quarta-feira, 6 de julho de 2011

O estranho mundo da Assembleia Municipal de Leiria

Ontem houve Assembleia e foi uma experiência diferente para mim. A reunião era continuação de uma ocorrida na semana passada a que estive ausente por me encontrar no estrangeiro. Como a de ontem era de continuidade não pude participar activamente. Acompanhei os trabalhos na bancada reservada ao público.
Que magnífica experiência, a mudança de papel faz-nos olhar para o que ali se passa de forma completamente diferente e, de repente, é como se nada daquilo fizesse sentido.
Se nos distanciamos dos ritos que ali imperam, uma espécie de missa política em que se digladiam os bons e os maus, os deuses e os demónios, consoante a cor que cada um ali veste e defende, tudo parece surreal e fora do mundo em que os que ali não têm assento vivem.
Porque razão A defende uma coisa e B o seu contrário, é inexplicável, até porque se a situação fosse diferente e a matemática dos votos outra, tudo seria ao contrário.
Se não vejamos, o PS defende a alienação do estádio e a concessões dos SMAS a privados. O PSD o inverso. Mas então não é o PSD que é "neoliberal", para usar um palavrão agora em moda? E não seriam os socialistas que deviam defender a manutenção destes activos no domínio público integral?
Mas nem tudo o que parece é. O PS tem responsabilidades de gestão na autarquia e está num beco sem saída quanto a verbas que não existem nem vão existir. Alienar e concessionar é a única forma de sair (parcialente) do sarilho. O PSD, pelo contrário, tenta defender a herança e é contra porque sim. Os outros partidos marcam o ponto e a mais não aspiram.
Mas mais confrangedor ainda é o ambiente de crispação, provocação e insulto (num caso ou outro) completamente injustificado e a mostrar que as melhores pessoas se podem transformar no que jamais avalisariam se não fosse o micro-clima político que ali se vive.
Igualmente confrangedor foi o nível do debate. Quando cheguei já tinha sido votada a alienação do estádio e sobre esse ponto não me pronuncio. Mas quanto à eventual concessão dos SMAS a argumentação do PSD não passou de uma encenação para cliente político ver. Nem um argumento substancial. Pouca informação, a água é um bem essencial, pouca informação, estudo mais aprofundado e disto se não saiu. E o mais caricato é que num momento em que o "seu" governo tem uma orientação claramente a favor da privatização de tudo o que possa e deva ser privatizado, o PSD local é contra, até as concessões.
Provavelmente este assunto não tem sido gerido politicamente da melhor maneira, é bom não esquecer que o ónus da negociação está do lado da maioria camarária e que é do seu próprio interesse negociar, negociar, negociar e procurar consensos. Mas o PSD empenha-se numa política de terra queimada que não leva a nada a não ser ao desgaste de todos.
Claro que só posso dizer isto porque em consequência de um preceito administrativo estive de fora. Caso contrário teria vestido a minha farda partidária e faria, muito provavelmente, a mesma figura dos outros.
Uma coisa tenho a certeza, é urgente alterar a forma de relacionamenteo político na Câmara e na Assembleia Municipal, a favor do munícipes e de uma gestão moderna e eficaz da autarquia.