terça-feira, 29 de janeiro de 2008

Ainda os famigerados telemóveis

"Para: Prof.ª de História
Venho por este meio informar a professora de que quando o Telemóvel da aluna [minha filha] tornar a tocar na aula que nunca mais voltes a dizer á aluna que fica sem o Telemóvel quando tocar é o pai ou a mãe, portanto que seja a última vez que falas assim com a aluna se quiseres Tirar-lhe o Telemóvel Tíras á minha frente.
O Pai"

A prosa pode não ser a melhor, a sintaxe e a ortografia o que se vê, mas a mensagem é muito clara.
O problema é que os professores recebem estas pérolas, ficam indignados e nada mais se passa. Num caso destes o mínimo que deveria acontecer era o Conselho Executivo chamar , de imediato, este encarregado de educação e explicar-lhe as regras da escola (supondo que existem e são do conhecimento geral) e, como se diz em Português escorreito, metê-lo na ordem.

Uma das causas da proliferação do que se está a passar nas escolas com episódios deste tipo e quejandos é tratarem-se estes assuntos como casos da responsabilidade indivual dos professores e não como assuntos da competência das direcções das escolas.

O orgulho de ser português

Eu conheço um país...
que tem uma das mais baixas taxas de mortalidade mundial de recém-nascidos, melhor que a média da UE.
Eu conheço um país onde tem sede uma empresa que é líder mundial de tecnologia detransformadores.
Eu conheço um país que é líder mundial na produção de feltros para chapéus.
Eu conheço um país que tem uma empresa que inventa jogos para telemóveis e os vende no exterior para dezenas de mercados.
Eu conheço um país que tem uma empresa que concebeu um sistema pelo qual você pode escolher, no seu telemóvel, a sala de cinema onde quer ir, o filme que quer ver e a cadeiraonde se quer sentar.
Eu conheço um país que tem uma empresa que inventou um sistema biométrico depagamento nas bombas de gasolina.
Eu conheço um país que tem uma empresa que inventou uma bilha de gás muito leve que já ganhou prémios internacionais.
Eu conheço um país que tem um dos melhores sistemas de Multibanco a nível mundial, permitindo operações inexistentes na Alemanha, Inglaterra ou Estados Unidos.
Eu conheço um país que revolucionou o sistema financeiro e tem três Bancos nos cinco primeiros da Europa.
Eu conheço um país que está muito avançado na investigação e produção de energia através das ondas do mar e do vento.
Eu conheço um país que tem uma empresa que analisa o ADN de plantas e animais e envia os resultados para toda a EU.
Eu conheço um país que desenvolveu sistemas de gestão inovadores de clientes e de stocks, dirigidos às PMES.Eu conheço um país que tem diversas empresas a trabalhar para a NASA e a Agência Espacial Europeia.
Eu conheço um país que desenvolveu um sistema muito cómodo de passar nas portagens das auto-estradas.Eu conheço um país que inventou e produz um medicamento anti-epiléptico para o mercado mundial.
Eu conheço um país que é líder mundial na produção de rolhas de cortiça.
Eu conheço um país que produz um vinho que em duas provas ibéricas superou vários dos melhores vinhos espanhóis.
Eu conheço um país que inventou e desenvolveu o melhor sistema mundial de pagamento de pré-pagos para telemóveis.
Eu conheço um país que construiu um conjunto de projectos hoteleiros de excelente qualidade pelo Mundo.
O leitor, possivelmente, não reconheceu neste país aquele emque vive... PORTUGAL. Mas é verdade.Tudo o que leram acima foi feito por empresas fundadas por portugueses,desenvolvidas por portugueses, dirigidas por portugueses, com sede em Portugal,que funcionam com técnicos e trabalhadores portugueses.
Chamam -se, por ordem, Efacec, Fepsa, Ydreams, Mobycomp, GALP, SIBS, BPI, BCP, Totta, BES, CGD, StabVida, Altitude Software, Out Systems, WeDo, Quinta do Monte d'Oiro, Brisa SpaceServices, Bial, Activespace Technologies, Deimos Engenharia, Lusospace, Skysoft, Portugal Telecom Inovação, Grupos Vila Galé, Amorim, Pestana, Porto Bay e BES Turismo.

Este texto circula por aí, mas vale a pena partilhá-lo. Afinal não temos só coisas más. Também podemos ter orgulho de sermos portugueses.

segunda-feira, 28 de janeiro de 2008

É preciso ir à luta contra a avaliação sem condições

Aqui está uma posição que devia ser adoptada por todas as escolas e que transcrevo com a devida vénia.
Passem palavra, não deixem que o ME brinque com as escolas e com os professores. Se alguém naquele Ministério (MInistra e Secretários de Estado) não tiver perdido completamente o sentido do real, terão de ser sensíveis a esta questão. A posição do Conselho das Escolas devia ser secundada pela de todas as escolas e agrupamentos do país como acontece com esta escola, cuja coragem deve ser salientada. Que ninguém se cale. Não há razões para ter medo de denunciar os abusos. A liberdade conquista-se, não se outorga.

