mito finlandês é feito de uma receita simples e antiga, bons professores, muito considerados socialmente, com excelentes condições de trabalho e altamente motivados. Se os professores portugueses não são piores do que outros, adivinhe onde falha o sistema.

quarta-feira, 17 de setembro de 2008

Angola democrática

As eleições foram ”livres e justas”, reconheceram os observadores internacionais. A vitória do MPLA foi esmagadora, o que não sendo surpreendente, não deixa de impressionar. A UNITA ficou muito aquém das expectativas.
A democracia ainda vai ter muito que andar, mas é um começo promissor, embora ninguém tenha dúvidas sobre a hegemonia da máquina de influência e propaganda do MPLA, que controla o país há décadas e até recusou vistos a jornalistas portugueses, o que é inaceitável.
Angola sempre foi uma paixão para os portugueses, é uma terra de oportunidades e merece respeito acrescido por ter entrado para o clube das democracias emergentes.

sábado, 6 de setembro de 2008

A roleta russa

A intervenção Russa na Geórgia é um salto de cavalo no xadrez entre Washington e o Kremlin, que assim come dois peões, a Ossétia do Sul e a Abecásia.
A hipótese de a Ucrânia e a Geórgia aderirem á NATO, e de na primeira ser instalado um sistema americano de vigilância militar entendido pela Rússia como hostil, azedou a distensão leste-oeste e desenterrou fantasmas adormecidos.
Acresce que alguns países da EU, com o beneplácito de Bush, reconheceram a independência do Kosovo, inaceitável pela Sérvia velha aliada da Rússia. Ainda não é um conflito aberto, apenas escaramuças. Mas o sinal está dado.

domingo, 31 de agosto de 2008

A humilhação dos vencidos

Enquanto em Beijing os recordes iam caindo, Portugal assistia, entre o atónito e o divertido, a uma espécie de campeonato humorístico com as justificações dos maus resultados obtidos por alguns dos nossos atletas.
É certo que foram inconvenientes, mas alguém tinha obrigação de os ter poupado à humilhação. Eles não são especialistas em comunicação, a pressão era enorme e ninguém os deve ter ajudado a lidar com a derrota.
Todos vibrámos com o sucesso do Nelson e da Vanessa, mas é uma injustiça não perceber que cada atleta fez o melhor que pôde. Afinal não eram eles os principais interessados em fazer boa figura?

domingo, 24 de agosto de 2008

O fingimento é a arte da fuga

Agosto tem este fascínio, o de ser um limbo onde tudo adormece durante o tempo em que o país pára para férias e os problemas descansam. Em Setembro logo se vê.
Sintomas de crise nem vê-los, a prosperidade aí está nos carros topo de gama que aceleram nas auto-estradas, nos hotéis lotados, nos restaurantes com filas à porta, nos programas de férias em destinos exóticos esgotados.
É certo que tudo não passa de uma ilusão, afinal há cerca de dois milhões de pobres em Portugal e muitos outros que o não sendo vêem as suas condições de vida agravar-se todos os dias, mas o fingimento é a arte da fuga.

quinta-feira, 14 de agosto de 2008

O regresso do Império do Meio

Por estes dias Pequim volta a ser a capital do Império do Meio, uma forma de dizer que é o centro do mundo, hoje como consequência de ser a anfitriã dos Jogos Olímpicos, outrora porque a dimensão territorial e o imenso poder do Imperador não admitiam outro posicionamento.
Estes jogos não são apenas um acontecimento desportivo, mediático e uma oportunidade para dinamizar a economia chinesa e de muitos outros países, mas um acontecimento político da maior importância.
Eles constituem um marco para a afirmação definitiva de uma China moderna, próspera, politicamente ambiciosa e que é cada vez mais uma das grandes potências emergentes do século XXI. Portugal tem aqui mais um desafio, saber rentabilizar o que aprendeu durante séculos em Macau.

sexta-feira, 8 de agosto de 2008

O medo dos ciganos

Nas últimas semanas o país redescobriu os ciganos e os medos e ódios ancestrais que lhes andam associados e confirmou-os como a comunidade menos bem amada da sociedade portuguesa.
Num mundo onde a diversidade cultural é pedra de toque de sociedades abertas e num país que “abriu novos mundos ao mundo” não deixa de ser irónico e preocupante que se trate uma comunidade de portugueses, com uma forte identidade ancestral, como sendo constituída por um bando de marginais.
Hoje, como ontem, os ciganos acantonam-se para se defender a si e ao seu modo de vida e o resto da sociedade escorraça-os como forma de se defender deles. É tempo de quebrar este ciclo de incompreensão.

sábado, 2 de agosto de 2008

O regresso a casa dos três pára-quedistas

Os funerais de três pára-quedistas mortos na Guiné durante a guerra colonial, e só agora trasladados para Portugal, é um daqueles acontecimentos que envergonha um país.
Os israelitas trouxeram para casa, em circunstâncias bem penosas, dois cadáveres de soldados raptados e mortos pelo Hezbolah, há dois anos, “porque os judeus não deixam para trás os seus mortos”.
Em Portugal não foi assim. O Estado que os enviou desapareceu e o Estado Democrático pouco se incomodou com os mortos que ficaram por sepultar na terra mãe. Quantos ainda haverá nas mesmas condições? Não será obrigação imprescritível do Estado trazê-los para casa?

segunda-feira, 28 de julho de 2008

O casamento segundo MFL

Parece que houve umas pessoas que não apreciaram o meu texto sobre os casamentos homossexuais. É natural, ainda devem ter apreciado menos a mera hipótese que levantava da possibilidade de poderem vir a ser adoptantes.
Tenho o maior respeito pelas opiniões alheias e espero que tenham o mesmo respeito para com as minhas, o que não deve inibir ninguém de defender os pontos de vista em que acredita.
Manuela Ferreira Leite já deu um imenso contributo para a elevação do debate político em Portugal e mostrou ser uma mulher arejada e em linha com o tempo que passa. Para ela o casamento é para assegurar a procriação. Não, não foi uma frase truncada, um pequeno lapsus linguae a necessitar de uma explicaçãozinha complementar.
Naquele seu estilo de Padeira de Aljubarrota confirmou tudo, mesmo que isso a faça perder alguns votos, sublinhou, para que ninguém tenha dúvidas. Adoro pessoas assim, convictas, que lideram partidos no século XXI, mas se comportam como damas do século XIX, que iam virgens para o casamento, o encaravam como uma interminável maratona de procriação e se fechavam em casa cobertas de preto se acaso o esposo as deixava viúvas e sem utilidade prática a não ser para completar a obra procriadora, criar os filhos, entenda-se.
Como Luís Filipe Menezes e Santana Lopes, os seus arquiadversários, não encaixam no modelo de casamento procriador tão ao gosto de MFL, esta tomada de posição deve ter uma explicação eminentemente política, como quem diz, comigo voltaram os bons costumes ao PSD depois da desbunda anterior.
Acho bem, já era tempo de alguém por as coisas no sítio certo e deve ser por se inspirarem em MFL que a maior parte dos jovens já não se casam, juntam-se para irem ganhando prática e quando, finalmente, sentem ter atingido o patamar de verdadeiros procriadores, aí sim, inspirados na Madrinha, dão o nó.
Só uma dúvida. Este país de MFL existe mesmo ou não passa de uma ópera bufa?

