Os militantes
socialistas e todos os que se reveem na história e no ideário do Partido
Socialista não podem continuar a assistir passivamente à degradação da vida
política nacional e ao desânimo de muitos cidadãos que não veem alternativa
no quadro atual dos partidos com vocação governativa e começam a alimentar
soluções populistas e radicais.
As eleições europeias são a prova evidente de que a
maior parte dos portugueses não se sentiram mobilizados para exercerem o seu
direito de voto e não é abusivo concluir que as propostas políticas
apresentadas pelas várias formações partidárias não foram suficientemente
apelativas para gerar maior participação e empenho nas eleições, o que só pode
traduzir desinteresse, descrédito, desconfiança e falta de perspetivas quanto
ao futuro.
O Partido
Socialista ganhou as eleições mas não ganhou o País e a atual liderança não
compreendeu que era chegada a hora de fazer um balanço realista da situação
interna e externa e tirar as conclusões que se impõem, o PS pode parecer
ganhador, mas não mobilizou suficientemente a sociedade portuguesa contra as
soluções de governo que desde há anos esmagam os portugueses mais débeis
economicamente, destroem a classe média, aumentam o desemprego, não estimulam a
economia e afetam gravemente a autoestima do País.
Por tudo isto
os signatários saúdam a iniciativa patriótica de António Costa, militante
destacado e político de créditos firmados com longo e brilhante currículo ao
serviço da Nação, ao apresentar-se ao país com espírito de serviço e disposto a
assumir as suas responsabilidades liderando um movimento de renovação política
que devolva ao partido e, sobretudo, aos portugueses e portuguesas a confiança perdida
e se constitua como uma alternativa mobilizadora, forte e credível, com
condições de sucesso nas próximas eleições legislativas.
A gravidade da
situação portuguesa exige alternativas políticas robustas e não apenas a
ambição de ganhar eleições a qualquer preço e o Partido Socialista tem o
dever patriótico de se abrir ao País e à discussão dos problemas nacionais sem
se encerrar em trincheiras formalistas, antes ouvindo a voz de todos os
militantes e dos cidadãos em geral e lendo com sabedoria os sinais dos tempos,
razão pela qual os signatários apelam ao
Secretário-geral e à Comissão Política Nacional para que seja convocado um
Congresso Extraordinário onde a voz dos militantes e do País se faça ouvir e as
várias propostas políticas para o futuro discutidas.