domingo, 3 de novembro de 2013

Guião para a reforma do estado

Finalmente foi conhecido o guião para a reforma do Estado. A primeira curiosidade foi o guião ter sido apresentado pelo Vice Primeiro Ministro e não pelo Primeiro Ministro como seria natural em matéria de tanta importância política. Mas enfim, como diria o Prof. António Salazar, "em política o que parece, é", e cada um que interprete este jogo de sombras entre PSD e CDS.
Quanto à matéria substancial, há muito para refletir, discutir e, sobretudo, decidir quando houver condições políticas e de contexto que permitam ir avançando, sendo certo que uma reforma do estado não se faz de supetão e é tarefa demorada.
As reações dos restantes partidos têm sido as previsíveis, rejeição total ou muito próxima disso, como se a situação do país fosse resolúvel apenas com rejeição e não com aproximação e busca de consensos em matérias que ultrapassam em muito a atual conjuntura.
O problema fundamental que se coloca ao atual governo e a todos que surgirem no próximo futuro é assegurar a sustentabilidade do Estado. Independentemente da conceção de Estado que se tenha, a questão é saber como financiá-lo. Para o cidadão menos dado às coisas da política esta discussão pode parecer não ter sentido já que a noção básica que muitos têm do Estado é a de uma entidade cuja capacidade para gerar recursos não tem limite.
Infelizmente não é verdade, como nos últimos anos os portugueses bem têm sentido na pele e na carteira. Para além das questões de princípio sobre a organização do Estado, os portugueses têm de decidir quanto estão dispostos a pagar por ele, ou seja, pelos serviços que este lhe presta seja na saúde, na educação, na segurança, na justiça e por aí adiante.
Com mais ou menos demagogia à volta da discussão sobre o futuro do Estado, a realidade é que chegámos a uma situação que não permite ilusões, ou continuamos esmagados com dívida externa e com impostos ou encontramos forma de aligeirar a estrutura do Estado, concessionar serviços a privados, privatizar atividades e serviços, e conseguir que os que se mantém na órbita estatal funcionem de forma mais barata e eficiente.
Face ao guião, a única atitude que parece inteligente e construtiva do ponto de vista dos interesses dos portugueses em geral é discuti-lo, por mais discordâncias que ele suscite. Rejeitá-lo sem mais pode servir interesses partidários e alimentar o ego de clientelas políticas mas não terá qualquer efeito prático, nem creio que sirva os interesses do país.