AGRUPAMENTO VERTICAL DE ESCOLAS DE GUEIFÃES
ESCOLA BÁSICA DOS 2º e 3º CICLOS DE GUEIFÃES
GUEIFÃES – MAIA ( código152020)

Exma. Senhora Ministra da Educação

A Comissão Provisória e o Conselho Pedagógico deste Agrupamento de
Escolas entendem manifestar a V. Ex.ª a sua apreensão pelo facto de ser evidente a impossibilidade de dar cumprimento aos procedimentos estabelecidos no Decreto Regulamentar nº 2/2008 de 10 de Janeiro, nos termos e nos prazos nele estabelecidos.
De facto, nos termos do artº 34º do referido diploma, nos primeiros 20 dias úteis após a sua entrada em vigor, deverão ser elaborados e aprovados os instrumentos de registo e os indicadores de medida a que se referem os artigos 6º e 8º do mesmo diploma.
Ora é impossível dar cumprimento a este prazo que, sendo por si demasiado curto, está desde já diminuído porque, no Agrupamento, não se poderá desenvolver qualquer trabalho sustentado sem as orientações e sem a publicação de diplomas preconizados no próprio Decreto Regulamentar nº2/2008.
A título de exemplo, refira-se que para a elaboração dos instrumentos de
registo necessários à avaliação de desempenho devem ser consideradas as recomendações que forem formuladas pelo Conselho Científico para a Avaliação de Professores. Contudo, até à data, estas recomendações determinadas no nº 2 do artigo 6º ainda não foram divulgadas.
Por outro lado, as fichas de avaliação previstas no artigo 20º, que formalizarão a avaliação quantitativa dos diversos parâmetros classificativos, têm de ser objecto de despacho ministerial que ainda não foi divulgado.
Também, sem a publicação do Despacho previsto no ponto 2 do artº 12º, que permita a delegação de competências de observação de aulas noutros professores titulares, é impossível à Comissão Provisória calendarizar a observação, pelos avaliadores, de, pelo menos, duas aulas leccionadas pelo docente conforme determina o ponto 1 do artigo 33º. Estão o Conselho Pedagógico e a Comissão Provisória convictos que a observação de aulas, nos termos estabelecidos no artº 33, é manifestamente impossível de concretizar em departamentos curriculares com elevado número de professores e também no 1º ciclo, mesmo que, neste último caso, possam ser dispensados da observação os docentes que não necessitem da avaliação para efeitos de progressão na carreira.
Para além de todas as dificuldades na implementação do Decreto
Regulamentar nº 2/2008 de 10 de Janeiro, acresce ainda o facto de este Agrupamento ter os departamentos organizados de forma distinta da estabelecida no Decreto-Lei n.º 200/2007, de 22 de Maio. É que, em 15 de Janeiro, na página da DGRHE surge a informação que, para efeitos de avaliação, os departamentos curriculares deverão estar organizados de acordo com o Decreto-Lei n.º 200/2007, de 22 de Maio. Ora, na data da divulgação do Decreto-Lei n.º 200/2007 de 22 de Maio, foi entendido que a organização departamental neste preconizada apenas visava o concurso para professores titulares. A informação agora divulgada coloca em causa toda a lógica que preside ao funcionamento dos departamentos, e que está na base da sua organização, e cria também a confusão entre os actuais coordenadores no que diz respeito às competências de cada um. Para além disto, se se tiver que alterar, neste
momento, a organização do Agrupamento, formar-se-ão departamentos ainda mais gigantescos e mais obstáculos se colocarão aos coordenadores no desempenho das suas funções.
Por último, e porque consideram muito importante, não podem os órgãos
signatários deixar de referir que a enorme quantidade de legislação recentemente publicada e as inúmeras solicitações dos Organismos de Administração Central, a que o Agrupamento tem que dar resposta num curto espaço de tempo, estão já a colidir não só com a capacidade de reflexão necessárias à concepção de respostas adequadas como também com o tempo necessário à preparação eficiente das aulas e do trabalho delas decorrente.
Tomada de posição da Comissão Provisória e do Conselho Pedagógico, aprovada por unanimidade, em reunião do Conselho Pedagógico realizada em dezasseis de Janeiro de dois mil e oito.
A Presidente da Comissão Provisória
(Maria de Lurdes Machado)
A Presidente do Conselho Pedagógico.
(Maria da Graça Zenhas)

A insustentável leveza da avaliação

O ME ensandeceu de vez com a avaliação que quer fazer a martelo. O Conselho da Escolas, órgão de aconselhamento daquele já veio tomar posição pública sobre o assunto, rejeitando completamente o processo e aconselhando a sua suspensão. Aguardam-se os próximos capítulos. Quanto mais o ME fala em autonomia das escolas mais as vê como caixas de ressonância do seu autismo. Na verdade, perdeu-se o decoro e a vergonha. As escolas são tratadas como filiais a quem se estabelecem objectivos impossíveis de cumprir. E assim se vai brincando com a vida de milhares de professores sem que estes façam ouvir a sua voz.
Os sindicatos, esses continuam a clamar contra o Estatuto, como se o mundo pudesse andar para trás. É por estas e por outras que a Lurdinhas lhes partiu a espinha e os professores se sentem órfãos e abandonados.
Dada a extensão do documento, deixo aqui apenas as recomendações. Se alguém quiser o texto integral é só pedir: jmsilva@esel.ipleiria.pt

