domingo, 30 de novembro de 2008

O conflito na educação visto pelo prisma da liderança e da inteligência emocional

O Governo está completamente equivocado na forma como está a gerir o conflito com os docentes. Na verdade, o entendimento necessário não é com os sindicatos, mas com os professores. Bem pode o presidente da FENPROF acentuar que são os sindicatos que representam os professores, é verdade, mas só representam alguns e já há muito tempo que a dinâmica de rejeição das políticas e da atitude do ME para com toda a classe ultrapassa largamente a acção dos sindicatos.
Se o Governo quer pacificar o campo educativo, e só admito que o faça pelo diálogo, tem de perceber que o obstáculo não são os sindicatos nem os professores, mas a própria equipa do ME. Se o Primeiro Ministro quiser ser parte da solução e não do problema tem de demitir rapidamente a equipa que dirige o ME, por uma razão simples e que é do domínio das teorias da liderança e se fundamenta nos princípios da inteligência emocional.
Quebrou-se totalmente o vínculo emocional que liga os professores ao Ministério e o que devia ser ressonância (Goleman et al, 2003) tornou-se dissonância, o que impede qualquer entendimento ou colaboração. As emoções tóxicas tornaram-se dominantes e inviabilizam o restabelecimento da confiança e do diálogo.
Tal como na Saúde Correia de Campos percebeu isso e o Primeiro Ministro também, é forçoso que no conflito da Educação se entenda que não há saída para o problema sem mudança de caras e de procedimentos. Os professores perderam, há muito, a confiança em quem supostamente os devia liderar, e quando os líderes perdem a confiança dos liderados, deixam de o ser.
Espero, sinceramente, que não se caia na tentação de fazer da anunciada greve do dia 3 uma forma de tentar partir a espinha ao movimento de contestação docente, e que haja a iniciativa política suficiente para encontrar uma solução que resolva o problema de fundo e não qualquer cosmética de ocasião.

sexta-feira, 28 de novembro de 2008

A conflitualidade escolar


As escolas são hoje locais de elevada conflitualidade entre professores, alunos e pais. O fenómeno é geral. O mau comportamento, o desrespeito pelos professores e as agressões tornaram-se comuns.
Em Inglaterra tentam travar o fenómeno com multas pesadas a alunos e pais. Fernando Savater assinala como causa maior a erosão da autoridade familiar e a desresponsabilização desta pelos comportamentos das suas crianças e jovens.
Por cá os professores desesperam e sentem-se abandonados à sua sorte. Mas não tem de ser assim. As escolas são organizações e como tal devem funcionar, não numa base individual, mas colectiva.

segunda-feira, 24 de novembro de 2008

O exemplo Britânico

Os pais dos alunos com comportamentos violentos nas escolas britânicas vão passar a ser multados num valor que pode ir até aos 1450 euros. 'As intimidações verbais e físicas não podem continuar a ser toleradas nas nossas escolas, seja quais forem as motivações' sublinhou a Secretária de Estado para as Escolas.
Disse também que ' as crianças têm de distinguir o bem e o mal e saber que haverá consequências se ultrapassarem a fronteira'. Acrescentou ainda que 'vão reforçar a autoridade dos professores, dando-lhes confiança e apoio para que tomem atitudes firmes face a todas formas de má conduta por parte dos alunos'.
A governante garantiu que 'as novas regras transmitem aos pais uma mensagem bem clara para que percebam que a escola não vai tolerar que eles não assumam as suas responsabilidades em caso de comportamento violento dos seus filhos. Estas medidas serão sustentadas em ordens judiciais para que assumam os seus deveres de pais e em cursos de educação para os pais, com multas que podem chegar às mil libras se não cumprirem as decisões dos tribunais'.
O Livro Branco dá ainda aos professores um direito 'claro' de submeter os alunos à disciplina> e de usar a força de modo razoável para a obter, se> necessário.
Em Portugal, como todos sabemos, o panorama é radicalmente diferente. Por cá, continua a vingar a teoria do coitadinho: há que desculpabilizar as crianças até ao limite do possível, pois considera-se que o aluno é intrinsecamente bem formado, o que o leva a assumir comportamentos desviantes são factores externos (contexto> social e familiar) que ele coitado não consegue superar.
Temos assim que o aluno raramente é penalizado e quando o é, os castigos ficam-se na sua maioria por penas ligeiras, não vá correr-se o risco de o menino/a sofrer traumas que o podem marcar para o resto da vida. As notícias sobre actos de vandalismo, de agressão, de indisciplina e de violência praticados em contexto escolar que, com progressiva frequência vamos conhecendo, deviam merecer da parte de quem tutela a educação, medidas mais enérgicas que infelizmente tardam em chegar. (Anónimo, em circulação na net)

