domingo, 26 de dezembro de 2010

Jardim de Afetos

Numa festa escolar de Natal, a que assisti, todos os presentes foram convidados a participar na construção de um Jardim de Afetos. Nada mais atual, os afetos são o laço que nos liga aos outros, são o que nos salva da solidão e nos ampara nas relações sociais, são o que resiste quando tudo o mais se esvai.
Este tempo é, por excelência, de reflexão sobre o próximo, de olhar, de forma muito particular, para os que nos são mais queridos, sem exclusões, e por isso também para todos os que de uma forma ou outra nos tocam e nos envolvem.
A magia do Natal faz desta época do ano um dos momentos de maior comunhão familiar e, por isso mesmo, também uma das ocasiões em que somos mais sensíveis aos que, apanhados por qualquer adversidade, se veem privados do conforto de uma festa de família e obrigados a viver em solidão uma noite que deve ser de esperança, otimismo e fé num mundo melhor.
Um Jardim de Afetos é, pois, o que nos deve mobilizar, não apenas em tempos de natividade, mas permanentemente. E como num verdadeiro jardim, também neste é necessário cuidar de mil e um pormenores que assegurem a vitalidade dos laços, o seu fortalecimento, a possibilidade de se criar uma rede de interações positivas.
As relações entre as pessoas necessitam de ser cuidadas, carinhosamente construídas, a cada dia, todos os dias, como em vasos comunicantes, interdependentes, em que cada um se sente parte de um todo, afirmação de individualidade e coletivo.
A solidariedade é uma das expressões privilegiadas dos afetos; a preocupação com o próximo é uma marca distintiva de sociedades onde o individualismo não é deixado à solta, onde se cultiva a responsabilidade social, onde a ação dos estados é complementada pela de múltiplas organizações de cidadãos que de forma empenhada e desinteressada se ocupam a fazer pelos outros o que estes necessitam.
Neste tempo de interrogações sobre o futuro dos jovens que procuram um lugar no mundo profissional, dos que perdem os empregos e, muitas vezes, a dignidade, dos que falham as referência familiares e são atirados para a rua ou para o esquecimento, é reconfortante ver a mobilização anónima que nos faz acreditar que, apesar de tudo, existe uma força poderosa que nos une e nos projeta como coletivo.
No Jardim de Afetos uma palavra especial para todos os nossos mais experientes que, por uma razão ou por outra, tiveram de deixar a segurança das casas de família e passar a viver em instituições. São eles, estou certo, os que mais precisam dos nossos afetos, para acreditarem que vale a pena viver, ter sonhos e ser admirados. Um Feliz Natal!

sexta-feira, 10 de dezembro de 2010

Um sopro de abril

O tempo é de Natal, mas a vida política é marcada pelos alinhamentos partidários na expectativa da queda do Governo e, sobretudo, pelas presidenciais.
Como já se viu, Sócrates vai beber até à última gota o fel da governação enquanto a alternativa vai medrando, alimentada pela desilusão, pelo descontentamento e sabe-se lá se não mesmo pela agitação social.
A nova AD aí está, para aconchego de muitos, numa versão soft, cada um a correr por si e depois uma parceria de governo. Assim, medem-se forças nas urnas e o resto será em conformidade.
O Bloco e o PCP espreitam os deserdados da esquerda e o PS, agora encostado às tábuas (permitam-me a liberdade tauromáquica), terá de fazer das fraquezas forças e ir à luta, com nova liderança, novos protagonistas, nova agenda para o futuro.
Tudo em aberto, ao contrário do que alguns pensam. Nem a vitória da AD é certa, nem a derrota do PS inevitável. Mas preocupemo-nos agora com as presidenciais.
Dos cinco candidatos, três só contam para o introito. Francisco Lopes tem como missão fixar o eleitorado do PCP, Fernando Nobre equivocou-se ao confundir as eleições com as tragédias onde costuma atuar com mérito e conhecimento, Defensor Moura já ganhou o que lhe interessava, notoriedade nacional para melhor alcançar os seus objetivos regionais.
Cavaco Silva e Manuel Alegre jogam noutro campeonato. Com eles não há equívocos, sabe-se que querem vencer e os que neles votarem saberão muito bem porque o fazem.
Cavaco é o candidato do conforto, o homem que já foi tudo na política portuguesa e que inspira confiança como último guardião do templo arruinado das finanças nacionais. Sabe-se o que se pode esperar dele, mais do mesmo, até deixar chegar o país ao estado em que o conhecemos hoje sem que da sua ação ou da sua voz se tenha visto ou escutado mais de que um ou outro pálido lamento.
Alegre é o candidato do desassossego, do direito à indignação, do sopro de abril, essa revolução ingénua que nos deu trinta anos de bem-estar, que agora nos cobram com juros de agiota.
Temos pois o conforto de saber que alguém vela por nós e o desassossego de termos de agir para defender conquistas que uma espécie de rasoira sem rosto nem princípios quer atirar para o caixote do lixo da História.
A escolha é simples, quem quiser defender-se do desconhecido basta olhar para o passado recente, quem quiser lutar pelo futuro tem a voz de um poeta maior anunciando que as pessoas não são mercadorias e que o mundo somos nós que o construímos.

sábado, 27 de novembro de 2010

Um governo de consenso

“Todos os dias os políticos falam da crise em que o país vive mas, na prática, não parecem comportar-se de forma a minorar o problema. O quotidiano é feito de golpes e contragolpes mediáticos, quando o que era necessário era entendimento e cooperação.
Como vendedores de sonhos, o que lhes parece interessar é convencer o eleitorado da mais-valia do seu produto, não encontrar um rumo que sirva à maioria. O país não é um quadro a preto e branco, o país são as pessoas, que têm direito a um futuro decente.”
Escrevi estes dois parágrafos há cerca de três meses neste mesmo jornal. De então para cá a crise agravou-se e o desencontro entre os partidos que podiam viabilizar um acordo de governo, não só para aprovar o orçamento mas, sobretudo, para assegurar a sua execução rigorosa, mantém-se.
Luís Amado, o competente Ministro dos Assuntos Estrangeiros, cabeça de lista do PS pelo círculo eleitoral de Leiria, nas últimas legislativas, foi a voz da diferença.
No dia 14 de Novembro escrevi no Facebook “O MNE deu uma entrevista notável ao Expresso e disse: O PS não tem condições, a governar sozinho, para fazer o país sair da crise. Luís Amado daria um excelente Primeiro-Ministro, num governo de "consenso alargado" com as forças políticas de esquerda e de direita, que se disponibilizassem para aceitar uma moratória na luta partidária e um programa de governo de consenso nacional até o país se recompor.”
Sobre a entrevista já se escreveu quase tudo, contra e a favor. Não me interessa especular sobre o que não conheço, sobretudo perder tempo a pensar se o MNE desautorizou ou foi desautorizado pelo PM, mas acho fundamental que se não deixe passar em branco a proposta.
Por muito que alguns responsáveis políticos ou opinion makers contestem a proposta de Amado, a verdade é que a mesma encontra eco em muitos portugueses que não percebem como num país exangue a mensagem dos partidos parece ser o quanto pior melhor, colocando a luta partidária acima dos interesses nacionais.
Dir-se-á que um governo de consenso é uma entorse na democracia partidária, mas tempos excepcionais exigem medidas de excepção. A solução desejável, poderia ser a de um Governo que conseguisse assegurar o máximo consenso nacional, e este podia ser alcançado através da cooperação dos partidos que quisessem participar numa plataforma negocial, com o apoio do Presidente da República e a participação da sociedade civil, visto que a vida cívica não se reduz às forças partidárias.
Luís Amado fez uma proposta lúcida. Compete aos portugueses responder-lhe.

