domingo, 30 de março de 2008

Assim não se é cidadão

Voltemos ao tema da disputa pelo telemóvel na Carolina Michaëlis. A fazer fé no que li nalguma comunicação social, alguns dos alunos da turma em causa aproveitaram os seus blogues para mandarem mensagens uns aos outros despedindo-se, afirmando a sua solidariedade e criticando a professora que "deu cabo de tudo".
Passados vários dias da ocorrência mais mediática alguma vez presenciada numa sala de aulas em Portugal, que foi objecto generalizado de crítica, aqueles aprendizes de cidadãos ainda não compreenderam o que aconteceu e não hesitam em agir com arrogância e pesporrência quando se esperaria que fizessem mea culpa e adoptassem um comportamento discreto e uma postura humilde.
Dir-se-á que é a solidariedade própria dos grupos de pares, que são adolescentes, que é próprio da fase de desenvolvimento em que se encontram desafiar as regras sociais, os adultos, os poderes.
Pois é, mas a família e a escola entre as suas mais nobres missões tem precisamente a de educar, a de preparar as crianças e os jovens para se tornarem cidadãos de pleno direito, integrados numa actividade profissional e autónomos enquanto pessoas.
Aparentemente uma e outra estão a falhar nestes casos. Não só não conseguiram incutir-lhes comportamentos e valores adequados, como também não conseguiram levá-los a reflectir sobre o seu comportamento impróprio.
O que se seguirá? A transferência de alguns, sem mais? E para os outros? Mais do mesmo? E as famílias como estão a lidar com os seus "meninos"? E o que vão fazer no futuro?
O que se passou e todas as repercussões que se conhecem, aconselham a que se faça uma ampla reflexão, sem preconceitos nem tabus, sobre o que está em jogo que sendo, nalguns casos, do foro judicial é, sobretudo, um problema de cidadania.
O que estão as famílias e as escolas a fazer pela educação dos nossos jovens? Para sermos mais realistas, de alguns dos nossos jovens, pois embora a situação seja delicada é bom não generalizar e sobretudo não tomar "a nuvem por Juno".