domingo, 27 de julho de 2008

Casamentos homossexuais e adopções

Em Portugal, o casamento civil é um contrato celebrado entre duas pessoas, de sexos diferentes, que implica um determinado conjunto de direitos e deveres mutuamente aceites.
Naturalmente que um casal pode ser adoptante de crianças, mediante determinados requisitos, independentemente da forma como vive e regula a sua relação afectiva e material.
Tudo indica que num futuro próximo o casamento, nesta perspectiva civil contratual, seja estendido aos homossexuais e que o direito de adopção também lhes não seja negado. Ou será preferível manter as crianças institucionalizadas, quando podem ser adoptadas por casais legalmente constituídos?

sexta-feira, 18 de julho de 2008

Conversa de praia

Uma praia portuguesa com certeza. Avós, filha e netos (2 miúdos pequenos). Os putos jogam à bola. Comentário da avó para o neto mais velho "Isso filho, vai para futebolista, em vez de te matares a estudar". As avós é que sabem...se estudar mata, imaginem ensinar. Melhor mesmo é ir para "Figo" ou "Cristiano Ronaldo", porque futebolista é coisa menor.

Esconjurar os fantasmas

Quase quarenta anos depois da morte, António de Oliveira Salazar, o homem que presidiu aos destinos do país durante 48 anos, continua a assombrar os espíritos de alguns portugueses. A ideia de lhe dedicar um museu na terra natal desencadeia paixões, intolerâncias e antifascismos serôdios.
O país que glorifica o Marquês de Pombal, um dos maiores déspotas que governaram o país, e que mantém a fé na mesma Igreja que criou e geriu a Inquisição, cuja ignomínia não tem perdão, é o mesmo que se atiça contra Salazar. É tempo de esconjurar mais este fantasma. A História não se nega, nem se apaga, estuda-se.

terça-feira, 15 de julho de 2008

Férias?

Não, não estou de férias. A inconstância na actualização do blogue deve-se a circunstâncias absolutamente excpcionais em termos de serviço e a dificuldades de ligação à net no local onde agora me encontro. Peço que me relevem a falta e espero poder voltar em breve a ter mais tempo e condições para blogar.

Ingrid, a renascida

Ingrid Betancourt foi, finalmente, libertada. A mulher para quem ainda há poucos dias a “morte era uma opção doce” é agora a heroína de uma saga em que o bem triunfa sobre o mal.
O seu olhar vivo, o discurso firme, as ideias inspiradoras são a maior derrota das FARC, que não a conseguiram fazer vergar em seis anos de duro cativeiro.
Como Nelson Mandela, também Ingrid triunfou sobre os seus carcereiros e da lama das montanhas à glória não foi apenas um pequeno passo, foi sobretudo um avanço extraordinário na luta pelos direitos humanos.
O presidente Álvaro Uribe é um dos vencedores deste “milagre”, só a sua intransigência face à chantagem e ao terror permitiram este desfecho, e até Fidel Castro veio juntar a sua voz ao coro dos que reclamam o fim dos sequestros.

domingo, 6 de julho de 2008

Desobediência nacional

Somos um povo sui generis que adora não cumprir princípios, regras e leis. Infringir, seja não pagar ao fisco ou não usar preservativo numa relação de risco, é uma espécie de desporto nacional onde a verdadeira portugalidade se manifesta.
Um sinal de proibição de estacionamento não significa que não se estacione. Uma bandeira vermelha na praia não impede que se tome banho. Um bar, um restaurante, um hotel sem licença, nem por isso deixam de abrir a porta, receber clientes e até pagar impostos.
As autoridades são coniventes porque, claro, são portuguesas. Desobedecer é uma atitude social não reprovável, é como comer sardinhas assadas, faz parte do nosso património cultural.

sexta-feira, 4 de julho de 2008

Licenciados(as) em Psicologia e babysitters

Pessoas amigas solicitaram a minha colaboração para ajudar a seleccionar partners/colaboradoras(es) para projecto empresarial na área da educação e formação, para exercer actividade na zona de Leiria, em regime de part time.
Aceitam-se candidaturas de:
- Licenciados(as) em Psicologia com formação na área da formação escolar e profissional
- Babysitters, de preferência estudantes de cursos de educação de infância ou profissionais da área
Agradece-se que respondam apenas pessoas interessadas em novos desafios, motivadas para a prestação de serviços numa perspectiva inovadora e que aceitem ser permanentemente postas à prova.
Respostas com currículo e outros elementos de análise exclusivamente para peterkapa@gmail.com

O ME não dorme...


1. Tendo presente que estudos internacionais demonstram uma correlação positiva entre a utilização das tecnologias de informação e comunicação (TIC) em contexto de sala de aula e o aproveitamento escolar dos alunos, o Plano Tecnológico da Educação definiu como principal objectivo colocar Portugal entre os cinco países europeus mais avançados na modernização tecnológica do ensino.

2. A Direcção-Geral de Inovação e Desenvolvimento Curricular (DGIDC) promove, no próximo dia 11 de Julho, o Encontro Nacional de Promoção e Educação para a Saúde em Meio Escolar, que contará com a presença de peritos e a participação de professores coordenadores da Saúde e membros de Conselhos Executivos de Agrupamentos/Escolas de todo o País.
A finalidade do Encontro, que se realiza no Centro de Congressos de Lisboa, situado na Praça das Indústrias, em Lisboa, é promover a divulgação e reflexão sobre a concretização do trabalho desenvolvido pelas Escolas na área da Promoção e Educação para a Saúde.

3. A Organização para a Cooperação e o Desenvolvimento Económico (OCDE)
elogiou as apostas no ensino profissional e na valorização da carreira docente.
O tom da apreciação pela OCDE do trabalho em curso em Portugal na área da Educação foi dado pelo seu secretário-geral, Angel Gurría, quando apresentou em Lisboa o habitual Estudo Económico (Economic Survey) sobre o País, ao dizer: Há reformas interessantes na educação. O bem concebido programa Novas Oportunidades está a ser implementado.
Proporciona novas oportunidades de aprendizagem aos jovens em risco de abandonarem a escola e oferece oportunidades a adultos com baixo nível educacional. Os resultados até à data são promissores.
Para acentuar a sua opinião, sublinhou que Na verdade, vários países na OCDE poderiam beneficiar agora da experiência de Portugal nesta área

4. Os estabelecimentos de ensino especializado da Música da rede do ensino particular ou cooperativo
podem candidatar-se a financiamento, a conceder pelo Ministério da Educação (ME), com base no critério do custo anual por aluno.

5. O Ministério da Educação(ME) estabeleceu medidas destinadas aos professores do ensino particular e cooperativoe das escolas profissionais privadas, sem qualificação profissional,
que implicam, conforme os casos, a dispensa ou a realização da profissionalização em serviço.

terça-feira, 1 de julho de 2008

Nem tudo é tão mau como às vezes parece

O Ministério da Educação anunciou, no dia 30 de Junho, a criação de "academias TIC" em algumas escolas secundárias do País, no âmbito do Choque Tecnológico para a Educação. A iniciativa pressupõe a celebração de protocolos com empresas líderes na área das novas tecnologias que asseguram a instalação de equipamentos e formação de alunos e professores, nomeadamente nas escolas que apostem nos Cursos Profissionais.
No Distrito de Leiria a escola seleccionada para "Academia Apple" é a Escola Secundária Afonso Lopes Vieira, na Gândara dos Olivais, Leiria.

domingo, 29 de junho de 2008

Escolas ou reformatórios?