terça-feira, 16 de novembro de 2010

Fim de festa

No meio da turbulência diária, e enquanto as famílias deitam contas à vida e se organizam para resistir à hidra da crise, somos surpreendidos por novos escândalos, que tanto podem assumir a forma de uma qualquer traficância partidário-empresarial como a da atribuição de vencimentos escandalosos em instituições suportadas por dinheiros públicos.
Na comemoração do Centenário da República, bem se pode falar da ética republicana como uma marca distintiva da superioridade moral do novo regime, face à monarquia que o precedeu, mas a verdade é que os tempos não fazem juz à ideia romântica de que republicano é igual a alfobre de virtudes.
Bem ao contrário, esta Terceira República em que vivemos, nascida dos ideais de abril, alimentada de ideias tão galvanizadoras como igualdade e justiça social, exibe todos os dias o lado mais decadente de um regime enodoado pela corrupção, pela falta de vergonha, pelos mais inacreditáveis jogos de influência e poder.
Capturadas por interesses obscuros, muitas das instituições que deviam estar ao serviço de todos, acabam por se tornar coutadas de uns quantos, para seu prazer e glória, ainda se dando ao luxo de ignorarem os mais elementares princípios de retidão e decência cívica, espezinhando quem se lhes mete ao caminho e extorquindo à coisa pública o quanto podem.
Não é por isso de estranhar que se comecem a fazer ouvir, cada vez mais alto, as vozes que defendem a necessidade de mudar o regime, como forma de regenerar o tecido político e os males que afetam o país.
A conjuntura é favorável à eclosão de ideias radicais e a tentação autoritária e populista medra em períodos de crise de valores, quando as instituições enfraquecidas estão mais expostas às pulsões vanguardistas de um qualquer cacique, fortalecidas pela crise económica e social e pela degenerescência das classes dirigentes.
Quem conhece um pouco de História, olha para as sociedades e para as formas como se organizam com uma perspetiva profundamente relativista, nada é definitivo e as sociedades, tal como qualquer organismo vivo, desenvolvem-se por ciclos pontuados pelo nascimento, desenvolvimento e morte.
A democracia não é perene, nem significa o fim da História, é apenas uma forma de organização político-social, com muitos méritos e alguns defeitos, sendo que os primeiros, normalmente, suplantam os segundos. Quando não se cuida do seu fortalecimento, criam-se condições para a emergência do seu oposto, e os tempos que se vivem são fecundos para o demissionismo, o extremismo e o niliísmo. É um tempo de fim de festa.

segunda-feira, 1 de novembro de 2010

Públicas virtudes, vícios privados

Nas discussões sobre a organização dos sistemas educativos, a liberdade de aprender e de ensinar, bem como o papel do Estado e dos agentes privados na prestação dos serviços de educação e ensino são temas fortes.
Em momentos de turbulência política é garantido que a discussão renasce, quase sempre numa abordagem de registo maniqueísta, com uns a entoarem cânticos de louvor à estatização do sistema e outros a lançarem anátemas ao papel do Estado ou, mutatis mutantis, ao ensino privado.
Em matéria de educação há um princípio fundamental – assegurar condições de igualdade no acesso à escola, independentemente do sexo, da classe social onde se nasceu, da cor da pele, da ideologia dos pais, da crença religiosa da família.
Sabe-se, há muito, que esse princípio “sagrado” é insuficiente. Não chega assegurar igualdade no acesso, é fundamental assegurar também igualdade no sucesso. E é aqui, hoje em dia, que o fosso entre o princípio e a prática é mais notório.
Nas sociedades modernas, o Estado tem um papel insubstituível na garantia destes direitos dos cidadãos, incumbindo-lhe o desenvolvimento de políticas ajustadas à necessidade de dar cabal cumprimento a princípios que ninguém discute.
Mas se compete ao Estado garantir direitos, nada autoriza a que se julgue que só ele pode assegurar os serviços necessários ao cumprimento dos princípios, ou que só ele os pode realizar com qualidade e proficiência ou com honestidade profissional e legitimidade social.
Aliás, se dúvidas houvesse, a experiência estatista da educação portuguesa, e os seus resultados ao longo dos dois últimos séculos, seriam suficientes para comprovar que nem sempre o Estado é o melhor operador do Sistema Escolar.
Para os que diabolizam a ação do ensino privado, basta comparar a realidade portuguesa, afogada em Estado, com a de outros países onde a ação dos privados na área do ensino é pujante e merece nota positiva das famílias. “Educação para todos!”, sim. “Liberdade de escolha!”, também.
Os estabelecimentos de ensino privado de há muito que contribuem para que seja possível garantir educação para todos os cidadãos ao prestarem um serviço público gratuito, pago com dinheiros dos contribuintes, muitas vezes supletivo das insuficiências da rede estatal.
A melhoria do desempenho do Sistema Escolar só tem a ganhar se nesta área houver menos Estado e mais articulação entre este e os operadores privados. A experiência recente da estatização das AEC é um bom exemplo do que se não deve fazer.

Uma Nação em risco

Quando, em 1984, cheguei aos Estados Unidos para fazer estudos de mestrado, havia um texto de leitura obrigatória, A Nation at Risk: The Imperative For Educational Reform, lançado no ano anterior sob a forma de uma Carta Aberta ao Povo Americano, pela Comissão Nacional para a Excelência na Educação, onde se analisavam longamente as razões pelas quais a Nação Americana poderia soçobrar, caso não se adotassem medidas rápidas e consequentes em matéria de reforma educativa.
Lembrei-me do título e resolvi tomá-lo de empréstimo para este texto por me parecer que Portugal também está mergulhado numa crise tão profunda que, se não constitui uma ameaça à sobrevivência da Nação Portuguesa, configura um momento grave para o modelo de sociedade que temos sido nas últimas décadas e coloca em causa a nossa soberania.
A primeira questão que importa ver clarificada, sem sofismas nem partidarismos, é a da responsabilidade pelo ponto onde chegámos. Não que a culpa resolva problemas, apenas para que cada um assuma as suas responsabilidades.
A crise internacional pode muito, mas não explica tudo e alguém nos devia esclarecer as razões de o otimismo irrealista do passado recente ter dado lugar ao perigo eminente da intervenção externa para segurar uma dívida ameaçadora da nossa independência financeira.
Também valerá a pena tentar perceber as razões que justificam que estando o país à beira de um verdadeiro abismo, as forças mais relevantes da sociedade portuguesa, partidos políticos, associações patronais, sindicatos, entre outras, se continuem a digladiar num combate aparentemente sem tréguas ao invés de procurarem uma plataforma de entendimento, uma moratória na luta política, até o país recuperar a saúde económica e os portugueses a confiança no futuro.
Somos um barco no meio da tempestade, batido pelo mar impiedoso, com os motores seriamente danificados, o combustível a terminar, a água já a invadir o convés interior, os passageiros em pânico e, espanto dos espantos, a tripulação envolvida numa disputa sem quartel, sem perceber que o naufrágio está iminente e que, com ele, todos se afundarão.
Pouco me importa se a ou b aprova ou se abstém na votação do Orçamento do Estado, o que me preocupa é o que está para lá do formalismo do ato, é o sacrifício das gerações que na idade da reforma se confrontam com a perspetiva de uma Nação madrasta, dos jovens que olham para uma Pátria com um futuro sombrio, dos cidadãos carentes a quem o País parece incapaz de oferecer mais do que magros subsídios.
Não é pessimismo, apenas o realismo de quem olha desapaixonadamente para o mundo e vê o seu país desgovernado e o futuro ameaçado.

