sexta-feira, 28 de março de 2008

O Marco e o papelinho

Como o prometido é devido, vamos à análise do caso do "papelinho".

A professora ao ler o papel ficou indignada e fez queixa à direcção. Sejamos objectivos, que matéria havia para reagir? Um papel, se quiserem, um papel que circulava de carteira em carteira e uns risos. O papel era ofensivo? Não. Houve intenção de ofender a professora? Não. Se ela se tivesse limitado a interromper a circulação do papel e o tivesse mandado deitar para o lixo ou o tivesse guardado e lido mais tarde, o incidente teria ficado por ali.

Foi esta a análise que se fez com a professora, que era relativamente inexperiente, e que percebeu imediatamente que a forma utilizada em vez de esvaziar o incidente o avolumou e criou mesmo um problema onde ele não existia. A leitura do papel na sala é que criou uma situação delicada para a professora, que se sentiu ofendida com o seu conteúdo quando, objectivamente, a ela não era destinado.
Moral da história. O(a) professor(a) não deve avolumar os incidentes. A sua acção deve ser preventiva e dissuasora, nunca potenciadora de problemas.

Mas admitamos que o(a) professor(a), num gesto impulsivo, lê o papel. Seja qual for o seu conteúdo, só lhe resta reagir com naturalidade, de preferência utilizando pedagogicamente a situação. A professora podia ter perguntado se o aluno estava doente, se necessitava de ir "lá fora", podia mesmo acrescentar que nalgumas situações "libertar um gaz" era uma necessidade inadiável por razões de saúde, embora se devesse evitar fazê-lo na presença de outras pessoas. Enfim, cada um pode pensar nas milhentas coisas que se podiam comentar invertendo a situação a favor do professor.
O que nunca se pode fazer é perder o controlo e deixar escapar a oportunidade de afirmar a liderança do(a) professor(a).

No caso da outra colega que reagiu envergonhadamente a um comentário sobre o seu belo "rabo", podia também ter encarado o facto com naturalidade, realçando as preocupações estéticas do aluno mas fazendo-lhe ver e à turma que era deslocado e prejudicial para os alunos perder o fio condutor da aula e estar a preocupar-se com matéria que podiam observar em qualquer outra ocasião.
O(a) professor(a) tem de mostrar segurança e domínio das situações.

Num próximo post voltarei com casos mais complicados. Os colegas podem aproveitar para contar as vossas experiências ou casos que vos tenham sido relatados e todos os podemos ir comentando.