Aumento da violência nas escolas reflecte cise de autoridade familiar

Embora o texto que se segue diga respeito à indisciplina nas escolas espanholas, realidade que desconheço, estou em crer que a generalidade dos professores do ensino básico e secundário português o subscreveria, considerando-o uma análise muito lúcida do actual estado do nosso ensino.
Especialistas reunidos em Espanha consideram que o aumento da violência nas escolas reflecte a crise de autoridade familiar. Especialistas em educação reunidos na cidade espanhola de Valência defenderam hoje que o aumento da violência escolar deve-se, em parte, a uma crise de autoridade familiar, pelo facto de os pais renunciarem a impor disciplina aos filhos, remetendo essa responsabilidade para os professores.
Os participantes no encontro 'Família e Escola: um espaço de convivência', dedicado a analisar a importância da família como agente educativo, consideram que é necessário evitar que todo o peso da autoridade sobre os menores recaia nas escolas.'
As crianças não encontram em casa a figura de autoridade', que é um elemento fundamental para o seu crescimento, disse o filósofo FernandoSavater.' As famílias não são o que eram antes e hoje o único meio com que muitas crianças contactam é a televisão, que está sempre em casa', sublinhou.
Para Savater, os pais continuam 'a não querer assumir qualquer autoridade',preferindo que o pouco tempo que passam com os filhos 'seja alegre' e semconflitos e empurrando o papel de disciplinador quase exclusivamente para osprofessores. No entanto, e quando os professores tentam exercer esse papel disciplinador,'são os próprios pais e mães que não exerceram essa autoridade sobre osfilhos que tentam exercê-la sobre os professores, confrontando-os', acusa..'O abandono da sua responsabilidade retira aos pais a possibilidade de protestar e exigir depois. Quem não começa por tentar defender a harmonia no seu ambiente, não tem razão para depois se ir queixar', sublinha.
Há professores que são 'vítimas nas mãos dos alunos'. Savater acusa igualmente as famílias de pensarem que 'ao pagar uma escola'deixa de ser necessário impor responsabilidade, alertando para a situação demuitos professores que estão 'psicologicamente esgotados' e que se transformam 'em autênticas vítimas nas mãos dos alunos'.
A liberdade, afirma, 'exige uma componente de disciplina' que obriga a que os docentes não estejam desamparados e sem apoio, nomeadamente das famílias e da sociedade.' A boa educação é cara, mas a má educação é muito mais cara', afirma, recomendando aos pais que transmitam aos seus filhos a importância da escola e a importância que é receber uma educação, 'uma oportunidade e umprivilégio'.
'Em algum momento das suas vidas, as crianças vão confrontar-se com a disciplina', frisa .Em conversa com jornalistas, o filósofo explicou que é essencial perceber que as crianças não são hoje mais violentas ou mais indisciplinadas do que antes; o problema é que 'têm menos respeito pela autoridade dos mais velhos'.' Deixaram de ver os adultos como fontes de experiência e de ensinamento para os passarem a ver como uma fonte de incómodo. Isso leva-os à rebeldia', afirmou. Daí que, mais do que reformas dos códigos legislativos ou das normas em vigor, é essencial envolver toda a sociedade, admitindo Savater que 'mais vale dar uma palmada, no momento certo' do que permitir as situações que depois se criam. Como alternativa à palmada, o filósofo recomenda a supressão de privilégios e o alargamento dos deveres. (Anónimo em circulação na net)

sexta-feira, 21 de novembro de 2008

O drama do desemprego


Nesta sociedade de contrastes há os que passam incólumes pela crise e os que perdem tudo, alguns até a dignidade. A grande maioria tenta resistir como pode, mas cada vez com mais dificuldade.
O desemprego é um espectro em crescimento e a erosão social e familiar que origina, num país em que a Segurança Social está longe de assegurar padrões satisfatórios de subsistência, assume a dimensão de drama humano.Quem não consegue encontrar emprego ou perde o que tem vê o mundo desmoronar-se à sua volta, mas só há um caminho, ir à luta, ter ideias positivas, acreditar numa oportunidade e não se deixar abater.

Os gigolôs da banca


O caso BCP e agora o do BPN, levantam problemas sérios de confiança sobre muitos dos administradores dos bancos, alguns dos quais foram membros de governos e referências na sociedade.
Politicamente o debate tem-se centrado nas responsabilidades do Governo e do Regulador, mas os verdadeiros culpados são os banqueiros corruptos que agem como qualquer gigolô que se preze e, como estes, ficam na sombra.
O fenómeno não é só português, mas importa credibilizar o exercício da gestão ao mais alto nível. A operação furacão não passou de uma simples brisa e mãos limpas, nem vê-las. É pouco e, sobretudo, é imoral.
(Nota, este texto foi publicado no Região de Leiria do passado dia 14)

sábado, 15 de novembro de 2008

Para que serve um Conselho Executivo?

