domingo, 6 de abril de 2008

Henry Mintzberg e as descobertas do ME

Para quem não conhece, Mintzberg é um dos gurus dos estudos das organizações e elaborou uma classificação que se tornou clássica e é uma referência incontornável.
Entre as configurações organizacionais por ele conceptualizadas estão as Burocracia Profissionais, onde se incluem as escolas. Não vou aqui tratar do assunto, mas para quem o quiser aprofundar pode consultar Mintzberg, H. (1995). Estrutura e dinâmica das organizações. Lisboa: Publicações D. Quixote.
Trago aqui o assunto apenas para deixar uma pequena reflexão sobre tudo o que está a acontecer na educação em Portugal e ao clima de crispação generalizada que pauta as relações da equipa dirigente do ME com os professores, na perspectiva reformadora.
Diz o autor;
Na Burocracia Profissional, a mudança não provém de novos administradores que tomam os seus postos e anunciam reformas maiores, nem das tecnoestruturas governamentais que procuram controlar os profissionais. A mudança parte mais do processo, lento, de mudança dos profissionais - dos procedimentos de avaliação dos candidatos, da formação (ideais assim como competências e conhecimentos), e depois disso, da motivação dos candidatos no aperfeiçoamento dos seus conhecimentos profissionais.
E mais,
(...) os controlos externos podem ter como consequência reduzir a incitação ao aperfeiçoamento, e mesmo a incitação à inovação (que já é fraca, mesmo nos melhores momentos da Burocracia Profissional).
Comparem-se as opiniões de um dos maiores conhecedores das organizações com a forma como o ME gere as questões profissionais dos docentes e uma de duas, ou Mintzberg está errado e é preciso avisá-lo ou o ME anda a tentar inventar uma roda quadrada convencido de que está a prestar um grande favor ao País.
Você decide.