sábado, 14 de abril de 2018

Síria(al) killers

Uma coligação dos USA, Inglaterrra e França atacou a Síria com o pretexto de que Assad teria usado armas químicas contra os ocupantes de Douma. A guerra química é hedionda, mas é menos do que cortar cabeças indiscriminadamente, escravizar homens, mulheres e crianças, usar escudos humanos, derrubar as Torres Gêmeas, atropelar gente indefesa em Londres, Nice, Paris ou Berlin? O conflito da Síria foi iniciado como o do Iraque e de outros países do Médio Oriente pelas potências ocidentais que se julgam polícias do bons regimes e que querem impor o seu modelo de sociedade a todo o planeta. É aos mesmos que agora bombardeiam a Síria, mais aos seus aliados de ocasião, que devemos o Daesh e outros grupos terroristas que há anos dilaceram o Médio Oriente. Foi a tentativa de acabar com Assad que se armaram e financiaram os grupos que ainda hoje resistem em Douma e noutros enclaves e o único resultado à vista foi um país destruído, milhares de mortos, centenas de milhares de estropiados, e um número imenso de refugiados que fizeram da Europa o seu Eldorado e criaram um enorme problema social e, no futuro, político que ninguém sabe como resolver. São estes os créditos dos que agora provocam o equilíbrio débil que se começa a gerar na Síria, com a Rússia e o Irão, a ocuparem o espaço que os ocidentais por incúria e pesporrência deixaram ao abandono. Trump precisa do belicismo para disfarçar a incapacidade para governar, Teresa May para desviar as atenções do Bréxit, Macron, o aprendiz de feiticeiro, sente-se ungido pelo espírito de Napoleão e julga-se salvador do Mundo. Não passam de uma troupe de malabaristas a brincar com o fogo, perante a inação das Nações Unidas e dos governos europeus, acólitos impreparados de uma estratégica bélica insensata.