RECOMENDAÇÕES
i. O Ministério da Educação deve diferir o processo de avaliação de desempenho do pessoal
docente, entretanto iniciado, para momento posterior ao da publicação de todos os
documentos, regras e normas legais previstos no Decreto-Regulamentar 2/2008 de 10 de
Janeiro.
ii. Cumprida que esteja a publicação das normas referidas no ponto anterior, deve o
Ministério da Educação conceder às escolas um período de tempo mínimo e necessário à
adequação e actualização dos seus instrumentos de regulação internos, designadamente
o Projecto Educativo, o Regulamento Interno e o Plano Anual de Actividades.
iii. O Ministério da Educação deve suspender, até que sejam corrigidas, as informações que
estão a ser veiculadas no fórum criado pela DGRHE sobre esta matéria e que se reputam
de erróneas.
iv. Mais uma vez, este Conselho reitera junto do Ministério da Educação, o entendimento de
que é manifestamente inexequível a aplicação do novo modelo de avaliação do pessoal
docente, nos termos, prazos e procedimentos com que está actualmente a ser aplicado.

sábado, 26 de janeiro de 2008

Haja Deus! Os professores estão no top

Mário Soares é um dos políticos portugueses que sempre diz que o povo quando vota é sábio. Talvez seja... O facto é que numa sondagem da Gallup os professores ficaram no primeiro lugar, entre muitos profissionais, em termos da confiança que merecem à população.
Nâo é para estranhar; então não é aos professores que as famílias todos os dias entregam os seus filhotes para que aqueles cuidem deles, os aturem, os eduquem, lhes ensinem qualquer coisa e, se possível, os devolvam melhores do que os receberam?
Só quem ainda não percebeu isso são os responsáveis do Ministério da Educação, para quem os professores são gente mal afamada que é preciso meter na ordem.
A vingança serve-se fria. Para já, a avaliação feita pelos pais dos alunos aos responsáveis pela tentativa de descrédito dos professores é altamente penalizadora.
Podem estar , pois, descansados os professores. Quando for a sua vez de serem avaliados pelos pais podem contar, a acreditar nos resultados desta sondagem, com uma excelente classificação.
Não corram é a tentação de se meter na política que essa gente, sim, é muito mal vista, ficaram no último lugar do ranking. Bem feito!!!

quarta-feira, 23 de janeiro de 2008

A posição do Conselho das Escolas

Segundo o Jornal de Notícias o Conselho das Escolas concorda genericamente com o texto da proposta de novo modelo de gestão escolar, mas tem discordâncias que, nalguns casos, atingem os próprios fundamentos do diploma. Eis as principais.

Presidente do CG
Possibilidade de o presidente do Conselho Geral (CG) ser eleito entre todos os seus membros.
Mandato do CG.
Deve ter a duração de quatro anos, em consonância com a duração do mandato do director
Mandato do director.
Deve terminar ao fim do terceiro mandato, procedendo-se a nova eleição para o quadriénio seguinte.
Adjuntos do director
Possibilidade de serem escolhidos pelo director em qualquer escola pública.
Professores no CG
Não obrigatoriedade de serem titulares.
Candidato a director
Vedar a possibilidade a professores do ensino particular.
Entrevista aos candidatos
Deverá ser realizada perante o CG.
Pais no "Pedagógico"
Tal como os alunos, não devem ter assento naquele órgão.
Departamentos
Cada escola deve poder definir e desenhar os seus departamentos curriculares.

Sinalizo apenas duas questões que me parecem mais relevantes na posição do CE.

O facto de qualquer membro do Conselho Geral poder presidir
Parece lógico, mas a solução do ME é a verdadeira marca de inovação desta proposta, ao acentuar a afirmação de poder da Comunidade face èscola. O carácter corporativo do actual modelo de gestão só poderá ser alterado por uma deslocalização do poder dos professores para a Comunidade, o que inevitavelmente se deverá plasmar ao nível da presidência do órgão representativo do todo da organização escolar.

A não participação de pais e alunos no Conselho Pedagógico
É tempo de se afirmar o primado técnico do CP, que jamais foi nem poderá ser um órgão de representação. Não faz sentido que pais e alunos participem nesse órgão, o que não quer dizer que não sejam por ele auscultados sob formas a definir quando estiverem em causa matérias que o justifiquem.