Um destes dias estive numa escola a fazer uma conferência a que dei o nome "Ser professor, uma profissão de risco e com riscos". Uma das coisa que mais me impressionou foi a atitude manifestada por alguns colegas acerca dos alunos "difíceis" eufemismo para classificar os corrécios que não estudam, prejudicam o ambiente e a aprendizagem dos outros e dão cabo da cabeça aos professores.
Claro que estes alunos não podem ser segregados pois a saída da Escola sem qualquer qualificação equivale a um passaporte para as franjas da sociedade e para trabalho desqualificado. Existem hoje alternativas formativas para estes alunos, com currículos adaptados às suas necessidades, mas continuam a faltar professores treinados para responder a estas situações.
E o problema reside aqui, não se pode lidar com estes alunos como se lida com os outros, a diferença existe e não vale a pena fingir que não é assim. Os holandeses, por exemplo, resolveram o problema com escolas especializadas em alunos "difíceis", é uma forma de resolver a questão. Em Portugal a doutrina oficial é a integração. Seja como for, o que importa é que o sistema funcione e não é isso que parece estar a acontecer entre nós.

sábado, 28 de junho de 2008

AECs para que te quero

O Sr. Vereador do Pelouro da Educação da Câmara de Leiria afirmou ontem, em plena reunião da Assembleia Municipal, que os responsáveis dos vários agrupamentos do concelho lhe manifestaram opiniões muito desfavoráveis relativamente às Actividades de Enriquecimento Curricular, considerando-as uma péssima solução e uma alternativa sem qualidade. Inclusivamente relatou que muitos alunos não tiveram uma aula de Inglês durante todo o ano.
A estatização dos ATL nunca podia ser uma boa medida, mas é urgente avaliar o que se fez e o que se está a pensar fazer para não se vender gato por lebre aos alunos e aos pais.
Mas atenção, a solução não é curricularizar as AEC, é encontrar soluções flexíveis por agrupamento e dar-lhe maior autonomia para se auto-organizarem nesta área.
Aqui está um domínio em que a intervenção das câmaras em vez de melhorar o sistema, o pode piorar. Por favor aprendam com as más experiências e não se esqueçam do que está a acontecer quando pensarem nos funcionários que passaram para as autarquias e na crescente influência destas nas escolas, nomeadamente com o novo decreto da gestão.

Juízes e professores

Uns juízes sofreram uma agressão na sequência da leitura de uma sentença relacionada com um caso de droga. O Presidente do Conselho Superior da Magistratura correu à cidade onde ocorreu a agressão para lhes manifestar a sua solidariedade. Entretanto, os juízes decidiram não fazer mais julgamentos enquanto não forem garantidas as condições de segurança.
Vejam a diferença com os professores. Já alguém viu um Secretário de Estado que seja, quanto mais a Ministra, irem, de imediato, a uma escola na sequência de uma agressão a professores? E se quando um professor sofre uma agressão a escola fechasse enquanto não fossem garantidas as condições de segurança?
Pois é...droga de vida...

domingo, 22 de junho de 2008

Obama, you can!

O mundo é um lugar perigoso e a metáfora de que se uma borboleta bate as asas na Ásia, provoca um tornado nos Estados Unidos, nunca foi tão verdadeira, com a agravante de que ao chegar cá o tornado já virou tsunami.
Por isso é tão importante a escolha do Presidente dos USA, sabendo-se como pode influenciar o rumo do mundo, para o melhor ou para o pior e ninguém, consciente, pode ficar indiferente a tão importante acontecimento.
Diz-se que McCain tem experiência e que Obama é um idealista. Por isso mesmo é que chegou até aqui, porque as pessoas estão sedentas de alguém que as inspire e as faça acreditar num mundo melhor. De gestores do quotidiano estamos todos fartos. Que regressem os ideais.

sexta-feira, 20 de junho de 2008

Que se lixe a taça!

Ao contrário das notícias a verdadeira história do Europeu é que portugal ganhou à Alemanha. A verdade é que rematámos mais e tivemos a bola mais tempo. Eles só meteram mais golos do que nós, mas o que é que isso interessa? Nós é que somos os verdadeiros campeões...da posse de bola.
Já tirei a bandeira e guardei o cachecol. Durante uns tempos vão ficar na naftalina não vão as traças tecê-las. É por isso que eu gosto de ser português, ganhamos sempre...mesmo quando se perde e a naftalina purifica.
Adeus Scolari, vamos ter saudades tuas. Aqui está outro que ganha sempre, mesmo quando perde. Ouviram falar em sete milhões e meio no Chelsea? Também mais milhão menos milhão que influência é que isso tem no salário mínimo nacional?
Viva a Selecção que nos (desa)anima o coração.

domingo, 15 de junho de 2008

Funcionários para as autarquias

Aqui está a lista da "entente" para a exportação do pessoal não docente para as autarquias.

O processo negocial relativo à transferência de competências para os municípios em matéria de gestão de pessoal não docente das escolas básicas e da educação pré-escolar foi concluído, no dia 4 de Junho, entre o Ministério da Educação (ME), a Secretaria de Estado da Administração Local, a Frente de Sindicatos da União Geral de Trabalhadores e o Sindicato de Quadros Técnicos do Estado.

Os sindicatos entram nesta ópera bufa como idiotas úteis ou para tentar fazer dos outros idiotas? É que o processo, tal como tem sido conduzido, é uma aberração de consequências nefastas para as escolas e para as autarquias.

Do PREC a Utreque. A saga do petróleo

Nos tempos do PREC (1975), com o petróleo ao preço do ouro, o Governo chegou a admitir um embargo às importações de automóveis. Desabafo de um líder operário - “Querem tirar aos trabalhadores o único luxo que temos - um carrito”.
Trinta anos depois em Utreque (Holanda), procurava uma morada, e perguntei a vários pessoas como lá chegar. Todas me aconselharam a ir de autocarro e nem uma me sugeriu um táxi.
Há muitos anos que se sabe que o actual modelo energético está condenado, mas continuamos dependentes do petróleo. Então porque não se deu/dá prioridade absoluta aos transportes públicos e ao modo ferroviário? Porque a mentalidade é a mesma e o lobby das petrolíferas e dos fabricantes de automóveis também .

Funcionários para as autarquias

Com a benção de alguns sindicatos, o ME e a Secretaria de Estado da Administração Local lá consumaram o acto de transferência dos funcionários não docentes para a tutela das autarquias. Percebo a posição do Ministério, de se querer ver livre de um problema que não pára de crescer, mas não entendo a das autarquias, muito menos a dos sindicatos. Também não encontro explicação para o silêncio ensurdecedor das escolas sobre o assunto. Será que, como diria o Scolari, "O burro sou eu?".
Ou estou enganado ou não tardará muito para que, nalguns casos, passem a mandar mais nas escolas os presidentes das câmaras do que os futuros directores.

