segunda-feira, 28 de setembro de 2009

Assegurar a governabilidade do país

O PS ganhou, sem surpresa, as eleições, embora tenha perdido a maioria absoluta, como também se esperava. Agora trata-se de assegurar governabilidade do país. As hipóteses são várias - governar em minoria, fazendo acordos circunstanciais no Parlamento, consoante as matérias em jogo. Coligar-se com quem lhe assegure uma maioria estável.
Teoricamente, tratando-se de um partido que se posiciona à esquerda no espectro político, poderia fazê-lo com o BE e a CDU. Só que entre as três forças politicas há divergências irreconciliáveis e muito dificilmente seria possível assegurar qualquer base sólida de cooperação.
A aliança com o PSD daria lugar ao Boco Central, que muitos vêem como a suprema contradição do nosso sistema político. O "Centrão" sugere uma amálgama de interesses difusos e suspeitos e susceptível de criar uma opacidade nefasta na vida democrática.
Resta o CDS, que necessita de um palco credível para continuar a afirmar-se e deseja capitalizar o voto da direita e do centro-direita que habitualmente pende para o PSD.
Governar sozinho parece ser a solução natural, mas torna o mandato uma caixinha de surpresas e obriga a uma actividade permanente e desgastante de negociação. A viabilização de uma coligação pode permitir uma solução governativa estável e credível na base de um acordo realista de acção política para os próximos quatro anos, incluindo, como bónus, o apoio a um candidato presidencial do PS moderado e bem preparado como, por exemplo, António Guterres.
Entretanto há a batalha das autárquicas e é como se fosse necessário recolocar o contador a zeros para recomeçar o combate eleitoral. Até ao dia 11 de setembro a gobernabilidade futura do país vai ter de esperar, até porque destes resultados depende a consolidação de uma qualquer solução de gorverno.