domingo, 28 de dezembro de 2008

O cerco à escola

O episódio da escola do Cerco é bem ilustrativo da completa inversão de valores a que, em muitos casos, se chegou nos estabelecimentos de ensino.

Um grupo de alunos aponta uma pistola à cabeça da professora, por acaso era de plástico, um camaraman de ocasião filma, ainda bem se não nunca se saberia da ocorrência, e os responsáveis educativos desvalorizam e falam em "brincadeira de mau gosto".

Brincadeira? Insubordinação face aos regulamentos e ofensa à professora é o que é. É por estas e por outras semelhantes que os professores se sentem cercados, para não usar calão, e mal pagos.

Isto faz-me lembrar a história do puto que parte um vidro. Em tempos seria castigado, eventualmente a família obrigada a pagar o vidro. Hoje o mais certo é alguém perguntar "por que razão está o miúdo a chamar a atenção?".

Educar exige firmeza, valores, balizas. Hoje, em muitas escolas, tudo isto desapareceu e a"ideologia" oficial é o laxismo, ainda a melhor forma de evitar males maiores para os professores, esmagados entre a má educação e os comportamentos inadequados de muitos alunos e a olímpica indiferença dos responsáveis a quem competia agir para estancar o mal que ameaça gangrenar todo o sistema.

Nada disto é novo e sabe-se como o fenómeno se combate, nos países, nas cidades e nas escolas. Com tolerância zero para os infractores.

Infelizmente em Portugal, ao mais alto nível, parece que só o Procurador Geral da República percebe o que se passa nas escolas e o atentado a uma cidadania activa e responsável que isso significa.