sábado, 19 de janeiro de 2008

O menino, o lobo mau e a gestão das escolas

Conhecem a história do menino e do lobo. Tanto o rapaz gritava que vinha o lobo que quando este verdadeiramente apareceu ninguém ligou e o menino foi comido. Isto era no tempo em que os lobos comiam meninos. Hoje são os meninos que comem os lobos e é por isso que estes têm de ser protegidos. Adiante.
Manuela Teixeira (FNE) fez um estudo sobre a proposta do novo decreto da gestão e conclui que as escolas vão cair nas mãos das autarquias e dos partidos políticos se a nova regulamentação for avante. Quando se quer meter medo aos professores nada melhor do que insinuar que podem vir a ficar nas mãos das autarquias. As autarquias são o lobo mau de Manuela ou de quem lhe respondeu ao questionário. Só que nesta história não há meninos, há gente crescida que deve pensar pela sua cabeça e não embarcar em preconceitos.
A proposta do Governo não presta, não por poder vir a colocar as escolas nas mãos das autarquias ou dos partidos políticos, mas pelo simples facto de ser conceptualmente errada e estrategicamente incoerente.
O que falta a muitas escolas é liderança. O que o modelo em vigor, que no essencial tem 30 anos e é um casamento de conveniência entre professores e ME, nunca conseguiu foi gerar lideranças fortes como regra. O que se necessita é de um novo paradigma de gestão que aposte na autonomia das escolas, no fim da ditadura do ME sobre estas, e em lideranças fortes capazes de mobilizarem as organizações escolares com projectos de futuro.
Ora as autarquias têm sempre de desempenhar um papel importante neste processo. Tomá-las como parte do problema e não como parte da solução é, faça-se o que se fizer, manter tudo como está.
Por favor, deixem os lobos em paz e lembrem-se daquela canção do Paco Ibañez do "Lobito bueno y corderito malo".