sábado, 31 de maio de 2008

O tripé do PSD

O PSD virou tripé. Depois da confusão menezista, o tripé Leitista.
É certo que Passos já estendeu a mão, certo de que essa é a melhor forma de ganhar terreno. Santana não lhe resta outra alternativa a não ser a contrária, distanciamento e à primeira escorregadela ele lá estará para tirar as devidas ilações.
Se Sócrates escorregar muito e cheirar a poder, Manuela vai poder navegar, mesmo que à bolina; caso contrário, vai arder ingloriamente em lume brando até às eleições.
Resta uma consolação para o povo laranja, pior do que estava o PSD não fica. Quanto ao PS, só não pode dormir descansado porque a malvada crise veio para ficar. Esta é que é a verdadeira adversária, não Ferreira Leite.

sexta-feira, 30 de maio de 2008

O dragão chinês e a união ibérica

Um grupo de alunos do 12.º ano procurou-me para ouvir as minhas opiniões para um trabalho. A sua tese era ingenuamente imbatível; os chineses estão a tomar conta do nosso comércio e a solução é unirmo-nos aos espanhóis.
Bom, este não é o ponto, mas fica a ideia estimulante da união ibérica, já em curso em muitos domínios e inevitável para um conjunto de povos com um património histórico e geográfico comum.
Quanto à China, a caminho de se tornar a maior potência mundial do século XXI, não pode ser vista como uma ameaça, mas como uma oportunidade. Como diz Toffler “A China é agora parte de todos nós”.


In Região de Leiria, 30-05-08

2 milhões de pobres

Eu sei que quem governa o país é o Partido Socialista. Também sei que, historicamente, os partidos de matriz socialista estão mais próximos dos mais desfavorecidos e é suposto implemetarem políticas com um pendor social mais acentuado exactamente para corresponder aos interesses dos que constitutem a sua base de apoio e neles se revêem. E sei ainda que, sendo tudo isto verdade, nem sempre as coisas se passam como era suposto acontecerem.
Então... gostava de perceber onde param as preocupações sociais deste governo, não me refiro aos pequenos apoios a isto e àquilo, mas a verdadeiras políticas que defendam os fracos, os desempregados, os mais carentes, enfim, os que esperam dos socialistas que os defendam melhor do que um governo ancorado noutros sectores sociais.
Um país com 2 milhões de pobres exige políticas ousadas no sentido da afirmação de mais justiça social, mais igualdade, mais apoios aos carentes e desempregados. É tempo de inverter políticas que reduzem direitos e nível de vida e deixam prosperar maiores assimetrias sociais.

Ser Professor

João Ruivo ((Coord.) João Sebastião, José Rafael, Paulo Afonso e Sara Nunes deram à estapa, em edição do Instituto Politécnico de Castelo Branco e da Associação Nacional de Professores, Ser professor. Satisfação profissional e papel das organizações de docentes.
De um universo de 148750 docentes (educadores de infância e professores dos vários graus de ensino não superior) trabalharam com uma amostra estratificada de 3252. A recolha de dados foi feita através de questionários enviados e recolhidos entre Abril e Maio de 2006.
Conclusões
- Docentes maioritariamente do sexo feminino, licenciados, profissionalizados, trabalham há mais de vinte anos, são sócios de um sindicato ou associação sindical e têm um vínculo estável.
- Sentem-se satisfeitos quando avaliam a sua auto-estima e a sua imagem profissional, mas sentem que a sociedade não reconhece o seu trabalho e consideram insuficiente o seu estatuto remuneratório e revelam apreensão relativamente ao futuro.
- Mostram-se satisfeitos com a escola e com os alunos e referem positivamente a gestão, as condições de trabalho e o bom ambiente aí vivido, mas manifestam-se insatisfeitos com a falta de empenho dos alunos na aprendizagem e com a política educativa.
- Um número expressivo não voltaria a escolher a profissão se tivesse que começar de novo, "até porque consideram que a carreira de professor não é prestigiante".
- Concordam com a criação de uma Ordem dos Professores e mostram-se insatisfeitos com os sindicatos e com as condições de progressão na carreira.
É um retrato interessante, embora com contradições evidentes nas próprias conclusões, o que não espanta, sabendo-se como se tornou contraditório ser professor em Portugal. Um bom contributo para um melhor conhecimento da classe e um estudo a ler com atenção.

