terça-feira, 27 de janeiro de 2009

Curso em Direcção, administração e gestão de organizações escolares

É já no dia 6 de Março que se inicia o curso de formação especializada/pós-graduação em Direcção, administração e gestão de organizações escolares, que vai funcionar na Escola Superior de Educação e Ciências Sociais (nova denominação da ESE) do Instituto Politécnico de Leiria.
Assumidamente destinado à formação de líderes e gestores escolares, tem um plano de estudos adaptado às necessidades fundamentais, teóricas e práticas, de quem se quer qualificar para dirigir e gerir escolas e um corpo docente onde o compromisso entre académicos, técnicos e gestores escolares experientes é evidente.
Concebido por forma a proporcionar oportunidades de reflexão numa perspectiva internacional, o curso conta com a participação especial de dois professores catedráticos de universidades espanholas, Manuel Lorenzo Delgado, da Universidade de Granada, uma referência na área da liderança, e Tomás Banegil Palácios, da Universidade da Extremadura, especialista em gestão de recursos humanos.
Também dão o seu contributo inestimável Edmundo Gomes, Director do Gabinete de Gestão Financeira do Ministério da Educação, João Paulo Mineiro, presidente de um conselho executivo e galardoado com o prémio de liderança 2008, atribuído pelo ME, Rodrigo Queiróz e Melo, da Universidade Católica e especialista em questões do ensino particular e cooperativo, Fernando Pina, chefe de serviços administrativos e com larga experiência em contabilidade escolar, Maria João Braga da Costa jurista especializada em questões educativas e Marco Trindade, especialista em software de apoio à gestão escolar.
Alzira Marques, Antónia Barreto, Brites Ferreira, Lúcia Oliveira e José Manuel Silva, professores do IPLeiria, completam o corpo docente do curso.
O funcionamento será quinzenal para facilitar a frequência por parte de pessoas que não sejam da região e tenham de pernoitar em Leiria de sexta-feira para sábado, dias em que o curso terá sessões. O alojamento a preços reduzidos será possível nas residências e pousada do IPL, assim como a alimentação.
Mais informações em http://www.esecs.ipleiria.pt/

Avaliação internacional do 1.º ciclo

Para os que se interessam por ir ao fundo das questões e não apenas pelos soud bites da comunicação social, é imperativo ler com toda a atenção o relatório elaborado por peritos internacionais.
Para que não haja desculpas, aqui fica o link:
http://www.governo.gov.pt/Portal/PT/Governos/Governos_Constitucionais/GC17/Ministerios/ME/Comunicacao/Notas_de_Imprensa/20090126_ME_Com_Avaliacao_Basico.htm

Para além da euforia do Governo, ficam as apreciações críticas da comissão que elaborou o relatório sobre muitas questões que todos consideram merecedoras de reparo.
Naturalmente que num ou noutro passo, o relatório evidencia perspectivas que resultam de uma apreciação feita com olhos "de fora" e que nem sempre se compaginam com a cultura escolar portuguesa.
Dou um exemplo, a solução unipessoal para as direcções das escolas. De um ponto de vista meramente técnico, a solução director é recomendável como geradora de lideranças mais fortes, requisito considerado essencial para assegurar uma direcção estratégica das organizações mais eficaz. Esta perspectiva é reforçada por muitas experiências internacionais que consagram este modelo e que acham surrealista o formato que vigorou em Portugal nas últimas três décadas.
No entanto, é muito difícil encontrar nas escolas portuguesas quem concorde com a nova solução, sejam professores, sejam os próprios gestores escolares e quase todos afirmam preferir o modelo anterior, por o considerarem mais democrático e participativo.
"É a cultura, estúpido", como diria Clinton. Só não percebe quem olha para a realidade e não consegue compreender que esta existe independentemente da nossa vontade, o que acontece com os reformadores do ME, convencidos que mudam tudo de acordo com a sua orientação política, como quem muda as peças de um lego.
Este relatório é um documento útil e deve ser lido e reflectido como tal e não encarado como um frete ao governo e, por isso, lançado ao caixote do lixo, sem mais.