sexta-feira, 8 de outubro de 2010

LÍderes e lideranças em escolas portuguesas

Dêem uma olhadela e, se interessar, comprem pela internet ou nas livrarias.


http://www.fmleao.pt/publicacoes.php?id=0

Rei morto, rei posto

Este é o Telegrama 115 e com ele se fecha este ciclo (cerca de dois anos e meio) de textos curtos de 600 carateres em que o difícil é conseguir dizer em meia dúzia de palavras algo que interpele quem as lê.
Aproveito para agradecer a todos os que fizeram do Telegrama um espaço de encontro semanal e o estímulo que ao longo do tempo constituíram as reações de pessoas, muitas delas que eu nem sequer conhecia, que me abordaram para comentarem o que tinham lido.
Os responsáveis do Região desafiaram-me para acompanhar a nova fase do jornal. Exigência e ambição são, talvez, as duas marcas mais importantes do projeto. Se há coisa de que eu gosto, são desafios, arriscados, de preferência.
Voltaremos a encontrar-nos.

terça-feira, 5 de outubro de 2010

O orçamento da discórdia

A guerra do Orçamento do Estado não passa de um braço de ferro partidário para satisfazer clientelas e preparar outras batalhas.
Sócrates finge não perceber que está em minoria e que lhe compete, muito mais do que à oposição, assegurar a viabilidade parlamentar das medidas que propõe. Dar a entender o contrário não é sério, não é mobilizador, não permite combater a crise com eficácia.
Ao eleger Passos Coelho como único parceiro de um tango improvável, o PM desvalorizou os restantes partidos e entregou-se nos braços de quem o quer derrubar. Agora bem pode gritar que vem aí a crise política, pois se vier, vai ser ele o principal responsável. Finalmente, o PR intervém, tarde.
José Manuel Silva

quinta-feira, 30 de setembro de 2010

O mito do Estado Social

Nos últimos dias o país mergulhou na vertigem da discussão sobre o Estado Social. A coisa coloca-se mais ou menos como ser do Benfica. Quem não é pelo Estado Social não é bom chefe de família.
Ora o Estado nunca é social e em Portugal a questão candente é saber como se financiam as despesas do Estado, não a qualidade social, liberal ou outro qualificativo qualquer do dito.
Em termos simples o que está em causa é saber como se paga a conta, quem a paga e que se recebe em troca. Educação, saúde e outras coisas providenciadas pelo Estado ao preço da chuva, porreiro. Há apenas um pequeno problema, alguém vai ter de pagar. E se não houver quem pague ou se o dinheiro não chegar? Viva o Estado Social.

domingo, 19 de setembro de 2010

Mais Europa, menos Portugal

A evolução da União Europeia far-se-á, inevitavelmente, à custa das soberanias nacionais. É um preço alto, mas não se vê alternativa.
Agora são os orçamentos nacionais que passam pelo crivo de Bruxelas antes de irem a votos aos respetivos parlamentos. Parece inaceitável, mas é razoável. Os desmandos orçamentais de uns são pagos pelos orçamentos dos outros. Logo, quem paga quer ter o direito de vetar irrealidades.
Por aqui o défice não para, os juros da dívida já estão quase nos 6%, Sócrates e Passos não se entendem, Cavaco tem a recandidatura, os sindicatos esticam a corda, os desempregados desesperam e o FMI espreita. Entretanto o país parece viver no melhor dos mundos. Um milagre, é o que é.

terça-feira, 14 de setembro de 2010

A casa dos horrores

Com a leitura das sentenças do caso Casa Pia, confirma-se que esta se transformou numa verdadeira Casa dos Horrores para alguns dos menores que acolhia e agora para os arguidos condenados.
No circo mediático em que o processo se transformou, é impossível perceber de que lado está a razão, tão díspares são as posições da acusação e da maioria dos arguidos, e a leitura das sentenças só veio agravar o sentimento de que algo não bate certo em todo este processo.
Mais uma vez a condenação primeira é para a Justiça, incapaz de em tempo útil e de forma transparente e insofismável separar o trigo do joio e dar-nos a todos o conforto de uma justiça célere e justa.

sábado, 4 de setembro de 2010

Os ciganos de Sarkozy

A manobra é clássica, a repressão sobre minorias, sobretudo ciganos e outros não aculturados, gera simpatias e rende votos. Os medos ancestrais vêm sempre ao de cima e um bode expiatório é o melhor catalisador dos descontentamentos sem solução.
Dito isto, é necessário ultrapassar o politicamente correto e questionar se alguma sociedade se pode dar ao luxo de assistir passivamente ao assalto dos seus fundamentos e modo de vida por grupos de “bárbaros”, sem o perigo de se deixar implodir.
Os ciganos expulsos de França são apenas a ponta de um iceberg, de um confronto permanente entre liberdade de circulação, coesão social, inclusão cultural, direitos das minorias que, ocasionalmente, degenera em explosão.

Claro-escuro

A política é muitas vezes um jogo de sombras e quase sempre aquilo que parece, não é. Para os que estão fora da atividade política corrente a dificuldade em compreender o que dizem e fazem os políticos, chega a ser quase total.
Todos os dias os políticos falam da crise em que o país vive mas, na prática, não parecem comportar-se de forma a minorar o problema. O quotidiano é feito de golpes e contragolpes mediáticos, quando o que era necessário era entendimento e cooperação.
Como vendedores de sonhos, o que lhes parece interessar é convencer o eleitorado da mais-valia do seu produto, não encontrar um rumo que sirva à maioria. O país não é um quadro a preto e branco, o país são as pessoas, que têm direito a um futuro decente.

domingo, 22 de agosto de 2010

Mudança de layout

Como tudo é feito de mudança...adoptamos um novo layout para refrescar a imagem do blogue.

As histórias exemplares de Josefa e Laura

Josefa era portuguesa, estudante universitária, empregada de supermercado e bombeira. Laura é holandesa, tem 14 anos e vai dar a volta ao mundo, sozinha, num veleiro.
Não se conheciam e apenas o facto de a primeira ter morrido carbonizada, quando combatia um fogo, no momento em que a segunda chegava a Portugal para iniciar a sua aventura, justifica que se encontrem neste texto.
Os seus mundos são muito diferentes, mas as suas histórias de vida, cada uma à sua maneira, são exemplos de tenacidade e determinação. Josefa, estudava, trabalhava e servia os outros. Laura aventura-se a desafiar o destino e, quase menina ainda, arrisca-se num empreendimento que exige conhecimento e experiência. A glória fácil não passa de uma ilusão.

quinta-feira, 12 de agosto de 2010

Natureza enfurecida

A explosão da plataforma petrolífera da BP, os incêndios na Rússia e as cheias no Paquistão são catástrofes cuja dimensão impressiona pelas suas consequências imediatas e pelos prováveis impactos negativos a médio e longo prazo.
Embora diferentes nas suas causas, a primeira decorrente de falhas do sistema de controlo, as outras duas de circunstâncias naturais, as suas consequências são similares no sentido de se transformarem em agressões profundas ao equilíbrio ambiental e afetarem gravemente as condições de vida de milhões de pessoas.
Resta a esperança que sirvam como oportunidades para sublinhar a necessidade de maior respeito pela natureza e para reforçar as medidas que se impõem na sua defesa.

