sexta-feira, 18 de janeiro de 2008

Andar em contramão

Conhecem a história do sujeito que circula na estrada em contramão e ouve na rádio que vai um tipo em sentido contrário. Vendo que todos os outros circulavam no sentido oposto ao seu exclama: "Não vai um, vão todos!"
É o que acontece com a nova proposta de gestão escolar, está em contramão com tudo o que se sabe e se admite como inevitável em matéria de gestão das escolas. As escolas são organizações e de acordo com quem tem estudado aprofundadamente o tema, veja-se o caso de Mintzberg, são o que este chama burocracias profissionais.
Estas organizações não podem ser dirigidas com esquemas típicos das organizações verticais e completamente hierarquizadas de tipo maquinário, onde o poder se exerce do topo à base, e o cumprimento das orientações superiores e o controlo são eficazes.
Nas burocracias profissionais o poder está repartido e o controlo é muito menos eficaz, veja-se o caso dos médicos, dos professores e de todos os outros profissionais que dispõem de condições especiais para o exercício das suas funções. Por mais controlos que se inventem, quem e como se controla o que o professor faz na sala de aula ou o médico com o seu doente?
Assim não pensa o ME que quer governar as escolas como se fossem fábricas do século XIX. O filme já é velho e o remake está condenado ao fracasso. Entretanto vai-se juntando mais lenha para manter o sistema a arder em lume brando.

Se quiserem aprofundar o tema...

Mintzberg, H. (1979). The structuring of organizations. Englewood Cliffs, N.J.: Prentice Hall.
Mintzberg, H. (1990). Le management. Voyage au centre des organisations. Paris : Les Éditions D’Organisation.
Mintzberg, H. (1995). Estrutura e dinâmica das organizações. Lisboa: Publicações D. Quixote.
Mintzberg, H. (1999). Profession: manager. Mythes et réalités. Harvard Business Revue- Le leadership. Paris: Éditions d’ Organisation.