quinta-feira, 29 de maio de 2008

Assim não vamos lá

A colega Safira deixou um post bem oportuno sobre a não existência em muitas escolas das condições necessárias para o início do processo de transição para o novo modelo de gestão.
Não surpreende. O novo modelo vem ao arrepio de trinta anos de experiência de gestão dita "democrática" e altera profundamente o paradigma igualitarista vigente.
No meio de toda a turbulência gerada pela forma canhestra como a equipa do ME tem lidado com os professores e dirigido o Ministério, cada vez mais centralizado, apesar de falarem cada vez mais em autonomia, a nova gestão só pode suscitar desconfianças e boicotes.
Continuo com a minha, a solução é a territorialização da gestão na base nas áreas correspondentes aos municípios. O novo decreto está condenado ao insucesso, mesmo que o consigam implantar "a martelo".

terça-feira, 27 de maio de 2008

Mudar o paradigma

Há coisas intrigantes nas escolas, as novas tecnologias estão por todo o lado, os alunos dominam-nas, os professores para lá caminham, mas há um lastro de rotineirismo que permanece quase inamovível.
Sejamos honestos, o paradigma anterior à revolução do conhecimento permanece como a ferramenta básica e o fosso entre a escola e a sociedade, nalguns casos, adensa-se.
A internet tornou-se uma ferramenta básica em dois sentidos, sempre à mão, mas utilizada frequentemente de forma primária.
Precisa-de de um novo paradigma de ensino, sob pena de a escola se continuar a desqualificar se isso não acontecer.

domingo, 25 de maio de 2008

Foi você que falou em autonomia?

O ME diz-se apostado em avançar com os contratos de autonomia. Existem umas comissões de acompanhamento do processo, uma para cada escola. Algumas escolas, simpaticamente, convidaram-me para fazer parte das suas comissões de acompanhamento, o que muito me honrou.
Um dia destes recebi um convite da DREC para uma reunião, assim de um dia para o outro, como se não tivesse mais nada para fazer. Não pude comparecer pois já tinha outros compromissos inadiáveis.
Até hoje não sei o que lá de passou, mas sei duas coisas, a lei não está a ser cumprida quanto aos requisitos de funcionamento das ditas comissões e ninguém pensou quem suporta as despesas com a participação dos vários membros nessas reuniões. Estão a ver um sujeito fazer centenas de quilómetros, por exemplo, mais almoços, jantares, eventualmente dormida, e pagar tudo do seu bolso?
Pois é, a autonomia custa dinheiro, mas pelos vistos ninguém pensou no assunto. Diz-se que há assessores no ME pagos a peso de ouro, mas para se participar nas reuniões das comissões de autonomia se calhar estão a pensar que cada um paga as suas despesas. Ou será que só lá querem alguns? Os que fazem os fretes ao ME e são pagos por isso?

sábado, 24 de maio de 2008

Aterrados

Finalmente um jurista, num douto parecer, veio dizer aquilo que é do mais elementar bom senso, um aterro sanitário não pode andar em bolandas, de concelho para concelho, como um circo ou uma barraca de comes e bebes, pelo que o aterro de Leiria e arredores deve ficar onde está.
O populismo às vezes gera esta urticária. Claro que ninguém quer aterros à porta, mas fechá-los só mesmo quando as suas condições de utilização tenham atingido os limites de exploração.
Quando é que os nossos decisores passam a agir mais com a cabeça no bolso dos contribuintes do que no voto dos eleitores?


In Região de Leiria, 23-05-2008

Silêncio

Nada pior nos blogues, como nas relações, do que quando deixamos que o silêncio se torne a norma. É certo que o silêncio é a mais poderosa forma de comunicação que a espécie humana inventou, mas não é desse que trato aqui e agora.
Uma viagem para terras distantes, a falta de acesso à rede e um sindroma gripal têm-me impedido de cuidar do blogue. Também não é hoje que me redimo da falta, estou sem disposição para bloguices e vou apenas deixar o post do texto desta semana do Região de Leiria.

