sábado, 8 de novembro de 2008

E se a Ministra da Educação custar a maioria absoluta ao PS?

Retenho duas imagens de hoje. A impressionante manifestação dos professores e a imagem patética da Ministra na TV a tentar demonstrar o indemonstrável, que as escolas estão a trabalhar no melhor dos mundos e que o processo é para continuar.

A realidade é que as escolas estão diminuidas na sua capacidade operativa e que os professores estão à beira de um ataque de nervos, com gravíssimos prejuízos para a serenidade que uma relação pedagógica construtiva exige e para a qualidade da mesma.

Independentemente do juízo que se faça sobre a política educativa deste Governo, é inquestionável que o mesmo deixou apoderecer o ambiente nas escolas, como jamais acontecera desde os tempos de brasa do PREC, nos idos de setenta, e os pais começam a sentir os efeitos nefastos deste desassossego que a Ministra atiça a cada intervenção.

Não se trata, como muitos dizem, de "teimosia" da Ministra, o que ocorre é que os objectivos políticos estão desenquadrados da realidade. Até podiam estar correctos, mas não existirem condições para os aplicar. Na realidade é impossível e prejudicial manter este braço de ferro com os professores.

Só um ignorante em matéria de gestão de organizações, e é suposto que um ministro o não seja, não percebe isto, ainda mais quando estamos perante uma "burocracia profissional", expressão técnica grafada por Mintzberg, que se aplica a professores, médicos, contabilista e outras classes profissionais, impossíveis de controlar segundo mecanismos hierárquicos que funcionam bem noutros contextos.

No limite, quem controla o que um professor faz dentro da sala de aula ou um médico na sua consulta? É isto e muito mais que escapa à Ministra e aos que a rodeiam, convencidos que gerir a Ministério da Educação requer a mesma atitude que comandar a GNR.

Politicamente falando, Sócrates arrisca-se a perder a maioria absoluta por causa da política educativa e da Ministra que escolheu. Valerá a pena? Se isto vier a acontecer, tudo o que esta equipa tentou fazer voltará à estaca zero.

Ora, Sócrates, que não é parvo e que quer ser reeleito com a dita maioria absoluta, devia fazer já três coisas:

1. Demitir a equipa do Ministério da Educação e substituí-la por gente fresca a capaz de conquistar a classe docente.
2. Anular o concurso para titulares e reverter, no possível, a situação das carreiras ao momento em que o concurso ocorreu.
3. Suspender o processo de avaliação e aproveitar a experiência para desenhar uma nova metodologia, entregando o processo às instituições de ensino superior com experiência na formação de professores, que negociariam, mais tarde, uma proposta final com as associações representativas dos docentes.
A ministra ia à vida dela, Sócrates saía por cima, a calma voltava às escolas e as reformas seguiriam com mais lentidão, mas com muito mais segurança.
A educação só tinha a ganhar e, politicamente, o PS reconciliava-se com muita gente que lhe faz falta para segurar os resultados eleitorais.