quinta-feira, 3 de janeiro de 2008

Os deficientes que se lixem

A política de "racionalização de recursos" do ME não poupa ninguém. Nos últimos tempos abateu-se sobre os deficientes sem mobilidade ou autonomia a quem era assegurado o apoio permanente de funcionários que deles cuidavam enquanto estavam nas escolas.
Por um lado fala-se da necessidade de incentivar a natalidade e de melhorar o apoio às famílias com filhos. Por outro cortam-se-lhes os apoios e, sem dó nem piedade, privam-se os deficientes e as suas famílias destes suportes fundamentais.
A falta de consideração e a cegueira da actuação levam a que se despeçam as pessoas de um dia para o outro sem qualquer atenção ao drama que se abate sobre as crianças e as suas famílias. "As pessoas primeiro" foi um slogan do PS, mas isso pertence ao passado. Agora, infelizmente, impera a velha máxima do "Manda quem pode, obedece quem deve".
Em tempo de revisão do regime de gestão das escolas aqui está um bom exemplo de autonomia à moda do ME. Os conselhos executivos não foram vistos nem achados no processo. Eles é que governam as escolas, mas quem manda despedir é o Ministério contra a opinião dos próprios executivos. É o poder central no seu melhor. E quando se impunha uma onda de protesto do Partido Socialista perante tanta arbitrariedade, ouve-se um silêncio ensurdecedor. Que se lixem os deficientes. Viva a "racionalização" e "a vã cobiça de mandar", como disse Camões.