Violência e alunos com
comportamentos reprováveis sempre existiram, mas constituíam a exceção porque
cultivavam-se valores relacionais, distinguiam-se os papéis dos diferentes
atores e as escolas eram lugares seguros e onde se aprendiam também as virtudes
da cidadania e do respeito pelos outros.
Hoje, muitas escolas são lugares
de má fama, onde os pais, se tivessem alternativa, não colocavam os filhos e os
professores, se pudessem, não escolhiam, onde existe um ambiente social de
valores profundamente corroídos, em que a linha divisória entre o aceitável e o
reprovável, o bem e o mal, a lei e o crime, estão de tal forma esbatidos que
tudo parece justificado e enquadrado numa normalidade absolutamente imoral.
Nunca mais esquecerei um
experiente diretor de uma escola pública de Coimbra, homem curtido por anos de
ensino e direção, que me contou com lágrimas nos olhos um episódio, hoje tudo
menos atípico; ao repreender um aluno que se tinha comportado de forma
gravemente imprópria, este olhou para os colegas à volta e referindo-se ao
diretor exclamou: “Tão-me a ver este palhaço?”
Não estou a carregar nos tons
escuros, limito-me a dizer em voz alta o que muitos sabem ser hoje corriqueiro
em muitas escolas, apesar de o Ministério da Educação e os seus sucessivos
responsáveis fingirem não perceber a gravidade da questão, como se os excessos
garantísticos dos direitos dos alunos face às suas obrigações fossem a solução para
travar um mal que se acentua, põe em causa as condições de aprendizagem e
destrói os relacionamentos.
A solução não é simples, mas
existe. Trata-se de definir a linha que não pode ser ultrapassada. Se a escola
não pode rejeitar nenhum aluno, estes também não podem atentar contra a essência
da própria escola, porque ao fazê-lo estão a lesar gravemente os direitos de
outros. Tem sido o demissionismo face à gravidade do problema que tem
contribuído para o seu agravamento e é o principal estímulo ao desenvolvimento
deste verdadeiro cancro da escola.