sexta-feira, 20 de abril de 2018

Quotas de género na política

Como sempre vivi em ambientes profissionais dominados numericamente por mulheres e fui educado e me tenho comportado como um igual às cidadãs, tenho sempre alguma dificuldade em avaliar de forma fria este tipo de discussões sobre as quotas de género. É certo que a legislação ajuda a mudar as sociedades e que a engenharia social pode ser muito importante, mas fica-me sempre a dúvida se não estamos a incorrer no mesmo erro dos escuteiros que queriam ajudar a velhinha a atravessar a rua, para fazerem a sua boa ação do dia, com a simples nota negativa de que a senhora não queria. Ora, se as mulheres são maioritárias em inúmeras atividades e lideram hoje em muitas áreas, a sua sub representação na política é apenas resultado do "machismo" ainda vigente? Não acredito, a política é uma atividade que não interessa a muita gente, aliás, interessa a cada vez menos pessoas, e talvez muitas mulheres prefiram fazer coisas mais úteis. Se vingar uma conceção fundamentalista das quotas, seremos forçados a aceitar quotas de género, de cor, de orientação religiosa, de orientação sexual, de estatuto económico e por aí fora, até termos feito da democracia um carrocel de quotizados.