Este país que nós temos

Eu sei que é tempo de férias, mas o país não para. O Governo não conseguiu ainda aplicar portagens nas SCUT, porque o PSD não permitiu, mas o agravamento das condições dos apoios sociais, que vão tornar ainda mais difícil a vida aos cidadãos mais desfavorecidos, entraram pontualmente em vigor no dia 1.
O processo Freeport parecia ter terminado. Eis senão quando se soube que ficaram por fazer 27 perguntas ao PM, por falta de tempo. A sentença do processo Casa Pia foi mais uma vez adiada e um dos arguidos defende-se num blogue dos crimes que lhe imputam no tribunal.
A Ministra da Educação veio defender o fim dos chumbos e um clamor de protestos saudou a medida, sem que se cuidasse de averiguar os fundamentos da proposta. É este o país que temos. Nem as férias…para esquecer.

Escolas de nova geração

As escolas secundárias requalificadas começam a mostrar-se em toda a sua nova dimensão. As opções e o montante dos investimentos são objeto de controvérsia, mas é indiscutível que se está perante escolas de nova geração, onde ensinar e aprender requer outros espaços, outra qualidade estética, outros equipamentos, novas formas de interagir com os espaços e até de relacionamento entre os atores que os usufruem.
As velhas/novas escolas ficam ao nível do que de melhor existe no mundo, e se os espaços não são tudo, são um grande contributo para a melhoria do trabalho pedagógico que ali se pode/deve realizar e que os investigadores devem tomar como objeto de estudo.

As areias movediças

Guterres foi-se embora por causa do “pântano”, mas agora parece estarmos atolados em areias movediças. Quanto mais se esbraceja mais nos afundamos. É o Estado da Nação, exangue às mãos do desnorte político e da crise económica.
É certo que a legitimidade democrática não está em causa e que o Governo vai governando, mas a rédea curta da minoria não o deixa ir longe. O bloqueio é evidente e o cheiro da carniça aguça o apetite dos abutres.
A crise política paira sobre o país e a dúvida reside apenas em saber quem se decide a lançar o sprint final. Entretanto, o país continua a empobrecer e a maioria dos portugueses a desesperarem.

Ainda e sempre o Centro Histórico de Leiria

Castro fez uma incursão noturna ao centro histórico guiado por alguns moradores. Nada de novo, queixas antigas. Os executivos passam e o cancro continua.
A preservação dos centros históricos é um assunto clássico, as experiências são múltiplas, boas e más, mas o essencial está adquirido, os problemas equacionados, as soluções diversas. Então o que tem faltado? Vontade política, liderança e capacidade de realização.
Quando uma área da cidade está a desagregar-se há que tomar medidas urgentes e drásticas. A recuperação do CH exige uma ação concertada e multidisciplinar, um modelo de financiamento arrojado e mão firme na concretização das medidas que a viabilizem. Será desta?

Nota: A grafia deste texto está em conformidade com o novo acordo ortográfico.

Perguntem ao Queirós!

Foi com esta frase assassina que o CR respondeu quando o interrogaram sobre a derrota da Selecção Portuguesa. E fez bem. O mister que explique, que é para isso que lhe pagam um vencimento que não justifica.
Faltaram-nos argumentos para ganharmos à Espanha. E por que é que havia de ser diferente? É verdade que a sorte protege os audazes, quando há audácia. De resto, a nossa pequenez não é só de mercado, é de escala e a todos os níveis.
Queirós não se demite, e faz bem, espera que o demitam, é muito mais lucrativo. De certeza que a frase do sargentão não lhe sai da cabeça, “E o burro sou eu?”.

A demagogia ao serviço da bancarrota

Copio do dicionário; “A demagogia traduz-se num discurso ou acção que visa manipular as paixões e os sentimentos do eleitorado para a conquista fácil do poder político”.
Todos os dias a política se enfeita de demagogia. O país está de rastos, quase à beira de uma catástrofe financeira, mas alguns dos nossos líderes políticos preferem os jogos florentinos de política pura, em vez de se preocuparem com os verdadeiros interesses do país.
O que se tem passado com as portagens nas SCUT e com o já famoso chip, que as permite cobrar de forma simples e barata, é o último exemplo de como a demagogia não conhece limites e se está nas tintas para as dificuldades do país.

A capela das Chãs

Para quem descrê em milagres, aqui está mais um, bem presente, vivo e mobilizador. Enquanto o camartelo ameaça a capela, eis que vozes se levantam e um movimento se constitui para a salvar. É povo contra povo; o povo que fez a igreja e o povo que quer a capela, o povo que pagou e o povo que quer ter uma palavra a dizer.
Todos têm razão e ninguém se entende. A destruição de património é sempre lamentável, mas a capela não está classificada e quando se licenciou a construção da igreja já se sabia o destino previsível daquela.
A causa é nobre, mobilizadora, mediática e politicamente danosa, mas a decisão é simples – cumpra-se a lei.

A galáxia do futebol

Por estes dias, entre os Santos Populares e o Campeonato do Mundo de Futebol, o país tenta esquecer a crise, o desemprego, o aumento de impostos, as ameaças de recurso ao FMI, enfim, tudo aquilo que transformou em pesadelo o que já não era um sonho cor-de-rosa.
A vuvuzela é o melhor símbolo de um tempo em que importa mais o ruído do que o silêncio, as emoções mais do que a razão, o prazer do efémero mais do que a conquista do futuro.
Os craques da bola e a indústria do futebol abrem o parêntesis possível nestes dias de chumbo, Ronaldo subiu ao Olimpo ao contracenar com Mr. Simpson e os portugueses sonham em Inglês com uma vitória que resgate a bandeira esquecida e o tesouro arruinado.

Às vezes os erros pagam-se

Os gestores de topo da Toyota devolveram uma percentagem das remunerações recebidas em 2009 por a empresa não ter atingido os objectivos previstos.
A ideia parece simples e justa mas, infelizmente, muito pouco praticada. A regra é despedir os trabalhadores quando os gestores incompetentes deixam afundar as empresas e, incapazes de se auto responsabilizarem, descarregam o peso da sua ineficiência sobre o elo mais fraco.
A prática da Toyota pode não passar de um gesto simbólico, mas não deixa de ser uma séria chamada de atenção para quantos se esquecem que a ética da responsabilidade deve estar na primeira linha de preocupações de qualquer gestor ou dirigente. Pode ser que o exemplo vingue.

segunda-feira, 7 de junho de 2010

As primárias de Alegre

Manuel Alegre não merecia isto. O PS escolhe-o, aparentemente, porque não encontrou melhor. Estes momentos costumam ser de exaltação, mas neste caso a escolha parece ser uma espécie de óleo de fígado de bacalhau, sabe mal mas faz bem.
Não compreendo a estratégia seguida, como aliás não consigo perceber muitas outras coisas que se passam no PS e no Governo, mas com estes em derrapagem ou Alegre seduz o centro ou vai ser mau de se ver.
Alegre é uma referência, uma voz da liberdade, um poeta maior da língua portuguesa, um político experimentado, um cidadão que não se deixa encabrestar. Pode não se gostar dele, mas é candidato por direito próprio e as primárias já ninguém lhas ganha.