domingo, 25 de janeiro de 2009

O porto inseguro de Sócrates

O Freeport tornou-se o porto inseguro de Sócrates. Acredito na sua inocência e não posso deixar de me recordar da história do lobo e do cordeiro. " - Se não foste tu, foi o teu pai (tio e primo, neste caso)", mesmo que ainda nada se tenha provado de substantivo relativamente a qualquer deles.
Qual crise, qual desemprego galopante, qual colapso de milhares de economias familiares. O Freeport é que parece ser a verdadeira preocupação do país.
Em momentos de tormenta torna-se ainda mais premente um timoneiro. Alguém vê outro melhor do que Sócrates? Então por quê esta sanha de o atirarem ao tapete sem indícios palpáveis, apenas com base em suposições e declarações inócuas? E a justiça? Não é essa a sede própria para tratar do assunto?
Custa-me imenso ver os jornalistas a fazer o papel de investigadores, tanto mais que em sede própria há meios de defesa e na comunicação social resta a fogueira, como nos tempos da Santa Inquisição.
Que não se goste de Sócrates é uma liberdade que cada um administra como quer, mas crucificá-lo assim é uma imoralidade e um atentado aos mais elementares princípios que devem reger uma sociedade democrática.
A liberdade de informação nem sempre se compagina com a necessidade de aumentar as tiragens e as vendas.

sexta-feira, 23 de janeiro de 2009

O milagre do Hudson

A amaragem de um avião com cento e cinquenta passageiros a bordo é um feito invulgar, ainda mais quando todos se salvam e apenas um sofre ferimentos dignos de registo.
Como todos pudemos observar em directo pela CNN, o socorro foi imediato, ficando para a história a imagem inusitada de dezenas de passageiros em cima das asas, aguardando calmamente na “fila” para embarcarem rumo à margem.
Tudo pareceu simples e rotineiro e o drama vivido nos poucos minutos que o avião esteve no ar ficou em segundo plano face à capacidade do piloto, à proximidade do rio, à calma das águas, à rapidez da evacuação, à sorte. Às vezes há milagres.

Os casamentos de homosexuais

O tema foi anunciado como um dos tópicos fracturantes que o PS vai colocar à consideração dos portugueses nas próximas legislativas. Só num país ainda refém de um lastro de ideias obsoletas é que esta matéria suscita excitação. Até os nossos vizinhos espanhóis já arrumaram este assunto.
Mário Soares não perdeu tempo e veio dizer que o tema não é prioritário que o que se deve discutir são as assimetrias sociais e dar mais importância a trabalhadores e sindicatos.
Ora bem, que eu saiba, os nossos concidadãos, homens e mulheres, que têm uma orientação sexual deste tipo também são trabalhadores, alguns são sindicalizados, uns com bons empregos, outros desempregados.
Quero eu dizer que não me parece muito justo que quando se fala deste tema sempre alguém venha dizer que não é oportuno discuti-lo, que há outras prioridades mais importantes. Claro que há coisas mais importantes, por isso mesmo, resolva-se o assunto e passe-se adiante.
O casamento é um contrato e, como tal, qualquer pessoa deve ser livre de o celebrar.
Quanto aos aspectos religiosos da questão, que se resolvam no âmbito de cada congregação. Ninguém é obrigado a ter devoção a N.Sr.ª de Fátima, mas também ninguém é impedido de o fazer.
Se duas pessoas do mesmo sexo se querem casar, devem poder fazê-lo livremente, como livremente todos os heterosexuais o fazem. Que sejam muito felizes, é o que lhes desejo.

