quarta-feira, 12 de novembro de 2008

o vórtice da avaliação

A avaliação ameaça engolir os professores. A ministra canta de galo e Sócrates aplaude. Os verdadeiros problemas das escolas são esquecidos, os professores são atirados literalmente "aos bichos", as direcções das escolas não permitem reuniões cívicas de professores e estes, em vez de protestarem e fazerem as reuniões dentro das escolas, vão pedir asilo para outro lado.
Mas que país é este? Como se explica que cento e muitos mil professores protestem em Lisboa e não protestem dentro das suas escolas? Que dirigentes escolares são estes que fecham a porta aos colegas? São ordens do Ministério? E se as não cumprirem?
Uma escola é uma instalação pública, aberta á comunidade e, por maioria de razão a quem lá trabalha. Se o deputado da Madeira não pode ser impedido de entrar no Parlamento Regional, quem pode impedir os professores de se reunirem nas suas escolas para discutirem assuntos do seu interesse? As escolas são do Estado, não são do Governo.
Se os professores de uma dada escola não conseguem sequer protestar contra a infâmia que é um Conselho Executivo proibir-lhes que se reúnam no seu local de trabalho, como querem ser levados a sério nos seus protestos contra a avaliação ou contra o que quer que seja.
A avaliação está a tranformar-se num vórtice que vai engolir a maioria dos docentes, capazes de gritarem a plenos pulmões em Lisboa contra o Governo, mas que se aquietam e se deixam insultar sem um pio nos seus locais de trabalho. Assim, não vão lá.