quinta-feira, 17 de janeiro de 2008

Abrir a escola à comunidade

Quando, há mais de três décadas, me iniciei na profissão docente não se falava em Comunidade, era o Meio, a ligação Escola-Meio que estava em voga. O vocábulo mudou, mas as preocupações mantém-se. Fez-se caminho ao longo deste tempo, mas não se andou tanto como seria necessário.
Para um país com a tradição estatizante e centralista da escola portuguesa, qualquer abertura ao exterior é uma grande vitória, mas continuam a ser débeis as forma de representação e, sobretudo, de participação dos actores da Comunidade nas escolas.
A proposta legislativa do novo figurino da gestão escolar aponta nesse sentido e rompe com a tradição histórica de dominio maioritário dos professores em todos os órgãos de gestão das escolas.
Sem discutir se a fórmula é aceitável ou desejável, importa sinalizar que existem fundadas dúvidas sobre a capacidade dos actores locais para assumirem de pleno direito as responsabilidades que lhes querem imputar. A experiência diz que já no modelo actual é difícil, quanto mais passando-se a exigir muito mais disponibilidade e conhecimento técnico das questões.
Como se sabe, as sociedades não mudam porque alguém quer que mudem, mas quando as condições objectivas para que mudem estão criadas . Será o caso?