domingo, 30 de maio de 2010

Emagrecer o Estado

Já aqui escrevi sobre o “Estado Mínimo” e o perigo de reduzir os serviços públicos a níveis de insuficiência inaceitáveis. Mas é um facto que existe um défice de eficiência e de eficácia em muitos deles, sobretudo por razões organizacionais.
O problema é, sobretudo, estrutural e decorre da forma como se legisla ou se regulamenta, muitas vezes sem sentido das realidades e sem qualquer avaliação dos impactos financeiros das decisões.
Apesar dos “simplexes”, a verdade é que a Administração Pública é excessivamente burocrática, a gestão cada vez mais complexa, o funcionamento sujeito a mais entropia. Emagrecer o Estado é, sobretudo, um combate sem tréguas à irracionalidade organizacional.

domingo, 23 de maio de 2010

Um país a fingir

Portugal finge que é um país independente, mas é Bruxelas quem manda aqui. Ainda bem, não fosse assim e em vez do cinto agora, ainda nos apertavam o pescoço mais tarde.
O Governo fingia que tinha um rumo para o país, mas afinal ficámos a saber que ou se enganou ou nos enganou a todos. A nova liderança do PSD fingia que era alternativa ao Governo, mas já acabou a pedir desculpa por ter que dar o dito por não dito.
Os portugueses fingem que acreditam nos governantes, nas oposições, nos políticos em geral, na redução do défice, no crescimento da economia, num futuro risonho para o país. Fernando Pessoa diria que somos uns fingidores, tal como o poeta “que chega a fingir que é dor, a dor que deveras sente”.

quinta-feira, 13 de maio de 2010

A serpente e o pirilampo

Era uma vez uma serpente e um pirilampo que viviam numa floresta longínqua. Um dia a serpente começou a perseguir o pirilampo. Este percebeu que a serpente o queria devorar e fugiu enquanto pôde.
Ao fim de três dias, cansado e já sem esperança de se salvar, parou e pediu à serpente que lhe concedesse a graça de lhe deixar fazer três perguntas. Magnânima, esta acedeu.
Então o pirilampo perguntou-lhe: “Faço parte da tua cadeia alimentar?”. “Não”, respondeu a serpente. “Mas vais comer-me?” “Claro!”. “Porquê?”, insistiu o pirilampo. “Porque o teu brilho me incomoda!”, respondeu-lhe a serpente. Moral da história, cuidado com as serpentes, mesmo que não seja um pirilampo.

União Nacional

Eu sei que esta expressão evoca outros tempos, mas há momentos na vida dos povos em que velhas palavras devem ganhar novos sentidos. A crise com que o país se debate, meio importada, meio provocada por delírios internos, teria uma resposta muito mais consistente se o país político se unisse ao resto do país numa verdadeira união nacional de vontades, de expectativas, de práticas e de resultados.
Entendamo-nos! Dirão muitos, num mínimo denominador comum, capaz de fazer o país tomar fôlego para se lançar na recuperação e evitar o sufoco do permanente “credo na boca” em que vivemos.
Se não formos nós a fazer o que tem de ser feito, alguém o fará por nós, e será sempre pior.

Reinventar o futuro

As agências internacionais insistem em dar má classificação à economia portuguesa, alguns não desistem de nos acenar com o fantasma da bancarrota, a bolsa dá trambolhões históricos, as condições de vida dos portugueses agravam-se, os conflitos sociais crescem em flecha e o sector dos transportes ameaça paralisar o país.
Vivemos sobre um barril de pólvora pronto a explodir, só falta saber quem acende o rastilho ou se o bom senso e a capacidade de colocar os interesses colectivos do país acima dos interesses particulares e de classe se conseguem sobrepor à inconsciência do quanto pior melhor.
“As portas que Abril abriu” parecem fechar-se cada vez mais. É tempo de reinventar o futuro.

Poeira vulcânica

A erupção de um vulcão na Islândia lançou o caos na navegação aérea europeia e nas contas de inúmeras empresas e cidadãos, acentuando a fragilidade da modernidade face ao poder ancestral da natureza.
Fechado o espaço aéreo, em nome da segurança, questiona-se a necessidade e a responsabilidade pelos prejuízos decorrentes. É que uma companhia aérea testou, com aviões vazios, e concluiu não ter encontrado quaisquer danos para os motores nem perigo para os passageiros.
É mais uma medida drástica, cuja necessidade é posta em causa, sem que ninguém seja responsabilizado e sem que os prejudicados sejam ressarcidos. Mas, e se o espaço aéreo se mantivesse aberto e um avião caísse?

sexta-feira, 16 de abril de 2010

Professores em risco

Um centro de investigação inglês acaba de publicar um relatório preocupante sobre a saúde dos professores; sofrem de depressão, taquicardia e distúrbios alimentares e apresentam forte tendência para o suicídio.
As causas são, sobretudo, o excesso de trabalho e o mau comportamento dos alunos. A situação é agravada pelo facto de os professores em risco “não terem apoio das direcções das escolas, dos seus coordenadores e do sistema como um todo.”
Um líder sindical defende que “se os professores necessitarem de usar a força para salvaguardar a segurança, devem fazê-lo”. É certo que falamos de Inglaterra. E por cá, é muito diferente?

A falácia do Estado Mínimo

Cavaco Silva chamou-lhe o “monstro”, alguns querem-no mínimo, mas os portugueses apreciam o seu manto protector.
É que a imagem tradicional do Estado – uma miríade de funcionários públicos incompetentes e improdutivos – não passa de um embuste. O Estado é o conjunto dos serviços sem os quais os portugueses não poderiam viver, da saúde à educação, da justiça à segurança, do ambiente à economia, das obras públicas ao desporto.
O Estado Mínimo corresponde à degradação dos serviços públicos, não a maior racionalidade. Que é preciso ganhar eficiência e melhor capacidade de gestão, é um facto. Mas a qualidade não se compagina com a demagogia minimalista.

sexta-feira, 2 de abril de 2010

O beco português

Sou de uma geração que cresceu a acreditar na mudança política e social, na construção de um mundo melhor. Então as escolhas eram claras - Estado Novo versus democracia. E como nos embebedámos de liberdade.
Hoje não há escolha, ou o PEC ou a bancarrota. Pela enésima vez, os portugueses vivem à beira do abismo financeiro mas, tal como na história do lobo, ninguém acredita que seja verdade. O consumismo, para os que ainda podem, é a sublimação da frustração. Hoje posso gastar, amanhã logo se vê!
A deriva gestionária alastra como uma mancha de óleo. O primado da política deu lugar à contabilidade, necessária, mas insuficiente. O futuro é previsível, tanto quanto para um fugitivo que se mete por um beco.

segunda-feira, 29 de março de 2010

O Primeiro-ministro mentiu

A afirmação não é minha, é apenas o eco do que corre pelo país político e transborda crescentemente para o país real. Não sei se mentiu, mas sei que a acusação é gravíssima e a prudência e a decência aconselham um pouco mais de moderação na linguagem.
O mesmo Primeiro-ministro fez esta semana um périplo relâmpago pelos países do Magreb, procurando reforçar os nossos interesses económicos na região. O líder líbio, Muammar Khadafi, fê-lo esperar um par de horas antes de o receber; indignei-me. Quem estava à porta não era José Sócrates, era Portugal.
É aqui que está o busílis da questão, criticar o PM é legítimo, desrespeitá-lo é como perdermos o respeito por nós próprios.

domingo, 21 de março de 2010

Escolas assassinas

Em Mirandela um aluno lança-se ao rio, alegadamente farto dos maus tratos que alguns colegas lhe infligiam. Em Sintra um professor faz o mesmo, justificando o seu acto desesperado por não aguentar mais as humilhações a que os alunos o sujeitavam.
É certo que as situações não são generalizáveis, que o suicídio é um fenómeno complexo, que cada aluno e cada professor é uma personalidade singular e que cada escola é um microcosmo único.
Mas as escolas têm de ser sopros de vida, não antecâmaras de mortes evitáveis. Em ambos os casos nada nem ninguém foi capaz de antecipar o desfecho trágico, muito menos fazer algo para o evitar, e isto é que é incompreensível e inaceitável.