sexta-feira, 16 de maio de 2008

O poder da escrita e a existência virtual

Há dois anos que deixei de escrever no RL, mas algumas pessoas tentam convencer-me do contrário. Quando me encontram disparam-me: “Há muito tempo que não o via, mas leio todas as semanas os seus artigos”.
Achei que não podia continuar a alimentar esta ficção e era aborrecido dizer às pessoas que estavam enganadas, para não dizer que eram mentirosas.
Solução, voltar aos textos, mas com uma condição auto imposta, coisa curta, de leitura simples e fácil digestão, como a dieta mediterrânica.
Telegrama. Voltei stop é um prazer regressar stop espero-te aqui todas as semanas stop
In Região de Leiria, 16-05-2008
Nota: Com este texto reinicio uma colaboração semanal no Região de Leiria, interrompida quando fui para a DREC e agora retomada depois de uma espécie de período de nojo. A rubrica que serve de enquadramento aos texto denomina-se Telegrama e insere-se na página 2 e na secção Praça Pública.
São textos muito curtos e procuram abordar questões de actualidade, muitas delas apenas compreensíveis para quem conhece o contexto local, de uma forma bem disposta, embora com seriedade e procurando apelar à reflexão.

quinta-feira, 15 de maio de 2008

A majoração da estupidez avaliativa

Segundo o Diário de Notícias e com a devida vénia...

Quotas de Excelente e Muito Bom irão variar entre estabelecimentos

O resultado da avaliação externa das escolas, que o Ministério da Educação está a conduzir, vai ter consequências na carreira dos professores que ali leccionam. Isto porque, segundo anunciou ontem o secretário de Estado adjunto da Educação, Jorge Pedreira, os estabelecimentos que registem melhores desempenhos serão discriminados positivamente na percentagem de classificações de "Excelente" e "Muito Bom" que poderão dar aos seus docentes, sendo que estas notas permitem progredir mais rapidamente na carreira.A revelação de Jorge Pedreira surgiu no final da primeira reunião da comissão paritária de acompanhamento do processo de avaliação, que inclui o Ministério e representantes de doze estruturas sindicais. O secretário de Estado explicou que as quotas para atribuição das melhores notas serão "muito aproximadas" das que se aplicam na generalidade da administração pública. Ou seja: os valores deverão situar-se nos 5% para as classificações máximas e 20% para as imediatamente inferiores. O governante admitiu, no entanto, que "haverá também, neste caso, majorações para as escolas que tenham melhor avaliação externa".

Um puxão de orelhas

Sou de uma geração habituada a conviver com símbolos muito especiais. Quando entrei na escola primária as referências que mais me marcaram foi o odor muito característico daquela sala, entre o cheiro a madeira encerada e a pés mal lavados, as fotografias do Marechal Carmona, Presidente da República, e do Prof. Oliveira Salazar, Presidente do Conselho, como então se dizia, um crucifixo entre as duas, a marcar o ponto central da simetria da parede fronteira, um quadro preto por baixo e abaixo deste o estrado onde se destacava em todo o seu esplendor a secretária do professor, por acaso uma professora, já com uma idade provecta e que se deixava dormir nas aulas, quando fazíamos as contas. Os símbolos dos símbolos eram um ponteiro de cana da Índia e uma régua de bom porte e de madeira rija.
A professora não fazia mal a uma mosca, mas não me lembro que a Sr.ª me tenha ensinado nada durante a 1.ª classe, sei que estou a ser injusto, mas sincero, mas como aprendi a ler, escrever e contar deve ter sido ela que me ensinou.
Tudo mudou na 2.ª classe quando o marido nos veio dar aulas. O ponteiro e a régua tornaram-se instrumentos de uma pedagogia cirúrgica que actuava onde doía mais, nas mãos, particularmente nos nós dos dedos, e nas orelhas. Era um vê se te avias de reguada e ponteirada e quando a coisa ficava feia eram bofetões, calduços (em alentejano da época cachações) e pontapés no traseiro quando a malta se punha a jeito.
Por incrivel que possa parecer adorávamos o professor e no meia daquela pancadaria toda, hoje inimaginável, ainda nos sobrava tempo para fazer as mais incríveis tropelias. Era seguramente uma versão do "quanto mais me bates, mais gosto de ti", hoje completamente fora de moda.
Agora um simples puxão de orelhas é quase crime e o professor que se atrever a isso ou num acto desesperado não se controlar conta, pela certa, com uma sanção disciplinar pesada. Este facto só reforça a necessidade de não se pereder de vista a responsabilidade do colectivo de cada escola na manutenção da disciplina necessária ao bom desenvolvimento das actividades de ensino e aprendizagem, não remetendo para cada professor, individualmente considerado, o ónus de sozinho resolver um problema que em muito o ultrapassa.
Os casos comportamentalmente mais graves que se registam nas escolas ocorrem naquelas onde não há uma estrutura sólida de resposta colectiva, onde os regulamentos são letra morta, onde não há trabalho preventivo com os alunos e as respectivas famílias e onde os professores são, literalmente, atirados para a fogueira.

