domingo, 9 de março de 2008

Um problema chamado Ministra da Educação

Seja qual for o olhar que se tenha sobre a manifestação de ontem é impossível não reconhecer o óbvio, está-se perante um dos mais impressionantes e genuinos protestos de uma classe profissional face a políticas de um Governo que quebrou todas as pontes de diálogo e não percebeu, ou fingiu não perceber, que esta equipa do ME, com a Ministra à frente, se transformou num problema e não numa solução.
Ao ponto a que as coisas chegaram dificilmente se encontrará uma solução em que todos salvem a face e não se antevê como pode o Governo continuar a fingir que ignora que mais de metade dos professores sairam à rua para dizer basta de enxovalhos e de mentiras.
A aparição da Ministra na Televisão foi patética ao dizer que não "desiste" e que "os obstáculos se contornam", esquecendo-se de que quem foi à manifestação é quem está nas escolas e que depois do que aconteceu na rua o movimento se vai espraiar dentro das escolas, o que pode levar à completa ingovernabilidade do sistema se os professores utilizarem a força que se provou terem e o ME e o Governo continuarem teimosamente a "olhar para o Céu".
Reside aqui o essencial do futuro. O que fazer com a força que se viu? Desistir não deve fazer parte do léxico, forçar é preciso, com prudência, mas com firmeza, desmistificando a questão da avaliação e colocando o dedo na verdadeira ferida - o concurso para titulares.
É preciso que a sociedade saiba que foi a partir deste concurso que tudo ficou inquinado e que nada justifica os critérios utilizados na sua realização. A avaliação é indispensável, mas tem de ser credível e não pode falhar exactamente num ponto crítico - nos avaliadores. Ora para que alguém aceite ser avaliado é necessário que reconheça a competência de quem o vai avaliar, o que manifestamente não se verifica em muitos casos. Este é que é o busilis da questão.
O resto é miopia política, teimosia e incapacidade de reconhecer que em democracia não se pode governar contra as pessoas.
O Primeiro Ministro não tem opositor à altura, pelo menos de momento, mas quer manter a maioria absoluta em 2009. É altura de perceber que a crise do sistema escolar pode transformar-se num obsctáculo intransponível para alcançar esse desiderato. Está, pois, na hora de substituir a Ministra e algumas políticas no campo da educação, se não quiser ser ele próprio sacrificado no altar da arrogância, da insensibilidade e da falta de tacto político.