domingo, 6 de fevereiro de 2011

Ponto final

Espero bem que a discussão havida na última Assembleia Municipal em torno da auditoria financeira à Câmara e do estudo sobre a Leirisport constitua o ponto final necessário ao encerramento da fase de “negação” à ação política do executivo anterior de maioria PSD.
Quando se processa uma mudança de poder é importante que cada um assuma as suas responsabilidades, mas não adianta insistir nos erros ou falhas alheios se não na estrita medida em que é indispensável clarificar o ponto de partida da nova gestão, por oposição ao legado do executivo anterior.
Para além das diferentes leituras técnicas e políticas das contas da autarquia, a verdade é que a situação não é famosa e todos já sabíamos disso. A auditoria teve o mérito de permitir uma leitura mais técnica do problema, embora a questão de fundo seja política e não haja solução técnica que a resolva.
Aqui chegados é imperioso fechar este capítulo, o anterior executivo e as suas políticas foi julgado nas últimas autárquicas e o PSD condenado a uma cura de oposição. O novo executivo recebeu um mandato, que deverá ser avaliado politicamente nas próximas eleições, não lhe bastando queixar-se do que encontrou e tendo absoluta necessidade de evidenciar capacidade de ultrapassar as dificuldades e mostrar obra feita.
A não ser assim e ninguém lhe perdoará, ninguém quererá saber das dificuldades financeiras herdadas, dos problemas acrescidos resultantes da crise profunda em que o País está mergulhado, das mil e uma dificuldades que a cada dia enfrenta. Os eleitores querem promessas cumpridas e obra que se veja.
Quanto à Leirisport, o estudo feito por uma consultora pouco ou nada adiantou à necessidade de uma decisão de fundo que só peca por tardia. É justo que se reconheça que quando se encomenda um estudo nunca se sabe o que dele vai resultar. Infelizmente, neste caso, nada de substantivo.
No entanto, há um dado relevante, os anteriores e os atuais responsáveis da empresa estão de acordo num ponto muito importante, esta permite ganhos de gestão relativamente a uma solução não empresarial. Assim sendo, está definido tecnicamente o mais importante e a liderança política tem aqui o fundamento indispensável à sua decisão.
A questão mais delicada, como todos já percebemos, não é a Leirisport é o estádio e o topo norte e urge resolver o problema. Cada dia que passa o executivo desgasta-se com o impasse e o tempo corre a seu desfavor. Pior do que uma má decisão é não tomar decisão nenhuma.
Encerrado este ciclo, é tempo de cerrar fileiras, maioria e oposição estão na Câmara para benefício de todo o concelho, não para fazerem da ação política uma guerra sem quartel.