terça-feira, 8 de abril de 2008

Gritos sufocados nas gargantas

Os ecos da manif dos cem mil são cada vez mais frágeis e ao ver nos telejornais a representação dos sindicatos que andam em reuniões com o ME não consigo deixar de pensar que estamos perante mais um daqueles momentos em que a esperança dos professores vai morrer ingloriamente face a uma ópera-bufa em que sindicatos e ME representam cada um o seu papel, uns ameaçando, outros reivindicando, uns seráficos, outros ameaçadores, enquanto nas escolas o rolo compressor da máquina administrativa e a política do pau e da cenoura fazem marchar o sistema sem grandes alterações nem alaridos.

Os gritos de ontem já começam a sufocar nas gargantas e a força das ruas está em vias de ser derrotada pela burocracia reivindicativa sem soluções nem alternativas que não sejam mais folclóricas do que eficazes porquanto não se antevê como vão as escolas resistir à chantagem da avaliação obrigatória dos contratados. "As escolas estão todas a trabalhar", diz a Ministra e ninguém duvida. Havia de ser diferente? Alguém acredita que os professores estejam em condições de suportar um movimento reivindicativo que vá até às últimas consequências?

Quando se fizer a história deste período lá constará que o problema foi a forma inábil como foi negociado o novo estatuto de carreira, mais o famigerado concurso para titulares, agora objecto de referência de inconstitucionalidade numa norma (só numa norma Srs Conselheiros?). Chegados à avaliação já não há recuo, a teia já é suficientemente forte para romper e o terceiro período joga a favor do Governo. Como eu gostaria de estar enganado.