A proposta do ME é uma tentativa para acabar com o poder absoluto dos professores dentro das escolas, ou diminui-lo significativamente, em prol de um modelo mais aberto ao exterior e onde os actores da comunidade, particularmente os pais e os responsáveis autárquicos passem a ter poderes mais efectivos e não quase decorativos, como agora acontece. É a partir deste princípio que o documento deve ser analisado. É este o fundamento da mudança proposta. Tudo o resto é acesssório.

terça-feira, 22 de janeiro de 2008

Portugal no seu melhor

Para além do Sol, Portugal tem outra enorme mais-valia, os Portugueses. Pode parecer um lugar comum, mas é mesmo assim. A prova de que somos um povo bacano está à vista. Divirta-se, que rir de nós próprios só significa que temos sentido crítico. Tem por onde escolher, mas não deixe de ver o primeiro.

segunda-feira, 21 de janeiro de 2008

Telemóveis na sala de aula

Num post anterior falou-se sobre a utilização pedagógica dos telemóveis. Hoje temos um exemplo de como eles podem ser muito úteis...para se perceber até que ponto o ambiente nas salas de aula se degradou.
O video chama-se "A aula de Português"

Debate sobre a proposta de nova gestão

Debate sobre a Proposta do Regime Jurídico de Autonomia, Administração e Gestão
DATA: 30 de Janeiro de 2008 das 16:30 às 19:30
LOCAL: Anfiteatro da Faculdade de Psicologia e de Educação da Universidade de Lisboa

Entrada Livre

Ana Maria SimõesPresidente do Conselho Executivo da Escola Secundária Gago Coutinho
António Seixas Presidente do Conselho Executivo do Agrupamento de Escolas Carnaxide-Valejas
João BarrosoProfessor Catedrático da Universidade de LisboaPresidente do Conselho Directivo da Faculdade de Psicologia e de Ciências da Educação
Natércio AfonsoProfessor da Universidade de Lisboa Vice-Presidente do Conselho Directivo da Faculdade de Psicologia e de Ciências da Educação
e moderação de
Beatriz Bettencourt Presidente do Fórum Português de Administração Educacional

Mais pormenores em:

http://www.fpce.ul.pt/org/fpae/

Exame para a docência

Os candidatos interessados em ingressar na carreira docente, despois de possuidores de uma habilitação profissional adequada, passam a estar obrigados a fazer uma prova de acesso agora regulamentada pelo Decreto Regulamentar n.º 3/2008, de 21 de Janeiro.
Boa sorte e boa carreira.

Ver em: http://www.dre.pt/pdf1sdip/2008/01/01400/0061900622.PDF

Já agora, antes do exame, vejam o vídeo e o texto nos posts anteriores. Depois não digam que não sabiam...

Ser professor

Aqui fica mais um contributo que me fizeram chegar e cuja actualidade é indiscutível.

Um texto de Alice Vieira

Mão amiga fez-me chegar este texto de Alice Vieira, publicado no Jornal de Notícias, e que aqui reproduzo, com a devida vénia.

Por Alice Vieira
LI NUM JORNAL que a senhora Ministra da Educação está contente. E, quando os nossos governantes estão contentes, é como se um sol raiasse nas nossas vidas.
E está contente porque, segundo afirmou, a violência nas escolas portuguesas afinal não existe.
Ao que parece andamos todos numa de paz e amor, lá fora é que as coisas tomam proporções assustadoras, os nossos brandos costumes continuam a vingar nos corredores de todas as E B, 2/3, ou como é que as escolas se chamam agora.
Tenho muita pena que os nossos governantes só entrem nas escolas quando previamente se fazem anunciar, com todas as televisões atrás, para que o momento fique na História. É claro que assim, obrigada, também eu, anda ali tudo alinhado que dá gosto ver, porque o respeitinho pelo Poder é coisa que cai sempre bem no coração de quem nos governa, e que as pessoas gostam de ver em qualquer telejornal.
Mas bastaria a senhora Ministra entrar incógnita em qualquer escola deste país para ver como a realidade é bem diferente daquela que lhe pintaram ou que os estudos (adorava saber como se fazem alguns dos estudos com que diariamente se enchem as páginas dos jornais) proclamam.
É claro que não falo daquela violência bruta e directa, estilo filme americano, com tiros, naifadas e o mais que houver.
Falo de uma violência muito mais perigosa porque mais subtil, mais pela calada, mais insidiosa.Uma violência mais ”normal”.
E não há nada pior do que a normalização, do que a banalização da violência.
Violência é não saberem viver em comunidade, é o safanão, o pontapé e a bofetada como resposta habitual, o palavrão (dos pesados…) como linguagem única, a ameaça constante, o nenhum interesse pelo que se passa dentro da sala, a provocação gratuita (“bata-me, vá lá, não me diga que não é capaz de me bater? Ai que medinho que eu tenho de si…”, isto ouvi eu de um aluno quando a pobre da professora apenas lhe perguntou por que tinha chegado tarde…).
Violência é a demissão dos pais do seu papel de educadores - e depois queixam-se nas reuniões de que “os professores não ensinam nada”.
Porque, evidentemente, a culpa de tudo é sempre dos professores - que não ensinam, que não trabalham, que não sabem nada, que fazem greves, qualquer dia - querem lá ver? - até fumam…
Os seus filhos são todos uns anjos de asas brancas e uns génios incompreendidos.
Cada vez os pais têm menos tempo para os filhos e, por isso, cada vez mais os filhos são educados pelos colegas e pela televisão (pelos jogos, pelos filmes, etc. ). Não têm regras, não conhecem limites, simples palavras como “obrigada”, “desculpe”, “se faz favor” são-lhes mais estranhas que um discurso em chinês - e há quem chame a isto liberdade.
Mas a isto chama-se violência. Aquela que não conta para os estudos “científicos”, mas aquela de que um dia, de repente, rompe a violência a sério.
E então em estilo filme americano.
Com tiros, naifadas e o mais que houver.
«JN» de 9 de Dezembro de 2007

