terça-feira, 27 de janeiro de 2009

Avaliação internacional do 1.º ciclo

Para os que se interessam por ir ao fundo das questões e não apenas pelos soud bites da comunicação social, é imperativo ler com toda a atenção o relatório elaborado por peritos internacionais.
Para que não haja desculpas, aqui fica o link:
http://www.governo.gov.pt/Portal/PT/Governos/Governos_Constitucionais/GC17/Ministerios/ME/Comunicacao/Notas_de_Imprensa/20090126_ME_Com_Avaliacao_Basico.htm

Para além da euforia do Governo, ficam as apreciações críticas da comissão que elaborou o relatório sobre muitas questões que todos consideram merecedoras de reparo.
Naturalmente que num ou noutro passo, o relatório evidencia perspectivas que resultam de uma apreciação feita com olhos "de fora" e que nem sempre se compaginam com a cultura escolar portuguesa.
Dou um exemplo, a solução unipessoal para as direcções das escolas. De um ponto de vista meramente técnico, a solução director é recomendável como geradora de lideranças mais fortes, requisito considerado essencial para assegurar uma direcção estratégica das organizações mais eficaz. Esta perspectiva é reforçada por muitas experiências internacionais que consagram este modelo e que acham surrealista o formato que vigorou em Portugal nas últimas três décadas.
No entanto, é muito difícil encontrar nas escolas portuguesas quem concorde com a nova solução, sejam professores, sejam os próprios gestores escolares e quase todos afirmam preferir o modelo anterior, por o considerarem mais democrático e participativo.
"É a cultura, estúpido", como diria Clinton. Só não percebe quem olha para a realidade e não consegue compreender que esta existe independentemente da nossa vontade, o que acontece com os reformadores do ME, convencidos que mudam tudo de acordo com a sua orientação política, como quem muda as peças de um lego.
Este relatório é um documento útil e deve ser lido e reflectido como tal e não encarado como um frete ao governo e, por isso, lançado ao caixote do lixo, sem mais.