sexta-feira, 16 de abril de 2010

Professores em risco

Um centro de investigação inglês acaba de publicar um relatório preocupante sobre a saúde dos professores; sofrem de depressão, taquicardia e distúrbios alimentares e apresentam forte tendência para o suicídio.
As causas são, sobretudo, o excesso de trabalho e o mau comportamento dos alunos. A situação é agravada pelo facto de os professores em risco “não terem apoio das direcções das escolas, dos seus coordenadores e do sistema como um todo.”
Um líder sindical defende que “se os professores necessitarem de usar a força para salvaguardar a segurança, devem fazê-lo”. É certo que falamos de Inglaterra. E por cá, é muito diferente?

A falácia do Estado Mínimo

Cavaco Silva chamou-lhe o “monstro”, alguns querem-no mínimo, mas os portugueses apreciam o seu manto protector.
É que a imagem tradicional do Estado – uma miríade de funcionários públicos incompetentes e improdutivos – não passa de um embuste. O Estado é o conjunto dos serviços sem os quais os portugueses não poderiam viver, da saúde à educação, da justiça à segurança, do ambiente à economia, das obras públicas ao desporto.
O Estado Mínimo corresponde à degradação dos serviços públicos, não a maior racionalidade. Que é preciso ganhar eficiência e melhor capacidade de gestão, é um facto. Mas a qualidade não se compagina com a demagogia minimalista.

sexta-feira, 2 de abril de 2010

O beco português

Sou de uma geração que cresceu a acreditar na mudança política e social, na construção de um mundo melhor. Então as escolhas eram claras - Estado Novo versus democracia. E como nos embebedámos de liberdade.
Hoje não há escolha, ou o PEC ou a bancarrota. Pela enésima vez, os portugueses vivem à beira do abismo financeiro mas, tal como na história do lobo, ninguém acredita que seja verdade. O consumismo, para os que ainda podem, é a sublimação da frustração. Hoje posso gastar, amanhã logo se vê!
A deriva gestionária alastra como uma mancha de óleo. O primado da política deu lugar à contabilidade, necessária, mas insuficiente. O futuro é previsível, tanto quanto para um fugitivo que se mete por um beco.