sábado, 19 de janeiro de 2008

Avaliação a quanto obrigas

Veja como um grupo de professores já iniciou a preparação intensiva para a avaliação:

http://www.youtube.com/watch?v=s_ABekiBooo

O menino, o lobo mau e a gestão das escolas

Conhecem a história do menino e do lobo. Tanto o rapaz gritava que vinha o lobo que quando este verdadeiramente apareceu ninguém ligou e o menino foi comido. Isto era no tempo em que os lobos comiam meninos. Hoje são os meninos que comem os lobos e é por isso que estes têm de ser protegidos. Adiante.
Manuela Teixeira (FNE) fez um estudo sobre a proposta do novo decreto da gestão e conclui que as escolas vão cair nas mãos das autarquias e dos partidos políticos se a nova regulamentação for avante. Quando se quer meter medo aos professores nada melhor do que insinuar que podem vir a ficar nas mãos das autarquias. As autarquias são o lobo mau de Manuela ou de quem lhe respondeu ao questionário. Só que nesta história não há meninos, há gente crescida que deve pensar pela sua cabeça e não embarcar em preconceitos.
A proposta do Governo não presta, não por poder vir a colocar as escolas nas mãos das autarquias ou dos partidos políticos, mas pelo simples facto de ser conceptualmente errada e estrategicamente incoerente.
O que falta a muitas escolas é liderança. O que o modelo em vigor, que no essencial tem 30 anos e é um casamento de conveniência entre professores e ME, nunca conseguiu foi gerar lideranças fortes como regra. O que se necessita é de um novo paradigma de gestão que aposte na autonomia das escolas, no fim da ditadura do ME sobre estas, e em lideranças fortes capazes de mobilizarem as organizações escolares com projectos de futuro.
Ora as autarquias têm sempre de desempenhar um papel importante neste processo. Tomá-las como parte do problema e não como parte da solução é, faça-se o que se fizer, manter tudo como está.
Por favor, deixem os lobos em paz e lembrem-se daquela canção do Paco Ibañez do "Lobito bueno y corderito malo".

sexta-feira, 18 de janeiro de 2008

Andar em contramão

Conhecem a história do sujeito que circula na estrada em contramão e ouve na rádio que vai um tipo em sentido contrário. Vendo que todos os outros circulavam no sentido oposto ao seu exclama: "Não vai um, vão todos!"
É o que acontece com a nova proposta de gestão escolar, está em contramão com tudo o que se sabe e se admite como inevitável em matéria de gestão das escolas. As escolas são organizações e de acordo com quem tem estudado aprofundadamente o tema, veja-se o caso de Mintzberg, são o que este chama burocracias profissionais.
Estas organizações não podem ser dirigidas com esquemas típicos das organizações verticais e completamente hierarquizadas de tipo maquinário, onde o poder se exerce do topo à base, e o cumprimento das orientações superiores e o controlo são eficazes.
Nas burocracias profissionais o poder está repartido e o controlo é muito menos eficaz, veja-se o caso dos médicos, dos professores e de todos os outros profissionais que dispõem de condições especiais para o exercício das suas funções. Por mais controlos que se inventem, quem e como se controla o que o professor faz na sala de aula ou o médico com o seu doente?
Assim não pensa o ME que quer governar as escolas como se fossem fábricas do século XIX. O filme já é velho e o remake está condenado ao fracasso. Entretanto vai-se juntando mais lenha para manter o sistema a arder em lume brando.

Se quiserem aprofundar o tema...