quarta-feira, 14 de maio de 2008

Queres fazer amor comigo?

E se um aluno, assim sem mais, faz uma proposta destas a uma professora em plena aula? Como se pode reagir? E depois, que relacionamento se pode manter com o aluno se este continuar na turma?
Vá lá, não te acanhes, dá a tua opinião, ajuda a lidar com estes problemas. O melhor antídoto é uma estratégia preventiva. Será que não acreditas que estas coisas se aprendem? Para dar aulas não chega ter conhecimento científico ou dominar as metodologias de ensino, é preciso ser expert em relações humanas.

terça-feira, 13 de maio de 2008

Autonomia das escolas

O processo volta a mexer. Depois de meses de hibernação o ME acordou. Mais vale tarde do que nunca, mas esperemos que o processo não descarrile com a pressa que agora parece ter chegado às estruturas do Ministério.
O ambiente geral é de algum cepticismo acerca do processo. Eu quero ser optimista mas ou as escolas passam a falar mais grosso ou a autonomia será sempre uma miragem. Como todos sabem, a autonomia conquista-se, não se outorga.

segunda-feira, 12 de maio de 2008

Pais responsáveis

Ultimamente tenho encontrado muitos colegas que me falam constantemente da responsabilidade dos pais na educação escolar dos filhos. Estamos todos de acordo que as famílias têm uma enorme importância e que sem o seu concurso a escolarização das crianças e jovens, e tudo o que isso implica, fica muito muito mais difícil.
Mas quando os pais, pelas mais diversas razões, não podem ou não querem colaborar com a escola o que fazemos? Acusamo-los e condenamos os filhos ao fracasso ou temos de continuar a fazer o nosso serviço o melhor que sabemos e podemos e deixar-nos de lamentações que não resolvem problemas?
Pois é, de tanto se quererem responsabilizar os pais até parece que queremos ser nós a desresponsabilizar-nos.

domingo, 11 de maio de 2008

Liderança escolar na América Latina

A Rede de Liderança Escolar é uma das redes através das quais se dá continuidade ao Projeto Regional de Educação (PRELAC) no Escritório Regional de Educação da UNESCO para a América Latina e o Caribe (UNESCO/Santiago). A rede surge de diversas constatações, entre as quais se destacam:
.: Apesar de vultosos investimentos, a qualidade da educação nestes países mantém-se baixa.
.: O director e as equipes directoras desempenham um papel-chave na implementação eficaz das mudanças propostas pelas reformas educacionais.
.: As escolas de qualidade têm projetos institucionais próprios, assumidos e geridos coletivamente, com directores-líderes e intensa participação da comunidade.
Por isso, o objetivo primordial da RedLIDER está centrado no fortalecimento das capacidades de liderança técnico-institucional dos directores de centros escolares e suas equipes de direcção.
Dê uma vista olhos e constate que lá, como cá, a liderança escolar tem de estar na primeira linha. Sem liderança não há escola com qualidade.

quinta-feira, 8 de maio de 2008

Vocação ou expiação

Pois é, o colega que comentou o post anterior, a propósito da vocação, colocou o dedo na ferida, mas deixe-me dizer-lhe que o problema dos professores, nos tempos que vão correndo, não é apenas de vocação ou falta dela.
O cerne da desmotivação, que assume também o aspecto da aparente falta de vocação, é a consequência de uma política de desvalorização dos recursos humanos, da incapacidade para criar um laço afectivo com a classe por parte dos responsáveis do ME.
Fosse outra a política, outro o respeito pelos professores, outras as condições de trabalho, outra a perspectiva de carreira e iria ver como as vocações voltavam a florescer.
Eu sei que isto não lhe serve de consolo, mas ser professor ameaça deixar de ser uma vocação para se transformar numa autêntica expiação.

quarta-feira, 7 de maio de 2008

Formação ou deformação?