O título pode parecer provocatório, mas não é. A pergunta ganha ainda mais actualidade no actual contexto.
Um Conselho Executivo, executa. O quê, perguntar-se-á. Certamente o que decorre da lei e dos normativos, mas um CE não se pode preocupar apenas com o respeito pelas conformidades e pelos calendários.
Um Conselho Executivo deve ter como preocupação primeira liderar a organização e, sobretudo, dar atenção às questões pedagógicas.
O que se passa, e não é novo, é que muitos conselhos executivos, são uma espécie de piloto automático, que por qualquer acaso do destino, estão mal direccionados e conduzem as escolas para o abismo.
Incapazes de darem solidez à organização, de mobilizarem os professores, de meterem os alunos na ordem, de enquadrarem a acção das associações de pais, limitam-se "ao expediente".
Nunca gostei de separar a escola pública, a que prefiro chamar estatal, da privada, uma vez que esta também presta um serviço público, e até é paga para tal através dos contratos de associação, mas pelo andar da carruagem a escola pública-estatal passará mesmo a ser de segunda, guettizada e transformada num território de confrontos de todos contra todos, ao passo que as privadas serão cada vez mais óasis de paz, sossego e aprendizagem.
É por isso que a pergunta título faz sentido, um dos desafios é que os directores se assumam como verdadeiros líderes escolares, para dentro e para fora das escolas e, para que isso aconteça, não basta serem eleitos, é preciso que sejam reconhecidos como tal.
A liderança faz a diferença e, se duvidam, procurem bons exemplos e comparem.

quarta-feira, 12 de novembro de 2008

o vórtice da avaliação

A avaliação ameaça engolir os professores. A ministra canta de galo e Sócrates aplaude. Os verdadeiros problemas das escolas são esquecidos, os professores são atirados literalmente "aos bichos", as direcções das escolas não permitem reuniões cívicas de professores e estes, em vez de protestarem e fazerem as reuniões dentro das escolas, vão pedir asilo para outro lado.
Mas que país é este? Como se explica que cento e muitos mil professores protestem em Lisboa e não protestem dentro das suas escolas? Que dirigentes escolares são estes que fecham a porta aos colegas? São ordens do Ministério? E se as não cumprirem?
Uma escola é uma instalação pública, aberta á comunidade e, por maioria de razão a quem lá trabalha. Se o deputado da Madeira não pode ser impedido de entrar no Parlamento Regional, quem pode impedir os professores de se reunirem nas suas escolas para discutirem assuntos do seu interesse? As escolas são do Estado, não são do Governo.
Se os professores de uma dada escola não conseguem sequer protestar contra a infâmia que é um Conselho Executivo proibir-lhes que se reúnam no seu local de trabalho, como querem ser levados a sério nos seus protestos contra a avaliação ou contra o que quer que seja.
A avaliação está a tranformar-se num vórtice que vai engolir a maioria dos docentes, capazes de gritarem a plenos pulmões em Lisboa contra o Governo, mas que se aquietam e se deixam insultar sem um pio nos seus locais de trabalho. Assim, não vão lá.

domingo, 9 de novembro de 2008

Tomar a nuvem por Juno

O comentário do Pedro B. é muito estimulante, mas já podia ter sido escrito para aí há vinte ou trinta anos. Ora se os professores como ele diz andam agora a esbracejar, são piores que os meus patrícios alentejanos e reagem muito ao ralenti.
O problema é a política educativa deste governo, não é a massificação, nem a proletarização, nem essas coisas interessantes que ele diz, mas que pouco têm a ver com o que se passa.
Corram lá com a Ministra, ponham gente no Ministério que saiba o que é uma escola e tenha espírito de professor, anulem o concurso para titulares, alterem a metodologia da avaliação e vamos ver que se acaba com as manifestações e com professores a reformarem-se ou a recorrerem ao psiquiatra para não irem às fuças dos alunos mal comportados e dos pais que lhes dão cobertura.
O problema de muitos professores socialistas é que tomam a nuvem por Juno, que é como quem diz, confundem manifestações genuínas de descontentamento com a política educativa como se de guerra política ao Governo se tratasse.
A política educativa deste Governo, na área objecto destes post é um desastre e isto tem de ser afirmado doa a quem doer, custe o que custar. Quem pôs a escolas a ferro e fogo foi a Ministra e os ajudantes, não foram os professores. E como diz um colega num comentário ao post inicial, a Sócrates só restam duas alternativas, ou faz cair a Ministra ou cai com ela. Por mim, há mais uma, é cair com a maioria relativa, porque acredito que as eleições ganha.

sábado, 8 de novembro de 2008

E se a Ministra da Educação custar a maioria absoluta ao PS?