Mintzberg, H. (1979). The structuring of organizations. Englewood Cliffs, N.J.: Prentice Hall.
Mintzberg, H. (1990). Le management. Voyage au centre des organisations. Paris : Les Éditions D’Organisation.
Mintzberg, H. (1995). Estrutura e dinâmica das organizações. Lisboa: Publicações D. Quixote.
Mintzberg, H. (1999). Profession: manager. Mythes et réalités. Harvard Business Revue- Le leadership. Paris: Éditions d’ Organisation.

quinta-feira, 17 de janeiro de 2008

Abrir a escola à comunidade

Quando, há mais de três décadas, me iniciei na profissão docente não se falava em Comunidade, era o Meio, a ligação Escola-Meio que estava em voga. O vocábulo mudou, mas as preocupações mantém-se. Fez-se caminho ao longo deste tempo, mas não se andou tanto como seria necessário.
Para um país com a tradição estatizante e centralista da escola portuguesa, qualquer abertura ao exterior é uma grande vitória, mas continuam a ser débeis as forma de representação e, sobretudo, de participação dos actores da Comunidade nas escolas.
A proposta legislativa do novo figurino da gestão escolar aponta nesse sentido e rompe com a tradição histórica de dominio maioritário dos professores em todos os órgãos de gestão das escolas.
Sem discutir se a fórmula é aceitável ou desejável, importa sinalizar que existem fundadas dúvidas sobre a capacidade dos actores locais para assumirem de pleno direito as responsabilidades que lhes querem imputar. A experiência diz que já no modelo actual é difícil, quanto mais passando-se a exigir muito mais disponibilidade e conhecimento técnico das questões.
Como se sabe, as sociedades não mudam porque alguém quer que mudem, mas quando as condições objectivas para que mudem estão criadas . Será o caso?

quarta-feira, 16 de janeiro de 2008

Novas da nova gestão

Se quiserem consultar um parecer de João Barroso sobre a matéria vejam este endereço
http://jn.sapo.pt/2008/01/13/dossier/JBarros.pdf

Telemóveis e iPodes na sala de aula

Um Anónimo deixou um endereço no post anterior que me conduziu a uma notícia sobre a utilização pedagógica de telemóveis e iPodes na sala de aula por parte de uma professora que está a fazer uma tese de doutoramento.
A matéria não é nova e tive ocasião de assistir em Berlim, muito recentemente, no âmbito da Educa Berlin 2007, à apresentação de uma comunicação bem interessante que versava exactamente sobre este tema.
Nada tenho a opôr à utilização pedagógica de telemóveis, iPodes, internet e o mais que se quiser, nas aulas e fora delas, mas isto não se pode confundir com o seu uso abusivo para finalidades que nada têm de educativas, como seja mandar mensagens enquanto se ignora o trabalho dos professores ou para filmar e gravar o que estes dizem, utilizando esse material para os gozarem truncando frases e montando imagens, para já não falar do incómodo que constitui a sinfonia de toques que às vezes soa a despropósito.
Entendamo-nos. Em cada escola tem de haver uma orientação clara, que compete à direcção definir, sobre o uso dos telemóveis nas salas de aula. Na generalidade, o que se conhece, aqui e no resto do mundo, é a interdição do seu uso, como aliás em todos os ambientes onde a sua utilização se torna prejudicial para o bom ambiente de trabalho.
Quem prevarica tem de ser sancionado, e as sanções aplicáveis devem ser do conhecimento geral. Claro que se exclui deste princípio a sua utilização pedagógica, mas isso cai no domínio da livre escolha de cada professor.
Daí a aceitar que um aluno chame ladra a uma professora que lhe retira temporariamento o telemóvel vai um abismo.

segunda-feira, 14 de janeiro de 2008

Má-criação e laxismo

Hoje encontrei uma colega que já trabalhou comigo em várias escolas. Depois de anos no superior, regressou ao secundário. Está desmotivada e indignada. Desmotivada com a falta de interesse e o mau comportamento de um número significativo de alunos. Indignada com o laxismo de muitos colegas que, abdicando da sua dignidade e para não terem outros incómodos, fingem que não vêem a indisciplina, a má-criação e a insolência reinantes.
Contou-me que outro dia tirou um telemóvel a um aluno que estava a usá-lo indevidamente numa aula. Comentário deste: "Se me tira o telemóvel é ladra!".
Feita a participação e reunido o Conselho Disciplinar, foi-lhe aplicado um dia de férias, digo, de suspensão. A colega ainda argumentou que era curta a pena para tamanha afronta. Nem uma voz se ouviu em seu apoio.
Mas que escola é esta? Que professores são estes? Que gestão é esta? É assim que se educam os alunos? Tantos protestos e tão poucas acções naquilo que depende directamente dos professores e da gestão da escola.

domingo, 13 de janeiro de 2008

In memorian Luiz Pacheco

Morreu o libertino mais autêntico que conheci. Cruzei-me com ele em 1972, através de um amigo comum. Fomos visitá-lo a um andar em Massamá onde vivia caoticamente, como sempre fazia. Estava deitado, meio andrajoso, a corrigir gralhas de um seu livro recentemente publicado - Literatura Comestível - de que me ofereceu um exemplar com uma dedicatória surpreendentemente bem comportada. Ao José Manuel Silva - homenagem do autor. Luíz Pacheco 23/XII/72
Luíz Pacheco era uma personalidade singular, um amoral, um anarquista, um marginal, o que quiserem, mas sobretudo um libertino que não gostava de coleira e preferia mendigar em liberdade do que vegetar num "empregozito", como diria O' Niell.
Viveu quase sempre na miséria ou muito próximo e, ironia das ironias, foi uma "reformazita" atribuída por Alçada Batista no governo de Balsemão, depois acrescentada por Santana Lopes que lhe permitiu esperar pela sua hora com algum conforto num lar de idosos. Ainda assim, tenho a certeza que teria preferido morrer no Bolero, a discoteca mais xunga da Lisboa dos sessenta/setenta, rodeado de putas e encharcado em álcool.
Na última entrevista, publicada na revista Tabu do semanário SOL, está lá todo, desbocado como sempre, iconoclasta, com todo o seu desvario e, surpreendentemente, cativante. Com a devida vénia, transcrevo a sua expressão de satisfação quando decidiu despedir-se do Público onde escrevia "umas coisas":"...o gozo que dá um gajo abandonar o emprego...". Eis o Pacheco no seu melhor, mesmo à beira do fim.