Como um barco sem rumo

Imagine um navio numa tormenta, com um rombo no casco, o leme danificado e a água a entrar na casa das máquinas. Em pânico, os passageiros esperam do comandante decisões firmes e sábias.
Eis senão quando este informa esperar-se que alguém possa vir em socorro do barco, comprá-lo, afundá-lo, ou mesmo transformá-lo; mas nada é certo. Os passageiros esperavam acção, não que caísse do Céu uma solução.
Não sei o que aconteceu ao barco, mas lembra-me o estádio de Leiria. Entre vendas, implosões e transformismos, a conta continua a aumentar e verdadeiras soluções…nenhuma. Num barco, para chegar a bom porto, é preciso ter um rumo definido e um piloto capaz de cumprir a rota.

A culpa não resolve problemas

Atribuir responsabilidades é um acto de gestão indispensável; exigir responsabilidades é um direito de cidadania de todos nós.
No entanto, muitas vezes perde-se de vista o essencial, avaliar os erros para os corrigir, optando-se por transformar alguém em bode expiatório de algo que correu menos bem, como se encontrar o culpado fosse mais importante do que resolver os problemas.
A propósito da tragédia na Madeira, algumas vozes se levantaram contra o Governo Regional, culpando-o por algum desordenamento urbanístico. Mas será possível calcular as culpas dos homens face às da natureza enfurecida? O importante é reconstruir, não utilizar o drama para ajustes de contas.

terça-feira, 9 de março de 2010

Querido Magalhães

Devo começar por fazer uma declaração de interesse. Ninguém me pagou para dizer o que vem a seguir. É verdade que não fui fotografado a tomar o pequeno almoço com o Primeiro Ministro e, que me lembre, só jantei com ele uma vez numa tasca da Boavista, leitão claro, quando ele fazia a travessia do deserto entre o guterrismo e o socratismo.

Dito isto, quero elogiar o Magalhães, o computador mais vilipendiado em Portugal desde que eles existem. Estava eu a preparar-me para viajar para o exterior, se dissesse estrangeiro pensavam logo que ia de férias, quando me lembrei de experimentar o do meu filho mais novo. É maneirinho, pesa pouco e a acreditar no que dizem em Portugal ninguém o quer roubar.
Pois a verdade é que serve na perfeição para gerir o correio e escrever o que é preciso. Mantém-nos em contacto e dá para trabalhar. Que mais poderia querer? É certo que é num bocadinho lento, mas há coisas que até convém que não sejam muito rápidas para podermos pensar melhor.
Aqui fica a minha homenagem ao pequeno Magalhães.
Depois de tanta maledicência é tempo de começarmos a dar valor a um dos programas que, no estrangeiro, gera a admiração de quem sabe das coisas da educação.

Entretanto, minder jót!

domingo, 28 de fevereiro de 2010

Revitalizar o centro da cidade

Dar nova vida ao centro da cidade (Leiria) é um desejo antigo, que agora se torna ainda mais premente com a ameaça de maior desertificação decorrente da abertura do Shopping Leiria.
No âmbito de uma intervenção global, a Câmara acaba de dar parecer prévio favorável ao projecto de uma superfície comercial a construir no edifício do terminal rodoviário.
Regista-se a abertura ao investimento, a celeridade da decisão, a defesa do centro da cidade como zona comercial de primeira importância e o condicionamento do projecto a estudos complementares da mais diversa natureza, que acautelem o interesse público e a qualidade da solução urbanística. Há dúvidas? Vamos ao debate público.

sábado, 20 de fevereiro de 2010

A ética do Serviço Público

Os acontecimentos das últimas semanas, independentemente dos juízos que cada um possa fazer sobre os mesmos, deixaram claro a teia de interesses que rodeiam todos os que se movimentam na órbita do Poder.
As revelações vindas a público mais não fazem do que confirmar a existência de grupos, institucionalmente dominantes, que se servem do Estado e que o usam em seu proveito, servindo-se do voto e da boa-fé dos cidadãos para legitimar um poder iníquo e imoral.
É, pois, urgente e indispensável, observar a ética do Serviço Público como primeira condição para se exercerem cargos de Estado, com sentido de serviço à comunidade e não em benefício próprio.

sexta-feira, 19 de fevereiro de 2010

Gestión y Liderazgo Escolar

Uno de los temas más sensibles en la discusión sobre la calidad de la educación ha sido en los últimos años, el relacionado con las políticas y estrategias orientadas a la formación de los directivos de los centros educativos, como aspecto fundamental para favorecer la innovación en la gestión escolar. Las reformas educativas de las últimas décadas promovieron el cambio de la centralización a la autonomía, lo cual implicó para los directivos nuevas responsabilidades y complejas demandas en el manejo administrativo-financiero de los recursos asignados, la gestión con las comunidades, los resultados en el aprendizaje de los estudiantes y la toma de decisiones colegiada. Implicaba responder, tanto a las exigencias externas relacionadas con la normatividad educativa, como a los requerimientos internos de los docentes, los estudiantes y los padres de familia, y ello requería de los directivos conocimientos y preparación.
A la vista de lo anterior, diferentes programas de formación se desarrollan en los países con diversas orientaciones y uso de estrategias, con mayor o menor cobertura, unos muy locales, otros más amplios, algunos promovidos desde las autoridades educativas nacionales, tendientes a ampliar los conocimientos de los directivos en el campo de la gestión escolar, pero con dificultades para manejar una tensión que se genera entre las teorías administrativas, que pueden orientar la gestión y que llevan a veces a considerar la institución como una empresa, y lo pedagógico que debe mirar la complejidad de los procesos educativos.
Pero también en la región, el COLAM y otras organizaciones como la OEI y el CAB, promueven la realización de experiencias compartidas, orientadas al liderazgo pedagógico y el perfeccionamiento en la gestión educativa, que pretenden integrar las lecciones aprendidas en los países e involucrar a las Universidades e Instituciones formadoras de docentes.
La diversidad de nuestros países y la riqueza de sus experiencias educativas, muestran la necesidad de compartir los desarrollos de las universidades en relación con la formación de directivos docentes, lo cual favorece la creación de redes, que propician la integración entre las instituciones y conforman un ámbito de discusión e intercambio, en lo relacionado con la formulación de políticas y estrategias orientadas a favorecer la innovación en la gestión escolar.
Analizar los problemas propios de la gestión escolar, con el objeto de generar un debate continuado entre las comunidades universitarias interesadas en fortalecer la relación Universidad-Escuela y construir de manera conjunta una propuesta de formación de directivos de centros educativos, fue uno de los propósitos de un proyecto desarrollado con los países del Convenio Andrés Bello – CAB- durante 2 años. Se trataba de conocer y valorar las propuestas que se desarrollan en los diferentes países y favorecer la comprensión del valor que tiene la integración para la construcción colectiva desde el reconocimiento de la diferencia y la singularidad de nuestros contextos sociales y educativos.[1]
En esta perspectiva, la gestión educativa se concibe como un proceso que se orienta al fortalecimiento de los Proyectos Educativos de las Instituciones, que sostiene la autonomía institucional en el marco de las políticas públicas y enriquece los procesos pedagógicos con el fin de responder a las necesidades educativas locales, regionales y mundiales. Desde lo pedagógico, promueve el aprendizaje de los estudiantes, los docentes y la comunidad educativa en su conjunto. Reconoce la complejidad del contexto interno y externo, la diversidad, la interculturalidad y la incertidumbre. Por ello, se preocupa por mantener un liderazgo con visión educativa dentro de la institución y con las comunidades externas a ella; explora el trabajo en equipo y procura la construcción permanente del proyecto educativo de manera conjunta y compartida con la comunidad.
Algo más hay que añadir con respecto a las competencias del directivo docente. Estas le permitirán actuar y responder a los retos, en ellas integra pensamiento y acción, actitudes y valores: el liderazgo pedagógico transformador; el desarrollo y evaluación permanente del currículo; la interacción con el medio externo y la generación de un clima de convivencia interno, la gestión de recursos, el uso de TIC, la reflexión y la investigación.
Un aspecto que vale la pena mencionar es el enfoque pedagógico de los programas de formación, con el fin de mejorar la calidad y pertinencia de los aprendizajes de los estudiantes, favorecer la integración teoría-práctica, propiciar la reflexión crítica, reconocer al directivo docente como productor de saber pedagógico y estudiar la gestión desde tres ejes que son fundamentales: lo académico, lo administrativo y la comunidad.
Tal vez el dominio de la gestión escolar corresponda a un saber, a una práctica compleja y diferente para cada institución. Pero es a nosotros, organizaciones y universidades de los países, que nos corresponde fortalecer la construcción de comunidades de saber desde la gestión escolar, estimular procesos de reflexión crítica sobre las prácticas de gestión y dirección, favorecer su problematización y contraste con elementos teóricos y propiciar la construcción de alternativas innovadoras para el mejoramiento continuo de la calidad de la educación.
“Ser Directivo hoy día de una escuela y hacer Gestión, es hacer escuela en función de un horizonte de mejoramiento continuo, integrando teoría y el conocimiento que proviene de la propia practica, es unir ética con eficacia y mantener vivo el propósito moral de generar aprendizajes para todos”[2]