Retenho duas imagens de hoje. A impressionante manifestação dos professores e a imagem patética da Ministra na TV a tentar demonstrar o indemonstrável, que as escolas estão a trabalhar no melhor dos mundos e que o processo é para continuar.

A realidade é que as escolas estão diminuidas na sua capacidade operativa e que os professores estão à beira de um ataque de nervos, com gravíssimos prejuízos para a serenidade que uma relação pedagógica construtiva exige e para a qualidade da mesma.

Independentemente do juízo que se faça sobre a política educativa deste Governo, é inquestionável que o mesmo deixou apoderecer o ambiente nas escolas, como jamais acontecera desde os tempos de brasa do PREC, nos idos de setenta, e os pais começam a sentir os efeitos nefastos deste desassossego que a Ministra atiça a cada intervenção.

Não se trata, como muitos dizem, de "teimosia" da Ministra, o que ocorre é que os objectivos políticos estão desenquadrados da realidade. Até podiam estar correctos, mas não existirem condições para os aplicar. Na realidade é impossível e prejudicial manter este braço de ferro com os professores.

Só um ignorante em matéria de gestão de organizações, e é suposto que um ministro o não seja, não percebe isto, ainda mais quando estamos perante uma "burocracia profissional", expressão técnica grafada por Mintzberg, que se aplica a professores, médicos, contabilista e outras classes profissionais, impossíveis de controlar segundo mecanismos hierárquicos que funcionam bem noutros contextos.

No limite, quem controla o que um professor faz dentro da sala de aula ou um médico na sua consulta? É isto e muito mais que escapa à Ministra e aos que a rodeiam, convencidos que gerir a Ministério da Educação requer a mesma atitude que comandar a GNR.

Politicamente falando, Sócrates arrisca-se a perder a maioria absoluta por causa da política educativa e da Ministra que escolheu. Valerá a pena? Se isto vier a acontecer, tudo o que esta equipa tentou fazer voltará à estaca zero.

Ora, Sócrates, que não é parvo e que quer ser reeleito com a dita maioria absoluta, devia fazer já três coisas:

1. Demitir a equipa do Ministério da Educação e substituí-la por gente fresca a capaz de conquistar a classe docente.
2. Anular o concurso para titulares e reverter, no possível, a situação das carreiras ao momento em que o concurso ocorreu.
3. Suspender o processo de avaliação e aproveitar a experiência para desenhar uma nova metodologia, entregando o processo às instituições de ensino superior com experiência na formação de professores, que negociariam, mais tarde, uma proposta final com as associações representativas dos docentes.
A ministra ia à vida dela, Sócrates saía por cima, a calma voltava às escolas e as reformas seguiriam com mais lentidão, mas com muito mais segurança.
A educação só tinha a ganhar e, politicamente, o PS reconciliava-se com muita gente que lhe faz falta para segurar os resultados eleitorais.

sexta-feira, 7 de novembro de 2008

O mundo mudou



Há acontecimentos que pela sua importância e dimensão fazem mudar o mundo. É o caso da eleição do Presidente Obama. De um dia para o outro o mundo tornou-se diferente, o pessimismo deu lugar à esperança, os pobres e desfavorecidos sabem que contam com mais um apoio de peso, a geopolítica internacional passa da crispação à distensão.
“Quando um homem sonha, o mundo pula e avança”, diz Gedeão. Foi o que aconteceu, Obama sonhou, e com ele milhões de americanos e biliões de cidadãos do mundo inteiro, que o tomam também como o “seu” presidente de um mundo melhor.
Quanto a McCain, é um herói de guerra e, para estes, não há derrotas.

domingo, 2 de novembro de 2008

A Língua Portuguesa


Em mais uma cimeira Luso-Brasileira, ocorrida esta semana no Brasil, foi referenciada como questão fundamental o reforço das acções conducentes à divulgação da Língua Portuguesa no mundo, o que inclui a facilitação do acesso à sua aprendizagem.
Exceptuando o Brasil, em todos os outros países de língua oficial portuguesa o número de falantes de Português é reduzido e os apoios à sua divulgação, aprendizagem e aperfeiçoamento, muito aquém do necessário.
É caso para dizer em bom Português que “sobram palavras e faltam resultados”. Resta a esperança de mais uma mão cheia de promessas.