Dia do diploma

O Ministério da Educação (ME) vai criar o Dia do Diploma no próximo ano lectivo, conforme informação disponibilizada às organizações sindicais, no âmbito da audição relativa ao calendário escolar do próximo ano lectivo.
Com a consagração deste Dia, o ME pretende valorizar a importância da conclusão do Ensino Secundário, nível que o Governo estabeleceu como referência para a qualificação da população portuguesa.
No mesmo sentido, o ME criará um Prémio de Mérito para os melhores alunos dos cursos científico-humanísticos e cursos profissionais em cada escola.
Num país onde impera a síndrome do "canudo" tenho dúvidas que o "dia do diploma" possa ser uma mais-valia, mas como diz o outro "o povo quer é folclore".
Quanto aos prémios, quem não gosta de os receber? Não será por aqui que o sistema muda, mas como se dizia na minha terra acerca dos medicamentos que um farmacêutico receitava "se não fizerem bem, mal também não".

Publicações sobre Educação Pré-escolar


A Direcção-Geral de Inovação e Desenvolvimento Curricular (DGIDC) acaba de disponibilizar quatro publicações nos domínios da Matemática, Linguagem Oral e Abordagem à Escrita, que se constituem como um recurso para a acção do educador de infância e têm o objectivo de proporcionar uma melhor compreensão e operacionalização das Orientações Curriculares para a Educação Pré-Escolar.
Intituladas A Descoberta da Escrita, Linguagem e Comunicação no Jardim-de-Infância, Geometria e Sentido do Número e Organização de Dados, as brochuras estão disponíveis no sítio da DGIDC, em
http://sitio.dgidc.min-edu.pt/PressReleases/Paginas/BrochurasEdPreEscolar.aspx.

Encontro Internacional sobre Educação Especial

Hoje é dia de serviço público...Mais informação do Gabinete de Comunicação do ME


As comunicações apresentadas no Encontro Internacional sobre Educação Especial, realizado em Lisboa no passado dia 07 de Junho, já estão disponíveis no sítio da Direcção-Geral de Inovação e Desenvolvimento Curricular (DGIDC), em http://sitio.dgidc.min-edu.pt/PressReleases/Paginas/EncontroTematico–EducacaoEspecial.aspx.

Avaliação de desempenho dos professores

Como este blogue também presta serviço público, fica aqui informação que me chegou do Gabinete de Comunicação do ME e que interessa a muita gente.


Publicado o diploma sobre regime transitório

O diploma que regulamenta o regime transitório de avaliação de desempenho
dos professores e os respectivos efeitos durante o primeiro ciclo de avaliação,
que se conclui no final do ano civil de 2009, foi publicado no Diário da República.
Tendo em conta a experiência da aplicação deste regime transitório, desde a data em que entrou em vigor, e o Memorando de Entendimento celebrado com as associações sindicais representativas dos professores, este decreto regulamentar tem como objectivo regular o primeiro ciclo de avaliação de desempenho, que se desenvolve nos anos escolares de 2007/2008 e de 2008/2009.
Assim, de acordo com este diploma, as escolas devem realizar as acções necessárias à aplicação do sistema de avaliação de desempenho dos professores, durante o ano escolar de 2007/2008, designadamente através da alteração dos respectivos projectos educativos para a fixação de objectivos e de metas, da fixação dos indicadores de medida e do estabelecimento do calendário anual de desenvolvimento do processo de avaliação.
No que diz respeito aos docentes que sejam objecto de avaliação só até ao final do ano civil de 2009, as escolas devem proceder, em 2007/2008, à recolha de todos os elementos constantes dos registos administrativos dos estabelecimentos.
Relativamente aos professores que, neste ano escolar, necessitam de ser avaliados para progredirem na carreira ou para efeitos de renovação ou de celebração de novo contrato, o órgão de gestão procede à aplicação de um procedimento de avaliação simplificado, que inclui:

* a ficha de auto-avaliação;

* a avaliação dos seguintes parâmetros pertencentes à avaliação efectuada pelo órgão de direcção: nível de assiduidade, cumprimento do serviço distribuído e acções de formação contínua.

Neste primeiro ciclo de avaliação, são reforçadas as garantias dos avaliados, nomeadamente no que se refere aos efeitos da atribuição das classificações de Regular e de Insuficiente.
Deste modo, os efeitos da atribuição destas menções qualitativas ficam condicionados aos resultados de uma nova avaliação, a ser realizada no ano escolar seguinte, não se concretizando, caso a classificação do docente nessa avaliação seja, no mínimo, de Bom.
Ainda segundo as regras definidas, os professores que sejam avaliados, em 2007/2008, para efeitos de progressão na carreira, são novamente avaliados em 2008/2009.
Quanto aos docentes contratados, pode ser aplicado, a seu pedido, o regime de avaliação simplificado, no ano escolar de 2007/2008. Este regime também pode ser aplicado, a partir de 2008/2009, aos professores com um contrato celebrado por menos de 120 dias.
No primeiro ciclo de avaliação, os coordenadores de departamento curricular ou os coordenadores do conselho de docentes são avaliados pelo presidente do conselho executivo ou director, enquanto os vice-presidentes e os adjuntos das direcções executivas ou o subdirector e os adjuntos são avaliados pelo órgão de direcção executiva.
A comissão paritária, criada com o objectivo de garantir o acompanhamento do regime de avaliação de desempenho dos professores, pelas associações representativas dos docentes, tem acesso a todos os documentos de reflexão e de avaliação produzidos pelas escolas e pelo Conselho Científico para a Avaliação dos Professores.

Para mais informações, consultar o decreto regulamentar publicado no Diário da República, em
http://www.dre.pt/pdf1sdip/2008/05/09900/0292802930.PDF.

quinta-feira, 12 de junho de 2008

A escola da Apelação

Alguns devem ter visto a reportagem que passou ontem sobre a escola da Apelação no concelho de Loures, a mesma onde no ano passado foram filmadas cenas impróprias de violência inaudita. Na altura o ME até processou a gestão por ter autorizado a RTP a colocar câmaras dissimuladas, mas a verdade é que a reportagem-choque produziu efeitos, a acreditar no que ontem se viu também na RTP.
Não se percebeu se os órgãos de gestão foram substituídos, fiquei com a ideia que sim, mas a escola foi considerada um TEIP (Território Educativo de Intervenção Prioritária) e dispõe hoje de um corpo técnico e de mediadores que conseguiram, conjuntamente com os professores, transformar a escola num local que os alunos passaram a respeitar e onde os problemas disciplinares diminuiram drasticamente.
Em simultâneo a escola reforçou a sua ligação ao bairro social que lhe fica próximo, e de onde é originária a maioria dos alunos, tendo-se estabelecido uma interacção muito estreita e, sempre acreditando no que foi dito, a escola é hoje considerada como parte integrante do bairro com o que isso implica de sentidmento de identidade mútua.
Mesmo que nem tudo seja tão cor de rosa como foi descrito, fica a prova, mais uma, de que não estamos condenados a ter escolas de marginais. Os meios existem, os recursos humanos também, o que falta mesmo, às vezes, é organização e liderança.

terça-feira, 10 de junho de 2008

Os patrões camionistas

Os patrões camionistas têm direito de se defender da crise, mas não têm o direito de paralisar o país. Já não é a primeira vez que isto acontece e a Europa vive refém destes senhores que já mostraram ser capazes de parar o continente e que infundem pavor aos governos de todas as latitudes.
Seja como for, o Governo, que tem sido tão lesto a tomar medidas contra os professores, que não peque agora por cobardia e faça o que tem a fazer e rapidamente, repor a legalidade no país, que é como quem diz, restabelecer o direito de circulação para todos.

