domingo, 30 de maio de 2010

Emagrecer o Estado

Já aqui escrevi sobre o “Estado Mínimo” e o perigo de reduzir os serviços públicos a níveis de insuficiência inaceitáveis. Mas é um facto que existe um défice de eficiência e de eficácia em muitos deles, sobretudo por razões organizacionais.
O problema é, sobretudo, estrutural e decorre da forma como se legisla ou se regulamenta, muitas vezes sem sentido das realidades e sem qualquer avaliação dos impactos financeiros das decisões.
Apesar dos “simplexes”, a verdade é que a Administração Pública é excessivamente burocrática, a gestão cada vez mais complexa, o funcionamento sujeito a mais entropia. Emagrecer o Estado é, sobretudo, um combate sem tréguas à irracionalidade organizacional.

domingo, 23 de maio de 2010

Um país a fingir

Portugal finge que é um país independente, mas é Bruxelas quem manda aqui. Ainda bem, não fosse assim e em vez do cinto agora, ainda nos apertavam o pescoço mais tarde.
O Governo fingia que tinha um rumo para o país, mas afinal ficámos a saber que ou se enganou ou nos enganou a todos. A nova liderança do PSD fingia que era alternativa ao Governo, mas já acabou a pedir desculpa por ter que dar o dito por não dito.
Os portugueses fingem que acreditam nos governantes, nas oposições, nos políticos em geral, na redução do défice, no crescimento da economia, num futuro risonho para o país. Fernando Pessoa diria que somos uns fingidores, tal como o poeta “que chega a fingir que é dor, a dor que deveras sente”.

quinta-feira, 13 de maio de 2010

A serpente e o pirilampo

Era uma vez uma serpente e um pirilampo que viviam numa floresta longínqua. Um dia a serpente começou a perseguir o pirilampo. Este percebeu que a serpente o queria devorar e fugiu enquanto pôde.
Ao fim de três dias, cansado e já sem esperança de se salvar, parou e pediu à serpente que lhe concedesse a graça de lhe deixar fazer três perguntas. Magnânima, esta acedeu.
Então o pirilampo perguntou-lhe: “Faço parte da tua cadeia alimentar?”. “Não”, respondeu a serpente. “Mas vais comer-me?” “Claro!”. “Porquê?”, insistiu o pirilampo. “Porque o teu brilho me incomoda!”, respondeu-lhe a serpente. Moral da história, cuidado com as serpentes, mesmo que não seja um pirilampo.

União Nacional

Eu sei que esta expressão evoca outros tempos, mas há momentos na vida dos povos em que velhas palavras devem ganhar novos sentidos. A crise com que o país se debate, meio importada, meio provocada por delírios internos, teria uma resposta muito mais consistente se o país político se unisse ao resto do país numa verdadeira união nacional de vontades, de expectativas, de práticas e de resultados.
Entendamo-nos! Dirão muitos, num mínimo denominador comum, capaz de fazer o país tomar fôlego para se lançar na recuperação e evitar o sufoco do permanente “credo na boca” em que vivemos.
Se não formos nós a fazer o que tem de ser feito, alguém o fará por nós, e será sempre pior.

Reinventar o futuro

As agências internacionais insistem em dar má classificação à economia portuguesa, alguns não desistem de nos acenar com o fantasma da bancarrota, a bolsa dá trambolhões históricos, as condições de vida dos portugueses agravam-se, os conflitos sociais crescem em flecha e o sector dos transportes ameaça paralisar o país.
Vivemos sobre um barril de pólvora pronto a explodir, só falta saber quem acende o rastilho ou se o bom senso e a capacidade de colocar os interesses colectivos do país acima dos interesses particulares e de classe se conseguem sobrepor à inconsciência do quanto pior melhor.
“As portas que Abril abriu” parecem fechar-se cada vez mais. É tempo de reinventar o futuro.

Poeira vulcânica

A erupção de um vulcão na Islândia lançou o caos na navegação aérea europeia e nas contas de inúmeras empresas e cidadãos, acentuando a fragilidade da modernidade face ao poder ancestral da natureza.
Fechado o espaço aéreo, em nome da segurança, questiona-se a necessidade e a responsabilidade pelos prejuízos decorrentes. É que uma companhia aérea testou, com aviões vazios, e concluiu não ter encontrado quaisquer danos para os motores nem perigo para os passageiros.
É mais uma medida drástica, cuja necessidade é posta em causa, sem que ninguém seja responsabilizado e sem que os prejudicados sejam ressarcidos. Mas, e se o espaço aéreo se mantivesse aberto e um avião caísse?