sexta-feira, 11 de janeiro de 2008

Revolução na Educaçâo Especial

Seja-se a favor ou contra, é preciso reconhecer que com a publicação do DL 3/2008 se consuma uma verdadeira revolução na área da Educação Especial, que já se vinha anunciando há cerca de dois anos.
Para além de aspectos mais técnicos importa salientar que se acaba com a confusão entre alunos com necessidade de apoio pedagógico acrescido, de carácter temporário, e alunos que necessitam de Educação Especial, em função de especificidades de carácter permanente.
A sinalização dos alunos passa a ter como referência a Classificação Internacional de Funcionalidade.
Finalmente, a criação de escolas de referência permite criar massa crítica indispensável a um apoio técnico e pedagógico qualificado.
Pode não se estar de acordo, mas que se está á fazer o que há muito era necessário, é uma evidência.

quinta-feira, 10 de janeiro de 2008

Finalmente aeroporto+ponte

Não é a Portela mais um, mas aeroporto+ponte. Com o dinheiro que se poupa no aeroporto dá-se uma entrada para a ponte. Lixados mesmo devem estar aqueles otários que andaram a comprar tudo que era terreno na zona da Ota para ganharem mais valias chorudas. Mas desses não reza a estória.
O ministro Lino é um homem de convicções. Ontem era a Ota, hoje Alcochete. O entusiasmo não mudou. Ontem o deserto, hoje o oásis. Gosto de pessoas de convicções e Mário Lino é um exemplo.
Qual demissão, este ministro merece uma promoção porque, como diria Churchill, "só não muda de ideias, quem não tem ideias para mudar".
Ora Lino não só tem ideias, como as defende com vigor, e o facto de serem contraditórias é um pormenor sem qualquer importância, já que o esencial está lá. Grave seria o Mário defender ontem um aeroporto e hoje uma ponte, mas como toda a gente viu ele não só continua fiel ao aeroporto como ainda nos dá uma ponte, quase de borla...
Lino é um Pai Natal serôdio, melhor, para o Governo o Natal continua, ontem tinha sido o referendo, hoje Alcochete, ontem as reformas milionárias dos pensionistas, hoje uma ponte. E ainda há gente descontente com o Governo. Este Portugueses não têm emenda, sempre com a língua afiada.

domingo, 6 de janeiro de 2008

O prestígio dos professores

Falei-vos do livro de Iacocca. Deixo-vos um pequeno excerto sobre professores.
"Nos Estados Unidos, o prestígio dos professores é muito reduzido. Como é que sei isto? Porque apesar de se elogiar a importância dos professores, não se faz nada de tangível para sustentar essas palavras. Se fosse uma empresa e os professores fossem colaboradores valiosos, o que é que a empresa faria? Recrutá-los-ia de forma agressiva. Investiria em formação. Pagar-lhes-ia bem. (...) Não se faz nenhuma destas coisas com os professores. E quantos pais é que encorajam os seus filhos a serem professores? «Estás maluco?», dizem. «Ninguém pode viver com o salário de professor." E por cá?

quinta-feira, 3 de janeiro de 2008

Os deficientes que se lixem

A política de "racionalização de recursos" do ME não poupa ninguém. Nos últimos tempos abateu-se sobre os deficientes sem mobilidade ou autonomia a quem era assegurado o apoio permanente de funcionários que deles cuidavam enquanto estavam nas escolas.
Por um lado fala-se da necessidade de incentivar a natalidade e de melhorar o apoio às famílias com filhos. Por outro cortam-se-lhes os apoios e, sem dó nem piedade, privam-se os deficientes e as suas famílias destes suportes fundamentais.
A falta de consideração e a cegueira da actuação levam a que se despeçam as pessoas de um dia para o outro sem qualquer atenção ao drama que se abate sobre as crianças e as suas famílias. "As pessoas primeiro" foi um slogan do PS, mas isso pertence ao passado. Agora, infelizmente, impera a velha máxima do "Manda quem pode, obedece quem deve".
Em tempo de revisão do regime de gestão das escolas aqui está um bom exemplo de autonomia à moda do ME. Os conselhos executivos não foram vistos nem achados no processo. Eles é que governam as escolas, mas quem manda despedir é o Ministério contra a opinião dos próprios executivos. É o poder central no seu melhor. E quando se impunha uma onda de protesto do Partido Socialista perante tanta arbitrariedade, ouve-se um silêncio ensurdecedor. Que se lixem os deficientes. Viva a "racionalização" e "a vã cobiça de mandar", como disse Camões.

