domingo, 27 de abril de 2008

Ainda as unidades de gestão escolar de base concelhia

Admito que em certos concelhos o número de escolas e agrupamentos é elevado, mas o problema em termos de gestão é sempre de escala. O essencial no modelo que defendo não é a escala, mas o princípio. O que se passa com o modelo actual é que cada escola ou agrupamento é uma unidade de gestão autónoma, o que só faz sentido nos concelhos onde não existem mais estabelecimentos de ensino.
Mas veja-se o que acontece nos outros casos. Alguém ou alguma entidade coordena as várias escolas e agrupamentos de um mesmo concelho? Não. Cada uma gere-se como sabe e pode, não há articulação curricular, não há gestão conjunta de recursos, sejam materiais, sejam humanos. Há até formas diversas de tratar os mesmos assuntos, de lidar com os alunos, com os pais, e por aí fora...
Há países onde estas questões estão resolvidas há muitos anos, naturalmente que cada escola continua a ter uma direcção própria, só que subordinada a uma direcção concelhia a quem compete a administração educativa a nível local.
Sei que não é esta a nossa tradição, mas não tenho dúvidas que o caminho é por aqui. Há quase vinte anos, quando responsável pelo pelouro da educação da Câmara de Leiria e quando ainda ninguém por cá falava em escolas básicas integradas já eu defendia a criação na Maceira de um "Complexo Escolar Integrado".
Na altura a DREC invocou que não era possível porque a legislação o não previa, o que era em parte verdade, mas se não previa e a realidade aconselhava (já nesse tempo coexistiam num espaço contíguo todas as valências educativas do centro da freguesia) era por aí que se devia ter ido.
Assim aconteceu com Roberto Carneiro e com a criação das EBI e assim veio a acontecer com a criação dos agrupamentos de escolas de nível concelhio, que já são hoje mais de 40% do parque escolar estatal do país.
Por isso, não desisto da ideia e estou convicto que esse será um próximo passo.