domingo, 8 de junho de 2008

Programa Integrado de Educação e Formação

O PIEF é uma fronteira entre a escola e o nada. Por isso todos quantos se envolvem neste programa são heróis, sejam as escolas, os professores, os técnicos e, sobretudo, os alunos. Infelizmente a sensibilidade para acolher os alunos PIEF não é muita por isso quero aqui deixer o exemplo da escola Correia Mateus, em Leiria, que acolhe as duas únicas turmas de todo o distrito de Leiria e que, na semana passada, organizou uma interessantíssima conferência sobre a temática da exclusão e o papel dos cursos PIEF.
É com coragem para enfrentar desafios difíceis, com equipas multidisciplinares e com capacidade para potenciar as sinergias da comunidade que se muda a Escola.
Num tempo em que abandono escolar significa entrar num submundo de incertezas, às escolas compete tudo fazer para que nem um aluno saia sem um nível de escolaridade e aptidão profissional mínimo.

sexta-feira, 6 de junho de 2008

Os portugueses pobres

Os pessimistas dizem que há dois milhões de portugueses pobres, os optimistas admitem ser apenas um milhão e oitocentos mil. Em todo o caso são imensos.
O mais importante é que para além das estatísticas estão pessoas, idosos, gente de meia-idade, jovens, crianças, famílias que não conseguem auto sustentar-se, situações sociais terríveis, fome e privações de toda a espécie.
A pobreza não é uma realidade virtual, está mesmo aqui ao nosso lado, dá-nos os bons dias, cruza-se connosco na rua e, sobretudo, nas consciências. Apesar de tudo há quem durma descansado. É este o país que queremos?

segunda-feira, 2 de junho de 2008

O folclore da avaliação

Não sei se sabem, o ME pediu aos Centros de Formação que indicassem representantes para participarem nuns seminários realizados em regime residencial durante três dias em unidades hoteleiras de grande nível para "aprenderem" a ser formadores de avaliação do desempenho docente.
Nos grupos havia de tudo, desde docentes quase sem experiência significativa até professores universitários, numa verdadeira afirmação de que tudo o que vem à rede é peixe.
A partir de agora, são esses docentes que vão desmultiplicar pelo país a metodologia da avaliação. É a segunda edição, revista e aumentada, da bagunça absurda do concurso para titulares. Que legitimidade têm estes colegas para irem "vender" a avaliação aos outros? Terem estado num seminário onde foram ungidos com os óleos sagrados do poder e recebido as "tábuas dos mandamentos avaliativos" dos seus ideólogos?
Quem disse que o ME não era capaz de formar os avaliadores? A resposta aí está, pode até dar-se o caso de um colega nunca ter tido contacto com metodologias de avaliação do desempenho, mas depois deste seminário ficou especialista e habilitado a fazer formação para outros. Era assim que se fazia na tropa quando eu por lá andei e era necessário preparar carne para canhão, que a guerra era exigente em matéria de números. Pelos vistos continuamos em guerra.
E os sindicatos, o que dizem disto? E as associações de professores? E as Universidades e Escolas Superiores de Educação? E todos os outros especialistas? E os professores que vão aprender a avaliar e a ser avaliados?
Este país ensandeceu ou a avaliação do desempenho docente transformou-se numa actividade próxima da produção de salsichas?

domingo, 1 de junho de 2008

Eurite aguda

Nada melhor para regenerar as ambições nacionais do que uma futebolada a sério. Os craques já estão na Suiça e a loucura já começou. Quero lá saber da crise, das angústias existenciais dos professores portugueses, do aumento dos combustíveis, dos dois milhões de pobres, ou serão só um milhão e oitocentos mil (?), dos direitos humanos no Tibete ou no Darfur, da fome que regressou em força à Etiópia e a muitos outros sítios, eu quero lá saber de desgraças, que se lixem os pobres e oprimidos, se não saem da miséria é porque também não merecem mais.
Eu quero é saber dos nossos heróis da bola, que descansem, que comam bem, não os incomodem, os homens merecem tudo, aliás deviam até ganhar mais, com a carestia que para aí vai a federação devia-lhes até aumentar os prémios, o Scolari que se inspire, convoque-se a virgem do Caravagio, de que o homem é devoto, mas a Nossa Senhora de Fátima que não seja esquecida, tudo a bem da Nação, nada contra a Nação, nós somos bons carago e vamos ganhar a essa canalha que se nos atravesse.
Façam promessas, façam figas, façam vudu, façam candomblé, façam tudo o que souberem, sacrifiquem uns galos pretos, esfreguem-se com alho, munam-se de uma pata de coelho, de uma ferradura, vocês hão-se saber, mas, por favor, façam com que a selecção ganhe o campeonato. Devemos isso ao Vasco da Gama, se o homem chegou à Índia estes gajos não são capazes de chegar á Europa? Era só o que faltava.

sábado, 31 de maio de 2008

O tripé do PSD

O PSD virou tripé. Depois da confusão menezista, o tripé Leitista.
É certo que Passos já estendeu a mão, certo de que essa é a melhor forma de ganhar terreno. Santana não lhe resta outra alternativa a não ser a contrária, distanciamento e à primeira escorregadela ele lá estará para tirar as devidas ilações.
Se Sócrates escorregar muito e cheirar a poder, Manuela vai poder navegar, mesmo que à bolina; caso contrário, vai arder ingloriamente em lume brando até às eleições.
Resta uma consolação para o povo laranja, pior do que estava o PSD não fica. Quanto ao PS, só não pode dormir descansado porque a malvada crise veio para ficar. Esta é que é a verdadeira adversária, não Ferreira Leite.

sexta-feira, 30 de maio de 2008

O dragão chinês e a união ibérica

Um grupo de alunos do 12.º ano procurou-me para ouvir as minhas opiniões para um trabalho. A sua tese era ingenuamente imbatível; os chineses estão a tomar conta do nosso comércio e a solução é unirmo-nos aos espanhóis.
Bom, este não é o ponto, mas fica a ideia estimulante da união ibérica, já em curso em muitos domínios e inevitável para um conjunto de povos com um património histórico e geográfico comum.
Quanto à China, a caminho de se tornar a maior potência mundial do século XXI, não pode ser vista como uma ameaça, mas como uma oportunidade. Como diz Toffler “A China é agora parte de todos nós”.


In Região de Leiria, 30-05-08

2 milhões de pobres

Eu sei que quem governa o país é o Partido Socialista. Também sei que, historicamente, os partidos de matriz socialista estão mais próximos dos mais desfavorecidos e é suposto implemetarem políticas com um pendor social mais acentuado exactamente para corresponder aos interesses dos que constitutem a sua base de apoio e neles se revêem. E sei ainda que, sendo tudo isto verdade, nem sempre as coisas se passam como era suposto acontecerem.
Então... gostava de perceber onde param as preocupações sociais deste governo, não me refiro aos pequenos apoios a isto e àquilo, mas a verdadeiras políticas que defendam os fracos, os desempregados, os mais carentes, enfim, os que esperam dos socialistas que os defendam melhor do que um governo ancorado noutros sectores sociais.
Um país com 2 milhões de pobres exige políticas ousadas no sentido da afirmação de mais justiça social, mais igualdade, mais apoios aos carentes e desempregados. É tempo de inverter políticas que reduzem direitos e nível de vida e deixam prosperar maiores assimetrias sociais.

