segunda-feira, 28 de julho de 2008

O casamento segundo MFL

Parece que houve umas pessoas que não apreciaram o meu texto sobre os casamentos homossexuais. É natural, ainda devem ter apreciado menos a mera hipótese que levantava da possibilidade de poderem vir a ser adoptantes.
Tenho o maior respeito pelas opiniões alheias e espero que tenham o mesmo respeito para com as minhas, o que não deve inibir ninguém de defender os pontos de vista em que acredita.
Manuela Ferreira Leite já deu um imenso contributo para a elevação do debate político em Portugal e mostrou ser uma mulher arejada e em linha com o tempo que passa. Para ela o casamento é para assegurar a procriação. Não, não foi uma frase truncada, um pequeno lapsus linguae a necessitar de uma explicaçãozinha complementar.
Naquele seu estilo de Padeira de Aljubarrota confirmou tudo, mesmo que isso a faça perder alguns votos, sublinhou, para que ninguém tenha dúvidas. Adoro pessoas assim, convictas, que lideram partidos no século XXI, mas se comportam como damas do século XIX, que iam virgens para o casamento, o encaravam como uma interminável maratona de procriação e se fechavam em casa cobertas de preto se acaso o esposo as deixava viúvas e sem utilidade prática a não ser para completar a obra procriadora, criar os filhos, entenda-se.
Como Luís Filipe Menezes e Santana Lopes, os seus arquiadversários, não encaixam no modelo de casamento procriador tão ao gosto de MFL, esta tomada de posição deve ter uma explicação eminentemente política, como quem diz, comigo voltaram os bons costumes ao PSD depois da desbunda anterior.
Acho bem, já era tempo de alguém por as coisas no sítio certo e deve ser por se inspirarem em MFL que a maior parte dos jovens já não se casam, juntam-se para irem ganhando prática e quando, finalmente, sentem ter atingido o patamar de verdadeiros procriadores, aí sim, inspirados na Madrinha, dão o nó.
Só uma dúvida. Este país de MFL existe mesmo ou não passa de uma ópera bufa?