segunda-feira, 28 de dezembro de 2009

Professores, os suspeitos do costume

Há um hábito, relativamente recente na educação portuguesa, a fazer escola - culpar os professores por tudo quanto de menos positivo acontece nas escolas.
Os alunos são desmotivados, a culpa é dos professores; têm maus resultados, a culpa é dos professores; comportam-se de forma incorrecta, a culpa é dos professores. E por aí fora...
Os professores têm as costas largas e todos aproveitam, até os "especialistas", que falam de cátedra, alguns dos quais sem nunca terem posto os pés numa sala de aula do básico ou do secundário.
Agora, alguns, descobriram que são os professores os culpados por não conseguirem "negociar" com os alunos a forma destes se comportarem nas aulas. Falta de formação, dizem.
Mas esperem lá, é aos alunos que compete acatar e cumprir as regras ou aos professores, quais negociadores policiais, convencerem-nos a não os insultar ou agredir?
Evidentemente que a conflitualidade está latente nas relações interpessoais, que não deixa de ser verdade que se pode aprender sempre mais a lidar com isso e a limitar, em vez de acirrar, episódios de mau comportamento, mas é fundamental que não se "tome a nuvem por Juno".
A mensagem indispensável que deve ser passada pela família, pela sociedade e pela escola, aos alunos, é a de que há regras para cumprir e penalidades para quem as infringir. Assumido este princípio, tudo o mais pode ser equacionado, mas colocar o ónus do mau comportamento dos alunos sobre os ombros dos professores é ignorância, demagogia ou má fé.