Ser Professor

João Ruivo ((Coord.) João Sebastião, José Rafael, Paulo Afonso e Sara Nunes deram à estapa, em edição do Instituto Politécnico de Castelo Branco e da Associação Nacional de Professores, Ser professor. Satisfação profissional e papel das organizações de docentes.
De um universo de 148750 docentes (educadores de infância e professores dos vários graus de ensino não superior) trabalharam com uma amostra estratificada de 3252. A recolha de dados foi feita através de questionários enviados e recolhidos entre Abril e Maio de 2006.
Conclusões
- Docentes maioritariamente do sexo feminino, licenciados, profissionalizados, trabalham há mais de vinte anos, são sócios de um sindicato ou associação sindical e têm um vínculo estável.
- Sentem-se satisfeitos quando avaliam a sua auto-estima e a sua imagem profissional, mas sentem que a sociedade não reconhece o seu trabalho e consideram insuficiente o seu estatuto remuneratório e revelam apreensão relativamente ao futuro.
- Mostram-se satisfeitos com a escola e com os alunos e referem positivamente a gestão, as condições de trabalho e o bom ambiente aí vivido, mas manifestam-se insatisfeitos com a falta de empenho dos alunos na aprendizagem e com a política educativa.
- Um número expressivo não voltaria a escolher a profissão se tivesse que começar de novo, "até porque consideram que a carreira de professor não é prestigiante".
- Concordam com a criação de uma Ordem dos Professores e mostram-se insatisfeitos com os sindicatos e com as condições de progressão na carreira.
É um retrato interessante, embora com contradições evidentes nas próprias conclusões, o que não espanta, sabendo-se como se tornou contraditório ser professor em Portugal. Um bom contributo para um melhor conhecimento da classe e um estudo a ler com atenção.

quinta-feira, 29 de maio de 2008

Assim não vamos lá

A colega Safira deixou um post bem oportuno sobre a não existência em muitas escolas das condições necessárias para o início do processo de transição para o novo modelo de gestão.
Não surpreende. O novo modelo vem ao arrepio de trinta anos de experiência de gestão dita "democrática" e altera profundamente o paradigma igualitarista vigente.
No meio de toda a turbulência gerada pela forma canhestra como a equipa do ME tem lidado com os professores e dirigido o Ministério, cada vez mais centralizado, apesar de falarem cada vez mais em autonomia, a nova gestão só pode suscitar desconfianças e boicotes.
Continuo com a minha, a solução é a territorialização da gestão na base nas áreas correspondentes aos municípios. O novo decreto está condenado ao insucesso, mesmo que o consigam implantar "a martelo".

terça-feira, 27 de maio de 2008

Mudar o paradigma

Há coisas intrigantes nas escolas, as novas tecnologias estão por todo o lado, os alunos dominam-nas, os professores para lá caminham, mas há um lastro de rotineirismo que permanece quase inamovível.
Sejamos honestos, o paradigma anterior à revolução do conhecimento permanece como a ferramenta básica e o fosso entre a escola e a sociedade, nalguns casos, adensa-se.
A internet tornou-se uma ferramenta básica em dois sentidos, sempre à mão, mas utilizada frequentemente de forma primária.
Precisa-de de um novo paradigma de ensino, sob pena de a escola se continuar a desqualificar se isso não acontecer.

domingo, 25 de maio de 2008

Foi você que falou em autonomia?

O ME diz-se apostado em avançar com os contratos de autonomia. Existem umas comissões de acompanhamento do processo, uma para cada escola. Algumas escolas, simpaticamente, convidaram-me para fazer parte das suas comissões de acompanhamento, o que muito me honrou.
Um dia destes recebi um convite da DREC para uma reunião, assim de um dia para o outro, como se não tivesse mais nada para fazer. Não pude comparecer pois já tinha outros compromissos inadiáveis.
Até hoje não sei o que lá de passou, mas sei duas coisas, a lei não está a ser cumprida quanto aos requisitos de funcionamento das ditas comissões e ninguém pensou quem suporta as despesas com a participação dos vários membros nessas reuniões. Estão a ver um sujeito fazer centenas de quilómetros, por exemplo, mais almoços, jantares, eventualmente dormida, e pagar tudo do seu bolso?
Pois é, a autonomia custa dinheiro, mas pelos vistos ninguém pensou no assunto. Diz-se que há assessores no ME pagos a peso de ouro, mas para se participar nas reuniões das comissões de autonomia se calhar estão a pensar que cada um paga as suas despesas. Ou será que só lá querem alguns? Os que fazem os fretes ao ME e são pagos por isso?

sábado, 24 de maio de 2008

Aterrados

Finalmente um jurista, num douto parecer, veio dizer aquilo que é do mais elementar bom senso, um aterro sanitário não pode andar em bolandas, de concelho para concelho, como um circo ou uma barraca de comes e bebes, pelo que o aterro de Leiria e arredores deve ficar onde está.
O populismo às vezes gera esta urticária. Claro que ninguém quer aterros à porta, mas fechá-los só mesmo quando as suas condições de utilização tenham atingido os limites de exploração.
Quando é que os nossos decisores passam a agir mais com a cabeça no bolso dos contribuintes do que no voto dos eleitores?


In Região de Leiria, 23-05-2008

Silêncio

Nada pior nos blogues, como nas relações, do que quando deixamos que o silêncio se torne a norma. É certo que o silêncio é a mais poderosa forma de comunicação que a espécie humana inventou, mas não é desse que trato aqui e agora.
Uma viagem para terras distantes, a falta de acesso à rede e um sindroma gripal têm-me impedido de cuidar do blogue. Também não é hoje que me redimo da falta, estou sem disposição para bloguices e vou apenas deixar o post do texto desta semana do Região de Leiria.

sexta-feira, 16 de maio de 2008

O poder da escrita e a existência virtual

Há dois anos que deixei de escrever no RL, mas algumas pessoas tentam convencer-me do contrário. Quando me encontram disparam-me: “Há muito tempo que não o via, mas leio todas as semanas os seus artigos”.
Achei que não podia continuar a alimentar esta ficção e era aborrecido dizer às pessoas que estavam enganadas, para não dizer que eram mentirosas.
Solução, voltar aos textos, mas com uma condição auto imposta, coisa curta, de leitura simples e fácil digestão, como a dieta mediterrânica.
Telegrama. Voltei stop é um prazer regressar stop espero-te aqui todas as semanas stop
In Região de Leiria, 16-05-2008
Nota: Com este texto reinicio uma colaboração semanal no Região de Leiria, interrompida quando fui para a DREC e agora retomada depois de uma espécie de período de nojo. A rubrica que serve de enquadramento aos texto denomina-se Telegrama e insere-se na página 2 e na secção Praça Pública.
São textos muito curtos e procuram abordar questões de actualidade, muitas delas apenas compreensíveis para quem conhece o contexto local, de uma forma bem disposta, embora com seriedade e procurando apelar à reflexão.

quinta-feira, 15 de maio de 2008

A majoração da estupidez avaliativa

Segundo o Diário de Notícias e com a devida vénia...

