quarta-feira, 18 de abril de 2018

Longevidade e cuidadores

Já todos sabemos que estamos a envelhecer e quando vivemos de perto a situação dos nossos familiares e mais próximos percebemos como não é fácil garantir a todos um fim com a dignidade, a privacidade e o conforto a que devíamos ter direito. Como muitas outras coisas, conhecemos o problema, sabemos que o futuro nos levanta muitas interrogações, sobretudo se não anteciparmos as soluções, mas vamos adiando como se esperássemos que algum facto inesperado mude a realidade. No entanto, os números não mentem. Em 2017, haveria no mundo 962 milhões de pessoas com 60 e mais anos; em 2050 estima-se que existam 2,1 biliões. Em 2017, 137 milhões com 80 e mais anos; em 2050, 425 milhões. Em Portugal, em 1971, 28% da população tinha entre 0 e 4 anos, 62% entre 15 e 64, e 10% 65 ou mais anos. Em 2016, para os mesmos intervalos, 14%, 65% e 21. Os primeiros ficaram reduzidos a metade, os últimos mais do que duplicaram. Se hoje em dias se estima que existam 800 mil cuidadores informais não remunerados, e ninguém sabe quantos existem no total, incluindo os profissionais, imagine-se como vai ser o futuro. Por isso são de saudar todas as iniciativas que contribuam para se encontrarem soluções, sendo que o Estado tem um papel importante, mas jamais se poderá pensar em deixar apenas à sua responsabilidade a solução de uma questão que a todos nos implica e que, gerando problemas, também cria oportunidades. A discussão do Estatuto dos Cuidadores é oportuna e necessária, mas está muito longe de esgotar o tema. Não são só os cuidadores familiares, designação que prefiro a informais, que precisam de atenção, e os “profissionais informais” que também não têm estatuto, carreira ou formação reconhecida e cujo nível remuneratório é ditado exclusivamente pela oferta e procura? Temos de olhar para a floresta, não apenas para a árvore. (18-03-25/Região de Leiria)