terça-feira, 9 de abril de 2013

Dia da indignação e da esperança

Os últimos desenvolvimentos na sequência do acórdão do Tribunal Constitucional vieram demonstrar à saciedade aquilo que já todos sabíamos, o país não tem uma liderança política à altura, o governo não tem soluções nem capacidade para mobilizar os portugueses, o presidente da república age como se a política fosse apenas feita de formalismos e da suficiência de maiorias na Assembleia da República e o líder do PS, entalado entre o desgoverno e a pressão diária para afirmar a sua autoridade interna, ou anda a fazer bluff ou deixou-se mesmo encantar pela ideia das eleições antecipadas.
O país vive uma situação de emergência nacional, a pressão dos credores, a economia em desaceleração, os pensionistas assustados com a erosão crescente das reformas, o desemprego a alastrar como uma  fatídica e descontrolada epidemia, os jovens a emigrarem e sem perspetivas de futuro no país onde nasceram, os funcionários públicos a toda a hora ofendidos e humilhados como se fossem os causadores de todas as desgraças nacionais, quem tem emprego a viver no pavor de o perder, e quem já perdeu emprego, casa e não tem meios para prover ao sustento dos seus, no desespero.
É neste cenário que alguém fala em devolver a voz ao povo e fazer eleições? Devolver que voz? A da indignação ou a da esperança? Para isto não são precisas eleições, basta, por exemplo, que se aproveite o aniversário da revolução de 25 de abril de 1974 para o transformar num dia de indignação mas também de esperança.
Nem são precisas manifestações nem marchas de logística complicada, basta que em cada povoado, vila  e cidade os cidadãos que se sentem humilhados, desrespeitados e ofendidos com a situação do país e com os responsáveis políticos se juntem no centro cívico das respetivas terras ao meio dia e, apenas com a sua presença, manifestem a sua indignação face ao estado a que o país chegou e à receita de mais e mais austeridade, mais e mais exigências dos credores, quais agiotas dos tempos modernos, e a sua exigência de que as forças políticas encontrem os consensos necessários para estancar a hemorragia e devolver a esperança aos portugueses.
Como sinal de que a esperança não morreu e de que todos acreditam num Portugal renovado, cada um pode levar um lenço branco como símbolo de renascimento, paz e prosperidade. Os tempos são de resistência, combate e crença num futuro melhor e os atores principais deste processos são os cidadãos, os que são o sangue e a força das nações.