quarta-feira, 21 de janeiro de 2009

Voltando à vaca fria

Hoje estive à conversa com uma amiga e militante do PS. A avaliação dos professores foi o prato forte. Ela a favor, eu contra. De um lado a retórica oficial do PS, do outro um militante desalinhado.
Claro que sou suspeito, fui professor do secundário durante mais de uma década e sou formador de professores há mais de duas. Para além disso sou sindicalizado e fui fundador do sindicato onde sou filiado. Tudo graves predicados que não abonam a favor de um crítico do processo de avaliação do desempenho dos professores e militante do PS.
Tenho, no entanto, um argumento moral, a experiência prática de avaliar centenas de candidatos a professores e de professores no activo. Acho que sei alguma coisa do assunto, não só teoria, mas também de experiência vivida.
Acresce que não sou directamente interessado no assunto, pois não estou em causa enquanto avaliado, o que me reconforta para poder ter uma posição independente da defendida oficialmente pelo partido onde milito.
Tudo visto e somado, por que haveria eu de ter a posição que tenho se não fosse por convicção e por esta decorrer de uma análise fundamentada da realidade portuguesa? Claro que não sou contra a avaliação dos professores, pelo contrário, acho-a indispensável. Quando ainda pouco se falava do assunto orientei mesmo seminários sobre a matéria, numa perspectiva de sensibilização, mas a forma como o processo se desenrolou tornou-o quase inviável.
Ninguém no seu perfeito juízo pode pensar em generalizar um processo destes passando uma esponja sobre o passado, pois por muito que a propaganda o queira esconder, já havia avaliação de professores e se o processo não era o melhor a culpa não foi dos avaliados, mas dos decisores políticos.
Para além disto, o processo foi inteiramente concebido por técnicos do ME sem intervenção de especialistas com currículo reconhecido na matéria e sem qualquer discussão digna desse nome com as associações e sindicatos que representam os professores.
Depois, ignorou-se a realização de qualquer prática experimental que contribuísse para aferir os instrumentos e aperfeiçoar todo o processo.
Finalmente, matou-se a sua credibilidade, antes mesmo deste estar em prática, ao ter-se feito um concurso para titulares, cuja arbitrariedade técnica e ausência de escrúpulos éticos ao nível da concepção e da aplicação, o tornaram num aborto em que ninguém se revê, à excepção de quem o concebeu e de quem julga poder tirar algum partido da sua existência.
É por tudo isto que se chegou ao ponto em que estamos e, verdadeiramente, ninguém sabe como se há-de sair deste atasqueiro.
Perdoem-me a insistência, mas a única saída airosa era a substituição da equipa do ME por uma mais fresca e isenta de culpas neste cartório, capaz de ganhar a confiança da classe docente e de conseguir um entendimento com ela, sem vencedores nem vencidos, consensualizando uma solução transitória e fazendo caminho para pôr de pé um processo de avaliação mais consentâneo com as metodologias internacionalmente mais vulgarizadas e com a realidade das escolas portuguesas. E, claro, reformulando a questão dos titulares.
Pacificavam-se as escolas e o PS reconquistava uma parte do eleitorado que alienou, ou vai alienar, se este braço-de-ferro continuar.
Sinceramente, ninguém consegue fazer chegar esta mensagem ao Primeiro Ministro? A minha teoria é que ele anda enganado por assessores e pela equipa do ME, porque o homem é determinado (alguns dizem teimoso) e um bocado arrogante, mas não é parvo nem quer perder a maioria absoluta.

terça-feira, 20 de janeiro de 2009

Obama - Um presidente global

O mundo contemporâneo é fertil em situações inusitadas que só a revolução científica e tecnológica permanente a que assistimos permite e justifica.
A posse de Obama é um acontecimento global e este já se transformou num ícone, à semelhança de uma estrela pop, de um desportista de topo, de uma princesa do jet set.
Por isso Barack Obama vai ser hoje empossado como o 1.º Presidente Global, e em todo o mundo homens e mulheres de todas as raças, credos e orientações se revêem nele como, provavelmente, se não revêem nos respectivos governantes.
Alguns dirão que ele lidera uma tribo global, sedenta de liderança e de energia transformadora. Os profetas da desgraça entoam ladaínhas sobre a incapacidade de Obama corresponder às expectativas criadas, por demasiado elevadas.
Seja como for, We can! é um hino à autoconfiança que, segundo Buda, é o maior tesouro de cada pessoa.

segunda-feira, 19 de janeiro de 2009

Por favor enterrem a avaliação

O direito à indignação concretizou-se mais uma vez na elevada taxa de adesão à greve. Pouco importa a guerra dos números, quando só os que não querem ver podem pretender esconder a realidade.
As escolas pararam, os putos gozaram o dia sem aulas de substituição e os pais tiveram mais uma dor de cabeça para resolver.
A greve soou como o gong para mais um round desta disputa que o ME e o Governo, ou o contrário, teimosamente mantém como se não houvesse escola para além da avaliação, como diria Jorge Sampaio.
Dos Açores chega a notícia de que o processo foi suspenso, ou tão simplificado que vai dar no mesmo. Na Madeira já Jardim resolvera dar Bom a todos os docentes. A miopia do ME está a tranformar uma coisa que devia ser séria numa autêntica ópera bufa, descredibilizando a própria matriz que um processo desta natureza pressupõe.
A avaliação do desempenho é um cadáver putrefacto que os professores, por misericórdia, devem enterrar rapidamente, juntando-lhe o concurso para titulares, única forma de se devolver à escola estatal portuguesa a dignidade perdida.

domingo, 18 de janeiro de 2009

Dia D

Amanhã se saberá como vai evoluir a luta dos professores. A adesão à greve condiciona o futuro. Como alguém diz num mail que anda por aí a circular "quem não aderir à greve é porque já está morto". Assim mesmo, sem rodeios.
E como dos fracos não reza a História e os mortos não se revoltam, esperemos que a indignação seja mais forte que a desesperança.