Quotas de Excelente e Muito Bom irão variar entre estabelecimentos

O resultado da avaliação externa das escolas, que o Ministério da Educação está a conduzir, vai ter consequências na carreira dos professores que ali leccionam. Isto porque, segundo anunciou ontem o secretário de Estado adjunto da Educação, Jorge Pedreira, os estabelecimentos que registem melhores desempenhos serão discriminados positivamente na percentagem de classificações de "Excelente" e "Muito Bom" que poderão dar aos seus docentes, sendo que estas notas permitem progredir mais rapidamente na carreira.A revelação de Jorge Pedreira surgiu no final da primeira reunião da comissão paritária de acompanhamento do processo de avaliação, que inclui o Ministério e representantes de doze estruturas sindicais. O secretário de Estado explicou que as quotas para atribuição das melhores notas serão "muito aproximadas" das que se aplicam na generalidade da administração pública. Ou seja: os valores deverão situar-se nos 5% para as classificações máximas e 20% para as imediatamente inferiores. O governante admitiu, no entanto, que "haverá também, neste caso, majorações para as escolas que tenham melhor avaliação externa".

Um puxão de orelhas

Sou de uma geração habituada a conviver com símbolos muito especiais. Quando entrei na escola primária as referências que mais me marcaram foi o odor muito característico daquela sala, entre o cheiro a madeira encerada e a pés mal lavados, as fotografias do Marechal Carmona, Presidente da República, e do Prof. Oliveira Salazar, Presidente do Conselho, como então se dizia, um crucifixo entre as duas, a marcar o ponto central da simetria da parede fronteira, um quadro preto por baixo e abaixo deste o estrado onde se destacava em todo o seu esplendor a secretária do professor, por acaso uma professora, já com uma idade provecta e que se deixava dormir nas aulas, quando fazíamos as contas. Os símbolos dos símbolos eram um ponteiro de cana da Índia e uma régua de bom porte e de madeira rija.
A professora não fazia mal a uma mosca, mas não me lembro que a Sr.ª me tenha ensinado nada durante a 1.ª classe, sei que estou a ser injusto, mas sincero, mas como aprendi a ler, escrever e contar deve ter sido ela que me ensinou.
Tudo mudou na 2.ª classe quando o marido nos veio dar aulas. O ponteiro e a régua tornaram-se instrumentos de uma pedagogia cirúrgica que actuava onde doía mais, nas mãos, particularmente nos nós dos dedos, e nas orelhas. Era um vê se te avias de reguada e ponteirada e quando a coisa ficava feia eram bofetões, calduços (em alentejano da época cachações) e pontapés no traseiro quando a malta se punha a jeito.
Por incrivel que possa parecer adorávamos o professor e no meia daquela pancadaria toda, hoje inimaginável, ainda nos sobrava tempo para fazer as mais incríveis tropelias. Era seguramente uma versão do "quanto mais me bates, mais gosto de ti", hoje completamente fora de moda.
Agora um simples puxão de orelhas é quase crime e o professor que se atrever a isso ou num acto desesperado não se controlar conta, pela certa, com uma sanção disciplinar pesada. Este facto só reforça a necessidade de não se pereder de vista a responsabilidade do colectivo de cada escola na manutenção da disciplina necessária ao bom desenvolvimento das actividades de ensino e aprendizagem, não remetendo para cada professor, individualmente considerado, o ónus de sozinho resolver um problema que em muito o ultrapassa.
Os casos comportamentalmente mais graves que se registam nas escolas ocorrem naquelas onde não há uma estrutura sólida de resposta colectiva, onde os regulamentos são letra morta, onde não há trabalho preventivo com os alunos e as respectivas famílias e onde os professores são, literalmente, atirados para a fogueira.

quarta-feira, 14 de maio de 2008

Queres fazer amor comigo?

E se um aluno, assim sem mais, faz uma proposta destas a uma professora em plena aula? Como se pode reagir? E depois, que relacionamento se pode manter com o aluno se este continuar na turma?
Vá lá, não te acanhes, dá a tua opinião, ajuda a lidar com estes problemas. O melhor antídoto é uma estratégia preventiva. Será que não acreditas que estas coisas se aprendem? Para dar aulas não chega ter conhecimento científico ou dominar as metodologias de ensino, é preciso ser expert em relações humanas.

terça-feira, 13 de maio de 2008

Autonomia das escolas

O processo volta a mexer. Depois de meses de hibernação o ME acordou. Mais vale tarde do que nunca, mas esperemos que o processo não descarrile com a pressa que agora parece ter chegado às estruturas do Ministério.
O ambiente geral é de algum cepticismo acerca do processo. Eu quero ser optimista mas ou as escolas passam a falar mais grosso ou a autonomia será sempre uma miragem. Como todos sabem, a autonomia conquista-se, não se outorga.

segunda-feira, 12 de maio de 2008

Pais responsáveis

Ultimamente tenho encontrado muitos colegas que me falam constantemente da responsabilidade dos pais na educação escolar dos filhos. Estamos todos de acordo que as famílias têm uma enorme importância e que sem o seu concurso a escolarização das crianças e jovens, e tudo o que isso implica, fica muito muito mais difícil.
Mas quando os pais, pelas mais diversas razões, não podem ou não querem colaborar com a escola o que fazemos? Acusamo-los e condenamos os filhos ao fracasso ou temos de continuar a fazer o nosso serviço o melhor que sabemos e podemos e deixar-nos de lamentações que não resolvem problemas?
Pois é, de tanto se quererem responsabilizar os pais até parece que queremos ser nós a desresponsabilizar-nos.

domingo, 11 de maio de 2008

Liderança escolar na América Latina

A Rede de Liderança Escolar é uma das redes através das quais se dá continuidade ao Projeto Regional de Educação (PRELAC) no Escritório Regional de Educação da UNESCO para a América Latina e o Caribe (UNESCO/Santiago). A rede surge de diversas constatações, entre as quais se destacam:
.: Apesar de vultosos investimentos, a qualidade da educação nestes países mantém-se baixa.
.: O director e as equipes directoras desempenham um papel-chave na implementação eficaz das mudanças propostas pelas reformas educacionais.
.: As escolas de qualidade têm projetos institucionais próprios, assumidos e geridos coletivamente, com directores-líderes e intensa participação da comunidade.
Por isso, o objetivo primordial da RedLIDER está centrado no fortalecimento das capacidades de liderança técnico-institucional dos directores de centros escolares e suas equipes de direcção.
Dê uma vista olhos e constate que lá, como cá, a liderança escolar tem de estar na primeira linha. Sem liderança não há escola com qualidade.

quinta-feira, 8 de maio de 2008

Vocação ou expiação

Pois é, o colega que comentou o post anterior, a propósito da vocação, colocou o dedo na ferida, mas deixe-me dizer-lhe que o problema dos professores, nos tempos que vão correndo, não é apenas de vocação ou falta dela.
O cerne da desmotivação, que assume também o aspecto da aparente falta de vocação, é a consequência de uma política de desvalorização dos recursos humanos, da incapacidade para criar um laço afectivo com a classe por parte dos responsáveis do ME.
Fosse outra a política, outro o respeito pelos professores, outras as condições de trabalho, outra a perspectiva de carreira e iria ver como as vocações voltavam a florescer.
Eu sei que isto não lhe serve de consolo, mas ser professor ameaça deixar de ser uma vocação para se transformar numa autêntica expiação.

quarta-feira, 7 de maio de 2008

Formação ou deformação?