O ME, em colaboração com as Instituições de Ensino Superior tem vindo a desenvolver três programas de formação contínua em Português, Matemática e Ciências, destinados a docentes do 1.º ciclo do Ensino Básico.
Os professores têm acesso a formação de qualidade, que é completamente gratuita, aumentam o seu conhecimento científico e treinam novas competencias metodológicas e práticas.
Pergunta.
Porque é que tantos professores acham um frete esta formação, a encaram como um peso e passam a vida a protestar?
Hipóteses de resposta.
a) Acham que já sabem tudo e que não precisam de aprender nada.
b) Queriam ter de pagar a formação porque não gostam de borlas.
c) Preferiam ter formação ao fim-de-semana quando os alunos não estão nas escolas.
d) Nenhuma das anteriores.

Cartas na mesa

A Ministra da Educação teve ontem a sua melhor prestação televisiva. Descontraída, segura, até sorridente, respondeu sem dificuldades deixando uma excelente imagem da sua gestão. A entrevistadora, Constança Cunha e Sá, preparou mal a entrevista e sabe pouco de educação, o que contribuiu para o "brilho" da Ministra.
A pergunta que não foi feita era a mais importante - os critérios absurdos do concurso para titulares. Será que não se percebe que a contestação da avaliação radica (também) na total iniquidade dos critérios que presidiram àquele concurso e que inquinaram em definitivo tudo o que veio, e venha, a seguir em matéria de carreira e avaliação?
O manto de silêncio que existe à volta deste assunto é um dos insondáveis mistérios da galáxia educativa.
Na prova da entrevista, ponderados todos os critérios, dou medíocre (assim mesmo, à antiga) à entrevistadora e excelente à Ministra.

terça-feira, 6 de maio de 2008

Avaliação paritária

Na comunidade científica a avaliação de professores é, sobretudo, uma questão técnica, mas para o ME, depois de toda a balbúrdia que ele mesmo criou, a avaliação de professores passou a ser uma questão, sobretudo, laboral.
A Comissão Paritária (13 representantes sindicais e 13 representantes da Administração Educativa) vai "preparar a negociação de eventuais alterações".
Os especialistas da educação não são para aqui chamados, de um lado está o Governo e quem o representa, do outro os representantes dos professores sindicalizados. Os professores que não se revêem no Governo nem nos sindicatos ficam sem representantes.
É tudo uma questão de representatividade. Quanto à avaliação, é como a arbitragem, somos todos especialistas. Como diz a canção "Cá vamos, cantando e rindo...".

domingo, 4 de maio de 2008

SIDA

A beleza dos corpos e o erotismo ao serviço da vida. As imagens podem ser provocantes, mas as consequências da SIDA são bem mais chocantes.
http://www.lepoison.com/sidaction/