A audácia da esperança

Tomo de empréstimo o título de um livro de Barack Obama, cuja leitura vivamente recomendo por ser um texto que nos ajuda a conhecer melhor o presidente eleito dos EUA e os eixos fundamentais do seu pensamento enquanto homem e político.
A partir do dia 20 o mundo vai ser diferente porque a Casa Branca passa a ser ocupada por um homem filho de mãe branca e de pai negro, que teve um padrasto indonésio e foi educado pelos avós brancos, se casou com uma negra culta e de forte personalidade, e cuja avó paterna ainda hoje vive numa aldeia do Quénia.
O Presidente Obama corporiza a esperança de todos os que acreditam num mundo melhor e protagoniza o exemplo de um rapaz pobre que chega a líder do mundo.

domingo, 11 de janeiro de 2009

O inferno em Gaza

Israel tem o direito de se defender, mas não de massacrar. A desproporção de meios e de mortos não deixa dúvidas e o combate ao terrorismo é uma questão política e não essencialmente militar.
Mas a realidade é que perante a apatia internacional fica para Israel a tarefa suja de exterminar o Hamas, peão dos interesses árabes fundamentalistas, que nem a liderança palestiniana respeita.
O que está em causa é a fronteira entre estados terroristas e terrorismo de estado, entre o pior fundamentalismo muçulmano e o modelo democrático de organização das sociedades, entre o martírio como forma de libertação e a paz como bem supremo da Humanidade.

domingo, 4 de janeiro de 2009

Avaliação simplificada e gratificações de gestão

Jacques Monod escreveu, já há muitos anos, um livro brilhante sobre a evolução biológica intitulado "O acaso e a necessidade" que, em termos muito simples, procura demonstrar que foram o acaso, nuns casos, e a necessidade de adaptação às condições do meio, noutros, que determinaram a evolução das espécies.
Lembrei-me disto a apropósito da publicação simultânea, com data de 5 de Janeiro, dos decretos regulamentares que estabelecem, repectivamente, os princípios da avaliação simplificada e as gratificações de gestão dos novos directores.
Acaso ou necessidade?
É que nos entretantos da batalha que se avizinha, deixar uns milhares de candidatos a directores e subdirectores a pensar que podem vir a ganhar mais umas centenas de euros - de 600 a 750 para directores e de 310 a 400 para subs - é mais uma medida de acalmia no mar encapelado onde voga a educação.
Dir-se-á que os professores, ou alguns, não se deixam comprar. Mas não é disso que se trata, apenas de reconhecer que para ter bons gestores é preciso pagar-lhes melhor e as gratificações agora aprovadas constituem um bom incentivo. Nada que se compare à banca, é certo, mas...
O novo ano avizinha-se prenhe de desafios e como se diz nos casinos "os dados estão lançados...façam os vossos jogos".

Avaliar a avaliação

Numa perspectiva estritamente de cidadania vale a pena olhar para o conflito entre o ME e os professores e interrogarmo-nos sobre os seus resultados para o reforço da qualidade das escolas e das aprendizagens e a pergunta óbvia é se não teria sido mais eficaz o caminho do diálogo e da negociação desde o início.
Por muito que alguns não queiram ver e aceitar, o ambiente de aprendizagem degradou-se e as escolas estão hoje piores do que há um ano atrás. O ME e o Governo podem ganhar o braço-de-ferro com os professores - contra a força não há argumentos - mas os alunos e o país não ganham nada com isso.

Trinta dinheiros

Um partido Madeirense distribuiu trinta euros por idoso como forma de chamar a atenção para o facto de a Assembleia Regional ter aumentado as subvenções aos partidos políticos locais.
Foi uma forma original e útil de protesto e talvez nunca um partido tenha conseguido um impacto mediático tão grande e uma aprovação tão generalizada com um investimento tão pequeno.
A medida suscitou dúvidas constitucionais ao representante do PR na Madeira, mas não parece ter perturbado a boa consciência de quem lá manda. Nos tempos difíceis que se atravessam nada melhor para reforçar a confiança na classe política do que aumentar-lhe o soldo. A Madeira é um jardim e sabe-se como a manutenção fica cara.