segunda-feira, 29 de março de 2010

O Primeiro-ministro mentiu

A afirmação não é minha, é apenas o eco do que corre pelo país político e transborda crescentemente para o país real. Não sei se mentiu, mas sei que a acusação é gravíssima e a prudência e a decência aconselham um pouco mais de moderação na linguagem.
O mesmo Primeiro-ministro fez esta semana um périplo relâmpago pelos países do Magreb, procurando reforçar os nossos interesses económicos na região. O líder líbio, Muammar Khadafi, fê-lo esperar um par de horas antes de o receber; indignei-me. Quem estava à porta não era José Sócrates, era Portugal.
É aqui que está o busílis da questão, criticar o PM é legítimo, desrespeitá-lo é como perdermos o respeito por nós próprios.

domingo, 21 de março de 2010

Escolas assassinas

Em Mirandela um aluno lança-se ao rio, alegadamente farto dos maus tratos que alguns colegas lhe infligiam. Em Sintra um professor faz o mesmo, justificando o seu acto desesperado por não aguentar mais as humilhações a que os alunos o sujeitavam.
É certo que as situações não são generalizáveis, que o suicídio é um fenómeno complexo, que cada aluno e cada professor é uma personalidade singular e que cada escola é um microcosmo único.
Mas as escolas têm de ser sopros de vida, não antecâmaras de mortes evitáveis. Em ambos os casos nada nem ninguém foi capaz de antecipar o desfecho trágico, muito menos fazer algo para o evitar, e isto é que é incompreensível e inaceitável.

Como um barco sem rumo

Imagine um navio numa tormenta, com um rombo no casco, o leme danificado e a água a entrar na casa das máquinas. Em pânico, os passageiros esperam do comandante decisões firmes e sábias.
Eis senão quando este informa esperar-se que alguém possa vir em socorro do barco, comprá-lo, afundá-lo, ou mesmo transformá-lo; mas nada é certo. Os passageiros esperavam acção, não que caísse do Céu uma solução.
Não sei o que aconteceu ao barco, mas lembra-me o estádio de Leiria. Entre vendas, implosões e transformismos, a conta continua a aumentar e verdadeiras soluções…nenhuma. Num barco, para chegar a bom porto, é preciso ter um rumo definido e um piloto capaz de cumprir a rota.

A culpa não resolve problemas

Atribuir responsabilidades é um acto de gestão indispensável; exigir responsabilidades é um direito de cidadania de todos nós.
No entanto, muitas vezes perde-se de vista o essencial, avaliar os erros para os corrigir, optando-se por transformar alguém em bode expiatório de algo que correu menos bem, como se encontrar o culpado fosse mais importante do que resolver os problemas.
A propósito da tragédia na Madeira, algumas vozes se levantaram contra o Governo Regional, culpando-o por algum desordenamento urbanístico. Mas será possível calcular as culpas dos homens face às da natureza enfurecida? O importante é reconstruir, não utilizar o drama para ajustes de contas.

terça-feira, 9 de março de 2010

Querido Magalhães

Devo começar por fazer uma declaração de interesse. Ninguém me pagou para dizer o que vem a seguir. É verdade que não fui fotografado a tomar o pequeno almoço com o Primeiro Ministro e, que me lembre, só jantei com ele uma vez numa tasca da Boavista, leitão claro, quando ele fazia a travessia do deserto entre o guterrismo e o socratismo.

Dito isto, quero elogiar o Magalhães, o computador mais vilipendiado em Portugal desde que eles existem. Estava eu a preparar-me para viajar para o exterior, se dissesse estrangeiro pensavam logo que ia de férias, quando me lembrei de experimentar o do meu filho mais novo. É maneirinho, pesa pouco e a acreditar no que dizem em Portugal ninguém o quer roubar.
Pois a verdade é que serve na perfeição para gerir o correio e escrever o que é preciso. Mantém-nos em contacto e dá para trabalhar. Que mais poderia querer? É certo que é num bocadinho lento, mas há coisas que até convém que não sejam muito rápidas para podermos pensar melhor.
Aqui fica a minha homenagem ao pequeno Magalhães.
Depois de tanta maledicência é tempo de começarmos a dar valor a um dos programas que, no estrangeiro, gera a admiração de quem sabe das coisas da educação.

Entretanto, minder jót!