[1] Convenio Andrés Bello. “Documento Visión Compartida”. Programa de Formación de Educadores y Otros Actores Sociales. Foro Formación de Directivos de Centros Educativos, Bogotá, 2008
[2] Pozner, P. “El Directivo docente: Líder de la gestión educativa”. Conferencia Foro Nacional de Gestión Educativa, Bogotá, Octubre 2007.

Fonte: http://www.oui-iohe.org/webcolam/index.php?option=com_content&view=article&id=150%3Agestion-y-liderazgo-escolar&catid=5%3Atemas-de-interes&lang=es

domingo, 14 de fevereiro de 2010

El liderazgo docente en la construcción de la cultura escolar de calidad. Un desafío de orden superior

Mario Uribe
Chileno. Académico, miembro programa educaciónárea Gestión Escolar de Calidad, Fundación Chile.
Contexto
La Reforma Educacional emprendida en la mayoría de los países de América Latina desde principio de los años noventa se constituyó como una de las prioridades de la agenda política de los países que se comprometieron con ella. Mejorar la equidad y proveer una educación sensible a las diferencias que discrimine en favor de los más pobres y vulnerables; mejorar la calidad de la enseñanza, aumentar las exigencias yfocalizar la atención en los resultados del aprendizaje; profesionalizar el trabajo docente; descentralizar y reorganizar la gestión educativa y ofrecer más autonomía a las escuelas; fortalecer la institución escolar para ofrecer mejor capacidad de operación y mayor responsabilidad por sus resultados, fueron las líneas fundamentales que con distinto énfasis pusieron en marcha los gobiernos de la región.Dos ejes de esta reforma interesa destacar: aquel relacionado a los temas de dirección de instituciones educacionales y los que abordan cuestiones de perfeccionamiento docente.El primero ha implicado desarrollar líneas de trabajo relacionadas al fortalecimiento de las capacidades de gestión y evaluación de resultados. El segundo fomenta el desarrollo profesional de los docentes y las políticas de incentivos. También en estos años se han incorporado al vocabulario habitual de los directivos conceptos como el de rendición de cuentas (accountability) y liderazgo directivo.Estando a más de una década del inicio de la reforma, sabemos que su implementación no fue homogénea y sus resultados han sido muy distintos en cada país. Entre los factores relevantes a considerar en un primer análisis comparado está el nivel de compromiso de los gobiernos, las situaciones de estabilidad políticoinstitucional o bien el nivel de involucramiento de los actores (stakeholders) 2; entre ellos, uno de estratégica importancia para el éxito de cualquier reforma: los maestros. Su participación en las definiciones fundamentales de la reforma en general ha sido marginal, de bajo impacto y reactiva en muchos casos, esto porque, en la mayoría de las experiencias, la reforma de los noventa se abordó desde una perspectiva más bien institucional, donde se modificaron aspectos relativos a la legislación, los contenidos y metodologías, el modelo de financiamiento, la gestión y administración de los sistemas educativos. La consecuencia de ello es que muchosde estos cambios no lograron modificar las prácticas tradicionales como se planificó y “siguieron obedeciendo a viejos modelos incorporados en la cultura y subjetividad de los docentes”.En este marco y reconociendo la disparidad de entornos que rodean a la escuela latinoamericana, el artículo presenta una selección de referencias bibliográficas fundamentales, que pretenden orientar en los conceptos claves a través de los cuales sea posible reconocer los aspectos o ámbitos que posibilitan el desarrollo del liderazgo de los docentes. Esto es, generar las condiciones para lograr un ambiente de trabajo que promueva una cultura de participación efectiva de los profesores para el logro y mejora de su propio quehacer y de los objetivos declarados en el proyecto educativo de la institución escolar.

Fonte:http://www.educared.pe/directivos/articulo/1110/el-liderazgo-docente-en-la-construccion-de-la-cultura-escolar-de-calidad-un-desafio-de-orden-superior/

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sábado, 13 de fevereiro de 2010

Um país à escuta

Novas revelações, obtidas em escutas telefónicas, voltaram a pôr em causa a seriedade de algumas personalidades dos círculos do poder.
As escutas foram declaradas ilegais, mas quem se importa? A Justiça deixa-se violar e a comunicação social substitui-a no julgamento popular. Os visados podem não ser incriminados, mas nada anula o que supostamente disseram e a imagem, negativa, que fica.
As escutas divulgadas puseram a descoberto coisas que nada consegue apagar. Para a Justiça, os cidadãos em causa podem ser impolutos, para a Opinião Pública já foram condenados. Para o PM é mais uma estação da Via Sacra.

segunda-feira, 8 de fevereiro de 2010

Educational Leadership Qualities

Leadership is about character, integrity and courage more than being the smartest, strongest or the best at something. The foundation of a leader is integrity and must be displayed. The dictionary states integrity as; soundness of moral character; honesty. Simply put integrity means true to your word, owning up to your mistakes, not making excuses and taking responsibility for your actions. Courage is doing the right thing, for the right reasons even when no one is around. The ability to act is truly courage, action is how you are courageous to go against all the odds when you know something is right.
Do what you say. The saying, lead by example, are the actions of a leader. Think of someone you have personally known who you thought was a good leader, but it turned out they were not. They were saying all the right things and you probably believed them, but their actions did not reflect what they were saying. These are the actions of a leader who have their own agendas and do not possess the courage to do what is right for their people.
Leaders never give up on something, once they have chosen their dream. Many leaders have failed countless times, that is how they have learned. If you try to avoid failure, you will also be avoiding action. The ability to persevere and never give up is how you become a leader.
Integrity, lead by example and perseverance these are the qualities of a great leader. The greatest leaders are also compassionate towards others, but are not easily influenced. I will now leave you with a quote that shows the power that a single leader can produce. "I am not afraid of an army of lions led by a sheep; I am afraid of an army of sheep led by a lion"... Alexander the great.