quarta-feira, 2 de janeiro de 2008

Benazir Bhutto

Não o fiz mais cedo, mas não queria deixar passar em claro o assassinato de Benazir Bhutto que era uma das mulheres mais estimulantes da política internacional. Tenho acompanhado a saga da família Bhutto, primeiro com o pai, Ali Bhutto assassinado (legalmente...) pelo regime ditatorial do general Zia Ul Aq, depois com Benazir, e os esforços de ambos para transformar o Paquistão numa democracia verdadeira. Ambos pagaram com a vida a fé num Paquistão livre. Esperemos que a sua morte não tenha sido em vão e que as eleições agora adiadas para 18 de Fevereiro sejam a resposta oportuna aos terroristas e extremistas que a assassinaram e aos que, um pouco por todo o mundo, atentam contra as liberdades democráticas.

A educação na agenda do Presidente

Na tradicional mensagem de Ano Novo, o Presidente da República não esqueceu a educação e o "défice de qualificação dos portugueses".
Também lembrou as desigualdades gritantes entre as remunerações de certos gestores de topo de empresas portuguesas e os trabalhadores das mesmas. Hoje, o responsável da consultora que realizou esse levantamento declarou que os gestores ganham em média vinte a trinta mil euros por mês!!! Como ele próprio afirmou, os gestores ganham remunerações similares aos dos seus congéneres da União Europeia, portanto não ganham muito, os trabalhadores é que ganham pouco.
O baixo nível remuneratório dos portugueses será causa ou consequência do défice de qualificação? Já agora outras perguntas. Porque estão os Centros de Emprego a abarrotar de licenciados desempregados? O problema dos portugueses é de falta de qualificações ou de falta de certas qualificações?
Pois é, a questão não é simples, e como tem sublinhado Maria Filomena Mónica, as qualificações académicas, só por si, não significam muito. A pujante economia chinesa bem o prova. De qualquer forma é desejável que o esforço que se vem fazendo no aumento generalizado das qualificações dos portugueses, seja pela formação inicial, de segunda oportunidade, graduada e pós-graduada e ao longo da vida, seja continuado e incentivado.
A chamada de atenção do Presidente da República constitui, sem dúvida, um estímulo e uma exigência.

terça-feira, 1 de janeiro de 2008

Ano novo, vida nova

Claro que apenas o simbolismo separa o ano velho do ano novo, mas que é sempre um momento de renovar a esperança e acreditar que muito pode ser mudado para melhor, disso ninguém duvida.
Por isso fiz questão de não deixar passar este momento sem o assinalar.
As festas têm dominado os últimos dias num continuum entre as celebrações do aniversário de Jesus e as do Ano Novo. Historicamente estas celebrações são quase tão antigas como o Homem pois já desde os mais recônditos tempos se comemorava a passagem do solstício de inverno e a vitória da luz sobre as trevas.
Uma das tradições mais recentes é a de enviar cartões de Boas Festas. É uma forma de fazer saber aos nossos amigos que os relembramos e com eles partilhamos este tempo de festa e alegria. Como tudo, também as Boas Festas se tornaram um produto de consumo massivo e dos amigos e conhecidos passou-se para a generalização do seu envio, que os produtores de cartões e os correios agradecem.
Com a revolução informática e das telecomunicações as Boas Festas tornaram-se uma praga. São os tradicionais cartões, as mensagens de e-mail e os sms. Muitas nem sequer são personalizadas e um modelo serve para dezenas, centenas ou mesmo milhares. O significado perde-se, mas ganha a "comunicação".
De entre as muitas que recebi transcrevo uma que me chegou por sms, não assinada e cujo número não consegui identificar, mas que elegi como a mais interessante. Não sei se é original ou cópia, mas como quer que seja é bonita e inspiradora.

"A grande arte desta vida é acordar depois de um sonho, levantar depois de um tombo, sorrir depois de uma decepção, não desanimar e ver o futuro com a vitória na mira. Lembrei-me de ti porque o futuro é também o reflexo do passado e os amigos ficam sempre guardados no coração...UM ÓPTIMO ANO 2008..."

Dos presentes que recebi destaco um magnífico livro de Lee Iacocca, "Onde estão os bons líderes?" Apaixonante. Numa linguagem directa e sem rodriguinhos inúteis, que os americanos tão bem dominam, o autor é demolidor para com a política de Bush e do "cartel do petróleo" e levanta uma série de interrogações sobre as opções políticas dos Estados Unidos e o seu futuro. Pelo meio vai falando sobre liderança e estabelece a lista de Cs que todo o líder deve possuir: curiosidade, criatividade, comunicação, carácter, coragem, convicção, carisma, competência e senso comum. Imperdível.