domingo, 16 de março de 2008

Avaliação ou titulares?

Há apenas uma semana o país espantava-se e o Governo tremia com o grito de cem mil professores que desfilaram por Lisboa num gesto de protesto de uma classe inteira, jamais visto em Portugal.
Uma semana apenas passada e o grito parece ter sido parcialmente abafado. Bem sei que nem todos se manifestaram pelos mesmos objectivos. Para além do traço comum e genérico "contra o ME e a política educativa" muitos estiveram lá por diferentes razões e o facto de os sindicatos terem vindo a colocar o sublinhado na questão da avaliação está a empurrar o movimento de protesto para posições defensivas e a desfocar o essencial da questão, como já aqui escrevemos.
O ME está a recuar na questão da avaliação, está a flexibilizar as exigências, está a remeter para as escolas alguma da matéria acessória, mas o essencial não vai mudar e os sindicatos estão a chegar a um beco sem saída.
A radicalização das formas de luta em torno da avaliação não faz qualquer sentido no contexto actual, sob pena de se poder dizer, agora com razão, que os professores não querem é ser avaliados. Outra situação bem diferente seria colocar a tónica no malfadado concurso para titulares, ele sim, verdadeiro causador do "pecado original" que paira sobre o processo de avaliação.
Mas será que se vai esquecer esta questão, permitindo-se que uma entorse desta natureza persista? Eu sei que estamos na Quaresma e que o tempo é de trevas, mas o sábado de Aleluia não tarda aí e com a Ressurreição regressará a esperança.
Espero bem que o grito de revolta que ecoou pelo país não seja sufocado pelo silêncio das férias, nem por algumas concessões menores por parte do ME.