sábado, 3 de maio de 2008

O lince da Malcata, o Algarve e o défice

Desculpem-me mas hoje não vou falar de educação, não é que não me apeteça, simplesmente há coisas mais importantes para comentar como, por exemplo, um ecologíssimo programa de reintrodução do Lince da Malcata no Algarve.
Sou um fã do Lince da Malcata há muitos anos e acho que o bicho simboliza muito do "ser português". Primeiro é um animal bisonho, desde 2001 que ninguém sabe nada dele e mesmo nesse ano só foi possível encontrar excrementos. Segundo, como se supõe que o facto de não se deixar ver é um protesto contra as condições de interioridade da serra da Malcata, o Governo, sempre lesto a apoiar os mais desfavorecidos e os descontentes, vai criar instalações no Algarve para o acolher e, mais do que isso, para que as amenas temperaturas da região lhe aqueçam o sangue e o bicho se reproduza para que a espécie não desapareça.
A causa é nobre, evidentemente, e aplaudo o esforço do Governo ao financiar tão arrojado plano com 4 a 5 milhões de euros, leu bem - milhões, ouvi eu dizer na televisão ao Secretário de Estado do Ambiente Humberto Rosa, pessoa por quem tenho a maior consideração e apreço e que também pertence ao clube de fãs do lince.
Mas não consigo deixar de pensar que, e citando o insuspeito jornal Expresso de hoje, p. 11, 18% da população portuguesa tem um rendimento abaixo do limiar da pobreza, ou seja temos 1,8 milhões de pobres em Portugal, embora não haja confirmação científica de que este tipo de portugueses estejam à beira da extinção.
Assim sendo, justifica-se apoiar o lince com políticas públicas activas visando a reabilitação de habitats capazes não só de assegurar a sua subsistência mas, sobretudo, de constituirem um suporte adequado para uma política de fomento à natalidade do bicho, agora comprometida com os frios da Malcata e o stress provocado pela diminuição do desejo das fêmeas, em grande parte resultante da possibilidade de as SCUT passarem a ser portajadas e Lisboa ficar ainda mais longe. O Algarve trará longa e regalada vida ao lince, às linças e aos respectivos lincinhos.
Quanto aos portugueses pobres, que meditem no bom exemplo do lince. Quando deles só restarem excrementos poderão ter a certeza de que o seu fadário estará a terminar. Então abrir-se-ão as portas do Allgarve para que a espécie se não perca e se possa reproduzir nas melhores condições.
Nota de rodapé: O primeiro Ministro foi ao Algarve apresentar o novo hospital. Parece que a cerimónia custou uns troquitos, coisa pouca, 50 mil euros. Não seja mal intencionado, julga que não concordo que o Estado delapide assim os dinheiros públicos? Pelo contrário, acho muito bem, acho mal é haver funcionários públicos a mais e ainda por cima muito bem pagos, por isso é que o défice custa a ir ao lugar.

sexta-feira, 2 de maio de 2008

Escolas eficazes

Em conversa com uma colega que integra as equipas de avaliação de escolas, confessou-me ela que os inspectores que as integram têm uma preocupação especial com os resultados alcançados pelos alunos. É uma perspectiva, tem as suas limitações, já que a aprendizagem é muito mais do que apenas os resultados, mas estes têm de ser encarados com a relevância que lhes é própria.
Por absurdo será possível pensar numa escola óptima, onde os alunos são péssimos? Ou numa péssima, onde os alunos são óptimos? Claro que não, a qualidade das escolas mede-se por um conjunto diversificado de indicadores, mas os resultados vêm à cabeça.
É certo que os resultados dos alunos não dependem apenas de factores escolares, mas não deixa de ser verdade que o peso da escola nos resultados é enorme. Para além dos factores individuais, contam a competência dos professores, o funcionamento da turma, a organização da escola e a interacção com o contexto. A estruturação do ensino e a gestão da turma são elementos decisivos para bons resultados de aprendizagem, como também o são a liderança da escola, a disciplina e a existência de um quadro sólido de valores, bem como uma boa relação com os pais e com a própria comunidade.
As escolas não são todas iguais e os resultados dos alunos estão relacionados com a maior ou menor qualidade que elas evidenciam. É bom que todos tenhamos consciência disso, não para confirmar o facto, mas para agir em prol da melhoria das aprendizagens e da eficácia das escolas.

quinta-feira, 1 de maio de 2008

Manuela Ferreira Leite

Depois da experiência com Maria de Lurdes Rodrigues só faltava aos professores o regresso à ribalta de Manuela Ferreira Leite.

Talvez muitos já não se lembrem, mas enquanto Ministra da Educação de Cavaco Silva (1993-95) também não deixou boa memória. Adepta do exercício musculado do poder pouca consideração demonstrou pelos professores e pelas escolas, tendo inclusive garrotado economicamente as escolas profissionais, que então estiveram meses e meses sem receber um cêntimo, lançando gente no desemprego e diminuindo a qualidade da formação.

No geral o sistema sofreu com a gestão de Ferreira Leite que, em comum com Lurdes Rodrigues, parece ter um desprezo de estimação por direitos dos professores e olha com indiferença para o essencial da governação democrática - o respeito pelos parceiros sociais - o que ficou amplamente comprovado quando sob a direcção do Primeiro Ministro Durão Barroso foi Ministra de Estado e das Finanças.

Manuela Ferreira Leite, para além de candidata a Presidente do PSD, é aspirante a Primeira Ministra, o que justifica uma evocação dos tempos em que foi Ministra. Como dizia a canção "para pior já basta assim".