Fonte: http://www.articlesbase.com/self-improvement-articles/educational-leadership-qualities-3-simple-steps-for-achievement-1831933.html

domingo, 7 de fevereiro de 2010

Cómo se aprende a ser un buen director de escuela

El sistema educativo mexicano se ha transformado en sistema complejo y muchas veces complicado. La complejidad tiene relación con los dramáticos cambios de la sociedad mexicana en los últimos 100 años. Sin embargo, las escuelas parecen seguir atrapadas en las primeras décadas del siglo XX. Todavía persiste la idea de que la simple experiencia es suficiente para organizar y hacer funcionar a las escuelas que poseen un gran número de docentes y de alumnos. La OCDE considera que es necesario revisar el lento procedimiento para nombrar a los directores escolares y demandan un proceso que evalue sus competencias profesionales y no solamente su antiguedad:Los más de 200 mil directores de preescolar, primaria y secundaria de México no tienen la capacidad para desempeñar ese cargo debido a que no cuentan con la formación para liderar una escuela. Por lo general, quienes han llegado al puesto de director de un plantel, dejaron de dar clases y no recibieron ninguna capacitación para el nuevo cargo, por lo que muchos desconocen el reto que implica dirigir un plantel educativo. Así lo señala Beatriz Pont, directora del proyecto Mejorando el Liderazgo Escolar, de la Dirección de Educación de la Organización para la Cooperación y el Desarrollo Económico (OCDE). Pont explica que en las escuelas de México el director no ha logrado ser un líder, porque la formación que recibe para ese cargo es insuficiente y porque no llega ahí mediante un examen de asignación. En México, como en otros países de la OCDE, los directores escolares aprenden en la práctica muchas tareas que no saben cómo resolver; esto ocasiona que se conviertan en administradores en vez de un líder escolar que busca mejorar el desempeño de sus maestros y el aprovechamiento de los estudiantes. “Al director se le transfieren problemas con los maestros, los papás, los alumnos y es una tarea compleja para la que no fue preparado”, expone la especialista en políticas educativa del organismo internacional.

Fonte: http://educacioncafe.blogspot.com/

sexta-feira, 5 de fevereiro de 2010

À mesa do orçamento

Em tempo de discussão do orçamento do Estado, tudo parece ficar mais negro.
Com um défice excessivo, o desemprego a aumentar e a economia a patinar, pouco mais resta do que a fé para acreditar num Portugal melhor.
E se o orçamento é importante. Mais de seis milhões de portugueses sobrevivem à sua custa, todos quantos asseguram o funcionamento do Estado, os pensionistas e reformados, os beneficiários do RSI e outros, que também vão petiscando.
Este talvez seja o maior problema estrutural do país, um Estado demasiado forte e uma sociedade civil tão débil que não vive sem o apoio daquele. Um verdadeiro ciclo vicioso a que a mesa do orçamento já não consegue matar a fome.

Ganhar prà bucha

Sábado passado, Mercado de Levante. Entusiasmado com os galináceos e deslumbrado com a hipótese de comprar tanta coisa barata, o meu filhote mais novo arrastou-me para a tenda dos CD e DVD. Pelo aspecto e pelo preço, devem ser contrafeitos, cópias piratas em saldo. ”Dois por cinco euros. É comprar, é comprar, minha gente!”.
O vendedor fita-me com ar cúmplice e eu esboço um sorriso de compreensão. “Então e se vem a polícia?, questiono. “Leva a mercadoria e ainda temos de pagar a multa”. “E arrisca?”, reponto. “Que se há-de fazer, é melhor do que andar a roubar e é preciso ganhar prà bucha!”.
Triste sina a destas pessoas, que têm família para cuidar, e encaram como um custo profissional viver fora da lei.

O Guido é bué fixe

Guido Westerwelle é vice-chanceler e Ministro dos Negócios Estrangeiros da Alemanha e homossexual assumido. Numa recente deslocação oficial à China fez-se acompanhar do homem com quem partilha a vida, sem que o protocolo de Beijing tenha ficado com os olhos em bico.
Guido é um homem que se assume, é um tipo bué fixe, dirão os nossos adolescentes. Não são só os costumes e a moral que estão a mudar, a língua também, e muito; "Oi xtora!!! ta td ben knsg?”, grafia sms, é outro exemplo desta evolução.
Aos que se horrorizam com os sinais dos tempos não restam muitas alternativas. Haverá alguns excessos, mas o caminho não tem retorno.

quinta-feira, 4 de fevereiro de 2010

A irresponsabilidade governativa

Os gestores são responsabilizados pelos seus actos e a responsabilização tem vários graus; no limite, chega ao património próprio. Com quem governa não pode ser diferente.
Depois de quatro anos de turbulência inaceitável, que deixaram as escolas às avessas e os professores na fossa, o Governo mete na gaveta tudo o que antes tinha considerado inegociável.
Quem se responsabiliza pelos prejuízos, entretanto, causados, às crianças, às famílias, aos professores, ao País? Quanto custou a irresponsabilidade anterior? Quanto vai custar o acordo obtido agora? Quem paga os impostos que financiam o desvario tem o direito de saber.

domingo, 10 de janeiro de 2010

Portugal 3D

Com a revolução do 25 de Abril de 1974, Portugal confrontou-se com três desafios – democratização, descolonização e desenvolvimento. Volvidas 3 décadas, a política portuguesa contínua sob o signo do 3D, agora – desemprego, défice (contas públicas) e dívida (externa).
O desafio é claro, responder com soluções aos 3D, sob pena de o país continuar a patinar num ciclo de empobrecimento, que ninguém sabe onde poderá chegar, nem quais as consequências.
Para ultrapassar as dificuldades são necessárias soluções políticas, mas a dimensão do problema, não hipotecar o futuro do país, não pode ser deixado apenas aos políticos, é tarefa de todos.

domingo, 3 de janeiro de 2010

O bufo e o papagaio

Ahmed era um príncipe mouro de Granada (*), que foi educado longe do mundo, numa alta torre, para que nada aprendesse sobre o amor, pois daí podiam advir-lhe, segundo uma profecia, terríveis provações.
Acabou loucamente apaixonado por uma princesa que nunca vira e de quem nada sabia, em resultado de uma mensagem trazida por uma pomba. Fugiu da torre e ajudado por um bufo (ave) e por um papagaio acabou por encontrá-la.
A profecia não se concretizou, Ahmed herdou o reino de Granada e, reconhecido, nomeou o bufo primeiro-ministro e o papagaio mestre-de-cerimónias, constando que “nunca houve reino tão sabiamente administrado”.
Em 2010 o bufo e o papagaio de Ahmed vão fazer-nos muita falta.

* Referência a um dos “Contos do Alhambra” de Washington Irving (primeira publicação 1832)