O ME, em colaboração com as Instituições de Ensino Superior tem vindo a desenvolver três programas de formação contínua em Português, Matemática e Ciências, destinados a docentes do 1.º ciclo do Ensino Básico.
Os professores têm acesso a formação de qualidade, que é completamente gratuita, aumentam o seu conhecimento científico e treinam novas competencias metodológicas e práticas.
Pergunta.
Porque é que tantos professores acham um frete esta formação, a encaram como um peso e passam a vida a protestar?
Hipóteses de resposta.
a) Acham que já sabem tudo e que não precisam de aprender nada.
b) Queriam ter de pagar a formação porque não gostam de borlas.
c) Preferiam ter formação ao fim-de-semana quando os alunos não estão nas escolas.
d) Nenhuma das anteriores.

Cartas na mesa

A Ministra da Educação teve ontem a sua melhor prestação televisiva. Descontraída, segura, até sorridente, respondeu sem dificuldades deixando uma excelente imagem da sua gestão. A entrevistadora, Constança Cunha e Sá, preparou mal a entrevista e sabe pouco de educação, o que contribuiu para o "brilho" da Ministra.
A pergunta que não foi feita era a mais importante - os critérios absurdos do concurso para titulares. Será que não se percebe que a contestação da avaliação radica (também) na total iniquidade dos critérios que presidiram àquele concurso e que inquinaram em definitivo tudo o que veio, e venha, a seguir em matéria de carreira e avaliação?
O manto de silêncio que existe à volta deste assunto é um dos insondáveis mistérios da galáxia educativa.
Na prova da entrevista, ponderados todos os critérios, dou medíocre (assim mesmo, à antiga) à entrevistadora e excelente à Ministra.

terça-feira, 6 de maio de 2008

Avaliação paritária

Na comunidade científica a avaliação de professores é, sobretudo, uma questão técnica, mas para o ME, depois de toda a balbúrdia que ele mesmo criou, a avaliação de professores passou a ser uma questão, sobretudo, laboral.
A Comissão Paritária (13 representantes sindicais e 13 representantes da Administração Educativa) vai "preparar a negociação de eventuais alterações".
Os especialistas da educação não são para aqui chamados, de um lado está o Governo e quem o representa, do outro os representantes dos professores sindicalizados. Os professores que não se revêem no Governo nem nos sindicatos ficam sem representantes.
É tudo uma questão de representatividade. Quanto à avaliação, é como a arbitragem, somos todos especialistas. Como diz a canção "Cá vamos, cantando e rindo...".

domingo, 4 de maio de 2008

SIDA

A beleza dos corpos e o erotismo ao serviço da vida. As imagens podem ser provocantes, mas as consequências da SIDA são bem mais chocantes.
http://www.lepoison.com/sidaction/

sábado, 3 de maio de 2008

O lince da Malcata, o Algarve e o défice

Desculpem-me mas hoje não vou falar de educação, não é que não me apeteça, simplesmente há coisas mais importantes para comentar como, por exemplo, um ecologíssimo programa de reintrodução do Lince da Malcata no Algarve.
Sou um fã do Lince da Malcata há muitos anos e acho que o bicho simboliza muito do "ser português". Primeiro é um animal bisonho, desde 2001 que ninguém sabe nada dele e mesmo nesse ano só foi possível encontrar excrementos. Segundo, como se supõe que o facto de não se deixar ver é um protesto contra as condições de interioridade da serra da Malcata, o Governo, sempre lesto a apoiar os mais desfavorecidos e os descontentes, vai criar instalações no Algarve para o acolher e, mais do que isso, para que as amenas temperaturas da região lhe aqueçam o sangue e o bicho se reproduza para que a espécie não desapareça.
A causa é nobre, evidentemente, e aplaudo o esforço do Governo ao financiar tão arrojado plano com 4 a 5 milhões de euros, leu bem - milhões, ouvi eu dizer na televisão ao Secretário de Estado do Ambiente Humberto Rosa, pessoa por quem tenho a maior consideração e apreço e que também pertence ao clube de fãs do lince.
Mas não consigo deixar de pensar que, e citando o insuspeito jornal Expresso de hoje, p. 11, 18% da população portuguesa tem um rendimento abaixo do limiar da pobreza, ou seja temos 1,8 milhões de pobres em Portugal, embora não haja confirmação científica de que este tipo de portugueses estejam à beira da extinção.
Assim sendo, justifica-se apoiar o lince com políticas públicas activas visando a reabilitação de habitats capazes não só de assegurar a sua subsistência mas, sobretudo, de constituirem um suporte adequado para uma política de fomento à natalidade do bicho, agora comprometida com os frios da Malcata e o stress provocado pela diminuição do desejo das fêmeas, em grande parte resultante da possibilidade de as SCUT passarem a ser portajadas e Lisboa ficar ainda mais longe. O Algarve trará longa e regalada vida ao lince, às linças e aos respectivos lincinhos.
Quanto aos portugueses pobres, que meditem no bom exemplo do lince. Quando deles só restarem excrementos poderão ter a certeza de que o seu fadário estará a terminar. Então abrir-se-ão as portas do Allgarve para que a espécie se não perca e se possa reproduzir nas melhores condições.
Nota de rodapé: O primeiro Ministro foi ao Algarve apresentar o novo hospital. Parece que a cerimónia custou uns troquitos, coisa pouca, 50 mil euros. Não seja mal intencionado, julga que não concordo que o Estado delapide assim os dinheiros públicos? Pelo contrário, acho muito bem, acho mal é haver funcionários públicos a mais e ainda por cima muito bem pagos, por isso é que o défice custa a ir ao lugar.

sexta-feira, 2 de maio de 2008

Escolas eficazes

Em conversa com uma colega que integra as equipas de avaliação de escolas, confessou-me ela que os inspectores que as integram têm uma preocupação especial com os resultados alcançados pelos alunos. É uma perspectiva, tem as suas limitações, já que a aprendizagem é muito mais do que apenas os resultados, mas estes têm de ser encarados com a relevância que lhes é própria.
Por absurdo será possível pensar numa escola óptima, onde os alunos são péssimos? Ou numa péssima, onde os alunos são óptimos? Claro que não, a qualidade das escolas mede-se por um conjunto diversificado de indicadores, mas os resultados vêm à cabeça.
É certo que os resultados dos alunos não dependem apenas de factores escolares, mas não deixa de ser verdade que o peso da escola nos resultados é enorme. Para além dos factores individuais, contam a competência dos professores, o funcionamento da turma, a organização da escola e a interacção com o contexto. A estruturação do ensino e a gestão da turma são elementos decisivos para bons resultados de aprendizagem, como também o são a liderança da escola, a disciplina e a existência de um quadro sólido de valores, bem como uma boa relação com os pais e com a própria comunidade.
As escolas não são todas iguais e os resultados dos alunos estão relacionados com a maior ou menor qualidade que elas evidenciam. É bom que todos tenhamos consciência disso, não para confirmar o facto, mas para agir em prol da melhoria das aprendizagens e da eficácia das escolas.